Salvador é palco da 5ª Edição do Encontro Estudantil

Salvador é palco da 5ª Edição do Encontro Estudantil
Durante três dias, entre 21 e 23 de novembro, a Arena Fonte Nova, em Salvador, se transformou no palco do 5º Encontro Estudantil da Rede Estadual. Promovido pela Secretaria da Educação do Estado da Bahia, o evento reuniu estudantes, professores e gestores escolares de escolas públicas estaduais da capital e dos municípios baianos, que ocuparam o local com projetos de arte e cultura, ciências, tecnologia, inovação, empreendedorismo e intervenções sociais, desenvolvidos por eles no ambiente escolar. Além disso, os alunos participaram de jogos, campeonatos esportivos, oficinas e palestras. O encontro foi aberto ao público em geral, com entrada gratuita.

Na abertura do encontro, o governador Rui Costa, acompanhado do secretário da Educação, Walter Pinheiro, fez a entrega simbólica de 660 instrumentos musicais para 34 fanfarras de colégios estaduais, para duas unidades da Fundação da Criança e do Adolescente (FUNDAC) e para quatro Núcleos Estaduais de Orquestras Juvenis e Infantis da Bahia (Neojiba). A doação dos instrumentos visa à renovação das fanfarras e ao fortalecimento do contato dos estudantes com a música e a arte.

“Encontros como este ajudam a oxigenar as escolas, fazendo com que os estudantes aprendam mais com a arte em conjunto com as matérias convencionais. Com este objetivo, temos implantado o projeto ‘Escolas Culturais’ na rede estadual, porque temos a convicção de que o contato com as diversas formas de expressão artística estimula e completa a educação e melhora os indicadores educacionais”, declarou o governador. O secretário Walter Pinheiro reforçou: “Este evento é um incentivo para que os nossos estudantes descubram novos caminhos e ganhem novas ferramentas para se desenvolverem. O Estado vem investindo no fortalecimento pedagógico nas escolas e este encontro significou a coroação de tudo o que foi produzido pelos estudantes, no ano passado, e serve de preparação para o que vai ser realizado no próximo ano”.

As criações estudantis desenvolvidas nas escolas ao longo do ano letivo de 2016 foram apresentadas no Encontro Estudantil, durante as finais do 9º Festival Anual da Canção Estudantil (FACE), da 9ªMostra de Artes Visuais Estudantis (AVE), o 8º Sarau do Projeto Tempos de Arte Literária (TAL), a 5ª Mostra das Aventuras Patrimoniais (EPA), a 4ª Mostra de Vídeos Estudantis (Prove), a 3ª Mostra de Dança Estudantil (DANCE), a 3ª Mostra de Canto Coral Estudantil (ENCANTE) e o 1º Festival Estudantil de Teatro (FESTE).

O encontro envolveu, ainda, a 6ª Feira de Empreendedorismo, Ciência e Inovação da Bahia (FECIBA) e os festivais de judô, xadrez, capoeira e rugby, além de basquetebol especial, voleibol, futsal, handebol, basquete e vôlei, ligados aos Jogos Estudantis da Rede Pública (JERP). O encontro contou, também, com a 4ª Feira de Tecnologias Sociais da rede estadual de Educação Profissional e Tecnológica da Bahia: Território e Intervenção Social e com o Espaço Professor/Empreendedor. A atividade incluiu a Tenda Digital, além de Simulador de Voo, competições de Robótica e a Caixa Preta, do Centro Juvenil de Ciência e Cultura.

A programação do 5º Encontro Estudantil englobou, ainda, o 2º Encontro Estadual de Líderes de Classe; a exposição “10 anos do Programa Todos pela Alfabetização (TOPA)”; contação de histórias; oficinas indígenas; apresentação de fanfarra e a transmissão do evento, ao vivo, para os estudantes das telessalas de aula do Ensino Médio com Intermediação Tecnológica (EMITEC).

Estudantes da Educação Profissional apresentam projetos de intervenções e tecnologias sociais

Voltados para a educação empreendedora, os 189 projetos expostos na 4ª Feira de Tecnologias Sociais da Educação Profissional e Tecnológica incluíram intervenções e tecnologias sociais de baixo custo e de grande alcance social. O evento, que aconteceu dentro do Encontro Estudantil, foi protagonizado por estudantes dos cursos técnicos de nível médio e dos cursos de qualificação profissional da rede estadual. Nos estandes, os alunos demonstraram o resultado de ações pedagógicas relacionadas à formação profissional e à inserção dos jovens no mundo do trabalho.

Durante a feira, os visitantes puderam interagir com os estudantes, participar de palestras sobre temas diversos, como segurança no ambiente doméstico, e degustar, em uma cozinha experimental montada no local, chocolates, doces, cuscuz, empadas, empanadas de jaca, bolos de abóbora e outros alimentos produzidos nos cursos técnicos da rede estadual oferecidos nos Centros de Educação Profissional e Tecnológica da capital e do interior. Os alunos também realizaram serviços gratuitos, como a aferição de pressão arterial.

Dentre os trabalhos de grande alcance social apresentados no evento, destaque para o programa “Professional Vision”, que beneficia pessoas com paralisia total do corpo e da fala. Desenvolvido pelas estudantes do curso técnico de nível médio em Informática, do Centro Territorial de Educação Profissional Itaparica I, em Paulo Afonso, Renata Silva e Rafela Ângela, ambas com 18 anos, o sistema possibilita que o usuário se comunique, por meio de um reconhecedor facial. “Através da webcam do computador, o programa reconhece a pessoa, que pode movimentar o cursor com leves movimentos indicando frases pré-programadas como ‘Olá, tudo bem?’ ou ‘Como está você?’. A seleção é feita com um piscar de olhos, que aciona o clique do mouse”, explicou Renata. Este projeto rendeu às jovens o prêmio de primeiro lugar no Hackathon (maratona de programação) no Google Devfest, em 2016, em Maceió (AL).

Também com grande apelo social, as estudantes e primas do curso técnico de Segurança do Trabalho, do Centro Estadual de Educação Profissional do Vale do Paraguaçu, em Maragogipe, Iris Calheiras, 18, e Jéssica Calheiras, 19, se voltaram para a sua realidade para desenvolver um projeto que altera a qualidade no trabalho de seu povo. “Em nossa comunidade quilombola de Giral Grande temos muitos acidentes com a produção de farinha. Com os equipamentos, acabavam acontecendo muitas mutilações e escapelação do couro cabeludo. Com o nosso projeto, mostramos soluções, como a criação de uma paleta que empurra a mandioca para o trituramento no cocho, evitando o uso direto das mãos. Além disso, o projeto tem uma proteção feita com as caixas que transportam a mandioca, para evitar que o cabelo fique preso na máquina”, explicou Iris.

Os estudantes Gustavo Santos, 17, e Roberto Soares, 18, ambos do curso técnico em Administração do Centro Territorial de Educação Profissional (CETEP) Sertão Produtivo, em Caetité, no sudoeste baiano, desenvolveram o robô CTP 02, feito em cano de PVC. A ideia é que a criação venha a contribuir para questões como sensibilidade e acessibilidade. “Criamos um equipamento interativo, que batizamos de ‘robô cadeirante’. Ele pode, por exemplo, ajudar uma pessoa na sua locomoção na cadeira de rodas sobre obstáculos à sua frente”, contou Gustavo.

Os estudantes Jefferson de Jesus, 20, e Carol Santana, 17, do Centro Estadual de Educação Profissional (CEEP) Gestão e Tecnologia da Informação Álvaro Melo Vieira, em Ilhéus (sul da Bahia), demonstraram ao público da 4ª Feira de Tecnologias Sociais da Educação Profissional e Tecnológica a criação do aplicativo de celular #APPTour. Já no ar, podendo ser baixado via o endereço www.clubedivulga.com.br, os alunos falaram sobre a ideia de construir o aplicativo. “A nossa proposta foi criar uma ferramenta que proporcionasse ao usuário uma experiência que unisse entretenimento, aprendizagem, rentabilidade nas atividades turísticas, contribuindo para o desenvolvimento econômico, histórico, cultural e de conscientização do uso da tecnologia digiral”, explicou Jefferson.

COZINHA EXPERIMENTAL – Os estudantes dos cursos técnicos de nível médio do CEEP do Baixo Sul, em Gandu, desenvolveram um chocolate com diferentes teores de cacau, utilizando o fruto orgânico. Já os alunos do CEEP Luiz Navarro de Brito, em Salvador, serviram receitas saborosas e nutritivas desenvolvidas na cozinha experimental da feira, a partir do tradicional cuscuz.

A vice-diretora do Mundo do Trabalho, do Centro Estadual de Educação Profissional do Semiárido (CEEP), em São Domingos, falou como a Educação Empreendedora tem feito a diferença na formação dos estudantes. “Nos cursos, temos uma iniciativa pedagógica através do desenvolvimento de projetos e ações práticas que levam os alunos a desenvolverem, de maneira empreendedora, atividades que possam agregar renda à sua família e não precisem sair dos seus municípios para conseguirem trabalhar”.


FACE revela novos talentos musicais da rede estadual

Vozes de diferentes timbres interpretando estilos variados: das clássicas bossa nova e MPB (Música Popular Brasileira) ao hip hop, passando pelas batidas do reggae, samba, forró e pop-rock. Foi nesse clima de diversidade musical que os 15 finalistas do Festival Anual da Canção Estudantil (FACE) encerraram o 5º Encontro Estudantil da Rede Estadual, na Arena Fonte Nova. A cantora Margareth Menezes fez uma apresentação especial, colocando a arquibancada lotada para dançar ao seu ritmo afro-pop brasileiro. No final, passou um recado importante para o público estudantil: “Meninada, eu comecei como vocês, apresentando-me em festivais. Se hoje estou aqui é porque não desisti nunca dos meus sonhos. Não desistam dos seus. Continuem lutando pelo que vocês acreditam”.

Os estudantes finalistas deram um show à parte. Canções de autoria própria expressaram sentimentos, experiências, histórias de vida, desilusões e superações, bem como tocaram em temas contemporâneos, como a desigualdade social, o preconceito, a liberdade, a corrupção e a violência. O FACE foi transmitido, ao vivo, pela TVE Bahia, pelo Portal da Educação (www.educacao.ba.gov.br) e pelas redes sociais da Educação no Facebook.

Uma das premiadas, Sthefanny Lorrane Silva, 17, 3º ano, do Colégio Estadual Ruy Barbosa, em Teixeira de Freitas, intérprete e compositora da canção “Cortinas”, se apresentou pela primeira vez na etapa final do FACE. Emocionada por ter cantado para um grande público e ter tido o reconhecimento dos jurados, ela disse: “Estou muito feliz. Trouxe para o festival uma música minha, no estilo MPB, que faz uma leitura do amor de forma abstrata, contextualizando com o mundo e com a poesia, através de comparações entre amar uma pessoa e se sentir inspirada por ela”.

Também premiado, o estudante Vinícius Santos Lessa, 20, 1º ano, do Colégio Estadual Isabel de Melo Góes, em Catu, optou por trazer o reggae “A liberdade Está entre Nós”. Ele fala sobre a oportunidade de ter chegado à final do FACE: “A sensação daqui é muito especial porque eu moro em um lugar onde não tenho muitas chances de mostrar o meu talento e expressar o amor que eu sinto pela música. Mas achei essa oportunidade na escola, através do FACE, e que despertou o meu desejo de crescer na arte musical, com a qual estou envolvido desde os sete anos de idade”. Por meio da canção apresentada no festival, o aluno disse que quis passar a mensagem “de que devemos ser livres, independente do que os outros pensem e falem”.

Entre as finalistas do FACE estavam, também, as gêmeas Mayana e Mayane Barbosa Macêdo, 19, do 3º ano do Colégio Estadual Luís Eduardo Magalhães, em Saubara, que interpretaram “Meu Cantar”, música de estilo bossa nova, de autoria da dupla. “A nossa música vem da inspiração da vida, mostrando que temos que passar por cima das dificuldades e que o cantar torna as coisas mais bonitas e especiais. Poder trazer a nossa canção para a Arena Fonte Nova foi uma experiência incrível que marcou as nossas vidas para sempre”, disse Mayana.

Canções estudantis - A qualidade técnica das canções estudantis foi comentada pelos jurados. Foi o caso do cantor e compositor Tonho Matéria, que participa do júri do FACE desde a primeira edição. “Acho muito importante quando as escolas se reúnem para descobrir novas vozes, novos letristas. E quando o Governo, por meio da Secretaria da Educação, compreende esse olhar, traz para a gente uma nova forma de dialogar com as nossas comunidades. Temos jovens fantásticos, com talentos incríveis e cada ano que chego ao FACE me surpreendo e percebo um crescimento na qualidade vocal e técnica dos estudantes”.

A cantora e compositora Juliana Ribeiro, também da equipe de jurados, destacou a importância do festival para a juventude. “O FACE é uma iniciativa muito interessante por estimular os jovens que compõem e têm o artístico dentro de si, mas não têm onde expressar esse dom. O projeto, portanto, estimula esses jovens a escrever, a compor e a mostrar as suas composições. Ao estarem aqui, eles estão quebrando as barreiras internas, mostrando os seus talentos e tendo uma noção do que é ser profissional da música”.

A coordenadora dos Projetos de Arte e Cultura da Secretaria da Educação do Estado, Nide Nobre, ressaltou que o FACE é uma experiência rica e pioneira na Bahia. “Há uma década, o FACE vem fazendo sucesso, pois foi inspirado nos antigos festivais e, quando a gente menos imagina, tudo vira uma música no universo estudantil. Este projeto foi reconhecido, em 2009, pelos Estados ibero-americanos e caribenhos como umas das cinco experiências mais significativas do país. O FACE, assim como os demais projetos estruturantes, é o passaporte para os estudantes virem para a capital conhecer os monumentos históricos da cidade, descobrir o mar e brilhar no palco e na vida”.

Resultado:

Premiados

“Cortinas” – Sthefanny Lorrane dos Santos Silva (compositora e intérprete), 16 anos, 2º ano do Ensino Médio, Colégio Estadual Democrático Ruy Barbosa, Teixeira de Freitas, NTE 07 – Teixeira de Freitas.

“A Liberdade Está entre Nós” – Vinicius Santos Lessa (compositor e intérprete), 19 anos, 1° ano do Ensino Médio, Colégio Estadual Maria Izabel de Melo Góes, Catu, NTE 18 – Alagoinhas.

“Subconsciente” – Daniel Lima Batista (compositor e intérprete), 17 anos, 2° ano do Ensino Médio, Colégio Estadual Imaculada Conceição, Feira de Santana, NTE 19 – Feira de Santana.

Melhor intérprete feminina

“Dandar pra Ganhar Vintém” – Glecia Élen Ferreira da Silva (compositora e intérprete), 17 anos, 3º ano do Ensino Médio, Colégio Estadual César Borges, Valente, NTE 04 – Serrinha.

Melhor intérprete masculino

“Outro Universo” – Aleksander Santos Sousa (compositor), 17 anos, 3º ano do Ensino Médio, Ismael Lemos da Silva Rocha (intérprete), 16 anos, 1° ano do Ensino Médio, Colégio Estadual Eurides Santana, Poções, NTE 20 – Vitória da Conquista.

Mix de danças e criações livres dão a tônica da 3ª Mostra de Dança Estudantil

A dança também foi uma forte presença no 5º Encontro Estudantil. Munidos de diferentes técnicas, figurinos e expressões corporais, os estudantes finalistas do projeto Dança Estudantil (DANCE) deram um show de força, leveza e beleza de movimentos coreográficos, ao som de ritmos dançantes, como o hip hop, o sertanejo, o axé-music, a música eletrônica e o pop-rock. Foram, no total, 11 coreografias apresentadas na 3ª Mostra do DANCE, que trouxe um mix de danças e criações livres.

O projeto Dança Estudantil reuniu coreografias estudantis com estilos e gêneros distintos, como as danças indígenas, as africanas, a popular regional, as danças de rua, as de salão e a dança contemporânea, que expressam os sonhos e as múltiplas expressões das diversidades artísticas e culturais.

O grupo Ser tão Nordestino, que apresentou a coreografia “Nordestinos, Apesar de um Povo Sofrido e Feliz”, buscou mostrar que o nordestino é um povo feliz, apesar das dificuldades que enfrentam no seu dia a dia. Uma das integrantes, a estudante Sabrina Alves, 17, 3º ano do Ginásio Agro Industrial de Itapetinga – Tempo Integral, contou que dança desde os cinco de idade e que foi através do DANCE que se desenvolveu ainda mais com a dança. “A nossa coreografia, apresentada com figurinos de pescador, baiana e trabalhador rural, nos traz uma mensagem importante e me deu a oportunidade de crescer como dançarina”.

O estudante Mateus Viera, 18, do Colégio Estadual Eduardo Bahiana, em Salvador, que dançou a coreografia “Baianá”, junto aos integrantes do seu grupo homônimo, abordando a cultura e o suingue do povo baiano, falou sobre a dança na sua trajetória e a importância de participar do DANCE. “Danço desde os quatro anos de idade e é muito importante mostrar o nosso trabalho aqui neste grande evento, pois cada lugar novo é uma forma de aprendizagem e é isto que vamos levar daqui, porque tivemos a oportunidade de participar de oficinas de dança com especialistas da área”.

No passo da coreografia “Raízes Ancestrais”, o estudante Alexandre Souza, 18, integrante do grupo “Liberdade no Movimento”, formado por estudantes do Centro Educacional 30 de Junho – Tempo Integral, em Serrinha, contou que ficou emocionado ao se apresentar para o grande público da Arena Fonte Nova. “Fizemos essa coreografia para evidenciar as raízes africanas do nordestino e do povo brasileiro, através de vários elementos, como as lavadeiras e o empoderamento da mulher negra, e o que a Mãe África representa para a nossa cultura”, detalhou.

Corais estudantis dão um show de harmonia vocal no Encontro Estudantil

Os 269 estudantes integrantes dos corais desenvolvidos nas escolas estaduais da capital e dointerior da Bahia apresentaram as suas vozes em harmonia e equilíbrio no Encontro de Canto Coral Estudantil (ENCANTE), durante o Encontro Estudantil da Rede Estadual. As canções representam a cultura musical brasileira através das interpretações de diferentes vocais sincronizados.

O coral “Nobres Barranqueiros” interpretou “Sobradinho”, consagrada nas vozes dos músicos Sá eGuarabyra. “Estou muito feliz de estar aqui representando o nosso território, porque ensaiamos bastante para nos apresentarmos bem. Este é um trabalho realizado em conjunto, pois se alguém desafinar ou sair do tom desmonta todo o arranjo e, por isso, devemos estar sempre ligados para fazer a melhor apresentação possível”, disse a estudante Jéssica Macêdo, 16, do 3º ano do Colégio Modelo, de Bom Jesus da Lapa, uma das integrantes do coral.

A estudante Vagna Teixeira, 18, 2º ano do Colégio Estadual Doutor Antônio Ricald, em Porto Seguro, cantou a música “Assim sem Você”, da dupla Claudinho e Buchecha. “É uma gratidão imensa poder mostrar o nosso talento. Fiquei emocionada porque foi através do coral que eu descobri o meu dom com o canto”, disse a integrante do coral “Ricald”. O regente Valmir Bispo disse que o canto coral contribui muito para a formação e o aprendizado dos alunos envolvidos. “Eles conseguem desenvolver a sua musicalização, a disciplina e uma educação musical para poder trabalhar em grupo. O privilégio de estar aqui é muito grande não só para mim, mas também para os meus alunos que estão realizando um sonho e dando o seu melhor”, ressaltou o educador.

Criatividade da produção audiovisual do PROVE chama a atenção

Jovens estudantes aspirantes a cineastas mostraram as suas percepções de mundo retratando temas cotidianos através da linguagem audiovisual em 15 curtas metragens com até cinco minutos de duração. As experiências fílmicas dos finalistas da 4ª Mostra do PROVE (Produção de Vídeos Estudantis) foram exibidas durante o Encontro Estudantil. Na execução dos vídeos – feitos através de recursos tecnológicos, como celulares, câmeras fotográficas e filmadoras –, os estudantes se dividiram em atividades como filmagem, direção, edição, roteiro, atuação e produção.

A estudante Rogéria Macena, 18, do 3º ano do Colégio da Polícia Militar Anísio Teixeira, de Teixeira de Freitas, criou, juntamente com duas colegas, o curta “Por Todas Elas”. “Nosso objetivo é combater a violência contra a mulher e a cultura do estupro. Através do vídeo, buscamos denunciar de forma chocante algo que está muito presente na sociedade, pois as pessoas ainda tentam culpar a mulher pelo modo de se vestir e de se comportar e pelo ambiente que frequenta”.

Já o estudante indígena Kefas dos Santos, 18, do Colégio Estadual Indígena Coroa Vermelha, localizado em Coroa Vermelha, participou do PROVE pela segunda vez e recebeu uma menção honrosa pelo curta “Fogo de 51”. “Produzimos um documental dramático, abordando um massacre que aconteceu com indígenas em 1951, na aldeia Mãe Barra Velha, em Porto Seguro. Para fazer o vídeo, sentimos dificuldade de encontrar registros concretos do fato e, por isso, ouvimos relatos de anciões que se emocionaram ao relembrar a história que resultou na dispersão dos índios Pataxós para outras regiões”, contou.

Para o produtor executivo de cinema e TV, Wiltonauar Moura, que fez parte do corpo de jurados do PROVE, as obras audiovisuais dos estudantes eram todas muito criativas. “Há 20 anos, ter uma câmera para fazer um curta-metragem era uma coisa muito cara e, hoje, os alunos aprendem a filmar antes de andar de bicicleta ou de fazer qualquer outra coisa. Esses jovens, que estão agora experimentando o audiovisual com celulares e câmeras portáteis, quando chegarem a uma idade mais avançada já vão ter uma experiência muito maior do que a de quem começou há 40, 20 ou 10 anos atrás. Eles começam a ver o mundo com outro olhar e com uma identidade própria, contando histórias locais que lá na frente vão se tornar histórias universais”, avaliou.

A produtora cultural e jornalista Gabriela de Paula, umas das instrutoras que ministrou a oficina de sensibilização audiovisual para os finalistas do PROVE, disse que há uma evolução na qualidade das produções fílmicas dos estudantes. “Nesta edição, foram escolhidos 15 filmes muito bem produzidos por jovens que superaram as limitações técnicas com criatividade e curiosidade em buscar soluções para os problemas que vivenciam. Além disso, os estudantes chegam às oficinas com muita vontade de aprender a melhorar e é essa troca que procuramos ter com eles, mostrando um treino sobre o olhar ao cinema clássico para que aprendam a tirar do que assistam e gostam instrumentos e ferramentas que podem ser aplicados em seus próximos filmes”.

Confira os curtas vencedores:

“Vida remota” – Vitória Aléxia Reis Menezes, 17 anos, Edilson Adriano de Jesus Gomes, 16 anos, Artur Silva Oliveira do Carmo, 16 anos, 3º ano do Ensino Médio, Colégio Estadual Teotônio Marques Dourado Filho, Morro do Chapéu, NTE 03 – Seabra.

“O apocalipse Smartphone” – Josué dos Santos Junior, 21 anos, Breno Silva Muniz,15 anos, 3º ano do Ensino Médio, Colégio Estadual Governador Lomanto Junior, NTE 26 – Salvador.

“O dia em que recebi flores” – Emanuel Ferreira Santana, 18 anos, Matheus Rosa Brito, 19 anos, Valeria Brandão da Silva, 18 anos, Ronaldo Santos de Jesus, 24 anos, Luan de Almeida Sena, 18 anos, Colégio Estadual Antônio Carlos Magalhães, Santa Inês, NTE 09 – Amargosa.

Menção Honrosa: “Fogo do 51” – Pedro Henrique Ferreira Silva, 16 anos, William Matos Braz, 17 anos, Raissa Matos Soares, 15 anos, Natisoriel Santos Conceição, 17 anos, Kefas Matos dos Santos, 17 anos, 2º ano do Ensino Médio, Colégio Estadual Indígena Coroa Vermelha, Santa Cruz Cabrália – NTE 27 – Eunápolis.

Espaço Contação de Histórias encanta as crianças do Encontro Estudantil

No espaço Contação de Histórias, educadores interagiram as crianças com a arte da literatura infantil. A ação teve como ferramenta pedagógica os livros escritos por autores baianos e referenciados na realidade da Bahia, editados e distribuídos pela Secretaria da Educação do Estado para as redes públicas de ensino para contribuir com a alfabetização das crianças na idade certa. O ambiente colorido e divertido, montado especialmente para o público mirim, encantou as crianças que visitaram o Encontro Estudantil.

Estudantes da rede estadual puderam ouvir as histórias dos autores baianos da coleção Pactos de Leitura, que traz temáticas diversificadas e diferentes contextos sociais, culturais, lúdicos, artísticos, estéticos e históricos que valorizem a cultura do Estado. Alunos da Educação Inclusiva do Centro de Capacitação de Profissionais da Educação (CAS) Wilson Lins foram alguns dos visitantes do espaço Contação de Histórias. Por serem estudantes surdos, mudos e até com múltiplas deficiências, a atividade teve tradução simultânea na Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS), feita por uma intérprete da unidade de ensino. O autor Saulo Dourado, por exemplo, apresentou o seu livro e contou a história “O que não se fala em Kenakina”. “Tive contato com um público novo. Por coincidência, uma das histórias do livro é sobre surdos, sobre a ‘feira do silêncio’, uma história que comecei a escrever quando minha mãe começou a aprender LIBRAS. Parece que eles se identificaram porque interagiram muito bem”, comentou.

A contadora de histórias e formadora do Pacto pela Alfabetização - projeto da Secretaria da Educação do Estado, ao qual a atividade está vinculada -, Márcia Mendes, destacou que participar do projeto e conviver ao lado de crianças significa a renovação de energias. “Tivemos um momento muito legal. Fiz o trabalho mais na arte de contar história. Busquei utilizar a ludicidade, a brincadeira e deixar a imaginação deles fluir. Foi uma experiência nova. Como é a primeira vez que vivo um momento desses, foi muito mais de aprender do que de ensinar. Mas eu acho que eles gostaram, foram receptivos, interagiram bastante, e esse retorno é extremamente importante para o contador de histórias”, relatou.

Exposição destaca as artes visuais estudantis na Arena Fonte Nova

As 94 obras que compuseram a exposição do projeto Artes Visuais Estudantis (AVE) – que também integrou a programação do Encontro Estudantil – impressionaram os visitantes pela sua técnica e beleza plástica. Criadas por estudantes da rede estadual, as telas trouxeram estilos e técnicas diferenciadas, marcadas pela valorização das expressões culturais regionais. No espaço, o público conferiu, por exemplo, pintura a óleo, acrílica, esculturas com materiais recicláveis, colagens com papel e grafite, entre outras.

O estudante Leonardo Silva, 22, do 3º ano do Centro Noturno de Educação da Bahia (CENEB), em Campo Formoso, expôs o quadro “Minha Terra, meu Orgulho”, pintado à tinta óleo. “Eu fiz esta tela com base nas histórias que o meu avô contava sobre a vida dele sofrida na seca, em uma roça em Alagadiços, e estou muito feliz de estar pela primeira vez na capital mostrando o meu trabalho”, disse.

Com o quadro “Superação”, confeccionado com linhas entrelaçadas em um prego que forma a sua caricatura, a estudante Natália da Silva, 18, do 2º ano do Colégio Estadual Integração Distrito de Itabatan, em Mucuri, fala sobre o seu processo criativo. “Fiz esta arte baseada em um momento difícil da minha vida, por conta de um problema pessoal que passei. Os pregos representam a dor que eu senti e as linhas são as cicatrizes; e, mesmo com essa dificuldade que passei, continuo feliz”.

ELOGIO DE PESO - Integrante do juri do AVE, a artista plástica PHD em Educação e Arte Indígena pela Universidade de Ciências e Arte de Paris, Débora Fontes, elogiou a qualidade das obras em exposição. “É simplesmente inenarrável a maneira com a qual esses jovens, que serão artistas brilhantes no futuro, constroem as suas obras; com uma roupagem e técnica próprias deles, buscando a atualidade e os problemas sociais e, principalmente, com o traço marcante com o que estamos vivendo no momento”, destaca.

O artista visual e curador de arte, Juarez Mattos, classificou as obras dos estudantes como surpreendentes. “São jovens que possuem uma inclinação muito grande para a arte, pois são obras que possuem resultados surpreendentes”, afirma o jurado.

Festival Estudantil de Teatro mostra a habilidade técnica dos alunos da rede estadual

A pluralidade cultural das artes cênicas foi a marca da primeira mostra do projeto Festival Estudantil de Teatro (FESTE), realizada dentro do Encontro Estudantil. Distintos gêneros teatrais – auto, comédia, drama, tragédia, tragicomédia – nortearam as montagens apresentadas pelos estudantes que, antes de subirem para valer ao palco da Arena da Fonte Nova, participaram de oficinas preparatórias, no Teatro Castro Alves. Com desenvoltura, expressão corporal, técnica vocal e figurinos diferenciados, os 54 jovens aspirantes a atores e atrizes deram um show de talento e de interpretação cênica.

Os estudantes do grupo “Alunarte”, do Centro Territorial de Educação Profissional da Bacia do Paramirim (CETEP), em Macaúbas, por exemplo, trouxeram o espetáculo “A Mulher das Trouxas”, que trata de uma lenda urbana muito conhecida pelos antigos e novos moradores da localidade. “Recriamos essa lenda que diz que as crianças que falam um determinado palavrão são levadas por uma mulher de sete metros, que as coloca em suas trouxas de roupa e vai embora para um lugar longe e desconhecido. Ficamos muito felizes de tornar essa história conhecida fora da nossa região e em mostrar o nosso talento com a dramatização”, revelou a aluna do curso técnico em Administração, Érica Souza Santos, 16.

Já o grupo “Bando de Teatro Evolução”, do Colégio Estadual Eurides Santana, em Poções, encantou o público com a peça “Casos da Bahia”. O estudante Ricardo Barreto, 18, um dos integrantes, explica sobre o processo de criação. “Para construir a montagem, inspiramo-nos nas alegrias e não nas dores do povo baiano e o resultado foi um espetáculo dinâmico e alegre, no formato de cordel, mostrando às pessoas a beleza e a importância do nosso Estado”.

Os integrantes do grupo “Recomeçar”, do Colégio Modelo de Juazeiro, também surpreenderam a plateia ao abordar a superação de um personagem depressivo na peça “Estou Sozinho?”. A estudante Gabriela Lehmann, 16, explicou que o espetáculo traz um tema espiritualista para falar de um garoto com depressão e sua amiga, que é, na verdade, um anjo que o ajuda a superar o problema. “O texto passa uma mensagem de aprendizado para vermos a vida de uma forma mais positiva”, disse a estudante-atriz, que assinou a criação coletiva do roteiro, figurino e cenário.

A coordenadora dos Projetos de Arte e Cultura da Secretaria da Educação do Estado, Nide Nobre, explicou que o FESTE é uma experiência desenvolvida para incrementar as práticas artísticas e culturais nos campos da história, da arte, do patrimônio, com vistas ao desenvolvimento das artes cênicas nos contextos escolares da rede estadual. “O Encontro Estudantil, em que acontece o momento especial de coroação do FESTE e dos demais projetos culturais, é uma grande festa do saber, do conhecimento e que dá visibilidade a todo o processo criativo dos estudantes, nas suas distintas linguagens, que se desenvolve nos contextos escolares, desde o início do ano letivo. Essa experiência criativa revela o potencial, a ludicidade e a percepção de mundo desses estudantes, que vivem novos métodos dos processos formativos em uma educação do século XXI”.

A atriz, diretora de teatro e dramaturga, Aícha Marques, que ministrou uma oficina de teatro para os estudantes finalistas do FESTE, ressaltou as habilidades técnicas dos seus participantes. “Temos níveis bem variados de jovens que fazem teatro há mais tempo e outros que começaram agora e já tomaram gosto pela dramaturgia. Mas uma coisa é geral neles: a sede de aprender. Eles chegam muito receptivos e interessados. Além disso, eles surpreendem no palco”.

Encontro Estudantil recebe as finais do JERP

Partidas de judô, futsal, basquete, handebol e xadrez, além de rodas de capoeira, permearam os Jogos Estudantis da Rede Pública (JERP), dos quais participaram 700 estudantes de várias partes do Estado. Os atletas disputaram as finais estaduais das competições escolares que, durante todo o ano letivo, promovem seletivas, envolvendo os colégios da rede pública estadual de todas as regiões da Bahia. A final do JERP, projeto promovido pela Secretaria da Educação da Bahia, foi realizada dentro do 5º Encontro Estudantil.

Uma das vencedoras, a estudante Daiane Silva, 17 anos, do Colégio Estadual Duque de Caxias, no bairro da Liberdade, em Salvador, comentou sobre a conquista do título no futsal feminino. “Tivemos um bom desempenho durante toda a competição, por isso acho que foram válidos os treinos e sacrifícios. Fico muito feliz de ter a oportunidade de poder praticar uma atividade que gosto tanto na escola. O legal também é essa integração com os colegas, o que mostra o esporte como forma de união”, destacou.

O vencedor no basquete masculino, Lucas Nobre, 17, do Colégio Estadual Ministro Aliomar Baleeiro, em Pernambués, na capital baiana, disse que ganhar a final é a realização de um sonho. “Quando participamos do campeonato nos sentimos como nossos ídolos da NBA (liga americana de basquete). Isso empolga bastante e contribui para o nosso interesse em frequentar a escola e estudar mais”, disse.

A competição de xadrez, da qual participaram 75 estudantes de 13 escolas estaduais, foi realizada em desafios nas categorias masculino e feminino, integrando os alunos destaques nas unidades que promovem a modalidade esportiva. O estudante Mikael Andrade, 15, do Colégio Estadual Mestre Paulo dos Anjos, no Bairro da Paz, em Salvador, falou sobre a sua primeira experiência no JERP: “Aprendi a jogar xadrez fora da escola e, após o jogo ser implementado no colégio, corri para me inscrever. A prática me ajuda na concentração e no raciocínio”.

Mudança de comportamento - Já a competição de judô foi realizada em desafios nas categorias masculino e feminino, integrando os alunos destaques nas unidades que promovem a modalidade esportiva. A estudante do 3º ano do Ensino Médio, Beatriz Oliveira, 17 anos, do Colégio Estadual Professor Edson Carneiro, no bairro do São Caetano, em Salvador, contou como o esporte ajudou a melhorar o seu comportamento e desempenho na escola. “Entrei no judô com o incentivo de meu pai para que melhorasse a minha conduta, que, muitas vezes, era agressiva. Com os treinos, pude concentrar minha energia no esporte e melhorei bastante o meu desempenho. Hoje, como estou no último ano na escola, já estou procurando uma academia para continuar com as minhas atividades esportivas”.

O estudante Leon Bonfim, 15, 7º ano do Ensino Fundamental do Colégio Estadual Abílio Cesar Borges, no bairro de Roma, em Salvador, também viu no judô uma forma de mudar de vida. “Uma professora insistiu muito para que eu entrasse no esporte e até me presenteou com um quimono. A partir daí, comecei a levar a sério e cheguei ao segundo lugar no campeonato estadual do ano passado. Não tenho dúvidas de que o judô tem sido importante para mim e o incentivo na escola, fundamental”, relatou o competidor, que já acumula bons desempenhos nos campeonatos estaduais de judô

O professor da unidade escolar onde Leon estuda, Francisco Neto, confirmou que é perceptível a mudança no comportamento dos alunos a partir da prática de esportes. “Estou há seis anos com o judô na unidade e estamos conseguindo mudar a realidade desses estudantes. Quando a direção da escola abraça esses projetos, podemos constatar a importância do esporte estar inserido no currículo da Educação Básica, diminuindo a incidência de evasão e problemas de indisciplina”, pontuou.

Festival de Capoeira se destaca nos Jogos Estudantis

O Festival de Capoeira marcou o encerramento dos Jogos Estudantis da Rede Pública (JERP). Durante a atividade, os estudantes envolvidos participaram de oficinas de caxixi e berimbau, além de rodas de capoeira. A estudante Jéssica Novaes, 15, do Colégio Estadual Dionísio Cerqueira, em Salvador, falou como a capoeira mudou a sua vida. “Entrei há um mês no esporte e estou gostando muito. A atividade está me fazendo ter mais interesse em frequentar a escola. É muito bom conhecer mais sobre a capoeira, e sua história que se confunde com a própria história do Brasil”.

O professor de capoeira, Emílio Filho, destacou a contribuição da modalidade na formação dos alunos: “Acho que através das oficinas e do envolvimento com a capoeira, os estudantes aprendem mais sobre a sua ancestralidade, além de também promover oficinas para o aprendizado de uma atividade, como a confecção de berimbaus e caxixis”.

Os Jogos Estudantis da Rede Pública são promovidos pela Secretaria da Educação da Bahia, por meio de cada um dos 27 Núcleos Territoriais de Educação do Estado (NTE). O projeto tem a função de fortalecer a ação educativa na escola, por meio do esporte, envolvendo, anualmente, estudantes e professores de escolas das redes públicas federais, estaduais e municipais da maioria dos municípios baianos. No 5º Encontro Estudantil participaram 700 estudantes, que vieram de várias partes do Estado.

Estudantes com necessidades especiais realizam jogo de basquete

Estudantes do Colégio Estadual Vitor Soares, no bairro da Ribeira, em Salvador, se destacaram nas competições dos Jogos Estudantis da Rede Estadual (JERP) ao celebrar a prática do esporte como forma de desenvolvimento da educação e da cidadania dos alunos com necessidades especiais. O estudante Rodrigo dos Santos, 17 anos, com deficiência intelectual, contou as melhorias na sua aprendizagem após integrar a equipe de basquete. “Poder estar integrado aos colegas por meio do esporte me ajudou muito no meu desenvolvimento, ainda mais quando temos a oportunidade de participar de um encontro grande, como este”, disse ele, em sua quinta participação no Encontro Estudantil.

Também com deficiência intelectual, o estudante Thiago Menezes, 21, revelou que conheceu o esporte na escola e pensa em seguir como profissional. “Eu gostava de futebol, mas não era um bom jogador. Com a oferta do basquete na escola, pude encontrar algo que fosse prazeroso, além de ser mais adequado ao meu tamanho. Espero continuar praticando e, quem sabe, seguir no esporte como profissão”.

O professor Luiz Caetano falou sobre o trabalho no Colégio Estadual Vitor Soares como referência na Educação Inclusiva. “Nossas equipes com estudantes da Educação Inclusiva sempre têm destaque nas competições da modalidade. Isto mostra a grande diferença que o esporte faz para esses garotos”.

Obras literárias estudantis são consideradas de alto nível

Desenvoltura no palco e habilidade de interpretação textual. Com estas características, os estudantes envolvidos com o 8º Sarau do projeto Tempos de Arte Literária (TAL) apresentaram as suas obras literárias durante a programação do 5º Encontro Estudantil. Textos de diferentes gêneros literários, como poemas, poesias, cordéis, contos e prosas, foram interpretados para o público, composto por estudantes, professores, artistas e avaliadores de áreas, como Linguagens e Comunicação.

O estudante Felipe Ferreira, 20, que concluiu o Ensino Médio no Colégio Estadual de Planalto, situado em Planalto, também chamou a atenção do público e do júri ao declamar “O Canto de um Autista! Estrelando: Polifonia e Partituras do Meu Viver”, poesia feita por ele. “Essa poesia surgiu através do convívio com um amigo autista na escola. Nos meus versos, trago o tema do autismo em um tom poético, pois os autistas são pessoas muito especiais e que nos inspiram sempre”.

O cordel “Nordestinidade” ganhou vida pela interpretação dos estudantes Abraão Coelho, 14, e Alice Dantas, 15, ambos cursando o 1º ano do Colégio Estadual Antônio Carlos Magalhães, localizado em Santa Inês. Caracterizada como Lampião e Maria Bonita, a dupla investiu na dramaticidade do texto de sua autoria. “O nosso cordel fala da identidade do Nordeste ao abordarmos sobre os poetas, os cantores, a discriminação com os nordestinos e as piadas, ou seja, um pouco de tudo o que se relaciona com essa região do Brasil”, disse.

Também com a sua obra selecionada, Maria Joana Barreto, 17, do Colégio Estadual Nossa Senhora das Graças, localizado em Araci, interpretou o cordel “Brasil de Dentro”. “Estou muito contente de ter tido a oportunidade de mostrar a minha visão de mundo para as pessoas através de meu texto. E ser selecionada entre tantos estudantes talentosos de várias cidades da Bahia é maravilhoso e de uma grande satisfação”, comemorou.

Jabson Costa Santos, 18, 3º ano do Colégio Estadual Luís Eduardo Magalhães, localizado em Mirante, também interpretou um cordel: “Aos Trancos e Barrancos pro meu Nordeste eu Voltei”, de sua autoria. Ele revelou ter ficado surpreso com o resultado. “Ser um dos cinco selecionados na final do TAL é mérito da minha cidade, porque a inspiração vem da cultura do vaqueiro. Estou muito feliz por essa conquista”.

Qualidade das obras - O ex-estudante da rede estadual e premiado no TAL em 2015, com o texto “Trem Poético”, Marcos Vitor Ribeiro, 20, do município de Licínio de Almeida, voltou ao TAL, desta vez para participar como integrante do júri. “Sinto-me muito honrado em ser jurado de um projeto que ajudou a evidenciar o meu talento com a poesia. Ao ver os estudantes se apresentando, passou um filme na minha cabeça com a época em que eu também estive no palco, assim como eles. Em relação aos textos dos estudantes, eles são potentes e muito bons”.

A compositora e jornalista Rita Tavares, também jurada do TAL 2017, comentou sobre o nível das obras literárias apresentadas no sarau. “É surpreendente a qualidade das estruturas, temáticas e abordagens dos temas, bem como as interpretações, que deram vida aos textos que, por si só, também expressam o que está escrito. Esse projeto é muito válido, pois serve de estímulo à cultura”.

Confira a lista dos estudantes selecionados:

“Aos trancos e barrancos pro meu Nordeste eu voltei” - Jabson Costa Santo (autor e intérprete), 16 anos, 2º ano do Ensino Médio, Colégio Estadual Luís Eduardo Magalhães, Mirante, NTE 20 – Vitória da Conquista.

“Brasil de dentro” - Maria Joana Santana Barreto (autora e intérprete), 15 anos, 2º ano do Ensino Médio, Colégio Estadual Nossa Senhora das Graças, Araci, NTE 04 – Serrinha.

“Reflexos” - Henrique Silva do Rosário (autor e intérprete), 18 anos, 3º ano do Ensino Médio, Colégio Estadual Homero Pires, Prado, NTE 07 – Teixeira de Freitas.

“Minha primeira crônica” - Allana Santos Reis (autora e intérprete), 14 anos, 9º ano do Ensino Fundamental, Colégio Estadual Eduardo Fróes da Motta, Feira de Santana, NTE 19 – Feira de Santana.

Patrimônio cultural baiano é apresentado no EPA

Álbuns e caixas contendo textos e fotografias guardavam histórias sobre os patrimônios naturais e culturais da Bahia. O material compõe o projeto Educação Patrimonial e Artística (EPA), que integra a programação do Encontro Estudantil e tem como proposta estimular as práticas culturais de identificação, reconhecimento e preservação do patrimônio cultural baiano. Nos seus trabalhos, os estudantes da rede estadual trouxeram, por exemplo, imagens de igrejas e quilombos, entre outros pertencimentos de um povo. As embalagens das obras foram confeccionadas manualmente, de forma criativa e simbólica, a partir de imagens que identificam e remetem aos lugares que percorreram.

Autores do álbum “Marcas de Sangue Negro no Território Mansidoense”, os estudantes Isadora Alves, 18, 2º ano, e Ramsés das Neves, 17, 3º ano, do Colégio Estadual Professora Maria Helena Oliveira, no município de Mansidão, fizeram um resgate cultural da região onde vivem. “Moramos no povoado de Tamboril, que foi um quilombo vários anos atrás e onde na maioria das pessoas corre nas veias o sangue do povo negro, que ajudou a construir vários patrimônios, a exemplo de igrejas. Na caixa do álbum, construímos um mosaico com azulejos; fizemos a capa com colagens de raspas de madeira; e nas páginas foram aplicados pedaços de esteiras de palha”, detalhou Isadora.

O estudante Ludivan Oliveira, 17, do 3º ano do Colégio Estadual Ernesto Carneiro Ribeiro, localizado no município de Saúde, apresentou o álbum “Mãos que Geram Vidas”, com a proposta de defender e valorizar o patrimônio representado pelas parteiras da comunidade do povoado de Genipapo. “Elas possuem a arte de trazer a vida ao mundo, através de suas mãos. Atualmente, as parteiras não realizam mais os partos por terem idade avançada ou pelo fato de as pessoas acharem essa prática ultrapassada”.

CJCC promove a interatividade com os visitantes no Encontro Estudantil

Os Centros Juvenis de Ciência e Cultura (CJCC) marcaram presença no Encontro Estudantil através dos projetos Caixa Preta, Arena Interativa e Mostra de Experimentos. A estudante Jéssica Lustosa, 18, 3º ano, do Colégio Estadual Nossa Senhora Aparecida, em Formosa do Rio Preto, no oeste baiano, se encantou com o projeto “Simulador de Voo” - equipamento instalado em uma cabine de avião da Empresa Brasileira de Aeronáutica (EMBRAER) e que contribui para os ensinamentos de disciplinas como Geografia, Física, Matemática e Inglês para os estudantes que fazem o curso de piloto virtual, no CJCC de Salvador.

Jéssica contou como foi a experiência de conhecer o “Simulador de Voo”, projeto realizado dentro do contexto das ações do CJCC, instalado no nível 5 da Arena durante o encontro. “Foi muito emocionante. A sensação foi de pura liberdade. A impressão foi que eu estava mesmo voando, bem perto do céu”. A atividade, explicou o piloto e professor André Drummond, responsável pelo moderno equipamento, estimula nos estudantes do Ensino Médio da rede estadual o gosto pela história e cultura aeronáutica e pela carreira aviatória. “Além disso, o projeto permite a acessibilidade tecnológica e estabelece uma ponte entre as matérias tradicionais relacionadas à aviação - Matemática, Física, Química e Geografia -, promovendo um suporte ao aprendizado inteligente, divertido e funcional”.

Na Arena Interativa, o visitante teve a oportunidade de checar uma realização envolvendo robótica, dividida em grandes ações: futebol de robôs (controlado pelos estudantes através de dispositivos móveis); microcompetição de robôs (montagem, configuração, programação e microcompetição de robôs para resgate); criação de robôs de resgate com lixo eletrônico; autorama (dois carrinhos movidos mediante energia gerada por bicicletas ergométricas); e Wall-e robô com arduino (o robô percebe a presença de pessoas e se desloca na direção delas). A estudante Vitória Mendes, 16, 2º ano, do Colégio Rodrigo Tavares, em Salvador, explicou a experiência envolvendo robótica, através de um jogo de futebol de robôs. “São robôs construídos de Lego e, por meio deles, estamos provando que somos capazes de elaborar experimentos interessantes. Participar do Encontro Estudantil com o projeto nos dá credibilidade e visibilidade, além de nos incentivar a fazer novos experimentos”.

A pista de autorama também causou curiosidade no público. Um dos idealizadores do projeto, o estudante Welker Santos, 20, 2º ano, do Colégio Estadual Rafael Spínola, em Vitória da Conquista, e aluno do CJCC do município do sudoeste baiano, explicou que a ideia é estimular a competição através do esforço físico. “Os voluntários, ao pedalar a bicicleta, gastam energia para locomover os carrinhos e quem tiver o melhor desempenho no movimento irá ganhar a corrida”. Um dos candidatos, o estudante Gabriel Martins, 17, 1º ano, do Colégio Estadual Odorico Tavares, em Salvador, suou a camisa. “É muito divertido fazer um esforço físico e, ao mesmo tempo, se divertir, com o objetivo de ganhar a corrida de carrinhos sobre a pista de autorama. Foram dois minutos de emoção”.

CJCC - Os Centros Juvenis de Ciência e Cultura, uma iniciativa da Secretaria de Educação do Estado da Bahia, têm como objetivo cumprir um papel de extensão em relação à educação formal e ampliar o acesso de estudantes baianos às temáticas culturais e científicas modernas. Os Centros contam com cinco unidades no Estado - Salvador, Senhor do Bonfim, Vitória da Conquista, Barreiras e Itabuna - e são voltados para os estudantes do 9º ano do Ensino Fundamental ao 3º ano do Ensino Médio, que têm acesso a atividades culturais e de cunho científico, como cursos, eventos e oficinas. Os alunos do CJCC têm conquistado projeção nacional com as experiências de robótica. Em agosto deste ano, por exemplo, o CJCC de Vitória da Conquista recebeu uma menção honrosa da Sociedade Brasileira pelo Progresso da Ciência (SBPC), durante a 69ª reunião anual, em Belo Horizonte, e conquistaram o prêmio Maker na etapa baiana da Olímpíada Brasileira de Robótica, realizada na Campus Party, em Salvador.

Trajetória do TOPA ganha visibilidade no espaço montado especialmente para o programa

O Todos Pela Alfabetização (TOPA) – que está comemorando uma trajetória de dez anos – teve destaque na programação do 5º Encontro Estudantil. No espaço “Gente que Faz o TOPA Acontecer”, foram expostos o acervo cultural das etapas do programa, materiais produzidos durante as atividades em sala de aula, artesanatos, livros utilizados pelos alfabetizadores, fardamentos e prêmios recebidos. Desde a sua criação, em 2007, o TOPA já alfabetizou mais de 1,4 milhão de jovens acima de 15 anos, adultos e idosos que não puderam efetuar os estudos na idade regular.

A coordenadora-geral de Programas Especiais da Secretaria da Educação, Elenir Alves, fala sobre a ação. “Estamos resgatando os dez anos de história de consolidação do TOPA, que é o maior programa de alfabetização do Brasil. Expomos no espaço tudo o que trabalhamos desde 2007, inclusive, alguns exemplares dos óculos que o TOPA distribuiu para restabelecer a saúde ocular dos estudantes, dentro do Programa de Atenção à Saúde Ocular, da Secretaria de Saúde do Estado”.

Em visita ao espaço do TOPA, a estudante Ingrid Leal, 17, do 2º ano do curso técnico em Manutenção e Suporte em Informática, do Centro Estadual de Educação Profissional (CEEP) em Tecnologia, Informação e Comunicação, em Lauro de Freitas, ficou admirada com o trabalho realizado pelo TOPA. “Achei muito interessante que exista um programa que cuida da inclusão de pessoas que não tiveram a oportunidade de estudar, principalmente, os que vivem em áreas mais afastadas”. A colega Camila Brito, 17, completou: “Já tinha ouvido falar do TOPA, mas não achava que era tão grande, que já tinha alfabetizado mais de um milhão de pessoas nesses dez anos. É uma ótima iniciativa que só traz benefícios para aqueles que não tiveram a oportunidade de se alfabetizar na idade certa. É um trabalho incrível. Fiquei encantada”.

Inovação e tecnologia de baixo custo marcam os projetos da FECIBA

Pelos corredores do nível 5 da Arena Fonte Nova, 240 estandes se espalharam, trazendo uma infinidade de experimentos e produções científicas que tratam de temas de relevância social, como inovação tecnológica, meio ambiente, sustentabilidade, empreendedorismo, saúde e bem-estar. Esses projetos têm como protagonistas os estudantes da rede estadual envolvidos na 6ª Feira de Empreendedorismo, Ciência e Inovação da Bahia (FECIBA), realizada dentro do Encontro Estudantil. São criações interessantes, como o fogão solar construído para diminuir os impactos ambientais; a cadeira diferenciada e adapatada para melhorar a condição de vida das pessoas com deficiência física; e a produção de sabonetes glicerinados a partir do fruto do murici.

Os estudantes Caio Vieira e Beatriz Pinho, ambos de 17 anos e cursando o 3º ano do Ensino Médio no Colégio Estadual Simone Neri, no município de Inhambupe, idealizaram o projeto “O Fogão Solar e a Aplicação da Secção Cônica Diminuindo Impactos Ambientais”, um trabalho de relevância social. “Construímos um fogão artesanal à luz solar, a partir dos estudos de secções cônicas, que é um estudo matemático ligado a parábolas”, explicou Caio. A colega Beatriz completou: “O fogão foi construído a partir de uma tampa de caixa d´água de 135 litros. Pintamos toda a parte interna e externa de preto, porque aquece mais rápido e conserva o calor. É um privilégio estarmos aqui, é a realização de um sonho. Passamos por momentos árduos de pesquisas e, quando vemos o nosso projeto na FECIBA, constatamos que estamos ganhando não só visibilidade, mas também um incentivo para aprimorar o projeto e criar outros”.

O lavrador Joaquim Castão, estudante do 2º ano na modalidade Educação de Jovens e Adultos (EJA), do Colégio Estadual Donatina, em Livramento de Nossa Senhora, no sudoeste baiano, trouxe para a FECIBA o “andador cavalinho”, confeccionado por ele e pelo colega Odair de Souza. O projeto foi inspirado no seu filho, Érick Castão, 10 anos, que tem Artrogripose, um tipo raro de deficiência física que dificulta os movimentos dos membros superiores e inferiores, mas não impede o seu desenvolvimento cognitivo e o crescimento de todos os ossos do corpo. “Esta cadeira em inox se assemelha a uma bicicleta sem pedal. Com ela, a pessoa ganha liberdade na mobilidade. Foi inspirada na doença do meu filho e acredito que podemos ajudar pessoas que tenham dificuldade para andar”, explicou Joaquim. Érick deu o seu aval: “Com esta cadeira, me sinto livre, como se estivesse andando. Muito diferente de ficar sentado em uma cadeira de rodas”.

Também chamou a atenção do público o projeto protagonizado por estudantes do Centro Educacional Antonio Honorato (CEAH), no município de Casa Nova. Um dos alunos, Eduardo Rodrigues, 16, 2º ano, falou sobre a experiência de produção de sabonetes glicerinados a partir do murici, fruto típico da região. “O murici é uma fruta consumida, principalmente, para suco e licor. Mas descobrimos que ela possui propriedades medicinais, sendo usado como desinflamante, antibacteriano e antifúngico, dentre outros. Trouxemos esta inovação para a FECIBA e, ao mesmo tempo, adquirimos novos conhecimentos. Ficamos muito felizes e gratos pela oportunidade”.

Nomofobia - As estudantes Sanara Santos, 17, e Esther Oliveira, 18, ambas do 3º ano do Colégio Estadual José Sá Nunes, em Vitória da Conquista, no sudoeste baiano, trouxeram para a feira o inusitado projeto de iniciação científica batizado de “Nomofobia: Cuidado com o Vício em Celular”, uma doença atual, definida como o medo de ficar sem o aparelho celular. Elas explicaram que a ideia de levar o tema para dentro da escola surgiu a partir da observação da quantidade de pessoas em sua volta que não desgrudam do celular, nem por um instante. “Descobrimos que a situação já é considerada um transtorno e não pode ser ignorado, pois traz consequências perigosas para a saúde, como o medo, a ansiedade, o estresse e ataques de pânico”, enfatiza Sanara. Esther completou: “A oportunidade de estarmos aqui interagindo com colegas, professores e visitantes em geral é uma experiência que vamos levar para a vida toda”.

Estudantes premiados - Além do orgulho de terem participado de uma jornada de aprendizados diversos, muitos estudantes voltaram para casa com o orgulho de terem sido premiados na 6ª Feira de Ciência, Empreendedorismo e Inovação da Bahia (FECIBA). Ganharam destaque projetos em cinco categorias: Ciências Biológicas, Ciências Humanas, Divulgação Científica, Energia e Sustentabilidade e Ciências Exatas e Engenharia. As premiações vão desde credenciamentos para feiras e mostras de Ciência e Tecnologia em nível nacional até viagens turísticas para o Maranhão e o Rio Grande do Sul.

Classificada em primeiro lugar na categoria Ciências Exatas – Engenharia, a estudante Ana Letícia Araújo, do Colégio Estadual Wilson Lins, no município de Valente, ficou emocionada com o resultado e, depois de receber o prêmio pelas mãos do secretário da Educação, Walter Pinheiro, declarou: “Com o nosso trabalho ‘Smartcam – Dispositivo para Ultrapassagem’, conseguimos apresentar um sistema que pode ser muito benéfico à sociedade. Ter este reconhecimento é uma enorme vitória”.

A coordenadora do Programa Ciência na Escola da Secretaria da Educação do Estado, Shirley Costa, fala sobre o significado da FECIBA no processo de ensino e aprendizagem dos estudantes. “Conseguimos reunir aqui estudantes dos quatro cantos da Bahia. É gratificante perceber o brilho no olhar deles e saber que, a partir daqui, eles serão outros. Muitos alunos e professores verbalizaram para mim o quanto é importante dialogar com os colegas. Ver que outros estudantes já percorreram outros caminhos a partir da FECIBA é muito gratificante. A feira é um dos grandes feitos deste Governo, pois traz as diversas expressões das Ciências em diversas linguagens, como cordel, história em quadrinhos, maquetes, tecnologia, Matemática”.

Mais de 6,5 mil conteúdos digitais educacionais são apresentados na Plataforma Anísio Teixeira

A nova Plataforma Anísio Teixeira, que reúne mais de 6.500 mídias educacionais e cursos on-line, foi apresentada na Tenda Digital, que é um espaço de livre expressão, conhecimento e interação, coordenado pela Rede Anísio Teixeira, onde os visitantes puderam acessar, conhecer e experimentar as Mídias e Tecnologias Educacionais Livres da rede pública estadual. Desenvolvida pelos professores da rede estadual e disponibilizada pela Secretaria da Educação do Estado no Portal da Educação (www.educacao.ba.gov.br), a plataforma visa potencializar o processo de ensino e aprendizagem dos estudantes e foi criada a partir de softwares livres. O desafio pautado para a Educação, de acordo com os seus idealizadores, é fazer com que o conteúdo chegue a todas as escolas.

Com essa inovada forma de aprender, ensinar, construir e compartilhar conhecimentos em rede, a Rede Anísio Teixeira busca fortalecer a escola pública como um espaço de apropriações tecnológicas pela sua comunidade, bem como fomentar a realização de práticas de ensino e aprendizagem inovadoras. O Instituto Anísio Teixeira (IAT), por meio do Programa de Difusão de Mídias e Tecnologias Educacionais da rede pública estadual de ensino da Bahia – Rede Anísio Teixeira, desenvolve desde 2008 ações de formação, produção e compartilhamento de Mídias e Tecnologias Educacionais Livres com professores e estudantes das escolas públicas estaduais.

Olimpíada Brasileira de Matemática

Durante o Encontro Estudantil, a Secretaria da Educação do Estado realizou a entrega de certificados para os baianos medalhistas na Olimpíada Brasileira de Matemática 2017. A ideia foi reconhecer o trabalho realizado pelos estudantes da rede estadual. “Este é o momento em que mostramos o talento e a competência do aluno para aqueles que não acreditam na rede pública”, destacou o superintendente de Políticas para a Educação Básica, Ney Campelo.

Educadores trocam experiências pedagógicas no Espaço do Professor

No Encontro Estudantil, os educadores e diretores escolares tiveram um espaço especial para que pudessem socializar as suas experiências pedagógicas. Foi o Palco Professor, onde aconteceram palestras e debates sobre importantes temas educacionais, e contou também com a presença de estudantes interessados em discutir temas atuais, a exemplo da educação empreendedora, que foi motivo de palestra dos professores Genésio Gomes e Luiz Candreva. A Saúde Pública na Educação foi outro debate importante, a cargo de representantes da Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ) e da Secretaria da Saúde do Estado. Já o diretor do Centro Educacional Carneiro Ribeiro – Escola Parque, na capital baiana, Gedean Ribeiro, palestrou sobre “Anísio Teixeira na Contemporaneidade: a Escola Parque no Bairro da Liberdade”.

Idealizador e coordenador do projeto Células Empreendedoras, que visa à criação e ao desenvolvimento de ecossistemas de educação empreendedora e economia criativa em faculdades, escolas, empresas e comunidades, Genésio Gomes afirmou que o modelo educacional no Brasil ainda é focado no emprego. “E vivemos um momento de escassez de empregabilidade, então, desenvolvi esse projeto para estimular os jovens a desenvolverem os seus próprios projetos, inclusive com o foco na resolução de problemas da sociedade. O aluno e o professor precisam entender que a escola pode ser um veículo para resolver os problemas da sociedade, ao tempo em que pode gerar trabalho, renda e valorização”.

O estudante Jean Lucas, 18, do 3º ano do Colégio Estadual Rômulo Almeida, em Santo Antônio de Jesus, comentou sobre o assunto: “Trazemos uma carga do Ensino Médio achando que aprendemos o conhecimento na sala de aula. Quando assistimos a uma palestra dessas é que entendemos que a Educação está além disso, que quando compreendemos que a Educação está além de absorver um conteúdo de forma robótica e transferi-lo em papel. Podemos mudar o mundo, mudar pessoas e essas pessoas fazerem outras coisas muito legais com a Educação. Vou buscar solucionar problemas, de que ordem eu ainda não sei, mas a intenção é usar a ciência e o conhecimento que adquiri aqui e na escola para isto”.

O desenvolvimento de ações ligadas à saúde pública na Educação foi debatido pela pesquisadora em Saúde Pública da FIOCRUZ, Nelzair Vianna, que ressaltou o trabalho desenvolvido pela fundação junto aos jovens. “Este evento é de suma importância para desenvolver ciência e tecnologia no nosso Estado. É a partir de ideias de jovens que é possível desenvolver produtos interessantes no mercado, e quando isso envolve também a Educação, acho que é um casamento perfeito”. A diretora de Vigilância Sanitária e Ambiental do Estado da Bahia, Cristian Leal, destacou o caráter inovador do debate. “Acho que essa discussão no Encontro Estudantil foi uma iniciativa inovadora e, com isso, a secretaria mostra o potencial dos alunos ao estarem fazendo parte da ciência, da tecnologia e da inovação”.

A parceria Educação e Saúde na rede estadual foi representada pelo projeto desenvolvido pelas estudantes Cristiana Couto e Noemy Queiroz, do 2º ano do Colégio Estadual Geovânia Nogueira Nunes, no município de Itatim. Elas desenvolveram experiências científicas com o eucalipto e a erva-cidreira e descobriram que o extrato dos vegetais é capaz de eliminar as larvas do mosquito Aedes aegypti, vetor de transmissão das epidemias dengue, zika e chikungunya.

O professor e diretor escolar Gedean Ribeiro, por sua vez, falou sobre a importância de inserir o educador Anísio Teixeira – idealizador da Escola Parque, há 67 anos – no diálogo sobre Educação Integral. “Trouxe para o debate Anísio na contemporaneidade, no bairro da Liberdade, frente a uma população de 480 mil habitantes afrodescendentes. Trouxe o Anísio que está dentro do espaço onde ele é vivo e onde percebemos que a sua visão de Educação Integral permanece viva, a partir da concepção de que o estudante é agente do seu próprio conhecimento e de que a comunidade escolar dialoga permanentemente com a comunidade do entorno. Anísio propôs, em termos de Educação Integral, uma escola que possibilita o estudante ir e vir e é isso que vivemos na Escola Parque: liberdade, Anísio e contemporaneidade”.

Líderes de classe debatem sobre participação estudantil na gestão da escola

Na Arena Fonte Nova, também integrando a programação do o 5º Encontro Estudantil da Rede Estadual, aconteceu o 2º Encontro Estadual de Líderes de Classe. Durante o evento, os estudantes eleitos para representar as suas turmas dialogaram com o secretário da Educação do Estado, Walter Pinheiro, sobre questões como a contribuição estudantil para uma gestão democrática e participativa nas escolas e o empoderamento juvenil. Pinheiro falou sobre ações implementadas pela Secretaria visando à melhoria da Educação, entre os quais a implementação de novos projetos estudantis, como o TransformaÊ. “Nossa proposta foi sacudir as escolas com a virada educacional, para que elas dissessem qual a caminhada que gostaria de fazer”. A estudante Érica Rodrigues, 4º ano do curso técnico em Administração, do Centro Estadual de Educação Profissional de Guanambi, no Centro-Sul baiano, ressaltou a importância das discussões coletivas. “Aqui, nós temos a oportunidade de debater temas importantíssimos para o nosso futuro, que fazem parte do nosso cotidiano e que, realmente, precisam do nosso engajamento”. De Santa Cruz Cabrália, no Sul do Estado, o representante do grêmio estudantil do Colégio Estadual Indígena Coroa Vermelha, Emerson Torres, 18, 2º ano, falou sobre o papel da liderança juvenil. “A gente vive um momento em que a conjuntura política é muito complicada, e, neste contexto, a organização dos estudantes é fundamental para o enfrentamento deste cenário”.

Oficinas sobre a cultura indígena atraíram a participação dos estudantes

Como parte da programação do 5º Encontro Estudantil, foram realizadas as “Oficinas Indígenas”, nas quais estudantes e professores da etnia Pataxó apresentaram a cultura, a crença e os elementos da natureza utilizados nos seus rituais através de palestras, rodas de conversas, exposição e pintura corporal.

O professor Ubiracy Pataxó, do Colégio Estadual Indígena de Coroa Vermelha, em Santa Cruz Cabrália, na região sul da Bahia, ressaltou a importância da oficina. “A atividade foi uma oportunidade de falarmos sobre o canto Pataxó, a relação do canto com a nossa vida, o canto que toca a alma. Também mostramos a relação das cores para nós, Pataxós, qual o material utilizado e o que a pintura corporal significa para o nosso povo”.

A professora de Língua Portuguesa, Janildes Chaves, do Colégio Estadual Grandes Mestres Brasileiros, em Matina, no centro-sul, comentou sobre a oportunidade para os estudantes do contato direto com outras culturas. “Eles conhecem a cultura indígena apenas pelos livros, que camuflam muito a história. Ficaram todos encantados”.

Vinda do município de Glória, no Vale do São Francisco, Ana Gomes, 18, participou da oficina de pintura. “Gostei muito de saber sobre a importância de cada cor, a fé em relação à cura, as plantas medicinais e os elementos da natureza. O contato com os indígenas é desconhecido para muitos que moram na cidade. Foi muito bom partilhar da cultura deles”.

Professores do EMITEC ministram aulas em estúdio durante o Encontro Estudantil

Estudantes do programa Ensino Médio com Intermediação Tecnológica (EMITEC) participaram do Encontro Estudantil através de projetos apresentados na 6ª Feira de Empreendedorismo, Ciências e Tecnologias da Bahia (FECIBA), que faz parte do Programa Ciência na Escola, uma ação estratégica da Secretaria da Educação do Estado da Bahia que visa promover o processo de educação científica e empreendedora para professores e estudantes da Educação Básica. Para os estudantes do programa que não puderam comparecer, os professores fizeram transmissões ao vivo do evento, por meio de um estúdio do programa instalado na Arena Fonte Nova.

A diretora do EMITEC, Letícia Machado, destacou a importância da iniciativa de incluir os estudantes que não puderam vir a Salvador, fazendo com que eles também vivenciassem a experiência educacional. Além disso, segundo ela, o espaço possibilitou que os visitantes do Encontro conhecessem mais sobre o EMITEC. “O estúdio foi uma forma de divulgarmos o trabalho do EMITEC, como são produzidos os livros, as aulas e todo o material didático, além do trabalho dos professores. Enfim, mostrar a relevância desse projeto como proposta de ensino e aprendizagem”, explicou.

Caroline Ribeiro e Thauane Souza, 3º ano, estudantes do Centro Estadual de Referência do Ensino Médio com Intermediação Tecnológica (CEMITEC) da Chapada, em Iraquara, no centro-norte, apresentaram o projeto “Praça Ecológica Recreativa”, que propõe a criação de uma praça de lazer reflorestada a partir de materiais reciclados na criação de bancos e mesas de jogos, além de um coreto em uma área degradada da cidade. “Gostei muito de participar do Encontro Estudantil e de apresentar o nosso projeto, mostrando que estudantes do EMITEC também estão envolvidos na pesquisa e no trabalho social”, disse Caroline. Sua colega, Thuane, também comemorou. “Foi um momento de valorização da nossa cultura e do nosso município; uma oportunidade de mostrarmos o nosso trabalho e incentivarmos a participação de outros estudantes do EMITEC em eventos como este”.

Programa - O Ensino Médio com Intermediação Tecnológica é uma oferta estruturante da Secretaria da Educação do Estado, transmitida via satélite, com o uso de uma rede de serviços de comunicação multimídia que integra dados, voz e imagem, constituindo-se em uma alternativa pedagógica para atender jovens e adultos dos 27 Núcleos Territoriais de Educação (NTE) que, prioritariamente, moram em localidades distantes (ou de difícil acesso) em relação aos centros de ensino e aprendizagem, onde não há a oferta do Ensino Médio.



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