As ações e os projetos desenvolvidos pela Secretaria da Educação do Estado nas 1.282 escolas espalhadas pelos 27 Núcleos Territoriais de Educação (NTE) são o foco dos especiais Raio-X da Educação. Nesta edição, você conhecerá alguns dos projetos desenvolvidos nos NTEs Velho Chico e Sudoeste Baiano.

CIÊNCIA NA ESCOLA


Conectados com a realidade

Com uma produção científica cada vez mais diversificada, os estudantes das escolas estaduais provam que estão conectados com as questões locais e estão usando métodos científicos para buscar a solução de problemas ou entender melhor a história, a geografia, a economia e as organizações de suas comunidades. O incentivo para o desenvolvimento desse pensamento científico vem do projeto Ciência na Escola, que busca dar espaço para que esses conhecimentos sejam disseminados em feiras realizadas na própria escola, em âmbito regional e estadual.

Projetos visam preservar recursos hídricos e aves da região de Encruzilhada

Projetos visam preservar recursos hídricos e aves da região de Encruzilhada

Ampliar os conhecimentos sobre a biodiversidade local e a sua relação com os rios, como forma de preservar os recursos hídricos e espécies nativas. Esta tem sido uma preocupação dos alunos do Colégio Estadual José Palles Sobrinho, em Encruzilhada, que desenvolvem projetos que visam à proteção de dois importantes rios da região, o Pardo e o Água Preta, e de espécies de aves nativas.

“O projeto foi muito bom para conhecermos mais sobre os efeitos dos desmatamentos na cidade e no país. Ficar sabendo mais sobre a história do rio e como ele já foi é importante para termos mais consciência e lutar mais pela sua preservação. Concluímos que o plantio de mudas nativas ao longo do rio pode ser uma boa forma de preservá-lo, além de conscientizar para a redução da derrubada de árvores”, afirma Ana Caroline Souza Machado, 17 anos, aluna do terceiro ano que participou do projeto “Rio Água Preta: a Importância da Vegetação para a Manutenção da Vida”.

O professor Luís Fernando Botelho explica que o projeto surgiu em função da preocupação com os recursos hídricos e a escassez de água na região, onde teve até mesmo racionamento. “Os alunos conversaram com os moradores mais antigos e pesquisaram fotos antigas de quando o rio ainda não havia passado por esse processo de degradação”, explica. Além do desmatamento, os estudantes estudaram ainda sobre os efeitos da ação do homem nas áreas do rio e o impacto das barragens.

Outro projeto de destaque foi o “Levantamento da Avifauna na Região do Barreiro (Rio Pardo), em Encruzilhada”, coordenado pela professora de Iniciação Científica e Biologia, Karine Brandão Neves Brasil. “O projeto surgiu da observação de uma das alunas que no caminho para a escola via pássaros, alguns liderando a lista de animais mais visados pelos traficantes”, conta a professora. A partir daí, um grupo de três estudantes decidiram investigar mais sobre as espécies nativas, por meio de observação e pesquisa com os moradores mais antigos da localidade.

“Observamos que o número de muitas espécies vem diminuindo, como o canário, o periquito e o pássaro preto. Catalogamos as principais espécies locais e fizemos um registro fotográfico”, conta a aluna Joyce Sousa Santos, 18 anos. Depois dos registros, foi feita uma pesquisa sobre animais em risco de extinção. “As espécies observadas ainda não estão correndo esse risco, embora figurem na lista dos mais traficados”, explica a professora, lembrando que o projeto foi importante para os alunos aprenderem pesquisa com metodologia científica, além do caráter de educação ambiental.

Estudantes buscam conscientizar para os perigos da Nomofobia

O projeto foi desenvolvido pelo alunos do Colégio Estadual José Sá Nunes

A Nomofobia, ou dependência digital, é um tema que tem preocupado especialistas do mundo inteiro. A percepção de que o problema está mais perto do que se pensa levou os alunos do Colégio Estadual José Sá Nunes, em Vitória da Conquista, a criarem o projeto “Nomofobia: Cuidado com o Vício em Celular”, para conscientizar a comunidade escolar sobre o tema. “Já tivemos relatos de jovens que deixam de sair ou viajar para lugares onde não há conexão com a internet, como os sítios, por exemplo, e a preocupação com o tema veio dos próprios alunos que propuseram o projeto”, conta a professora orientadora, Marlizia Peixoto Cruz de Souza.

O projeto foi desenvolvido pelo alunos do Colégio Estadual José Sá Nunes

A iniciativa foi desenvolvida pela turma de Biologia do segundo ano, que aplicou um questionário e propôs algumas ações de conscientização. Apresentado na Feira de Ciências do próprio colégio, o projeto foi um dos selecionados para Feira de Ciências da Bahia, que acontece em Salvador e reúne projetos das escolas estaduais. “Descobrimos que muitos jovens já têm uma grande dependência do celular e que o problema afeta mais as meninas. Este projeto tem também o objetivo e conscientizar para o problema”, conta a estudante Sanara Santos Silva, 17 anos. “Agora a expectativa é grande para apresentar o projeto para um público bem maior”, afirma.


Borra de café se transforma em adubo orgânico

Os estudantes do curso técnico em Meio Ambiente do Colégio Estadual Dária Viana de Queiroz, em Barra do Choça, comprovaram a eficácia da borra de café na agricultura. Um grupo do segundo ano do curso desenvolveu o projeto “Uso da Borra de Café como Adubo”, fazendo um experimento na própria escola. “Preparamos três canteiros de coentro e cebolinha. Em um deles usamos adubo, em outro, apenas a borra de café e no terceiro, a borra junto com cascas de ovos e restos de hortaliças”, conta o professor-coordenador do projeto, Graziano Souza Oliveira. A última mistura se mostrou mais eficiente.

“O projeto foi muito importante, pois comprovou que a borra de café pode ser usada como adubo sozinha ou com outros ingredientes como a casca de ovos, de frutas e legumes. A borra de café contém Nitrogênio, que junto com o Potássio e o Fósforo deixam o solo mais rico, além de combater pragas e bactérias”, explica a aluna Beatriz Silva Chagas. E ainda aponta para outro benefício: “Sem contar que esta é uma atitude ecológica, pois jogada na natureza a borra libera gás Metano, que é 20 vezes mais poluente que o CO², o gás do efeito estufa”, ensina. Para o próximo ano a ideia é ampliar o experimento para apresentá-lo na Feira de Ciências da Bahia (FECIBA).

Reparadora de pneus é criada com material reciclado

Reparadora de pneus é criada com material reciclado

Os estudantes do Colégio Estadual Luís Eduardo Magalhães, em Mirante, usaram a criatividade e materiais que acabariam no lixo para ajudar a comunidade onde vivem a resolver um problema: a falta de borracharias e o alto custo da reparação de pneus. Com chapas de ferro, tábuas, peças de automóveis e parafusos que tinham em casa, eles criaram a Repair Portable, uma máquina caseira que repara pneus.

“O projeto surgiu porque aqui na região há muitas motocicletas e as estradas são muito ruins, o que danifica os pneus com grande rapidez. Quando um pneu fura, as pessoas precisavam levá-lo até uma borracharia, que são poucas e distantes. Então, criamos a máquina e ela funcionou perfeitamente”, conta a estudante Iandra Oliveira Silva, 17 anos, uma das seis estudantes que participaram do projeto.

O projeto foi coordenado pela professora de Física e Biologia, Celina Alves Barros de Oliveira. “Além de ajudar a população, os alunos também aprenderam muito sobre o reaproveitamento de materiais”, explica a professora. A máquina foi apresentada em uma feira na cidade e os alunos explicaram para a população não apenas o seu funcionamento, mas também como construir uma similar. “Várias pessoas já construíram outras e até inovaram o equipamento que criamos” comemora a estudante.

Alunos disseminam propriedades nutricionais e medicinais da Moringa

Mauro Américo Pina Pinto, 17 anos, cursa o segundo ano do Ensino Médio

A união de conhecimento científico e sabedoria popular foi o ponto de partida para os alunos do Colégio Estadual Luís Eduardo Magalhães, em Mirante, criarem projetos de cunho social e ambiental tendo como base a Moringa Olieífera, uma planta conhecida na região e tão versátil que possibilita o uso medicinal, culinário e até mesmo para a purificação da água e a eliminação da larva do mosquito Aedes Aegypti. O primeiro deles foi o projeto “Farinha Medicinal Tendo como Base a Moringa Oleífera”.

Trata-se de uma multimistura com propriedades nutricionais e medicinais, produzida com as folhas e hastes da planta. “Eu já conhecia a planta e descobri suas propriedades ao participar de um congresso. Então, propus o projeto e o grupo o aceitou. Foi muito produtivo, pois produzimos e distribuímos a farinha durante uma feira, mas também ensinamos como produzi-la, o que é um método bem simples, e distribuímos mudas da planta para aumentar a sua produção”, explica o estudante Mauro Américo Pina Pinto, 17 anos, que cursa o segundo ano do Ensino Médio.

Mauro Américo Pina Pinto, 17 anos, cursa o segundo ano do Ensino Médio

O projeto, orientado pela professora Maria Celina Alves Barros, envolveu sete estudantes. A pesquisa dos alunos se baseou ainda em estudos científicos que comprovam as propriedades nutricionais e medicinais da planta. “A farinha pode ser usada no tratamento, principalmente, da desnutrição por ser rica em vitaminas e minerais e conter todos os aminoácidos, do diabetes, do colesterol alto e da hipertensão”, conclui a professora.

Já no projeto “Moringa, a Esperança do Sertão” outro grupo de alunos partiu da sabedoria popular. “É conhecido o fato de que as pessoas usam as sementes da Moringa para purificar a água, principalmente em épocas de seca, quando a água fica barrenta em poções e nas aguadas, pois as sementes aceleram o processo de decantação”, conta a professora Maria Celina.

A partir dessa constatação, os alunos criaram o projeto para disseminar esse conhecimento e também para mostrar outras propriedades da planta. Para eliminar a larva do Aedes Aegypti pode ser usada uma mistura de sementes maceradas, água e vinagre que deve ser colocada em ralos e outros locais propícios para o desenvolvimento das larvas. Agora, os alunos estão estudando a viabilidade da produção de um repelente à base da planta.

Alunos pesquisam impacto econômico da produção de biscoitos caseiros

Um produto típico de muitos bairros de Vitória da Conquista, os biscoitos caseiros, presente nas feiras, mercadinhos e barracas, despertou a atenção dos estudantes do Colégio Estadual José Sá Nunes, que decidiram investigar mais sobre o processo de produção e a sua influência na economia e criaram projeto “Produção de Biscoito Caseiro”. A pesquisa se concentrou nos bairros Guarani, Alto Maron, Iracema e Centro, que ficam nas proximidades da escola. “O objetivo era mostrar como a fabricação desse produto movimenta a economia, gera renda para as famílias na cidade e na zona rural e sua presença na alimentação como um produto mais saudável e livre de conservantes”, explica Sabrina Barbosa Teixeira, que participou do projeto e já concluiu o Ensino Médio.

Os alunos foram orientados pela professora de História Maria Amélia Dourado Bahia e o projeto envolveu várias outras disciplinas, como Matemática e Estatística. “Os alunos registraram tudo em um ‘diário de bordo’, desde as primeiras discussões para as entrevistas até os resultados. Foi interessante, pois eles concluíram que algumas percepções foram confirmadas, como o fato de a produção ser sempre familiar e em casas adaptadas para a atividade, por exemplo”, conta a professora. O trabalho foi apresentado na Feira de Ciências da escola e foi inscrito na Feira de Ciências Empreendedorismo e Inovação da Bahia (FECIBA).

Pesquisa ajuda estudantes a entenderem a dengue

Uma parceria inusitada entre as disciplinas de História e Matemática ajudou os alunos da Escola Estadual Alaor Coutinho a perceberem o nível de informação da comunidade estudantil a respeito da dengue. Um questionário aplicado para 166 estudantes buscou entender o que os adolescentes sabem, efetivamente, sobre a dengue, suas características, formas de transmissão e prevenção.

A motivação para a realização dessa pesquisa partiu do fato de que, embora campanhas sejam realizadas todos os anos, a incidência da doença em nossa sociedade continua alta. “Muito se fala que, para combater a dengue de forma eficiente, é necessário informar as pessoas. Por isso, propusemos a realização de uma pesquisa que medisse o nível de informação sobre a dengue entre os estudantes da nossa escola”, explicou a professora de Matemática, Martamira Martins.

A pesquisa foi dividida em duas etapas. Primeiro, o professor de História, Gilson Soares, abordou a temática em sala de aula, apresentando um histórico sobre a dengue em Vitória da Conquista; depois, foi aplicado um questionário de múltipla escolha para alunos do 6º ao 9º ano, com perguntas variadas sobre a transmissão, características e prevenção da doença.

Na segunda etapa, a professora de Matemática montou uma equipe para organizar os dados e construir gráficos com os resultados da pesquisa. “Entendemos que a organização de dados sobre a dengue, de forma científica entre nossos alunos, pode levá-los a uma noção mais clara de como estamos tratando a questão”, conta a professora.

Os resultados apontaram que a maioria dos estudantes da Escola Estadual Alaor Coutinho conhece o ciclo do mosquito transmissor da dengue; as características, formas de transmissão e prevenção da dengue.

Alunos estudam o uso de recursos naturais na produção de tijolos

A produção e comercialização de tijolos artesanais na localidade de Vereda, em Vitória da Conquista, foi o objetivo de pesquisa dos alunos do Colégio Estadual Nilton Gonçalves, dentro do projeto “Veredas Cinzentas”, nome inspirado na cor acinzentada da região. “O objetivo inicial era estudar a exploração dos recursos naturais e a forma de produção, que continua rústica, com o uso de tração animal e equipamentos de madeira para amassar a argila”, conta a professora orientadora do projeto, Ivana Lima e Silva.

Segundo a professora, o projeto está na terceira edição. “Em 2015 e 2016, eu orientei o projeto com os alunos de Geografia, que é minha disciplina. Este ano, o projeto foi orientado pela professora de História, mas eu também participei”, explica Ivana. Apesar de direcionado para o estudo de recursos naturais, o projeto evoluiu para preocupações sociais e ambientais. “Embora tenha se reduzido e seja mais comum o uso de madeira de eucalipto, ainda pode se perceber que há desmatamento para a queima de tijolos”, diz a professora. O projeto também observou a necessidade de melhorar o sistema de comercialização para garantir maior rentabilidade e uma proposta de criação de uma cooperativa deverá ser apresentada à Câmara de Vereadores da cidade.

“Conhecendo nosso lugar”: alunos estudam a localidade onde a escola está inserida

Conhecer melhor o lugar onde se vive, as suas principais características, a sua geografia, a sua gente e curiosidades para assim valorizar mais o próprio espaço. Foi com este objetivo que os alunos do Colégio Estadual Dom Climério de Almeida Andrade, em Vitória da Conquista, criaram o projeto “A URBIS VI em Nossas Mãos: Conhecendo Nosso Lugar”. A URBIS é uma área que pertence ao bairro Espírito Santo, onde fica o colégio. “Observamos que os moradores têm uma identificação muito forte com o local, com a feira, com as pessoas que prestam serviços. Daí surgiu a proposta de investigar como se dá essa relação com o local, a partir da percepção dos moradores”, conta a professora Fernanda Viana Alcântara, mediadora do projeto desenvolvido na oficina de Iniciação Científica.

Assim, os alunos saíram a campo para visitar as ruas para a identificação e o reconhecimento dos pontos mais importantes no mapa como: igrejas, postos de saúde, creches, posto policial, supermercados, praças, paradas de ônibus, feira e outros. Também foram feitas entrevistas com os moradores e registros fotográficos para ajudar na confecção de mapa e maquete do bairro URBIS VI. “É o terceiro ano que participo de projetos de Iniciação Científica e isto mudou o meu conceito de vida e me ajudou em praticamente todas as outras disciplinas. Esse projeto foi muito especial, pois, mesmo morando no local, descobri coisas novas, como uma praça muito perto da minha casa”, conta a estudante Beatriz Rocha Raimundo, que cursa o terceiro ano do Ensino Médio.

Interação entre os homens e os animais é estudada por grupo de alunos do CELEM

A constante presença de animais nos mais diversos aspectos da vida do homem, desde a alimentação, a religiosidade até a cultura popular e a Medicina, despertou a curiosidade de um grupo de alunos do Colégio Estadual Luís Eduardo Magalhães (CELEM), em Bom Jesus da Lapa, e daí surgiu o projeto “Patrimônio Etnozoológico e Cultural: as Interações entre Homens e Animais no Município de Bom Jesus da Lapa”.

Segundo a professora Alana Souza, que coordenou o projeto, os estudantes constataram que a presença de animais é significativa na história da cidade, desde a sua fundação, quando, segundo a história, foi descoberta a Gruta de Bom Jesus, que seria habitada por onças e cobras. “Os animais ainda estão presentes de forma importante nas romarias, servindo de transporte e também nas oferendas deixadas pelos romeiros, como berrantes. Eles são uma parte importante da cultura da cidade”, explica.

Para a estudante Bruna Marcele dos Santos Silva, 16 anos, uma das 37 alunas que participaram da pesquisa, o mais importante foi adquirir tantos conhecimentos históricos. “Pesquisamos sobre muitas coisas, como a lenda do Nego D’Água (um homem com aparência de anfíbio que habita as profundezas do Rio São Francisco) e a fundação da cidade. Foi o maior projeto de que participei na escola e, além da aprendizagem, recebemos também muito reconhecimento da comunidade”, comemora a estudante.

Estudantes constroem sistema de geração de energia

Aprender e demonstrar na prática como é possível produzir energia elétrica a partir da energia mecânica. Foi com este objetivo que os alunos da disciplina de Física, do Colégio Estadual Luís Eduardo Magalhães, em Mortugaba, construíram um pequeno gerador de energia. “Usamos objetos simples, como circuitos elétricos, ímãs e uma plataforma giratória. A ideia era mostrar uma forma sustentável de produzir eletricidade”, conta o aluno Gabriel Souza Reis, que participou do projeto. “O circuito era pequeno, dava apenas para acender uma lâmpada de LED”, completa.

O experimento realizado por seis alunos foi um dos destaques da Feira de Ciências no ano passado. “Os alunos puderam entender e demonstrar como a energia mecânica, a exemplo das forças da natureza, pode ser transformada em energia elétrica”, explica a professora Elda Mônica Souza Tolentino. O projeto também tem como objetivo disseminar o conhecimento científico na comunidade escolar.

Tangram facilita aprendizagem de Geometria e estimula o raciocínio lógico

Um jogo milenar criado na China tem sido o recurso utilizado na Escola Estadual Alaor Coutinho para estimular a criatividade e o raciocínio lógico: o Tangram. Desde o ano passado, estudantes dos 6º e 7º anos têm no Tangram a peça fundamental para o desenvolvimento das atividades nas aulas de Geometria, orientadas pela professora Tatiane Pamponet. O projeto “Tangram: experiência de construção da geometria” nasceu da necessidade de ter às mãos ferramentas mais lúdicas para o trabalho com a disciplina, desconhecidas por boa parte dos alunos.

Além de introduzir as noções de formas geométricas, a utilização do jogo gerou resultados inesperados: “Inicialmente, o nosso objetivo era facilitar o aprendizado da Geometria, mas depois percebemos que o trabalho foi além. Conseguimos despertar o interesse de muitos alunos para a Matemática e melhorar a concentração de vários estudantes”, explica a professora Tatiane.

Os Tangrans foram confeccionados pelos próprios alunos. Além de aprender com mais facilidade as formas geométricas, os alunos puderam exercitar a criatividade. Até um teatro de fantoches foi realizado com as peças de Tangram. “Foi muito legal trabalhar com o Tangram. Aprendi a montar vários formatos e entendi muitos assuntos de maneira mais fácil”, conta a aluna Maria Eduarda Brito, 14 anos, atualmente no 8º ano.

O resultado foi tão bom que o projeto continua em desenvolvimento com as novas turmas que chegaram à escola este ano. “O Tangram agora faz parte das aulas de Geometria e queremos avançar ainda mais na utilização desse jogo matemático”, conta a professora Tatiane.

Racionamento de água leva alunos a conscientizar a comunidade escolar O racionamento de água que ocorreu no município de Vitória da Conquista entre 2016 e 2017 foi o ponto de partida para um projeto pedagógico multidisciplinar desenvolvido na Escola Estadual Alaor Coutinho. Como o racionamento atingiu diretamente a rotina da unidade escolar, os alunos decidiram entender o problema e sugerir alternativas para garantir a normalidade das atividades.

“O racionamento mudou a vida da população. Todo mundo precisou economizar água e mudar hábitos. Na escola não foi diferente. Alunos, professores e funcionários tiveram que utilizar apenas o essencial para garantir a continuidade das aulas, caso contrário teríamos que suspender as atividades por falta d’água”, explica a professora-articuladora da unidade, Veruska Anacirema.

Os alunos, então, foram desafiados a entender o porquê da crise hídrica no município. Para isso, correram atrás de explicações em disciplinas como Geografia, Ciências e até História. Após pesquisar as causas e as consequências do racionamento, os estudantes passaram a refletir sobre as dificuldades que a escola teria que enfrentar com a falta d’água.

A partir daí, foi elaborado um plano de ação, com a realização de uma grande campanha de conscientização da comunidade escolar, abordando o problema e apontando métodos de economia de água para tentar minimizar a crise. O estudante Rafael França conta que a participação no projeto foi muito importante. “Aprendemos que essa crise hídrica poderia ter sido evitada se os governos e a sociedade cuidassem melhor do meio ambiente e se houvesse investimentos contínuos no abastecimento de água”, disse.

Conhecimento científico em meio à natureza

A beleza natural e a riqueza arqueológica das cavernas da região de Carinhanha se transformaram em sala de aula para os alunos do Colégio Estadual Coronel João Duque aprenderem mais sobre pesquisa e metodologia científica. “Durante o projeto “Cavernas de Carinhanha – Fotografia”, os estudantes fizeram todos os passos da pesquisa científica, como coleta de dados, pesquisa de campo e documentação da experiência”, conta o professor Diogo da Silva Cerqueira, que coordenou o projeto.

Foram realizadas trilhas e excursões com 30 alunos para cinco cavernas nos limites do município. “Encontramos pinturas rupestres em duas delas e estalactites em três”, conta o professor.

Uma das estudantes mais empolgada é Helen Clara de Jesus, 16 anos, que cursa o terceiro ano do Ensino Médio. “Esse projeto foi magnífico e participar dele foi uma experiência ótima. Foram descobertas que ficaram marcadas. Vi pinturas rupestres que chegam a ser inacreditáveis e uma água cristalina da qual não dá vontade de sair nunca. São simplesmente lindas paisagens. E, claro, são descobertas que precisam ser repassadas para que outras pessoas possam viver e aprender mais sobre a nossa história”, diz.


EDUCAÇÃO PROFISSIONAL


Educação profissional atende às demandas e vocações regionais

A oferta de cursos técnicos de nível médio do Programa Educação Profissional amplia as oportunidades de crescimento para milhares de jovens baianos. Somente este ano, foram oferecidas quase 12 mil vagas em 33 cursos nos centros estaduais e territoriais em 57 municípios. São cursos nas áreas de Saúde, Informática, Administração, Meio Ambiente e outros que buscam atender às demandas e vocações de cada região, levando educação de qualidade e direcionada para tornar o processo cada vez mais integrado com o desejo da juventude.

Com mais de 490 alunos e uma ótima infraestrutura, o Centro Territorial de Educação Profissional do Velho Chico, em Ibotirama, por exemplo, oferece sete cursos profissionalizantes, como Enfermagem, Análises Clínicas, Administração, Informática, Manutenção e Suporte em Informática, Agropecuária e Agroindústria. Um dos focos do centro é desenvolver a excelência dos alunos e, para isso, executa uma série de projetos científicos em que os alunos colocam em prática todo o conteúdo teórico. Esses projetos também são uma forma de interação entre o centro e a comunidade, pois a maioria é voltada para a população local.

Alunos criam projeto de laboratório de informática com baixo custo

Um projeto dos estudantes de Informática do Centro Territorial de Educação Profissional de Vitória da Conquista poderá possibilitar a instalações de laboratórios de informática nas escolas, com baixo custo e uso de software livre. Trata-se do projeto Linux ID: Desenvolvimento de uma Distribuição GNU/Linux Voltada para a Educação e a Inclusão Digital. O projeto está em fase de testes, mas a ideia é montar até 10 terminais a partir de um único servidor.

“O projeto tem como característica diminuir também os custos com manutenção, pois não há a necessidade da instalação de programas nos computadores dos clientes, apenas no servidor, garantindo, assim, uma manutenção mínima. Outra economia é com as licenças de softwares, pois o Linux ID utiliza 100% de software livre”, explica o professor de Informática Tárcio Santos Carvalho, coordenador do projeto.

O aluno Caíque Santana, 18 anos, que está no quarto ano do curso de Informática, explica que a ideia é reutilizar computadores que seriam descartados por estarem obsoletos, como terminais públicos. “Nesses terminais nós tiramos todos os recursos desnecessários e deixamos apenas o mínimo necessário, como o acesso à internet e a jogos educativos, por exemplo, pois apenas um servidor vai disponibilizar os serviços para esses terminais”, esclarece.

Mesmo atuando em outras áreas da Informática, o estudante diz que o projeto está sendo muito importante para a sua formação geral. “Estou aprendendo muito sobre o Linux e outros processos, como trocar animações e outras coisas específicas do projeto”, afirma.

Conhecimento prático e ações de cidadania

Promover ações de cidadania que contribuem para melhorar a saúde da população. É desta forma que os estudantes do Centro Estadual de Educação Profissional em Saúde Adélia Teixeira, em Vitória da Conquista, colocam em prática o aprendizado teórico em sala de aula. Um bom exemplo dessa iniciativa é a Feira de Ciências e Nutrição, realizada pela escola no último mês de agosto, que levou para a comunidade serviços como exame de glicemia, tipagem sanguínea, dentre outros, além de orientações sobre Nutrição e o perigo das dietas da moda.

“Estes projetos são fundamentais para que a gente possa aprender na prática e, assim, estar muito mais preparados para o mundo do trabalho”, avalia o estudante do curso técnico em Enfermagem, João Pedro Novais Gonçalves. “Além disso, é muito boa a interação dos alunos e professores”, completa.

A feira reuniu cerca de 400 alunos dos cursos técnicos em Enfermagem, Análises Clínicas e Nutrição e atendeu centenas de pessoas das comunidades. “Em 2015, fizemos outro evento, o Pit Stop, com o foco na doação de órgãos e doação de sangue, envolvendo mais de 600 alunos”, conta a professora Cleuma Oliveira Lopes Gomes. O centro atende mais de 900 alunos e oferece os cursos técnicos em Enfermagem, Nutrição, Segurança do Trabalho e Análises Clínicas.

Projeto do CETEP Velho Chico valoriza a cultura indígena

Divulgar a cultura indígena, suas atividades econômicas e proporcionar maior interação entre os estudantes. Estes foram alguns dos objetivos do projeto “Abril Indígena: Etnicidade Indígena e Sua Valorização na Sociedade”, realizado pelo CETEP Velho Chico, em Ibotirama. E para promover o protagonismo juvenil indígena todo o projeto foi coordenado pelo aluno Moisés de Oliveira Barros, da etnia Tuxá, da Aldeia Tuxá Kionahá. “Foi uma maneira de mostrar a nossa forma de vida e como evoluímos, mas sempre mantendo a nossa cultura. Eu me sentia meio excluído na escola, mas depois do projeto, os alunos conheceram esta cultura e hoje me sinto mais integrado e respeitado”, afirma Moisés.

O projeto contou com a participação das associações indígenas e entidades públicas. “Primeiro, os alunos fizeram uma pesquisa na Aldeia Tuxá e depois montamos uma oca na entrada da escola para o evento, que teve seminário, exposição de fotos, mostra de artesanato, pintura corporal”, conta a coordenadora pedagógica, Rosane Akeme Mineiro Yamaguchi.

Ela conta que a escola, que tem 520 alunos, atende oito estudantes indígenas das etnias Tuxá e Kiriri. “Foi muito importante mostrar o processo de produção e comercialização do artesanato, pois este faz parte de uma cadeia produtiva sustentável, com a utilização de materiais naturais que iriam para o lixo, como casca de coco, sementes, pedaços de madeira e outros, que se transformam em acessórios, como bijuterias e objetos de decoração”, lembra a professora. “O projeto foi muito importante para a reafirmação de nosso povo e espero que ele continue nos próximos anos, pois teve o apoio de toda a escola e da comunidade local e dos líderes indígenas”, diz Moisés, que conclui este ano o curso de Agropecuária.

Plano de marketing é criado para ajudar ONG

Uma vassoura ecológica feita de garrafas PET, de alta durabilidade e produzida por famílias de uma ONG, só precisava de uma estratégia para ganhar o mercado. O desafio foi colocado para os alunos do curso de Administração do Centro Territorial de Educação Profissional do Velho Chico que criaram o projeto Marketing da Vassoura Petvarre. Coordenado pelo professor Mário Sérgio Faria de Brito, o projeto previa trabalhar as duas pontas do processo: a oferta da matéria-prima e a sua comercialização. “É uma norma da disciplina Administração do Terceiro Setor que os alunos façam alguma atividade prática envolvendo ações comunitárias, a geração de renda ou o apoio a instituições beneficentes”, explica o professor.

A estratégia dos alunos para conseguir mais matéria-prima foi buscar uma parceria com a prefeitura para conseguir coletores específicos para as garrafas PET com o comércio local para a colocação dos coletores. Depois, criaram um plano de marketing e materiais de divulgação, como panfletos, cartões de visita, banners e colocação de estandes em feiras para a comercialização das vassouras. Outra ação proposta foi o contato direto com prefeituras da região, para propor a aquisição das vassouras para a limpeza pública, e com mercados e lojas, para que adquirissem para o uso e também que servisse de ponto de venda.

As vassouras Petvarre são produzidas pelas famílias ligadas à ONG Mãos Dadas, do bairro Alto do Fundão, em Ibotirama e, além dos benefícios ecológicos gerados pelo reaproveitamento, são fonte de renda para famílias carentes da comunidade local, gerando emprego, trazendo benefícios econômicos e sociais.

Projeto mostra a versatilidade do jatobá

Pudim, mousse, pão integral e suspiro, tudo feito à base da farinha do jatobá. Esta foi a forma mais que atrativa que os estudantes do curso técnico em Agroindústria do Centro Territorial de Educação Profissional do Velho Chico encontraram para desenvolver o Projeto Jatobá, uma iniciativa para incentivar o consumo da fruta e também como o jatobá pode ser uma fonte alternativa de renda para a população local. Os estudantes realizaram as apresentações dos resultados obtidos durante as aulas teóricas e práticas, com a exposição de banner e dos alimentos produzidos pelos mesmos.

Os estudantes tiveram, também, a oportunidade de compartilhar os saberes científicos com a população, mostrar os alimentos que podem ser produzidos pelo jatobá e divulgar as suas propriedades, como o seu alto valor nutritivo, pois é rico em ferro e vitamina C.

Programa para calcular IMC é criado por alunos do CETEP

Os alunos de curso técnico em Informática do Centro Territorial de Educação Profissional do Velho Chico encontraram uma forma criativa para divulgar o curso, que iniciou a primeira turma este ano. Eles criaram um programa para o cálculo do Índice de Massa Corporal (IMC). O atrativo serviu para apresentar à sociedade aspectos e características do curso técnico em Informática, com especial atenção à formação dos alunos e desenvolvimento de ações de integração entre a sociedade e a comunidade escolar do CETEP Velho Chico.

A proposta de trabalho era expor os principais componentes de um sistema computacional, como o Disco Rígido (HD), a placa-mãe, a memória RAM, a fonte de alimentação, o roteador e o cabo de comunicação, além de mostrar o desenvolvimento e a utilização de um programa (Algoritmo) que calcula o IMC, com base no fornecimento das variáveis, altura e peso de uma pessoa.

Fortalecimento da Educação Básica


“Escolas Culturais” chega a várias instituições do Estado

O projeto Escolas Culturais, da Secretaria da Educação do Estado, que beneficiará, inicialmente, 85 escolas localizadas em 66 municípios de todos os Territórios de Identidade, já chegou ao Colégio Modelo Luís Eduardo Magalhães, em Bom Jesus da Lapa. “O colégio respira cultura no seu fazer cotidiano porque essa é uma forma legítima de compreender o ser humano integral e cheio de possibilidades, talentos e habilidades. A música, a dança, o teatro, a poesia, o canto coral, a produção de vídeo, a educação patrimonial e artística e artes visuais são formas amplas e eficientes de incorporar a cultura no fazer pedagógico. Por isso, ser Escola Cultural é um privilégio e uma constatação do que estamos trilhando o caminho certo”, afirma a diretora Maria Helena de Assis Laranjeira Gomes.

As Escolas Culturais vão oferecer atividades nas áreas de dança, arte literária, música e audiovisual. O projeto, que faz parte do Programa Educar para Transformar, é uma iniciativa conjunta das secretarias estaduais da Educação, de Cultura (SECULT), de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SJDHDS) e da Casa Civil. Muitos fatores contribuem para que essas escolas recebam o projeto, dentre os quais o desenvolvimento de projetos de arte e cultura, tendo em vista que o Escolas Culturais visa potencializar essas ações e valorizar a cultura territorial.

E foi a grande participação do Colégio de Bom Jesus da Lapa nos projetos estruturantes de arte e cultura que garantiu a escolha da instituição para estar entre as primeiras a receber a iniciativa. Este ano, a escola está desenvolvendo também um amplo projeto intitulado Protagonismo Juvenil, que tem como tema “Eu e você, somos o mundo” e como subtema “Pluralidade Cultural”. Trata-se de um conjunto de atividades, artísticas e culturais, que envolvem dança, teatro, produção literária e projetos socioambientais, dentre outras iniciativas.

Outra instituição de destaque e que também já recebeu o Escolas Culturais foi o Colégio Estadual Nemísia Ribeiro dos Santos, em Morpará. “Acredito que é um estímulo a mais para desenvolver uma educação voltada para descobrir potenciais artísticos dos alunos e interagir com a comunidade por meio dessas manifestações culturais, resgatando a pluralidade e a singularidade de nossa cultura local ou até mesmo dando um novo significado com o olhar crítico de nossos alunos”, acredita o diretor da escola, Matias Souza.

O diretor conta que várias estratégias foram utilizadas dando ênfase à participação integral dos alunos, como o projeto Alegria na Escola, o “Nemi-Fantasy”, em que os alunos desenvolveram as suas fantasias alegóricas com temas históricos, culturais, respeitando as diversidades de gêneros. Estão incluídos nesse projeto a Quermesse Junina e as Sextas Culturais Mensais. Existe também na escola o projeto Ecocidadania com o lema “Água Nossa de Cada Dia”, com o objetivo de conscientizar os alunos e a população.

O Colégio Estadual Nemísia Ribeiro dos Santos é reconhecido pelo MEC como escola inovadora e criativa e está entre as 178 instituições educacionais brasileiras, entre organizações não governamentais, escolas públicas e particulares, que foram reconhecidas pelo Ministério da Educação como exemplos de inovação e criatividade na Educação Básica.

Regime de Alternância beneficia estudantes da zona rural

O projeto Pedagogia da Alternância tem permitido o acesso e a permanência de jovens e adolescentes que moram na zona rural ao Ensino Fundamental e Profissionalizante. No regime de alternância, os estudantes passam 15 dias na escola, com todas as despesas pagas pelo Estado, e outro período em suas comunidades, onde aplicam na prática o que aprenderam ou desenvolvem outras ações pedagógicas. É o caso, por exemplo, da estudante Maria Leci Santos Rocha, aluna do nono ano do Ensino Fundamental na Associação da Escola Família Agrícola de Anagé (AEFAAN).

“Em função de morar na zona rural, há um gasto muito grande em deslocamento até a sede, o que dificultaria ou até impossibilitaria a continuidade dos estudos, tendo que se deslocar todos os dias. O fato de nos mantermos residentes na EFA otimiza o nosso tempo, direcionando a maioria deles para os estudos. Vemos a teoria e a prática auxiliando bastante na nossa aprendizagem e ainda nos capacitamos para o crescimento dos laços familiares, permitindo o auxílio nas atividades de subsistência familiar”, afirma a estudante de 15 anos de idade, filha de pequeno agricultor e residente na Fazenda Bom Sucesso, no município de Anagé.

A escola oferece o Ensino Fundamental do 6º ao 9º ano e atualmente tem 72 alunos. “No período em que estão em casa, os alunos realizam atividades como a participação nos eventos na comunidade e seguem os planos de estudos, que são trabalhados e acompanhados pelos monitores/professores”, explica o professor Ailton Palmeira da Silva. “No retorno, eles compartilham estas atividades com os outros alunos na classe. Os monitores também são tutores dos alunos e fazem visitas periódicas às suas famílias, buscando manter o foco do projeto de ensino e aprendizagem dessa modalidade”, completa.

Já a Escola Família Agrícola (EFA) de Riacho de Santana, instituição que há 37 anos trabalha com a educação do campo, desde 2004 oferece a Educação Profissional Técnica de Nível Médio em Meio Ambiente Integrada ao Ensino Médio, também em regime de alternância em parceria com o Governo do Estado. “Os 171 alunos dessa EFA são provenientes do município de Riacho de Santana e de outros 14 municípios, com idade entre 13 e 25 anos, e são filhos de agricultores familiares e diaristas, grande parte desses, analfabetos e semialfabetizados”, explica a coordenadora pedagógica, Isabel Xavier de Oliveira. “A parceria com o Governo do Estado, através da SEC, SDR e outras secretarias, tem impactado positivamente nas comunidades e nos municípios de abrangência das EFAs, pois pensar em Educação Ambiental e na sustentabilidade do meio em que se vive implica em pensar alternativas e/ou ações adaptadas à realidade desse meio”, complementa a professora.

Ações sociais aproximam comunidade e escola

Trazer a família e a comunidade em geral para dentro da escola para que tenham acesso a oficinas diversas, palestras educacionais e atividades assistenciais (aferição de pressão, manicure, maquiagem, corte de cabelo), culturais e artísticas. Esta é a proposta do projeto Ação Social 2017: Ação e Cidadania, protagonizado pelos estudantes do Colégio Estadual Monsenhor Turíbio Vilanova, no município baiano de Bom Jesus da Lapa. A ação faz parte do projeto Escola e Comunidade: uma Parceria de Sucesso, que integra a proposta político-pedagógica da instituição.

A estudante Olga Vitória da Silva, 16, 1º ano, conta sobre a sua participação no projeto. “É muito interessante, porque, além de aproximar os nossos pais e a comunidade do entorno da escola, temos a oportunidade de participar de atividades que vão contribuir com o nosso desenvolvimento pessoal e como cidadãos. Eu, particularmente, gostei muito da oficina de sabão. Através dela, ganhei mais consciência sobre o reaproveitamento do óleo de cozinha. Agora, tenho feito sabão em casa e economizado bastante”.

Representante do Colegiado Escolar, a aluna Mércia Caroline Pereira, 17, 1º ano, também fala da sua experiência com o projeto Ação Social. “É muito bacana a iniciativa de aproximar a comunidade da escola, que é uma instituição educacional e, por isso, pode contribuir com a população em diversas áreas do conhecimento. A oficina de ornamentação com frutas, por exemplo, foi uma das que mais gostei. É um aprendizado que se adquire e que poderá ser revertido em uma renda para as famílias”, acredita.

A articuladora do Programa Ensino Médio Inovador (ProEMI), professora Ana Carolina Ferraz, explica que a ideia é aproximar a comunidade da escola. “É uma boa oportunidade para estreitar os laços com a comunidade, oferecendo alguns atendimentos aos alunos e à população em geral, principalmente a que se encontra em situação de risco e/ou de vulnerabilidade social, tendo a oportunidade de participarem de atividades nas áreas jurídica, assistencial, de saúde, de beleza, gastronômica, artística, esportiva e cultural, com apresentações musicais e de dança, além de recitais”.

Projetos do CJCC são destaques estadual e nacional

O Centro Juvenil de Ciência e Cultura (CJCC) de Vitória da Conquista tem se destacado por seus projetos na área de Robótica e da criação de games. Apenas este ano, os projetos receberam menção honrosa no congresso Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), um prêmio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (FAPESB) e foram destaque na Campus Party, evento da Secretaria da Educação, em Salvador. Com mais de 1.100 alunos, o centro oferece 17 cursos nos três turnos e é uma das cinco unidades implantadas pela Secretaria da Educação do Estado da Bahia.

Os Centros Juvenis de Ciência e Cultura (CJCC) promovem a educação complementar de forma lúdica, em ambientes interativos e atrativos, sempre no contraturno escolar. O CJCC tem como objetivo ampliar o acesso da juventude baiana às temáticas culturais e científicas contemporâneas, na perspectiva de consolidar a capacidade cognitiva de fazer nexos interdisciplinares, potencializando a compreensão de fatos, questões, invenções, avanços e conquistas científicas, sociais, culturais, artísticas e tecnológicas da humanidade.

Iniciativas de sucesso - Os projetos Robótica Educacional e Choices do CJCC de Vitória da Conquista estão entre os 12 do país que receberam Menção Honrosa na 69ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), realizada em julho, em Belo Horizonte. O centro oferece anualmente 120 vagas para o curso de Robótica. “Desenvolvemos vários projetos nos quais os alunos colocam em prática as noções de programação. Em um deles, por exemplo, o protótipo deveria reconhecer as cores de linhas pretas e brancas e também os obstáculos”, conta o professor de Robótica, Roberto Andrade Costa.

Outro projeto dos alunos, uma bicicleta ergométrica que produz energia para carregar celulares, está sendo aperfeiçoado, e a inovação será apresentada em breve. “Acoplamos um motor de fotocopiadora à bicicleta e regulamos a voltagem. Assim, ao pedalar, a pessoa gera energia para recarregar a bateria do celular”, conta o estudante Lucas Oliveira dos Santos, que participou do projeto e está aperfeiçoando o invento na incubadora de projetos. “Fiz o primeiro ciclo de Robótica e também participo do projeto Detetives da Ciência”, diz o estudante que cursa o segundo ano do Ensino Médio.

Games - Outro programa que tem atraído os estudantes e ganhado destaque é o Criando Games, em que os estudam criam jogos interativos. “Oferecemos cinco turmas de 20 alunos cada. Os estudantes primeiramente aprendem a lógica da programação e quando querem fazer um produto vamos para a incubadora de projetos”, conta a professora Elmara Souza, que comemora o reconhecimento do game Choices, na SBPC. “Ficamos muito felizes, pois o nosso artigo estava em um evento onde prevalece a participação de estudantes do Ensino Superior, pesquisadores e professores mestres e doutores e, mesmo assim, recebemos a menção honrosa”, diz a orientadora do projeto.

O Choices é um jogo interativo que tem como foco a conscientização sobre alimentação saudável, exercícios físicos e qualidade de vida. O jogador deve escolher uma das opções de alimentos propostas e, dependendo da escolha, tem a orientação nutricional e os benefícios e prejuízos para a saúde. Ao final, o jogador saberá se está tendo uma atitude correta em relação à saúde. “O projeto teve bastante reconhecimento e isto é muito bom. Participar do projeto me fez ganhar muito conhecimento, pois, além de aprender mais sobre programação, também aprendi muito sobre Nutrição, que era o objeto do jogo”, comemora o estudante Luis Jonas Borges, um dos desenvolvedores do Choices.

Já o game Sustentabilidade tem o objetivo de medir as atitudes em relação ao meio ambiente. “Decidimos criar o jogo, pois percebemos que muitas pessoas não têm uma atitude sustentável em relação ao consumo de água, ao descarte do lixo e outras ações. Criamos um jogo de perguntas e respostas em que ao final a pessoa sabe se tem atitudes sustentáveis, se as tem mais ou menos ou não as tem. Foi uma oportunidade incrível, pois eu também aprendi muito sobre a criação de games e também sobre sustentabilidade”, diz a estudante Renata Valença, que participou do projeto. O jogo ainda apresenta questões de múltipla escolha, seguidas de orientações e dicas em forma de animações.

Estudantes usam aplicativo para dinamizar o acesso aos conteúdos das provas do ENEM

Os estudantes do 3º ano do Ensino Médio do Colégio Estadual Grandes Mestres Brasileiros, em Matina, município do centro-sul baiano, ganharam um estímulo a mais nos estudos para as provas do Exame do Ensino Médio (ENEM) e de vestibulares em geral. Trata-se do ZapAula, um projeto idealizado pela professora de Língua Portuguesa e Redação, Janildes Chagas. A iniciativa consiste em estabelecer uma dinâmica ao acesso dos alunos aos conteúdos mais cobrados no ENEM em diferentes disciplinas, oferecendo-lhes uma oportunidade a mais de se prepararem melhor, superando a barreira da distância e incluindo-os no mundo digital que os cerca.

“Achei a iniciativa muito legal, porque os conteúdos que vão cair no ENEM chegam para a gente através do WhatsApp, que é um meio de comunicação que tem muito a ver com a nossa geração. Por exemplo, recebemos vídeos da I Guerra Mundial ou sobre a discriminação racial e, a partir dali, somos estimulados a discutir em sala de aula o assunto, a escrever uma redação sobre o tema. É muito estimulante, porque somos direcionados nos estudos de uma forma lúdica. Tanto que meu desempenho escolar melhorou muito”, declara a estudante Larissa Benevides, 17.

A professora Janildes destaca que o ZapAula funciona como um plano de aula interativo e estimulante para os estudantes, por meio do qual os conteúdos que mais caem no ENEM e em vestibulares são disseminados. “Eles recebem diferentes conteúdos, até mesmo dicas para memorizar fórmulas de Física e de como se preparar para fazer uma boa redação. Como os alunos estão integrados às tecnologias de informação e comunicação, a exemplo do WhatsApp, eles têm sido muito receptivos a esse projeto de auxílio para a revisão dos conteúdos disciplinares”.

Através dessa plataforma de interação social gratuita, os conteúdos são enviados por uma Lista de Transmissão, uma opção do aplicativo que permite que o material seja enviado de uma só vez, mas o aluno o recebe individualmente, impedindo, assim, que as listas de exercícios, mapas conceituais, vídeos, quiz ou propostas de redação recebidos alunos se percam no meio das postagens, como acontece em grupos. “A escola precisa adequar-se a essas demandas e contar com aliados para isso.

O uso da tecnologia, de forma correta, transforma o que muitos podem ver como um entrave ao conhecimento em uma poderosa ferramenta de aprendizado. Os alunos têm se mostrado mais confiantes e participativos, e se sentem mais perto do professor. O ZapAula está possibilitando que a comunicação facilite o aprendizado por meio da tecnologia, encurtando, assim, as distâncias”, destaca.

Grafitaê incentiva cultura urbana dentro do ambiente escolar

Colorir as paredes das escolas através da linguagem da arte urbana, valorizando temas do cotidiano dos jovens, como racismo, gênero, sexualidade, empreendedorismo, tecnologias, redes sociais e empoderamento juvenil. Esta é a proposta do projeto #Grafitaê: Escola Conta e Pinta a Sua História, lançado em 2016 pela Secretaria da Educação do Estado da Bahia. A ação, inicialmente, envolve 270 escolas da capital e do interior, com o objetivo de incentivar a liberdade de expressão, a criatividade e a interação coletiva, tendo o grafite como forma de diálogo da cultura urbana dentro do ambiente escolar.

Aluna do Colégio Polivalente de Vitória da Conquista, Sara Freire, 15, que também é representante do Colegiado Escolar, comenta sobre a importância da realização do #Grafitaê nas escolas da rede estadual. “Acho muito interessante a ideia e a considero uma forma bacana de ampliar os conhecimentos, pois o projeto abre espaços para debates atuais que vão além da sala de aula. Sem falar que a iniciativa é uma oportunidade de nos expressarmos e de nos ocuparmos com atividades educativas e criativas, além de deixarmos o nosso colégio com um visual novo, mais bonito”. A diretora Joana D’Arc Soares reforça: “É interessante mostrar que podemos expressar com arte aquilo que se aprende na sala de aula, revelando talentos muitas vezes escondidos, diversificando, assim, o processo de ensino e aprendizagem”.

No Colégio Estadual Camilo de Jesus Lima, em Vitória da Conquista, os estudantes grafitaram os muros da escola como forma de trazer para o ambiente escolar a sua história de vida e da comunidade na qual estão inseridos.

A diretora Socorro Passos conta que a atividade foi realizada no ano passado e este ano uma nova edição do projeto será realizada em novembro. “Os estudantes se identificaram com o projeto e, a partir dele, passaram a valorizar ainda mais a sua escola, que, hoje, se encontra mais cuidada e conservada porque eles incorporaram o sentimento do pertencimento. Tendo o grafite como principal ferramenta de expressão visual, que deixa a escola mais bonita, colorida, alegre, a iniciativa aborda temáticas com as quais eles têm identidade, de forma lúdica, criativa e educativa”.

Reutilização do óleo de cozinha promove ação sustentável

Pesquisas apontam que cada lata de óleo descartada indevidamente no esgoto é capaz de poluir um milhão de litros de água dos rios, desequilibrando o meio ambiente. As escolas da rede pública estadual vêm fazendo o seu papel de sensibilizar e mobilizar a comunidade escolar e a população do entorno por meio de ações voltadas para a sustentabilidade e preservação do meio ambiente. A comunidade escolar do Colégio Estadual Doutor Luiz Rogério de Souza, no município baiano da Barra, no Vale do São Francisco, por exemplo, está promovendo a reciclagem do óleo de cozinha para a confecção de sabão líquido e em barra.

A diretora do colégio, Lucimara Oliveira, conta que a comunidade escolar está entusiasmada com a ação que visa reutilizar o óleo de cozinha, em vez de devolvê-lo aleatoriamente à natureza. “Trata-se de um projeto político-pedagógico da nossa unidade, dentro de uma proposta sustentável que busca reflexões e ações a respeito de problemáticas como o impacto da poluição dos rios São Francisco e Grande. O que a escola pode fazer para conscientizar a população sobre os efeitos negativos da contaminação dos rios através do óleo de cozinha utilizado e jogado pelo ralo da pia?”, pontua a gestora, destacando que a proposta é conscientizar a população a armazenar o óleo usado em garrafas PET e entregá-lo em uma empresa de reciclagem ou no posto de coleta do colégio, que será inaugurado no dia 22 de novembro.

No dia do lançamento do posto de coleta da escola, adianta a gestora, cada membro da comunidade que levar um litro de óleo de cozinha usado ganhará uma barra grande de sabão. “Sensibilizamos os nossos alunos e estamos mobilizando a comunidade para que as pessoas recolham o óleo e o levem ao nosso posto de coleta. Essa ação vem ampliar a nossa fabricação de sabão”, afirma.

Leitura é incentivada a partir de atividades lúdicas sobre obras clássicas

Cada estudante faz a sua releitura da obra clássica escolhida, volta no tempo do autor, confronta as suas histórias com a realidade, vivencia as cenas descritas e compartilha sentimentos com cada escritor. Obras a exemplo de “O Cortiço”, de Aluísio Azevedo, ganham, assim, releituras a partir de outras linguagens, como a de cordel. Outros autores, entre os quais José de Alencar, Castro Alves, Graciliano Ramos e Jorge Amado, também têm seus clássicos explorados. Esta é a proposta do projeto interdisciplinar “Viajando no Mundo da Leitura Clássica – Ler e Escrever: um Grande Prazer”, protagonizado pelos estudantes do Colégio Estadual Anísio Honorato Godoy, no município de Serra do Ramalho.

O objetivo é incentivar e aperfeiçoar neles o hábito da leitura dos clássicos da literatura brasileira, fazendo com que apreciem as obras como algo essencial para o seu processo de ensino e aprendizagem e seu desenvolvimento pessoal. A estudante Luana Lima, 16, 2º ano, conta que a experiência tem sido muito estimulante, porque fortalece ainda mais o seu hábito de leitura. “Amo ler e leio muito. Por isso, acho muito significativo esse projeto de incentivo à leitura, já que é fundamental ler para o nosso aprendizado”, considera a aluna que apresentou no projeto a sua interpretação para “O Cortiço”, romance naturalista de Aluísio Azevedo, publicado em 1890, que denuncia a exploração e as péssimas condições de vida dos moradores das estalagens ou dos cortiços cariocas do final do século XIX.

A colega Luana Vieira, 17, 2º ano, também comenta sobre a importância do projeto que tem como foco o incentivo ao hábito de leitura entre os estudantes do Ensino Médio. ”Vivemos uma realidade, hoje, em que a internet está muito presente no nosso dia a dia. Então, uma atividade que nos estimula a ler livros físicos e nos instiga a adaptar a linguagem clássica de um livro como ‘O Cortiço’ em uma poesia de cordel é muito instigante”.

A professora de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira e Arte, Regina de Sousa, ressalta que uma das preocupações da unidade de ensino é fazer com que os alunos criem o hábito da leitura, o que se acredita ser um desafio de todas as escolas do país que desejam formar leitores críticos e reflexivos para a escola e para a vida.

Educação em Tempo Integral transforma a vida dos estudantes da rede

A Educação em Tempo Integral vem fazendo a diferença na vida dos estudantes da rede estadual. Os alunos do Colégio Estadual Dom Climério Almeida de Andrade, em Vitória da Conquista, por exemplo, participam, no contraturno, de oficinas de Expressão Corporal; Iniciação Científica; Mundo do Trabalho; Leitura e Letramento; e Comunicação e o Uso de Mídias. Através das atividades, busca-se o fortalecimento de propostas curriculares inovadoras, a partir das dimensões Ciência, Tecnologia, Trabalho e Cultura. Uma das atividades mais marcantes para eles foi a aula de campo em Ilhéus, que teve como objetivo discutir a importância dos recursos naturais, bem como auxiliar os alunos na compreensão da relação ente o homem e a natureza, além de analisar a construção e o patrimônio histórico e cultural.

O estudante Mateus Pina, 17, 3º ano, revela a sua emoção de ter visto o mar pela primeira vez, graças ao ProEMI, do qual participa há cinco anos. “Esse programa nos faz crescer como estudantes e como pessoas. A partir dele, temos o contato com a iniciação científica, a expressão corporal e o esporte. A aula de campo em Ilhéus foi uma das maiores experiências que já tive na vida porque, além de ter obtido muitos conhecimentos culturais e históricos, pisei no mar pela primeira vez. Foi muito emocionante”, conta.

Mateus e outros 34 colegas visitaram as áreas litorâneas e da Mata Atlântica do município baiano, bem como fizeram uma visita guiada ao centro histórico de Ilhéus e uma análise dos processos históricos e culturais da cidade. Além disso, realizaram um estudo comparativo dos ambientes entre Vitória da Conquista e Ilhéus, observando a diversidade que é um traço relevante ao estudo da Bahia e do Brasil. A estudante Beatriz Costa, 17, 3º ano, que participa do ProEMI há três anos, testemunha que o programa tem contribuído para melhorar o seu processo de ensino e aprendizagem e o convívio com os colegas. “As atividades têm marcado muito a minha vida porque passei a ter mais interesse pelos estudos, a ter mais comprometimento e disciplina em sala de aula, tendo me tornado monitora”.

Em parceria estabelecida com a Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Estadual da Bahia (UESB), o Colégio Dom Climério realiza ainda, dentro do ProEMI, atividades de extensão através do Projeto Mundo do Trabalho. “Os alunos realizaram uma visita técnica à UESB (estação meteorológica, biblioteca, TV UESB, laboratórios) e essa atividade contribuiu no processo de ampliação de conhecimentos sobre o Ensino Superior e a formação pessoal e profissional”.

Aluna do Instituto de Educação Euclides Dantas, em Vitória da Conquista, Lourdes Gottschall, 15, 1º ano, atesta que o ProEMI a deixou mais focada nos estudos. “Apesar de ser bem cansativo, porque exige que a gente fique mais tempo na escola, o programa traz um ganho enorme para a nossa vida escolar. Faço reforço de Matemática e Língua Portuguesa e meu rendimento melhorou muito”. A diretora Adriana Teixeira conta que a Educação em tempo Integral foi implantada este ano na unidade, mas já dá para avaliar positivamente a existência do programa. “As práticas integradas, a exemplo de informática, esporte e linguagem artística, entre outras, colocam o estudante como ator principal, e isto tem contribuído para que atinjam índices mais altos de aprovação”.

Novo Mais Educação - Já os estudantes do Centro Integrado de Educação Luiz Navarro de Brito, no mesmo município do sudoeste baiano, estão integrados ao Programas Novo Mais Educação (PNME), que é voltado para os alunos do Ensino Fundamental. Através dele, os alunos se envolvem com atividades artísticas, culturais e esportivas, também no contraturno das aulas regulares. “A proposta do PNME é que sejam garantidos a atenção e o desenvolvimento integral das crianças, adolescentes e jovens, através da ampliação de tempos, espaços e oportunidades que qualifiquem o seu processo educacional”, destaca a vice-diretora Zenaide Prado.

O estudante Cleison Santos, 16, 7ª série, conta que participa do Novo Mais Educação através das oficinas de reforço de Matemática e Língua Portuguesa, de dança e de esporte. “É um pouco cansativo ficar o dia todo na escola, mas é muito bom, ao mesmo tempo, porque ganhamos novas experiências e aprendemos mais”.

Literatura e teatro potencializam o processo de ensino e aprendizagem

A segunda edição do “Café com Letras”, protagonizada pelos estudantes do Colégio Estadual Cristo Rei, no município baiano de Barra, movimentou, mais uma vez, o ambiente escolar a partir da dobradinha arte e cultura, em prol da educação. A ação, que conta sempre com a presença dos pais dos alunos e da comunidade local, visa incentivar e potencializar os projetos estruturantes da Secretaria da Educação do Estado, a exemplo do Tempos de Arte Literária (TAL) e do Festival Estudantil de Teatro (FESTE).

Com referência no folclore brasileiro, os estudantes apresentaram o espetáculo cênico “Caboclo D’água e Seu Tesouro”, baseado na lenda do Caboclo D’Água - um ser sobrenatural de aparência monstruosa e ágil, que consegue estar em vários lugares ao mesmo tempo. Muito conhecido do Rio São Francisco, conta a lenda que ele vive em uma gruta profunda, rodeada de ouro. Para acalmá-lo, os pescadores tinham o costume de oferecer-lhe fumo, em troca de proteção contra os perigos.

O estudante Michel dos Santos de Andrade, 3º ano, foi um dos participantes da montagem referente à lenda do Caboclo D’Água. “Fiz o papel de Zé Tintim, que vivia em busca do tesouro do Caboclo D’Água. Adorei participar do teatro, pois tive a oportunidade de desenvolver o meu lado artístico. Minha família foi me assistir e ficaram todos surpresos coma a minha atuação. Agradeço em especial à minha diretora Maria Regina Camandaroba e ao nosso orientador Pablo Sales pela oportunidade e confiança no nosso trabalho”, diz.

A literatura também é base para o “Café com Letras”. Por meio de um recital de poesias, os estudantes prestaram uma homenagem aos escritores Gregório de Matos e Deocleciano Martins de Oliveira, este último é filho ilustre do município de Barra, escritor, poeta e escultor. A gestora Maria Regina fala da importância dos projetos de arte e cultura na escola. “Projetos como este dão vida ao ambiente escolar. Através deles, os alunos se dedicam a aprender sobre arte e conhecem a história da sua região, e as oficinas são sempre produtivas e criativas”, avalia.

Criatividade coreográfica é apresentada em “Baiunidade”

O potencial criativo dos estudantes da rede estadual pode ser conferido em diversas áreas das expressões artísticas, a exemplo da coreográfica, com “Baiunidade”, protagonizada por cinco alunos do Colégio Modelo Luís Eduardo Magalhães, no município de Bom Jesus da Lapa. O espetáculo ficou em primeiro lugar na etapa regional do projeto estruturante Dança Estudantil (DANCE), realizado pela Secretaria da Educação do Estado nas escolas da rede pública. Tarcísio Carneiro da Silva, 19 anos, um dos participantes, não esconde a ansiedade de mostrar o trabalho no Encontro Estudantil, que acontecerá no final do ano, na capital baiana, onde haverá a etapa estadual.

“Já concluí o 3º ano no final de 2016, mas continuo ensaiando com os colegas para apresentar ‘Baiunidade’ na final. Através dessa coreografia, vamos mostra a força do baiano, em especial do povo negro, representado por nomes como Castro Alves e ritmos afro, com referência na capoeira”, relata, orgulhoso pelo fato de seu ex-colégio ser sempre vencedor nos projetos estruturantes “por respirar arte e cultura o tempo todo”.

Para ampliar o leque das expressões artísticas e culturais - a exemplo da música, das artes visuais e literárias, da produção de vídeos e da educação patrimonial -, que vêm sendo desenvolvidas nas escolas da rede estadual, nos últimos dez anos, a Secretaria da Educação do Estado agregou o DANCE em 2014. O projeto estruturante tem como principal objetivo valorizar a dança, promovendo a criatividade coreográfica no ambiente escolar.

Teatro é incentivado nas escolas da rede estadual através do FESTE

As artes cênicas também têm sido um canal de interatividade e discussão de temas sociais atuais, como racismo, diversidade, liberdade e gênero. Na peça “Navio Negreiro da Dor ao Amor”, montada para ser apresentada no Festival Estudantil de Teatro (FESTE), os estudantes João Vitor Conceição, Karina Silva, Nívia Gomes, Waleska Fernandes e Camila Souza, do Colégio Estadual Luís Eduardo Magalhães, em Bom Jesus da Lapa, todos entre 16 e 17 anos, fizeram uma profunda leitura de “O Navio Negreiro”, um dos poemas mais conhecidos da literatura brasileira, escrito em 1869, por Castro Alves, no qual o poeta descreve a situação dos africanos arrancados de suas terras e tratados como animais nos navios negreiros que os traziam para ser escravos.

A estudante Camila Souza revela que trazer a peça “Navio Negreiro da Dor ao Amor” para ser assistida pelo público do Encontro Estudantil, é um orgulho para toda a equipe. “Ganhamos em primeiro lugar na etapa regional do FESTE e isto nos trouxe muita empolgação não só por levarmos o nosso trabalho para fora dos muros da escola, mas também porque estamos tratando de um tema que ainda é muito presente nos dias de hoje: o racismo. Através da arte, pretendemos sensibilizar as pessoas para uma aproximação mais humanizada umas das outras, como forma de crescimento pessoal e coletivo”.

Através da linguagem do cordel, os estudantes Jucilene Pacheco, Ricardo Barreto e Avelson Santos, do Colégio Estadual Eurides Santana, no município de Poções, montaram “Causos da Bahia”. A peça traz relatos históricos baianos, como a Guerra de Canudos e a Independência da Bahia. “Esta é a primeira vez que participo do FESTE e achei muito bacana a iniciativa do projeto de incentivar o teatro entre os estudantes da rede pública estadual de ensino”, declara Avelson, 18, 3º ano.

Estudantes mostram o seu talento com os pincéis através do projeto AVE

Este ano, cerca de 500 alunos de 50 escolas estaduais, de 19 municípios, estão participando de oficinas e apresentações dos projetos que envolvem as distintas linguagens: artes visuais, dança, teatro, audiovisual, arte patrimonial, música e canto coral. No Colégio Estadual Eurides Santana, no município de Poções, sudoeste baiano, o projeto estruturante Artes Visuais Estudantis (AVE) é um dos mais estimulados. Os inúmeros quadros, assinados pelos alunos, que decoram a entrada da unidade escolar já são uma mostra de que ali se respira arte.

O estudante Moisés Alves, 17, 3º ano, traz na sua obra “Amor na Sarjeta” uma imagem simples e cheia de significados: um mendigo sorrindo para o cachorro que está ao seu lado lhe prestando carinho com a sua fiel companhia. “Nesse quadro, quis retratar a simplicidade do amor, que devemos valorizar as pequenas alegrias e agradecer todos os dias pelo fôlego de vida que Deus nos concede, em vez de viver a reclamar de coisas irrelevantes, especialmente para quem não precisa morar na rua, como o meu personagem”.

A diretora Cleide Jane Souza conta que o projeto pedagógico do Colégio Eurides Santana sempre estimulou a arte e a cultura no processo de ensino e aprendizagem dos estudantes, mas que a partir de 2007, quando a Secretaria da Educação do Estado passou a desenvolver os projetos estruturantes, o interesse dos estudantes pela área só cresceu. “Com o incentivo da secretaria, houve um interesse ainda maior dos estudantes em participar dos projetos envolvendo literatura, teatro, música, artes visuais e outras expressões artístico-culturais que estimulam o protagonismo estudantil”.

Outra tela que representa bem a proposta de estimular a criatividade e o protagonismo dos jovens é “Saga Nordestina”, do estudante Jean Venâncio da Silva, 23, que concluiu o 3º ano no Colégio Estadual Família Agrícola Riacho de Santana, em Riacho de Santana. Na sua obra, ele retrata o trabalho infantil como um mal social de todos os tempos. “Além de mostrar essa dura realidade das crianças, procurei passar outra ideia do Nordeste, para quebrar o estigma de que a região só tem seca e sofrimento. Temos criatividade cultural e muita gente talentosa”, afirma o autor do quadro classificado para a etapa estadual do AVE.

Projeto Produções Visuais Estudantis proporciona aprendizado técnico e amplia conhecimentos Temas atuais como violência urbana, tráfico de crianças, intolerância religiosa, respeito à mulher e preconceito racial são recorrentes nos vídeos produzidos pelos estudantes que participam do projeto Produções Visuais Estudantis (PROVE). Para a viabilização dessa experiência de natureza educativa, artística e cultural, os alunos envolvidos utilizam celulares, câmeras fotográficas ou filmadoras e realizam a sua produção fílmica, visando à diversificação e a socialização de saberes.

O audiovisual “Um Copo, um Choro, uma Vida”, de autoria de estudantes do Colégio Estadual Grandes Mestres, no município de Matina, é um exemplo de trabalho criado para concorrer ao PROVE, com o objetivo de chamar a atenção da sociedade para um grave problema social: o tráfico de crianças. No curta, de quatro minutos, os alunos contam a história de um pai que deixa o seu filho pequeno em casa sozinho e vai beber em um boteco. “Na hora de fechar a conta, ele se deu conta de que não tinha dinheiro para quitar a dívida. Foi quando apareceu um moço propondo ‘comprar’ a criança para que ele tivesse dinheiro para pagar as suas despesas. O roteiro teve como objetivo denunciar essa situação que, infelizmente, é uma realidade no país”, relata Daniela Souza, 16, 2º ano do Colégio Estadual Grandes Mestres.

Já o curta “Sonho de Liberdade”, idealizado por estudantes do Colégio Estadual de Cândido Sales, em Cândido Sales, e também classificado na etapa regional do PROVE, faz um alerta sobre a intolerância religiosa. “Contamos a história de uma moça adepta da umbanda que foi morta por causa do preconceito religioso. Através do PROVE, tivemos a oportunidade de mergulhar na pesquisa sobre um tema tão atual e que precisa ser debatido para que as pessoas se conscientizem sobre o direito de cada um”, relata a estudante Samay Nunes, uma das participantes da equipe, que se dividiu entre produção, roteiro, direção, filmagem e edição.

TAL funciona como um canal de troca de aprendizados

O Tempos de Arte Literária (TAL) tem revelado diversos talentos na área da Literatura, como é o caso do estudante Jabson Costa Santo, 17, 3º ano do Colégio Estadual Luís Eduardo Magalhães, no município baiano de Mirante. Com o cordel intitulado “Aos Trancos e Barrancos Pro Meu Nordeste Voltei”, o aluno foi vencedor na etapa escolar e ficou em segundo lugar na etapa regional do TAL.

Jabson considera o TAL e os demais projetos estruturantes da rede estadual importantes porque revelam e respeitam o talento de cada um em suas diferentes áreas da arte e da cultura. “São espaços importantes para que nós, estudantes, possamos mostrar a nossa veia artística. Através do meu cordel em sextilha, eu pude me expressar por meio de um tema que tem a ver com a nossa cultura, que é a peleja de um retirante nordestino. Eu conto a história de um vaqueiro que sai do Nordeste para São Paulo, em busca de melhores oportunidades de trabalho”, revela.

O diretor Misael Cascaes ressalta que os projetos estruturantes são eficientes instrumentos de aprendizagem. “A culminância desses projetos é uma confraternização que envolve todas as áreas do conhecimento e, através deles, os estudantes aprendem, produzem, torcem, se divertem e deixam a escola mais dinâmica. O TAL, por exemplo, é uma das experiências mais exitosas, porque os estudantes têm na literatura um dos elementos mais ricos de nosso povo, que é a cultura”, analisa o gestor.

O estudante Felipe Campos, 20, 3º ano do Centro Educacional de Planalto, no município de Planalto, também tem no TAL uma vitrine de oportunidade para mostrar a sua poesia e ganhar novas experiências pedagógicas. Com “O canto de um autista! Estrelando Polifonia e Partituras do Meu Viver”, o aluno buscou humanizar, através dos versos, um tema universal, como o autismo. “Eu tinha um colega autista que enfrentou dificuldades na adaptação escolar por conta de preconceitos. Então, com a minha poesia, quis falar de acolhimento, de respeito, de dar vozes. Quis fazer um convite às pessoas para o conhecimento sobre o autismo”.

Imagens da velha infância ganham projeção no EPA

Gizelle da Silva, 18, e Jainny Soares, 17, alunas do 3º ano do Colégio Estadual do Campo Nancy de Castro Esteves, no município de Encruzilhada, decidiram entrar no túnel do tempo e idealizaram “Velha Infância”. O projeto protagonizado pelas estudantes consistiu em capturar imagens que retratassem brinquedos ou brincadeiras de uma época em que a tecnologia ainda não dominava o universo infantil e a meninada se divertia com jogo da velha, rouba-bandeira, entre outros passatempos artesanais. A iniciativa ganhou inscrição no projeto estruturante Educação Patrimonial e Artísticas (EPA), da Secretaria da Educação do Estado, e rendeu à dupla a vitória na etapa regional. A estudante Gizelle comenta sobre o trabalho que realizou junto à colega Jainny.

“Vivemos uma era dominada pela tecnologia. As crianças, hoje, brincam com um aparelho de celular. Então, a nossa intenção foi resgatar a infância lúdica e, para tanto, fomos ao distrito de Vila do Café, em Encruzilhada, e começamos a circular pelo local para captar as imagens que estávamos buscando, e as encontramos”, conta a aluna.

O vice-diretor Saulo Oliveira Martins ressalta com orgulho o desempenho das alunas e deposita no EPA e nos demais projetos estruturantes a responsabilidade de ter contribuído para melhorar a autoestima dos estudantes. “Projetos como o EPA despertam talentos que, até então, não conhecíamos. Gizelle, por exemplo, se descobriu como fotógrafa e acabou se tornando a fotógrafa oficial da escola, nos surpreendendo com o seu talento. Com temas atuais e criativos, os trabalhos dos alunos ganham reconhecimento na região e, consequentemente, eles aumentam a sua autoestima e melhoram o seu processo de ensino e aprendizagem”.

Festival estudantil agita estudantes de todo o Estado

O estudante Ismael Rocha, 17 anos, canta desde os cinco de idade. Ele conta que convive naturalmente com a música, cantando em casa ou no coral da igreja, e que até se acostumou com os elogios que recebe dos familiares e amigos. Mas nunca pensou em concorrer em um evento grande. No ano passado, convencido pela irmã Raquel a se inscrever no Festival Anual da Canção Estudantil (FACE) e incentivado pelos colegas do Colégio Estadual Eurides Santana, no município de Poções, onde cursa o 2º ano do Ensino Médio, Ismael aceitou o desafio. Para a sua surpresa, venceu a etapa regional do projeto interpretando “Outro Universo”, canção que fala de um mundo ideal, composta pelo ex-aluno da escola, Aleksander Sousa.

O FACE, projeto estruturante de natureza educativa, artística e cultural que vem mobilizando os estudantes da rede estadual desde 2007, acabou despertando-o para um talento que acreditava ter, mas que estava acomodado. “Não imaginei que pudesse ganhar um festival que envolve alunos do Estado todo e pisar no palco do Encontro Estudantil para mostrar o meu trabalho. É uma das experiências mais importantes que tive na vida porque, além da parte técnica com as oficinas que fiz em Vitória da Conquista e que me trouxeram muito conhecimento, a música me aproximou mais das pessoas e isto está sendo muito gratificante”, conta o estudante de canto afinado.

A coordenadora pedagógica da unidade escolar, Elisângela Nascimento, ressalta o significado do FACE e dos demais projetos estruturantes para os estudantes. “São ações que têm uma grande importância na vida escolar porque contribuem para o desenvolvimento artístico-cultural dos alunos, auxiliando-os no seu desenvolvimento pedagógico e emocional”.

ENCANTE estimula a formação de corais nas escolas da rede estadual

Em cena, 22 estudantes - entre meninos e meninas na faixa etária de 15 a 18 anos -, do Colégio Modelo Luís Eduardo Magalhães, no município de Bom Jesus da Lapa. Eles formam o Coral Nobres Barraqueiros que, desde 2015, vem se apresentando em diversos eventos estudantis da região, com destaque para o Encontro de Canto Coral Estudantil (ENCANTE), projeto estruturante da Secretaria da Educação do Estado da Bahia, criado com o objetivo de desenvolver atividades de iniciação à percepção musical, técnica vocal e dicção para exercitar a experiência musical e promover encontro de corais.

Victor Weverthon, 17, concluiu o 3º ano no ano passado, mas continua atuante no coral por conta da apresentação em mais uma edição do Encontro Estudantil da Rede Estadual, que acontece em Salvador, ainda neste ano, dentro do ENCANTE. “No evento, para o qual fomos classificados, vamos apresentar as músicas ‘Sobradinho’, ‘Novos Barranqueiros’ e ‘Hino da Independência da Bahia’. O ENCANTE é uma oportunidade de mostrarmos o nosso trabalho, de aprendermos mais sobre voz e regência, de criarmos novos vínculos de amizade. Eu, por exemplo, já cantava antes, mas foi nesse projeto que ganhei mais maturidade musical e o bacana é que contamos com o apoio total da diretora da escola, Maria Helena”, relata Victor, completando que, através do coral, eles buscam conscientizar a população sobre fatos importantes, a exemplo da situação do Rio São Francisco.

O ENCANTE atende à Lei nº 11.769/2008, que altera a Lei de Diretrizes e Bases (nº 9.394/96) e institui o ensino de música na Educação Básica, que tem um caráter obrigatório, com vistas à diversificação do currículo a partir das características específicas, visando estimular a produção de saberes artísticos e musicais, buscando a valorização das raízes populares da cultura brasileira.

INTEGRAÇÃO FAMÍLIA ESCOLA


Ações escolares promovem a integração entre família e escola

Os projetos pedagógicos protagonizados pelos estudantes da rede estadual têm buscado, cada vez mais, desenvolver ações que integrem a família à escola. A partir dessa parceria, alunos e pais fortalecem a relação familiar, melhorando o processo de ensino e aprendizagem dos filhos. O projeto “Dismorfia: como sou, como me vejo”, por exemplo, realizado por estudantes do Colégio Estadual Dr. Roberto Santos, no município de Poções, trouxe o conhecimento de uma doença ligada a transtornos psicológicos relacionados à aparência e que têm se tornado epidêmicos porque os padrões sociais impõem uma busca permanente pelo corpo perfeito. Levar o tema para as famílias, a partir de palestras na escola, promoveu a aproximação entre pais e filhos sobre um assunto ainda pouco conhecido e mais comum do que se imagina na sociedade.

A estudante Vanessa Costa, 18, 3º ano, uma das envolvidas no projeto, conta que a iniciativa de se aprofundar nos conhecimentos sobre a dismorfia foi importante para a comunidade escolar, para os familiares e para a população em geral. “A partir desse trabalho pudemos conscientizar as pessoas sobre esse grave problema de saúde. E o preocupante é que há um total desconhecimento sobre ela. Para se ter uma ideia, constatamos que 82% dos estudantes não sabiam nada sobre a dismorfia, 17% afirmaram ter ouvido falar do assunto e 1% não soube opinar”.

Diante da gravidade da doença que, muitas vezes, a pessoa possui, mas não tem a assistência adequada para se tratar, completa a estudante, o objetivo da pesquisa foi, justamente, mostrar que nem sempre uma relação difícil com o espelho se trata de uma mera vaidade. “Pode estar ali escondida a doença, que precisa ser tratada porque pode levar à depressão e até à morte”, pontua, destacando que a palestra de culminância do projeto contou com a presença de pais de alunos e pessoas da comunidade local.

Integração família x escola - A participação das famílias nas escolas tem sido incentivada pelo Governo do Estado, através do Programa Educar para Transformar, cuja proposta é formar uma rede de parcerias para melhorar a Educação no Estado. De acordo com os professores e gestores escolares, o envolvimento dos pais nas atividades da escola contribui no processo de ensino e aprendizagem.

Projeto incentiva o hábito de ler desde o início das etapas de escolaridade

Uma sacola viajante de livros que vai para a casa do aluno. Uma biblioteca ambulante que visita as salas de aula. Um cantinho de leitura aconchegante onde as crianças se sentem em casa. O lúdico ambiente é vivenciado pelos estudantes do Ensino Fundamental do Colégio Municipal Chrispim Alves dos Santos, no povoado da Mata, no município de Riacho de Santana. Ali acontece o projeto interdisciplinar de leitura e escrita da escola, cuja proposta é promover o hábito de ler entre as crianças desde o início das etapas de escolaridade, dentro do Pacto pela Alfabetização na Idade Certa, um compromisso do Governo do Estado com os 366 municípios que aderiam ao Programa Educar para Transformar – um Pacto pela Educação.

A coordenadora pedagógica Raquel Fernandes Pereira fala sobre os projetos que são desenvolvidos na escola, dentro da proposta de um trabalho motivacional e prazeroso com a prática diária de leitura e escrita, dentro e fora da sala de aula. “A leitura e a escrita funcionam como fonte de conhecimento para a vida, sendo capazes de desenvolver o pensamento crítico e de expressar com autenticidade a visão de mundo. Podemos afirmar que a leitura e a escrita são fundamentais para a construção e a manutenção de uma sociedade democratizada, fundamentada na diversidade de leitura”, ressalta a educadora.

É dentro dessa perspectiva de que ler possibilita escrever e interpretar melhor e auxilia no desenvolvimento de habilidades que contribuem para a construção do conhecimento, além de ser uma experiência que ajuda na criatividade, que todos os professores se envolvem nos projetos. “A ideia é promover a formação do aluno de forma integral para que ele seja capaz de atuar frente às diversas demandas do mundo atual”, pontua o professor formador Wilson Nogueira.

Projetos de leitura - Iniciado no ano passado, o projeto da “Sacola Viajante” estimula os estudantes a levarem cinco livros para casa, sempre às segundas-feiras, e escolherem um livro para ler e na sexta-feira apresentar em sala de aula o seu conteúdo, na presença dos pais. A iniciativa acontece toda semana, fazendo um rodízio até que todos os alunos apresentem um livro. Outra ação do projeto é o momento “Todos Lendo”, que acontece quinzenalmente, e o aviso do início da atividade é anunciado pelo serviço de som da escola. Por 30 minutos, professores, funcionários e estudantes param qualquer atividade que estejam fazendo para ler algum conteúdo. Outro momento é a biblioteca ambulante com o “Carrinho de Livros”, montado para visitar as salas e direcionado pela bibliotecária caracterizada do personagem da história a ser contada para os estudantes.

Alfabetização na Idade Certa - Como parte das ações de apoio aos municípios, visando à alfabetização das crianças na idade certa, ou seja, até os oito anos, a Secretaria da Educação do Estado promove a formação de professores da rede estadual que atuam na capacitação de coordenadores pedagógicos dos 366 municípios que aderiam ao Programa Educar para Transformar – um Pacto pela Educação, do Governo do Estado. Nesse processo, é disponibilizado material didático, além de acompanhamento pedagógico direcionado a diversas áreas do conhecimento, principalmente as de Língua Portuguesa e de Matemática.

Estudantes do TOPA aprendem a ler e a escrever de forma lúdica

Estudantes do TOPAPara No quilombo Pendanga, no distrito de Lucaia e nos povoados de Boa Vista e Parafuso, localizados no município de Planalto, no Sudoeste do Estado, pessoas de 35 a 90 anos agarram a oportunidade de aprender a ler e a escrever. Elas são alunas do Programa Todos pela Alfabetização (TOPA), do Governo do Estado da Bahia. Durante o curso, os alfabetizandos se envolvem em projetos voltados para a sua cultura, como é o caso de “Plantas Medicinais”, através do qual eles aprendem o conteúdo pedagógico de uma forma mais lúdica.

A coordenadora dos projetos, Vilma Castro, conta que, por serem da zona rural, eles têm uma identidade com o cultivo de plantas medicinais, que são plantadas aleatoriamente nos quintais de suas casas. “Então, trabalhamos em sala de aula esse tema, mostrando a propriedade de cada planta, como a erva-cidreira, a carqueja e o capim-santo, e os seus benefícios para a saúde”, conta, ressaltando que o TOPA representa o resgate da autoestima dessas pessoas que não tiveram a oportunidade de serem alfabetizadas na idade certa e, por isso, abraçam a oportunidade com muita garra.

TOPA - As aulas do Todos pela Alfabetização (TOPA) são ministradas em escolas, igrejas, associações de bairro, sindicatos e outros lugares que ficam mais próximos e mais acessíveis para o público-alvo do programa, jovens acima de 15 anos, adultos e idosos. O programa é realizado em parceria com o Estado, com prefeituras municipais, entidades dos movimentos sociais e sindicais e universidades públicas e institutos de Educação sem fins lucrativos. Recentemente, o TOPA foi agregado ao Pacto pela Educação, em um regime de colaboração entre o Estado e os municípios, dando às pessoas que não tiveram acesso à Educação na idade certa mais dignidade para que sejam reinseridas na sociedade.

Projeto “Trilha ecológica” chama a atenção para a questão ambiental

Trilha ecológica No Colégio Estadual Nemísia Ribeiro dos Santos, no município de Morpará, as ações desenvolvidas no ambiente escolar são socializadas com as famílias dos estudantes e a comunidade do entorno. É o caso do projeto “Trilha Ecológica e Acampamento”, desenvolvido pelos estudantes da unidade com o objetivo de conscientizar a comunidade escolar e a população em geral sobre a necessidade de reverter a degradação ambiental. Dentro dessa perspectiva, explica o diretor Matias Sodré, estão sendo desenvolvidas atividades como coletas de mudas e sementes de jatobás, pajeú e jenipapo, que são distribuídas para a população ribeirinha.

O estudante Raí Douglas Cardoso, 17, 3º ano, um dos participantes do projeto, fala da experiência. “Temos uma aula extraclasse de consciência ambiental que nos traz muitos conhecimentos sobre a importância de cuidarmos da natureza, do nosso ecossistema. E esse aprendizado eu compartilhei com os meus pais, que têm uma roça, mas, por falta de conhecimento, cometem alguns erros que, direta ou indiretamente, causam a poluição dos rios e o desmatamento”.

Em Itacaré, há outras 10 turmas, sendo sete nas chamadas escolas de campo, e três na área urbana. Nas escolas de campo, as turmas são de sete alunos e na área urbana, 14. Segundo a vice-coordenadora local, Edinail de Sá Lemos, as turmas são compostas, cada vez mais, de pessoas idosas, cerca de 90%, uma vez que os mais jovens são atendidos pelo programa Educação de Jovens e Adultos (EJA), outra ação do Governo do Estado. “Aqui, também temos uma grande preocupação com o respeito à diversidade de nossos alunos e também com o tempo de cada um”, garante Edinail.

O projeto “A família Vai à Escola”, também realizado pelos estudantes do Nemísia, é uma prova de que a participação dos pais de alunos nas ações da unidade escolar reflete positivamente no processo de ensino e aprendizagem dos alunos. A ação consiste na visita à família do estudante que esteja com indisciplina, baixo rendimento, baixa frequência, evasão/abono escolar e descumprindo o regimento interno, entre outros aspectos pedagógicos e sociais como estratégia para prevenir, minimizar e sanar as consequências.

“Com esse projeto, que é permanente ao longo do ano letivo, a gente consegue aproximar as famílias da vida escolar e pessoal dos seus filhos e, consequentemente, estes ganham mais responsabilidade e melhoram o seu rendimento escolar”, comenta o gestor do Colégio Estadual Nemísia Ribeiro dos Santos que, em 2015, ficou entre as 178 instituições educacionais brasileiras reconhecidas pelo Ministério da Educação (MEC) como exemplos de inovação e criatividade na Educação Básica.

Jornal Eco Teens destaca a necessidade da consciência ambiental

Com o projeto “Jornal Eco Teens”, os estudantes do Colégio Estadual Orlando Leite, no município de Vitória da Conquista, estão provocando um novo olhar da comunidade escolar, das famílias dos estudantes e da população em geral para a importância do cuidado com o meio ambiente, com destaque para o Parque Municipal Serra do Piripiri, localizado na região sudoeste do Estado.

A estudante Rosane Nogueira, 17, 3º ano, conta que a experiência de fazer um jornal com essa temática tem sido gratificante porque percebe que está contribuindo para a conscientização ecológica não só da sua família como da comunidade em geral. “O legal é que os textos do jornal são escritos por nós, estudantes, a partir de pesquisas sobre diversos temas ligados à ecologia, e revisados pelos nossos professores. A partir daí promovemos palestras na escola e convidamos os nossos pais, vizinhos, amigos. Essa ação acaba repercutindo positivamente para uma mudança de consciência ambiental de todos”, considera.

A professora de Geografia, Eulina Mendes, explica que a publicação é realizada em parceria com o Ministério Público, que colabora com a sua impressão. “O jornal, que tem como tema ‘Saber Cuidar: uma Nova Ética para a Vida’, acabou se tornando um propagador de ideias sustentáveis voltadas para a preservação do meio ambiente”.

Cultura popular é tema de pesquisa de estudantes

Perceber como a cultura popular dos Ternos de Reis tem sobrevivido diante do processo de massificação cultural imposto pela globalização no município de Poções; identificar como é a formação dessa manifestação cultural no território; reconhecer a sua importância enquanto elemento da cultura popular na comunidade. Com esses objetivos, os estudantes do Colégio Estadual Dr. Roberto Santos, em Poções, mergulharam no projeto “Multiculturalismo, Tradição e Fé na Folia de Reis de Poções”. O professor de Geografia e Sociologia e coordenador do Programa Educação Integral da unidade escolar, Célio Silva Meira, explica que a pesquisa de relevância social visa ao resgate de valores socioculturais das tradições populares dos Ternos de Reis.

O trabalho, destaca o educador, busca devolver para a comunidade local a dignidade do ser humano, as suas crenças e, principalmente, o ser cultural que envolve esses coletivos. “Pretendemos, então, com essa pesquisa, resgatar essa tradição que ainda permanece viva em nossa comunidade. Tradição essa herdada dos nossos antepassados colonizadores que trouxeram consigo não apenas o desejo da conquista e da obtenção de riquezas, mas também elementos fortes da sua cultura que por essas terras se instalaram e se reproduziram a partir do contato com a cultura local, fazendo com que houvesse uma ressignificação cultural”, detalha.

Para a realização da pesquisa, o tema foi apresentado e discutido na aula de Geografia, sobre Globalização e Culturalismo, a partir de diversas leituras de artigos científicos que retratavam a trajetória dessa manifestação cultural popular até chegar à atualidade. A partir daí, os estudantes partiram para a pesquisa propriamente dita por meio de entrevistas com pessoas que participam ou participaram dos Ternos de Reis de Poções.

Umbanda - Outra pesquisa realizada pelos alunos do Colégio Estadual Dr. Roberto Santos buscou investigar as maneiras pelas quais os terreiros de Umbanda de Poções fazem uso de ervas medicinais em seus rituais religiosos. “Para tanto, procuramos conhecer o processo histórico de implantação dessa religião na região, compreendendo também a relação religiosa com a natureza, a partir dos vegetais, uma vez que o uso das folhas sagradas é uma prática recorrente e fundamental em todos os terreiros”, destaca o professor Célio.

A partir desse trabalho, os alunos atestaram que a natureza está sempre presente no cerimonial e que as folhas formam uma força significativa no processo de cuidar do corpo e do espírito.


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