As ações e os projetos desenvolvidos pela Secretaria da Educação do Estado nas 1.282 escolas espalhadas pelos 27 Núcleos Territoriais de Educação (NTE) são o foco dos especiais Raio-X da Educação. Nesta edição, você conhecerá alguns dos projetos desenvolvidos nos NTEs Litoral Sul e Bacia do Paramirim.

CIÊNCIA NA ESCOLA


Projetos científicos transformam escolas em fábricas de soluções

O incentivo ao desenvolvimento do pensamento científico nas escolas do Estado tem revelado as principais preocupações e ansiedades dos jovens estudantes e, principalmente, a criatividade ao propor soluções e alternativas. Dentre as preocupações se destacam a proteção ao meio ambiente, sobretudo no que refere aos recursos hídricos, e a geração de energia limpa. A maior ansiedade é encontrar formas de intervenção nos problemas sociais e econômicos de suas comunidades.

Exemplos de projetos criativos e ousados vêm de todos os cantos da Bahia, demonstrando o engajamento dos alunos. As iniciativas vão desde a criação de equipamentos caseiros para a dessalinização de água à criação de um banheiro ecológico que dispensa o uso de água na limpeza. Foi também a preocupação com os recursos hídricos que levou estudantes a encontrarem uma forma alternativa para combater incêndios florestais. Na área socioeconômica, alunos levaram a educação financeira para a comunidade e outro grupo, sensível ao sofrimento de crianças com câncer, elaborou uma forma lúdica de intervenção.

Projetos se destacam pelo foco em sustentabilidade

Alunos desenvolvem repelente natural contra o Aedes aegypti

Os projetos dos alunos do curso técnico em Biocombustíveis, do Centro Estadual de Educação Profissional em Gestão e Tecnologia da Informação Álvaro Melo Vieira, em Ilhéus, têm se destacado pela criatividade e pelo foco na sustentabilidade. É o caso de estudos nas áreas de Geração de Energia, Produção de Combustível e Recuperação de Água.

O projeto “Construção de um Painel Solar com Materiais Alternativos”, por exemplo, conquistou o 1º lugar na categoria Energia e Sustentabilidade da Feira Ilheense de Ciências e Tecnologia Social (FEICITECS) e rendeu ao aluno Matheus Conceição uma bolsa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) em 2016, para desenvolver o projeto. “Foi uma experiência única. No início, eu achei que seria apenas um projeto para cumprir a matéria específica da escola, mas depois acabou sendo essencial na minha formação, porque muitas das matérias que eu tinha que estudar para poder elaborar o projeto foram matérias principais do curso e o projeto acabou me fazendo vê-las de uma forma diferente”, conta o estudante.

Orientadora do projeto, a professora Cida Nunes comemora os seus resultados. “Já fizemos o lançamento de sementes de 12 variedades de plantas, como Juazeiro, Mandacaru, Jatobá, Aroeira, dentre outras, e constatamos a eficiência do processo na recomposição da mata ciliar, com a melhor resposta na germinação em comparação com outros métodos”, diz a professora. “Outro ponto importante é que o equipamento utiliza materiais reciclados, como garrafas PET, canos de PVC e cartolinas usadas em outras atividades na escola”, explica.

Segundo a orientadora do projeto, a professora Margarete Correia de Araújo, os alunos fizeram uma pesquisa bibliográfica e aplicaram um questionário em 85 residências para obter informações como consumo e valores gastos com energia. “A confecção do protótipo foi feita com materiais simples, como canos de PVC, dentre outros”, explica a professora. Margarete diz, ainda, que a confecção do painel solar atingiu o objetivo esperado, produzindo uma fonte alternativa de energia, sendo de baixo custo e sustentável. “O painel poderá ser utilizado para o fornecimento de energia nas residências com acesso precário a esse recurso”, afirma.

Outro projeto coordenado pela professora teve como foco a produção de etanol a partir de sobras de arroz. “Normalmente, as sobras de alimentos não possuem um fim útil. No entanto, as sobras de arroz, que são ricas em amido, podem ser usadas para a obtenção de etanol”, diz a professora. Para a destilação, os alunos construíram até mesmo um alambique com materiais como panela de pressão, garrafão de 20 litros, água, tubo de cobre, união de cobre, torneira. “Os resultados não são satisfatórios ainda, pois o teor alcoólico ficou abaixo do esperado, mas novos testes podem melhorar a qualidade do produto”, conclui.

Para outro grupo de alunos, o desafio foi construir um dessalinizador com materiais de baixo custo e de fácil acesso para permitir que as pessoas que são abastecidas com água salobra possam ter água de melhor qualidade. “Esse projeto nasceu devido à crise de água vivida em 2016, na região sul da Bahia, quando o nível dos rios que abastecem algumas cidades ficou abaixo do esperado, obrigando as empresas de tratamento de água a iniciarem um racionamento. Algumas localidades tiveram abastecimento com água salobra”, explica o professor Gabriel Oliveira de Figueiredo, orientador do projeto.

Além do aprendizado científico, o projeto está sendo importante para desenvolver o espírito de cidadania dos estudantes. “Através da pesquisa, eles puderam mergulhar em problemas sociais e juntos buscaram e buscam melhores soluções para intervir nesses problemas”, avalia Gabriel. O projeto, que ainda está em desenvolvimento, já tem o protótipo pronto, foi apresentado na feira de ciências do colégio e aprovado para apresentação na A Feira de Ciências da Bahia (FECIBA), em 2017.


Aplicativo é criado para melhorar a comunicação na escola

O antigo mural do Colégio Estadual Octacílio Manoel Gomes, em Ubaitaba, foi parar no bolso dos alunos. A ideia foi de um grupo de estudantes do primeiro ano que criou um aplicativo para que todas as informações como calendário escolar, eventos e outros assuntos pudessem ser acessadas de forma rápida e prática, o “APP CEOMG NEWS: agilidade e eficácia na comunicação escolar”. “Dentro do projeto, eu sou responsável por adquirir as informações necessárias, como por exemplo: a lista de lanches da semana, os eventos mais próximos, as reuniões, os links para estudo, entre outras funções que podem ser encontradas no aplicativo. E ainda estou responsável pela atualização das informações na plataforma de desenvolvimento do APP”, explica uma das autoras do projeto, Amanda Carvalho Silva, 15 anos.

Coordenado pelo professor de Matemática, Mário Marcos Araújo Moreno, o projeto teve como resultado um aplicativo com capacidade de comunicação rápida e abrangente para várias pessoas ao mesmo tempo. “Os ícones mostram as funcionalidades de cada uma das listas e utilidades do mesmo. CEOMG, o nome do aplicativo, foi uma alusão à sigla do nome do colégio”, explica o professor. E a ferramenta segue um processo de melhoria constante. “Neste ano, foram acrescentados links de estudos para o ENEM e para a Olímpiada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP). Foi testado com uma turma-piloto e será relatado nas apresentações deste ano. Iremos migrar para outra plataforma antes de aplicá-lo no colégio inteiro em 2018”, adianta o professor.

Além de conhecimentos práticos, o projeto foi importante para melhorar a formação dos estudantes e também a sua autoestima. “Primeiro, a realização pessoal por ter criado algo que pode transpor os muros da sua escola e ser largamente utilizado em outras unidades do país. Além disso, observamos que os estudantes mais envolvidos no projeto mudaram a forma de escrever e passaram a ter uma boa redação para defender seus argumentos, separando o senso comum do conhecimento científico. Com o avanço do tempo de orientação, foram percebendo e mudando a escrita. Passaram a ser escritores, ou seja, saíram de uma escrita sem clareza para uma escrita que levasse à compreensão do leitor”, diz o professor.

“Acredito que qualquer projeto de caráter social auxilia o desenvolvedor a enxergar os problemassociais de outra maneira, ou seja, não somente olhar para uma determinada situação e ver um problema, mas também ver a necessidade de uma solução”, complementa Amanda, que também aprofundou seu interesse pela ciência. “Na verdade, a ciência sempre foi uma área de estudos pela qual eu me interessei, mas confesso que tenho de trabalhar um pouco mais na questão das pesquisas”, afirma.

Material alternativo é utilizado no combate a incêndios florestais

Os alunos do Complexo Integrado de Educação de Itabuna encontraram uma forma alternativa de combater incêndios florestais em locais de difícil acesso e escassez de água, usando a própria terra seca pulverizada. O projeto, batizado de Land off Fire, teve início a partir da preocupação dos estudantes com os prejuízos ambientais causados pelos incêndios. “Inicialmente, selecionamos diversas reportagens sobre incêndios florestais e identificamos as principais técnicas e materiais de combate”, explica o professor Abraão Matos, coordenador da pesquisa. A partir daí se propôs testar a terra seca como material alternativo, semelhante ao pó químico. “Os testes se mostraram bastante satisfatórios, o que sustenta a hipótese que embasa o tema estudado”, afirma o professor.

Depois dos estudos, os alunos realizaram sete testes com materiais diferentes, provocando pequenos incêndios em áreas controladas usando amostras de diferentes materiais florestais como madeira seca, folhagens, capim e gravetos. Depois, pulverizaram o pó sobre os focos, com o auxílio de uma peneira. Para chegar ao pó de terra fino o suficiente para a experiência foi construído um sistema que consiste em uma máquina adaptada para triturar a terra seca tornando-a um pó semelhante ao pó químico de um extintor de incêndio. A primeira tentativa foi efetuada com um liquidificador doméstico, depois foram utilizadas peneiras e, por fim, foi adaptada uma máquina de triturar resíduos, já existente no mercado.

Para o professor Abraão, o projeto foi essencial para a compreensão dos alunos sobre o método científico, os conceitos das ciências envolvidas no problema, assim como a ampliação da visão de mundo e de que é possível propor soluções para problemas da sua comunidade. “A experiência gerou mudanças positivas nos alunos, que não só melhoram as suas notas escolares, mas também tiveram um melhor direcionamento para uma carreira acadêmica, além de torná-los mais humanizados”, conclui o professor.

Estudantes criam projeto de banheiro ecológico para reduzir o consumo de água

A preocupação com a escassez de água e a necessidade de reduzir o seu consumo levou os alunos do Colégio Estadual Moyses Bohana, em Ilhéus, no sul da Bahia, a criarem o projeto de construção de Banheiro Ecológico para a preservação da água e de áreas públicas, apresentado para a Feira de Ciência. “Imagine um banheiro sem a necessidade do uso de água para a limpeza. Este é o objetivo do projeto”, conta o estudante Luiz Eduardo Souza dos Santos, 17 anos, aluno do segundo ano. Segundo ele, a ideia partiu após a constatação de que os sanitários são responsáveis por 75% de toda a água utilizada em uma residência. “Cada descarga consome seis litros de água”, explica o estudante.

O projeto prevê o uso de vasos sanitários adaptados e sacos orgânicos com fechamento. “Após o uso, esses sacos seguem por meio de tubulação para um local de coleta e o descarte está previsto para um aterro sanitário apropriado, onde todo esse material será transformado em adubo orgânico”, detalha Luiz. Segundo ele, os sacos também são ecológicos e se decompõem em 60 dias.

“É um projeto com grandes benefícios ambientais, pois, além da redução no uso da água, reduzirá, também, a volta dessa água usada para a natureza”, explica a professora-orientadora Marcela Porto. “No Banheiro Ecológico, previmos o uso de álcool em gel para a higienização das mãos, reduzindo ainda mais o consumo de água”, complementa Luiz Eduardo.

Alunos pesquisam e divulgam formas de economizar nas compras

Os alunos de Empreendedorismo do curso técnico em Administração do CETEP da Bacia do Paramirim, em Macaúbas, aprenderam e passaram a ser multiplicadores de conhecimentos sobre como administrar bem o dinheiro. As atividades de pesquisa são parte do projeto “Educação Financeira – Análise de Preços de Produtos”. Os 12 estudantes integrantes do projeto saíram às ruas da cidade para pesquisar as diferenças de preço entre marcas de produtos, entre estabelecimentos e as possibilidades de reduzir custos optando por produtos diferentes. “Foi uma forma interativa para os alunos aprenderem o valor do próprio dinheiro”, avalia a professora Márcia Oliveira, que orientou o projeto.

Com a pesquisa em mãos, os estudantes passaram para a segunda fase: a confecção de planilhas para a divulgação dos resultados. Durante três dias, eles ocuparam um estande da Exporural na cidade, mostrando para a população as planilhas com os comparativos de preços, entrevistando e orientando as pessoas. “Alguns ficavam muito espantados ao perceberem o quanto poderiam economizar com atitudes simples, como a troca de produtos e pesquisa em vários locais antes da compra”, revela a professora.

Sistema é criado por estudantes para controlar volume da água no banho

Foto de Elmo JoséControlar o volume de água usado durante o banho é o desafio dos alunos do Centro Integrado Oscar Marinho Falcão, em Itabuna, que estão desenvolvendo o projeto SIRVA – Sistema Redutor de Vazão. A primeira fase foi concluída com a montagem da estrutura do SIRVA, que pôde ser apresentada com a funcionalidade para a qual foi desenvolvido. “Estamos trabalhando na segunda parte que é a confecção do dispositivo que será acoplado à saída de água do chuveiro e o sistema de monitoramento da vazão da água depois de aberto o registro”, adianta o professor Jesimiel Palmeira de Lima.

Para realizar o projeto, cinco alunos do primeiro e segundo anos realizaram uma pesquisa de amostragem com os estudantes da escola para definir qual o tempo e o consumo de água nas residências. Depois, estudaram uma forma de criar o aparelho que pudesse parar a vazão após um determinado volume de água. “Utilizamos materiais como isopor, placas de vidro, tinta, tubos de PVC, conexões e adaptadores, bomba de arrasto e um chuveiro comum. Por meio do projeto, os alunos se integraram e participaram da ideia, o que permitiu a construção da consciência do consumo sustentável dos recursos hídricos, da conservação de recursos naturais e da própria natureza”, explica o professor.

O SIRVA foi apresentado na feira de ciências da própria escola e selecionado para ser apresentado na feira regional. Foi apresentado também na Faculdade de Tecnologia e Ciências (FTC), em Itabuna, na Universidade Federal Sul da Bahia (UFSB), e os estudantes foram convidados para a exposição da Feira de Ciências do Colégio Modelo Luís Eduardo, em Itabuna.

Alunos se inspiram em morcegos para criar robô com sensor ultrassônico

Os estudantes do Centro Estadual de Educação Profissional Chocolate Nelson Schaun, em Ilhéus, se inspiraram nas habilidades auditivas dos morcegos para criar um robô com sensor ultrassônico. O Robô Morcego é autônomo ou controlado pelo celular via bluetooth, ou seja, deve tomar decisões por conta própria a partir dos sensores nele contido, percorrendo uma área com obstáculos, e mapear a área encontrando um caminho com menor obstáculo. Como o sensor ultrassônico emite pulsos na frequência de 40 KHz (imperceptível ao ouvido humano), esses pulsos ao baterem em um objeto são refletidos e retornam ao sensor, depois de um determinado tempo. Sabendo o tempo total de ida e volta dos pulsos e a velocidade do som no meio (ar), calcula-se a distância percorrida pelos pulsos e, assim, determina-se a distância do objeto em relação ao sensor.

Ciência e solidariedade dão a tônica de projeto desenvolvido por estudantes

A realidade das crianças com câncer despertou nas estudantes do Colégio Estadual Octacílio Manoel Gomes, em Ubaitaba, o desejo de conhecer mais sobre a doença e fazer algo para ajudar a melhorar o dia a dia dos pequenos. Assim, o nasceu o projeto Turma do Carequinha: uma animação para orientar crianças com câncer. “O projeto foi feito para a feira de ciências. Começamos a pesquisar e percebemos que faltava um material que falasse diretamente para as crianças. E lidar com crianças requer um pouco mais de cuidado para que elas possam entender que, apesar da doença, elas podem interagir normalmente, porém com algumas limitações”, explica a aluna Emanuelle Silva Santos, 17 anos.

Orientadas pelo professor Mário Marcos Araújo Moreno, as três estudantes autoras do projeto criaram, então, uma história em quadrinhos sobre o assunto com o roteiro e os personagens para mostrar como ficará a animação. “A HQ foi oferecida às crianças presentes na feira e, após a leitura, as mesmas foram impulsionadas a contar a historinha e falar dos personagens. A receptividade foi muito boa”, conta o professor.

Para as alunas, além da pesquisa científica, que envolveu as disciplinas de Matemática, Biologia e Psicologia, o projeto trouxe ainda outra visão sobre o câncer, como a necessidade da prevenção e também sobre o quanto as crianças precisam de atenção para lidar com a doença. “Quero estar presente na vida dessas crianças de alguma forma, ajudando, cuidando, visitando, doando e recebendo todo o amor que elas podem me oferecer”, conta Emanuelle.


EDUCAÇÃO PROFISSIONAL


Educação profissional forma alunos inovadores

As escolas de Educação Profissional do Estado estão despertando nos alunos a consciência para a valorização das vocações econômicas locais e o empreendedorismo, sempre considerando a questão da sustentabilidade. Dessa forma, os projetos dos estudantes têm dado enfoque especial à inovação de produtos artesanais e aos produtos alternativos.

A inovação aparece em novos sabores de produtos de pequenos fabricantes da comunidade, em novos itens com o uso de ingredientes adquiridos de produtores locais. Exemplos de empreendedorismo alternativo são projetos como a fabricação de alimento para celíacos e sabão ecológico com reciclagem de óleo. Mas a maior inovação nas escolas profissionais é o curso técnico em Teatro, que está formando novos talentos para os palcos e bastidores do teatro.

Escola fortalece vocação econômica local

Resultado da luta dos trabalhadores rurais do assentamento Terra Vista, em Arataca, o Centro Estadual de Educação Profissional do Campo Milton Santos, que funciona dentro do assentamento, foi implantado para atender à demanda dos jovens locais e fortalecer a vocação econômica da região baseada na agricultura e pecuária. Dos dois cursos técnicos iniciais, Agroecologia e Informática, hoje a escola oferece seis cursos (Agroecologia, Agroindústria, Zootecnia, Técnico em Alimentos, Informática, Segurança do Trabalho) e atende a oito municípios da região.

“Houve uma inversão. Antes, os jovens do assentamento precisavam ir para as cidades para estudar. Hoje, a escola do assentamento é que recebe os estudantes da cidade”, conta a professora Nayara Silva Santana. O Centro atende, semestralmente, uma média de 620 alunos e tem um quadro de cerca de 30 professores. A escola oferece três modalidades de curso: um turno, integral (manhã e tarde) e alternância - o aluno passa 15 dias na escola e 15 dias desenvolvendo atividades práticas junto às suas comunidades – que atende a estudantes de outros municípios.

Outra característica peculiar da escola é o foco em sustentabilidade, responsabilidade ambiental e valorização da agricultura familiar e produção orgânica. “Em todos os cursos, mesmo naqueles não voltados para o campo, esses valores estão presentes”, garante a professora. Em todos os cursos,os alunos têm uma grande carga horária de atividades práticas, que desenvolvem tanto na escola quanto em suas comunidades.

Alunos criam produto alimentar alternativo para celíacos

A estudante Rayanne Benevides Santos, 19 anos, já traçou seu caminho profissional e vai fazer faculdade em Nutrição ou Química. A escolha foi reforçada depois de participar de uma pesquisa científica no Centro Estadual de Educação Profissional em Gestão e Tecnologia da Informação Álvaro Melo Vieira, Ilhéus, onde cursa o último ano do curso técnico em Biocombustíveis. O estudo “Análises Físico-Química e Sensorial da Farinha de Aipo: uma Nova Alternativa Alimentar para os Celíacos” foi destaque em várias feiras estaduais e conquistou o 6º lugar do Prêmio Desafio Tecnológico para a Educação, da FAPESB, no ano passado.

“O projeto, para mim, foi muito importante, pois além da significância que é para um aluno de Ensino Médio técnico ter o contato com a iniciação científica, a pesquisa era nas áreas em que eu pretendo atuar, que são as de Saúde e Nutrição”, comemora Rayanne.

Orientado pela professora Margarete Correia de Araújo, a pesquisa teve como objetivo comprovar a eficácia da farinha de aipo e introduzir o produto em uma dieta saudável. “Foram feitas análises dos componentes químicos, testes sensoriais e foi produzida uma receita de biscoito, utilizando essa farinha para as pessoas que apresentam intolerância ao glúten”, explica a professora, reforçando que o resultado do projeto foi muito positivo, com a aceitação dos 50 provadores, sendo que 72% afirmaram que comprariam o biscoito se ele fosse comercializado.

Inovação do Cupulate busca valorizar a produção do doce artesanal

Inovar a produção do chocolate de cupuaçu, o Cupulate, a partir do conhecimento de sua fabricação artesanal, valorizando e criando novos produtos locais é mais um projeto dos alunos de Centro Estadual de Educação Profissional Milton Santos, em Arataca, que tem como objetivo articular teoria e prática, além de futura inserção no mundo do trabalho. A escola, que fica localizada dentro do assentamento Terra Vista, trabalha em sintonia com as potencialidades locais e com os pequenos produtores agrícolas. Para as pesquisas com o Cupulate, as sementes de cupuaçu são adquiridas desses pequenos produtores.

“Esta é uma continuidade do projeto de fabricação de Cupulate artesanal, estendendo o conhecimento a outros alunos das turmas iniciais do curso técnico em Agroindústria e do novo curso técnico em Alimentos, para ampliar as pesquisas já realizadas, além de inovar com pesquisas e cursos com outras culturas locais, para a fabricação de novos produtos”, explica a professora Nayara Silva Santana. O projeto também tem como proposta contribuir com arranjos produtivos locais, como associações e cooperativas.

Queijos de Arataca ganham novos sabores pelas mãos dos alunos do CEEP Milton Santos

Os alunos do Centro Estadual de Educação Profissional do Campo Milton Santos, que funciona dentro do assentamento Terra Vista, em Arataca, no sul da Bahia, estão dando novos sabores aos queijos artesanais produzidos na região, agregando valor ao produto, que poderá ser uma fonte de renda alternativa para os produtores. O projeto Queijo Frescal com Sabores da Terra foi desenvolvido pelos alunos do curso de Zootecnia, como parte da disciplina Tecnologia de Alimentos.

“Foi uma forma de criarmos uma fonte de estudos colocando na prática os conhecimentos”, explica a professora Gilmara Santos Guimarães, orientadora do projeto. “Outra ênfase do projeto foi a intervenção social, uma vez que um dos objetivos é que os alunos sejam multiplicadores desse conhecimento, criando novas alternativas de renda para os assentados”, completa.

Para o aluno Gabriel Carvalho de Oliveira, o estudo agregou ainda mais conhecimento. “É um projeto inspirador”, diz o estudante, que pretende colocar na prática, em casa, essa nova bagagem de aprendizagem. Para o projeto, os estudantes usaram matéria-prima local, como o leite cru de pequenas propriedades, além de ingredientes fornecidos pela horta do assentamento Terra Vista, como alecrim, coentro, salsa e manjericão roxo, bem como outros sabores, como orégano e pimenta calabresa. “Fizemos uma degustação para 40 pessoas aqui e os preferidos foram o de manjericão roxo e a pimenta calabresa”, afirma a professora.

Projeto leva hortas e cultivo de plantas medicinais para perto de postos de saúde

Os alunos do curso de Agroecologia do Centro Territorial de Educação Profissional (CETEP) do Litoral, em Maraú, estão usando os conhecimentos adquiridos na sala de aula para ajudar na recuperação dos pacientes que buscam os postos de saúde da região. Três unidades de Saúde já contam com hortas onde, além de hortaliças, são encontradas ervas medicinais. A ação faz parte do “Programa Fitoterápico Informação de Farmácia no CETEP – Plantio e Cultivo de Plantas Medicinais”. “Os espaços de cultivo já estão implantados próximos aos postos de Praia de Saquaíra, da sede e do povoado de Tremembé. Os alunos decidem, em parceria com os profissionais de Saúde, o que será cultivado em cada espaço. E tudo fica disponível para a população”, afirma o vice-diretor do CETEP, Marcelo Piva.

Segundo o vice-diretor, o projeto nasceu da necessidade de criar alternativas para que os alunos realizassem os estágios obrigatórios. “Eles são responsáveis por todo o processo, desde a correção de solo, manutenção, plantio, adubação, controle de ervas daninhas, enfim, por todas as soluções de cultivo”, explica.

Óleo usado na cozinha é reciclado e transformado em sabão ecológico por estudantes da Rede Estadual de Educação

Um projeto que une proteção ambiental e empreendedorismo também consegue unir cerca de 250 alunos do CETEP do Litoral Sul II, em Itabuna, na busca de soluções para um problema muito comum e de grande impacto ambiental: a destinação correta para o óleo usado na cozinha. Assim nasceu o projeto “Sabão Ecológico: Reciclando e Empreendendo - Material Reciclável a Partir do Óleo de Cozinha Queimado”, que envolveu estudantes dos cursos técnicos em Comércio, Administração, Desenho em Construção Civil e Comunicação Visual.

“Foi muito interessante, pois todos os alunos participaram de todas as etapas da fabricação do sabão. Mas, para mim, foi mais importante a parte de empreendedorismo, pois eu faço o curso técnico em Comércio”, diz a estudante Neida Maria Santos Silva. Já o estudante Alisson Ferreira, 17 anos, que também estuda Comércio, vê até a possibilidade de melhoria do produto. “A parte de reciclagem e empreendedorismo foi muito interessante. Um próximo passo poderia ser criar uma embalagem para melhorar a apresentação do produto”, projeta o aluno.

Coordenado pelo professor Adelson Menezes dos Santos, o projeto teve início com a reflexão sobre os diversos problemas ambientais que levou à questão do óleo. “No entorno da própria escola temos bares e restaurantes que precisam descartar esse resíduo e quando não o fazem de maneira correta o impacto é imenso, pois apenas um litro de óleo usado pode poluir um milhão de litros de água na natureza”.

Depois de vários testes em laboratório, os alunos chegaram a uma fórmula de sabão apropriado para lavar roupas e higienizar ambientes com grande poder de branqueamento e não agressivo para quem o usa. “Os próprios funcionários da escola testaram o produto e o aprovaram. Chegou- se a uma fórmula mais balanceada e que usa pouca soda cáustica”, conta o professor.

Agora, os estudantes querem aperfeiçoar o produto com essências e cores e, dentro do espírito empreendedor, estudar a viabilidade comercial do produto. O projeto recebeu uma medalha quando foi apresentado, em agosto, no Dia Nacional do Campo Limpo, uma ação de educação ambiental que acontece anualmente em todo o país.

Curso Técnico de Teatro une arte e educação

Nomes consagrados do teatro e da dramaturgia, como William Shakespeare e Naum Alves de Souza, fazem parte do cotidiano dos alunos do Centro Estadual de Educação Chocolate Nelson Schaun, em Ilhéus, o único da Região Nordeste a oferecer o curso técnico de Nível Médio em Teatro. A peça “Sonho de Uma Noite de Verão”, de Shakespeare, fez sucesso no Teatro Municipal de Ilhéus, e o espetáculo “Epa! Quem Viu, Quem Vê”, baseado na obra de Naum, chega aos palcos da casa em outubro.

Em cena ou nos bastidores, quem encanta o público são alunas como Amanda Oliveira, 16 anos, que em “Epa!” assume a personagem Adiantada, e Raromene Santos, 18 anos, que se dedica à arte dos figurinos. “O teatro me ajuda em tudo. Eu era muita tímida e consegui me desenvolver melhor nas outras disciplinas”, diz Amanda. “Aprendo demais no teatro, tanto para a escola quanto para a minha vida pessoal”, afirma Raromene.

“Já são quatro espetáculos em dois anos”, lembra Valdiná Guerra Félix, professora e articuladora do curso técnico de Teatro. “Além da formação básica para ser ator, o curso também forma o aluno para assumir funções técnicas dentro do teatro, como cenotécnica, iluminação, sonoplastia, fotografia cênica, maquiagem, figurino, direção, dramaturgia e atuação”, completa a professora.

Além de preparar os espetáculos, os alunos realizam ações de cidadania como o Projeto Clown, desenvolvido com o 2º ano do curso técnico de Teatro e dividido em quatro pré-projetos que estão sendo aplicados em instituições educacionais de amparo ao idoso e à criança. (Casa de Abrigo Renascer, Abrigo São Vicente de Paulo). “O projeto visa desenvolver no público-alvo habilidades como afetividade, cognição e interação entre as partes envolvidas. Além de vincular o trabalho da arte teatral ao uso do lúdico, para as crianças, e ao resgate da memória com os idosos”, explica Valdiná.

INTEGRAÇÃO FAMÍLIA ESCOLA


Escola de Itabuna ganha destaque com gestão participativa

A participação efetiva dos alunos nas decisões escolares e a integração com as famílias e a comunidade são os segredos do Colégio Estadual Félix Mendonça, em Itabuna, para ostentar uma taxa zero de evasão, destacar-se em premiações e no IDEB, além de ter um ambiente escolar sempre preservado. “Quando assumimos a gestão da escola, em 2009, a primeira ação foi resgatar a voz e vez dos alunos, fazendo um planejamento participativo onde os alunos e pais fazem parte do colegiado escolar. Cada turma tem um líder e um vice-líder”, conta a diretora Rosemeire dos Santos Guerra.


Um dos participantes mais atuantes do colegiado é o estudante Brenno Vinícius, 15 anos, aluno do 1º ano, que inclusive usa o instrumento de participação para prevenir o bullying. “Quando era menor e estava em outra escola, sofri muito e não tinha a proteção da direção e nem com quem contar. No Félix, nós temos voz e a direção nos ouve de verdade. Assim, podemos ajudar os colegas que, por acaso, passem por isso”, diz o estudante. Ele também aprova o modelo de escolha dos líderes de classe. “Imagina que só no turno matutino são 600 alunos. Como seria um colegiado com todo mundo? Representar a minha classe é um privilégio”, afirma.

As estratégias de gestão da escola têm sido reconhecidas e proporcionaram à diretora a possibilidade de conhecer experiências educacionais na Europa e Estados Unidos. A escola foi destaque estadual na 14ª edição do Prêmio Gestão Escolar 2013, realizado pelo Conselho Nacional de Secretários da Educação (CONSED), e foi representado no I Seminário Internacional de Boas Práticas de Gestão, realizado em 2014, na Universidade de Nottinghan, em Londres, na Inglaterra, e no mesmo ano, no Texas, Estados Unidos. “Foi uma experiência enriquecedora, mas foi também uma alegria perceber que muitas das práticas que já adotávamos aqui na escola são similares às práticas das escolas da Europa e dos EUA”, afirma.

Outras características de gestão fazem da escola um espaço mais acolhedor. Uma delas é o respeito à diversidade e a educação inclusiva. Segundo a diretora, a escola tem, entre os 1.298 alunos, jovens com necessidades que recebem todo o apoio necessário para se sentirem totalmente integrados e há uma grande preocupação e um trabalho de conscientização em relação à diversidade religiosa, de orientação sexual e de gênero. “Os estudantes transgêneros têm o seu nome social respeitado e o uso do banheiro definido de acordo com a sua identificação”, garante a diretora Rosemeire.

A participação dos alunos e da comunidade na vida escolar é outro diferencial, a diretora explica que a escola fica aberta de segunda a segunda para que os estudantes e a comunidade tenham acesso à área de esporte, locais para grupos de estudo. “Como eles têm o sentimento de pertencimento, pois sempre reafirmamos que a escola é deles, o cuidado na manutenção é visível. E temos ainda os pais dos alunos, que sempre oferecem serviços de manutenção como pintura, parte elétrica etc. Eles sentem prazer em fazer parte da história da escola”, diz a diretora. A escola atende a população de 18 bairros e parte da zona rural.

Pacto entre Estado e municípios incentiva a alfabetização na idade certa

Os pequenos estudantes da Escola Jorge Viana, em Coaraci, têm um companheiro fiel na hora da leitura: o boneco “Zé Lelé”. É ele quem passa o fim de semana com o aluno sorteado juntamente com um livro, cuja história será lida e depois contada aos colegas e reproduzida de forma escrita. O projeto “Os Livros Diversos de Zé Lelé (a sacola de leitura)”, criado pela professora Janete Pereira Lopes para estimular o hábito de leitura e reforçar as ações de alfabetização, faz o maior um sucesso entre as crianças. “O suspense toda sexta-feira para o sorteio é grande. A estratégia é fazê-los sentir prazer na atividade de leitura”, conta a professora.

A escola de Coaraçi é uma das centenas de escolas que fazem parte do Pacto com Municípios pela Alfabetização, um projeto estruturante da Secretaria da Educação do Estado que atua, desde 2011, em regime de colaboração com municípios, unindo esforços, recursos e conhecimentos pedagógicos para garantir a alfabetização na rede pública. Nesse regime de colaboração, o Estado realiza a formação de professores, presta assessoramento técnico e distribui material didático.

E foi dessa parceria que nasceu o projeto da professora Janete, que faz cursos de formação a cada dois meses. “Nos cursos pude aprender e vivenciar novas práticas e me abrir para a possibilidade de criar estratégias para melhorar a aprendizagem, além de novas sequências didáticas”, diz a professora de 29 alunos que, além do Zé Lelé implementou a biblioteca de leitura infantil. “Sinto-me iluminada ao ver que os alunos estão aprendendo a ler e escrever com prazer”, orgulha-se.

Na Escola Municipal Paulo Souto, em Camacan, três pedagogas e contadoras de histórias, sob a coordenação da professora Tânia Maria Gomes, desenvolvem o “Projeto Contos e Encantos”, um projeto itinerante de contação de histórias e incentivo à leitura que percorre as escolas, creches e pré-escolas. “O projeto atenderá uma média de 400 crianças da Educação Infantil e séries iniciais do Ensino Fundamental I e possui um acervo de 392 livros, cenários confeccionados pelas contadoras de história, fantasias e adereços diversos”, explica Tânia.

A coordenadora avalia que a parceria Estado/município, por meio das formações do Pacto, instrumentalizou os professores que, conscientes da importância da leitura e da escrita, reconhecem os direitos de aprendizagem e desenvolvimento das crianças. E os resultados não poderiam ser melhores. “Observamos um maior interesse e gosto pela leitura, expectativa quanto ao dia da contação de história, ampliação do vocabulário das crianças, maior interação entre as crianças e delas com os adultos, acesso aos livros que fazem parte do acervo para apreciação, manuseio e leitura”, conclui.

Educação Indígena contribui para preservar tradições

Educação indígenaPara atender às peculiaridades e necessidades pedagógicas específicas dos povos indígenas que vivem em território baiano, funcionam hoje na Bahia 26 escolas indígenas, que atendem mais de 6,8 mil estudantes de diferentes povos. “Hoje, são 595 professores indígenas atuando no Estado”, conta o coordenador da Educação Indígena da SEC, Rafael Truka. “Cada uma dessas escolas trabalha respeitando a organização e o espaço societário de cada povo. Esta conquista é resultado de uma longa luta dos povos indígenas contra os processos educacionais anteriores, que primeiro foram colonizadores e depois integracionistas”, afirma o coordenador.

A aldeia Pataxó de Coroa Vermelha, localizada no município de Santa Cruz Cabrália/BA, com uma população estimada em 5 mil índios, é uma das que tem uma escola indígena do Estado com 14 professores, onde estudam 350 alunos, além de uma escola municipal de Ensino Fundamental que atende cerca de mil crianças e onde trabalham 40 professores. “Dos 30 professores que lecionam aqui na escola do Estado, apenas seis não são indígenas, mas são profissionais que conhecem e respeitam a cultura do nosso povo”, afirma o diretor, Railson Sema Braz Conceição.

Segundo ele, a educação indígena cria oportunidades para que as novas gerações conheçam e valorizem a história e a cultura de seu povo. “As disciplinas do currículo comum, como a Filosofia, podem e devem agregar valor à realidade, promover o crescimento cultural e o sentimento de pertencimento”, afirma.

Os alunos das escolas indígenas, além das disciplinas comuns, têm matérias ligadas diretamente à realidade local e que resgatam a história e conhecimentos próprios. “Através de disciplinas como Língua Materna, os alunos estudam os nossos costumes e aprendem sobre a nossa alimentação, Medicina, língua e, assim, também é resgatado e estudado nosso idioma”, diz o diretor.

A sustentabilidade é outra preocupação constante para o povo que vive diretamente ligado à natureza e com uma economia baseada na agricultura em pequena escala, pecuária. “O cuidado com a natureza e o respeito ao meio ambiente são valores que estão sempre presentes em todas as disciplinas”, afirma o diretor. Como as escolas ficam dentro das aldeias, elas fazem parte da comunidade e a interação com as famílias contribui para o enriquecimento das atividades pedagógicas. “Nossa tradição é passada de uma geração a outra e as escolas nos ajudam ainda mais para o reconhecimento, respeito e conservação da cultura indígena”, conclui.

TOPA reforça o respeito à diversidade

A motivação de dona Lindaura Santos da Cruz, 58 anos, para aprender a ler e escrever é simples. “Quero aprender para não pegar o ônibus errado”. E espera também outros benefícios com o novo conhecimento. “Acho que a vida vai melhorar em tudo, e muito”, conclui a estudante que mora no bairro de Sucupira, em Una, no sul do Estado. Ela é uma das milhares de pessoas que estão indo pela primeira vez ou voltando aos bancos escolares, graças ao projeto Todos Pela Educação (TOPA), projeto do Governo da Bahia que já beneficiou mais de 1,4 milhão de pessoas, desde 2007. A 10ª etapa do programa começou em agosto.

Em Una, nesta etapa do programa são cinco turmas, com, aproximadamente, sete alunos por turma e uma equipe de cinco professores. O principal foco do trabalho é o respeito à diversidade. “Temos que considerar toda a diversidade cultural e religiosa, as questões regionais, o tempo disponível e o tipo de trabalho que cada um exerce”, avalia a coordenadora do TOPA em Una, Janili Barbosa. “Precisamos conhecer bem cada aluno e aprender o jeito de trabalhar com eles. É sempre um grande desafio”, afirma.

Em Itacaré, há outras 10 turmas, sendo sete nas chamadas escolas de campo, e três na área urbana. Nas escolas de campo, as turmas são de sete alunos e na área urbana, 14. Segundo a vice-coordenadora local, Edinail de Sá Lemos, as turmas são compostas, cada vez mais, de pessoas idosas, cerca de 90%, uma vez que os mais jovens são atendidos pelo programa Educação de Jovens e Adultos (EJA), outra ação do Governo do Estado. “Aqui, também temos uma grande preocupação com o respeito à diversidade de nossos alunos e também com o tempo de cada um”, garante Edinail.

O TOPA é realizado em toda a Bahia graças à parceria do Governo do Estado com prefeituras municipais, entidades dos movimentos sociais e sindicais, universidades públicas e institutos de Educação sem fins lucrativos.

PROJETOS PEDAGÓGICOS


Incentivo ao protagonismo estudantil fortalece a educação básica

As iniciativas para o fortalecimento da Educação Básica na Rede Estadual têm como principais aliados os próprios estudantes. O incentivo ao protagonismo estudantil está presente nos Projetos Estruturantes de Arte e Cultura, nos complexos integrados e no incentivo a projetos científicos e iniciativas nas áreas de esporte e intervenção social. As parcerias Estado/municípios levam o ensino aos locais mais distantes da Bahia, promovendo uma maior inserção no Ensino Médio.

Nos complexos integrados, por exemplo, os alunos participam ativamente da vida e da organização escolar, assumindo para si mesmos a tarefa de cuidar da escola através de projetos criativos e com a cara da juventude. Em outras unidades, os estudantes demonstram toda a preocupação social com iniciativas que envolvem a comunidade. E quando se fala em arte e cultura, eles dão verdadeiras aulas de talento.

#TransformaÊ: colégios promovem integração com a comunidade durante a Virada Educacional

Os estudantes da rede estadual deram uma verdadeira aula do protagonismo juvenil na última quinta-feira (21/9), na 2ª edição do #TransformaÊ, projeto desenvolvido pela Secretaria da Educação do Estado. Com intervenções artísticas que envolveram dança, pintura, música e poesia, além de jogos e projetos de ciência e empreendedorismo, eles mostraram talento nas apresentações e desenvoltura nas oficinas promovidas como parte do ensino e aprendizagem nas escolas.

O secretário da Educação do Estado, Walter Pinheiro, que acompanhou as atividades desenvolvidas pelos estudantes, falou sobre a importância da iniciativa. “Este é um momento em que a escola discute o ambiente de ensino e realiza transformações. Por isso, nessa ação, a Secretaria da Educação aproveita para apoiar e acompanhar as atividades com o objetivo de ouvir, perceber e sintonizar-se com a situação das escolas, para que trabalhemos para intensificar a melhora do eixo pedagógico, que consideramos o espírito da escola”, ressaltou.

A 2ª Edição do #TransformaÊ, com o tema “Tomando Partido pela Escola”, reafirmou a importância da escola enquanto local de formação humana, social, política e econômica dos sujeitos da aprendizagem, favorecendo a realização de intervenções sociais no ambiente para a melhoria da convivência e da atuação de cada um no universo educacional. Foram 12 horas de atividades simultâneas, com a integração da escola com a comunidade, em cerca de mil unidades escolares da rede estadual de ensino da Bahia.

O Centro Estadual de Educação Profissional em Biotecnologia e Saúde, localizado em Itabuna, na região Sul da Bahia, contou com uma ampla programação. Os estudantes, familiares e pessoas da comunidade assistiram ao filme “Nunca me sonharam” e conferiram palestras com um psicólogo convidado e com técnicos da Vigilância Sanitária do município, que abordaram sobre Segurança Alimentar e, também, participaram de oficinas relacionadas ao cacau como “Produtividade da lavoura cacaueira” e “Benefícios do consumo do Flavonoide”. Além disso, os alunos da área de saúde realizaram diversos serviços gratuitos.

Na Escola Cultural de Itabuna, foi apresentada uma série de experiências educacionais e atividades culturais. Ainda em Itabuna, o Colégio Modelo Luís Eduardo Magalhães abriu as portas da unidade para a família e a comunidade participarem das atividades e brincadeiras interdisciplinares na área da dança, teatro, literatura e música.

Oficinas de astronomia, robótica, reciclagem, linguagem teatral, light painting e experimentos científicos foram algumas das atividades que movimentaram o CJCC de Itabuna, durante o #TransformaÊ. “Abrimos as portas do CJCC para todos. Recebemos os estudantes de unidades municipais da região e do Complexo Integrado de Educação de Itabuna. Todos estão aprovando nossa iniciativa e aproveitando ativamente as oficinas e brincadeiras”, comemorou o vice-diretor José Júnior. Mostra de vídeos, exposição de materiais recicláveis produzidos por alunos e palestras, com a participação da comunidade, encerraram a noite da unidade.

Outras unidades participantes do #TransformaÊ na região foram: Colégios Estaduais Fábio Araripe, Iguape e CEEP em Gestão e Tecnologia da Informação Álvaro Melo Vieira, todos de Ilhéus; Colégio Estadual Maria Olímpia, em Aurelino Leal; Colégio Estadual Polivalente de Itajuípe; Colégio Estadual de Serra Grande, em Uruçuca e o CEEP do Campo Milton Santos, de Arataca.

Projeto Escolas Culturais incentiva o protagonismo estudantil integrando escola e comunidade

No Colégio Modelo Luís Eduardo Magalhães, em Itabuna, no Sul da Bahia, a experiência da arte-educação ganhou uma nova dimensão pedagógica. É que, nessa unidade escolar, o Governo do Estado, através da Secretaria da Educação do Estado, inaugurou, há dois meses, o Escolas Culturais, que, nessa unidade escolar, tem como padrinho o ator baiano Jackson Costa. A iniciativa, que chegará, inicialmente, a 85 unidades escolares, localizadas em 66 municípios de todos os Territórios de Identidade, propõe a integração entre a escola e a comunidade local, a partir de projetos artístico-culturais desenvolvidos pelos estudantes. A ideia é fortalecer e dinamizar os colégios da rede, consolidando o protagonismo estudantil e promovendo o sentimento de pertencimento nas comunidades escolar e do entorno.

O estudante Diego Messias, 17 anos, 3º ano do Ensino Médio, relata que a chegada do Escolas Culturais ao Colégio Modelo Luís Eduardo Magalhães significou mais visibilidade e ampliação da arte e da cultura como meio educacional. “A educação não é sinônimo apenas de sala de aula e, por acreditarmos nisso, a nossa comunidade escolar já vinha incentivando a arte-educação. Ao lidarmos com um projeto como este, que une educação, arte e cultura, temos a oportunidade de expressarmos as nossas linguagens. E ao entrarmos em contato com essa diversidade, adquirimos novos conteúdos que se somam aos do currículo básico e, com isso, melhoramos o nosso processo de ensino e aprendizagem nas mais diversas áreas do conhecimento”, considera o aluno, que é envolvido com diversas oficinas e outras ações ligadas ao Escolas Culturais.

Em seu primeiro ano como aluna do Colégio Modelo, a estudante Maria Clara Mota, 15 anos, 1º ano do Ensino Médio, conta que o Escolas Culturais foi uma surpresa positiva para ela que tinha vindo de um colégio onde não se estimulava a cultura no processo educacional. “Foi tudo surpreendente para mim e, de cara, me empolguei para participar das oficinas oferecidas, como a literária. É uma realidade nova e gratificante, estou bem envolvida e percebo que tenho adquirido muitos conhecimentos de maneira lúdica, dentro das áreas da literatura, da dança, do teatro e da música. Eu, que sou tímida, cheguei a me apresentar no sarau literário. É muito interessante a proposta do projeto Escolas Culturais”.

O ator Jackson Costa, baiano de Itabuna, ressalta que o projeto Escolas Culturais é uma ferramenta capaz de prender a atenção e o interesse do aluno do século XXI, que desde bem cedo já tem acesso ao celular, ao computador, à informação na palma da mão. “Há muito que os governos não dão à cultura e à educação o seu devido valor. A educação é a luz que falta à sociedade brasileira para poder discernir sobre o passado, o presente e criar um futuro capaz de colocar o seu povo em um pé de igualdade com as nações mais desenvolvidas. Por não darmos valor à educação, não temos o hábito de ir ao teatro, ao cinema, aos museus, às livrarias. Só nos resta os estádios de futebol, o churrasco nos finais de semana, a música de baixo nível ocupando os veículos de comunicação e a televisão que nos oferece uma programação cada dia pior e nos induz a pensar e agir sem sabedoria. Precisamos nos libertar de tudo isso, de nós mesmos, da nossa ignorância, da nossa estupidez e arrogância. A educação de qualidade de mãos dadas com a cultura é a única ferramenta capaz de consertar esse defeito da nossa sociedade. Somos um país jovem e um povo forte, criativo, alegre, com vocação para a prosperidade. Palmas para o belíssimo projeto Escolas Culturais”, posiciona-se o artista.

VEIA CULTURAL - A integração da cultura na escola, reforça a diretora escolar Ednailza Miranda Aboboreira, já vinha acontecendo na unidade, através dos projetos estruturantes de arte, cultura e ciência, potencializando os processos educacionais e sociais. “A nossa escola já tem uma forte veia cultural. O Escolas Culturais chegou para oficializar, digamos assim, a integração entre a escola e a comunidade local por meio de projetos que dialogam com a identidade e identificam os traços culturais e expressões artísticas da nossa cidade, a partir de um mapeamento cultural que os estudantes estão fazendo. Em dois meses de trabalho com o Escolas Culturais, já recebemos nove bairros do entorno”. Além disso, completa a gestora, os estudantes estão envolvidos com oficinas de dança, teatro, música, literatura e audiovisual, que servem de subsídios para a tradicional gincana cultural da escola, cujo encerramento será neste sábado (30/9).

Alunos transformam espaço escolar com arte e criatividade

Fazer do ambiente escolar um espaço agradável, confortável e bonito, tudo de forma participativa e com os estudantes sendo protagonistas desse processo de transformação. Assim é o projeto “#nossa escola: valorize e preserve” desenvolvido no Colégio Estadual Professor José Batista da Mota, em Macaúbas, e que vem empolgando os alunos. “É muito gratificante participar desse projeto, porque é uma forma de tornar o nosso ambiente mais agradável, com criatividade. Não estaremos em sala de aula, mas interagiremos com outras formas de aprendizagem”, diz Tânia Rodrigues Alves, 15 anos, aluna do segundo ano.

A turma de 30 alunos, liderada por Tânia, ficou com a tarefa de dar nova vida ao muro da escola. “O muro tem partes com chapisco e parte com pintura que já está velha. Optamos por fazer grafites temáticos, já que o muro está divido em três ambientes”, explica. Segundo ela, o muro em frente à quadra terá temas esportivos; em frente à cantina, temas relacionados à alimentação; e em frente à biblioteca, o tema será as profissões que os alunos desejam seguir.

Para dar conta do recado, além da criatividade, os estudantes contam com a ajuda de tutoriais na Internet. “Isto é interessante. Não terá nenhum profissional envolvido. Nós mesmos vamos aprender e executar o projeto”, orgulha-se. Além do muro, outros espaços da escola como jardim, quadras e espaços de uso comum aos alunos fazem parte da ação.

Para a diretora Léia Jerusa de Oliveira, a iniciativa que faz parte do Projeto Estruturante Juventude em Ação envolve todos os alunos da escola. “É uma forma de desenvolver o sentimento de pertencimento do espaço escolar e desenvolver talentos”, avalia. Ela ressalta que os alunos não estão reformando a escola, o que é de responsabilidade do Estado, mas apenas fazendo intervenções criativas. “Por isso, apenas espaços usados pelos próprios alunos foram selecionados, os próprios alunos apontaram os problemas e sugeriram as soluções”.

Estudantes usam criatividade para melhorar o ambiente escolar

Os estudantes do Complexo Integrado de Educação (CIE) de Itabuna se destacam pelo protagonismo quando o assunto é melhorar o ambiente escolar. Um dos grupos mais atuantes, composto por 30 alunos, realiza o projeto A Voz do Jovem, que está deixando todos os ambientes da escola mais organizados, limpos e agradáveis. Para cada problema, eles sugerem soluções criativas. Para melhorar o atendimento e acabar com as filas no refeitório, eles criaram a ação “Nós na Fila”, que organiza os horários e o ambiente, tornando a hora da alimentação muito mais agradável. Da mesma maneira, criaram o “Nós na Biblioteca” para organizar livros e ambiente de leitura e várias outras ações voltadas para eventos, artes, esportes.

As iniciativas são parte do projeto Estação dos Saberes, implantado nos Complexos Integrados de Educação (CIE) do Estado, que se configuram como uma ação pedagógica que engloba a iniciação científica e a intervenção de práticas sociais, constituídas pela parceria entre a Educação Básica e o Ensino de Educação Superior, além de envolver, também, a arte, o esporte e a cultura.

No CIE de Itabuna, as ações do Estação do Saber são divididas por trimestre, mas algumas, como a Voz do Jovem, já estão no terceiro trimestre consecutivo. Atualmente, os mais de 600 alunos da unidade participam de projetos como o Aprove ENEM, que prepara os alunos para o exame; o Corpo e Mente, desenvolvido junto com professores de Educação Física; o ReclicaÊ, que oferece oficina de reciclagem; e o Masterchef, que aborda a alimentação alternativa, dentre outros.

Os Complexos Integrados de Educação (CIE) são unidades que ofertam Educação Básica e Ensino Superior no mesmo espaço com o objetivo de desenvolver novas metodologias de aprendizado, integrando estudantes e professores da Educação Básica e Superior. Atualmente, a Secretaria da Educação do Estado mantém os Complexos Integrados de Educação de Porto Seguro, Itamaraju e Itabuna, em parceria com a Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), e de Ipiaú, em parceria com a Universidade Estadual da Bahia (UNEB).

Centro Juvenil de Itabuna complementa formação de jovens estudantes

O Centro Juvenil de Ciência e Cultura (CJCC) de Itabuna tem se tornado um verdadeiro ponto de referência para os estudantes da região. Funcionando no contraturno escolar, o Centro oferece as mais diversas oficinas, que vão da robótica ao teatro, dos esportes como o slackline à reclicagem. Foi nesse espaço que o ex-estudante Elismarcos Souza Santos encontrou, além de aprendizagem, uma forma de complementação de renda. Hoje artesão, Elismarcos aprendeu a base da atividade nas oficinas ReciclaÊ, que têm foco socioeconômico e ambiental. “Fiz oficinas de Robótica, Fotoarte e o ReciclaÊ. Hoje, tenho um ponto na feira e trabalho com material reciclado como garrafas PET, tecido, papelão, dentre outros”, conta Elismarcos, que expõe com orgulho peças como pufes, chaveiros, cortinas e artigos de decoração. “Aprendi que quase tudo que parece lixo pode ter outra utilidade quando reciclado”, garante.

O diretor do Centro, Denelísio Nobre, explica que o espaço atende, atualmente, 250 jovens em três turnos, que podem fazer até quatro oficinas. Os mais procurados são o de Robótica, o de reciclagem e o ExplicaÊ, que usa a linguagem teatral para trabalhar temas como Literatura e Redação. “Nossa oficina de Robótica já rendeu uma premiação aos estudantes na etapa baiana da Olimpíada Brasileira de Robótica, realizada na Campus Party Bahia, como melhor design”, aponta. “Já o ReciclaÊ tem também uma abordagem voltada para o empreendedorismo, por isto estamos estudando ampliar o projeto e realizar oficinas também para os pais dos estudantes”, completa.

Já a oficina de Slackline foi a forma lúdica que o Centro encontrou de tornar mais atrativas disciplinas como Educação Física, Biologia e Física. “Agora, estamos ampliando a nossa atuação para atender também os alunos da Educação Básica, em conjunto com o Completo Integrado de Educação Básica de Itabuna”, destaca o diretor.

O CJCC - Os Centros Juvenis de Ciência e Cultura são uma Iniciativa da Secretaria da Educação do Estado da Bahia, e têm como objetivo promover a educação complementar de forma lúdica, em ambientes interativos e atrativos. O CJCC tem como objetivo ampliar o acesso da juventude baiana às temáticas culturais e científicas contemporâneas, na perspectiva de consolidar a capacidade cognitiva de fazer nexos interdisciplinares, potencializando a compreensão de fatos, questões, invenções, avanços e conquistas científicas, sociais, culturais, artísticas e tecnológicas da humanidade. Além de Itabuna, a Bahia conta com mais quatro Centros Juvenis, localizados em Salvador, Barreiras, Senhor do Bonfim e Vitória da Conquista.

Projetos de iniciação científica incentivam a interação de alunos e comunidade

A estudante Rebeca Ludovico, 16 anos, está aprendendo mais sobre as necessidades, cuidados necessários e direitos dos idosos. E a primeira pessoa que está sendo beneficiada com os novos conhecimentos é a sua avó, dona Gildete Edriana, 53 anos. Rebeca é uma das alunas que participa do projeto de iniciação científica “Vivendo e Aprendendo com a Terceira Idade”, desenvolvido no Colégio Estadual Antônio Sá Pereira - Tempo Integral, em Ilhéus. “A importância desse projeto para mim é, primeiro, ajudar minha avó a ter conhecimento sobre os direitos dela. Hoje, os idosos que vão às oficinas na minha escola saem de lá sabendo de coisas que não sabiam e muito contentes por ver que a juventude está se importando com eles e dando o melhor para o seu bem”, conta a estudante.

“O projeto está sendo aplicado ao longo deste ano em parceria com o abrigo São Vicente de Paulo e com a Igreja Batista Lidiópolis, ambos situados nas proximidades da escola”, explica a professora Marli Alves Rodrigues. O objetivo é promover o conhecimento de todos os aspectos que envolvem o processo de envelhecimento, incentivar o protagonismo juvenil e a integração com os idosos do entorno da escola e contribuir para a efetivação da rede de proteção ao idoso.

O colégio desenvolve, ainda, outros dois projetos de iniciação científica. Um deles é o “Vamos Cultivar PLANCs em Nosso Jardim”, que inclui pesquisas na literatura, identificação os Plancs “in situ” e aplicação de questionários na escola e comunidade para o levantamento de dados. O objetivo é contribuir para a divulgação do conhecimento e uso dessas plantas na comunidade e sensibilizar para o cultivo e consumo, uma vez que são de baixo custo e de grande valor nutricional. Os Plancs são plantas alimentícias não convencionais.

Outro projeto foi motivado pelo fato de a unidade escolar estar inserida em um bairro com um dos maiores índices de uso e tráfico de drogas ilícitas da cidade. Denominado “As Ações Pedagógicas do Colégio Estadual Antônio Sá Pereira Integral como Fator de Proteção ao Uso do Álcool e Outras Drogas”, consiste em um trabalho de pesquisa que está sendo desenvolvido por um grupo de alunos do primeiro ano integral/Ensino Médio. Por meio da aplicação de questionários e entrevistas na escola e na comunidade local, o objetivo é averiguar o nível de influência das ações pedagógicas desenvolvidas no colégio como fator de proteção aos alunos no que diz respeito ao uso do álcool e outras drogas.

Aulas de Educação Física são transformadas em aventura

As aulas de Educação Física no Colégio Estadual General Osório, em Itabuna, ficaram ainda mais dinâmicas depois que os esportes radicais passaram a fazer parte da rotina dos alunos. O projeto “O Ensino de Educação Física e as Práticas Corporais de Aventura”, além de conquistar os estudantes, valeu à professora Mayllena Carvalho uma colocação entre os 50 finalistas do prêmio Educador Nota 10, em 2017, que reconhece professores da Educação Infantil ao Ensino Médio e também coordenadores pedagógicos e gestores escolares de todo o país.

Mas o maior reconhecimento vem mesmo de alunas como Emanuelly Guido Alves Viana e Natália de Souza Batista Santos, do 9º ano, frequentadoras assíduas das aulas. “Eu faço balé, mas aqui gosto do slackline. Acho as aulas muito positivas”, conta Natália. “Adoro skate, aprendi a andar aqui e pratico sempre que posso. Outro que acho interessante é o rapel, mas nunca o fiz. Só o conheci nas aulas mesmo”, disse Emanuelly.

A professora explica que as oficinas práticas são de Patins, Skate, Slackline e Parkpur, além de conhecimentos teóricos de outras atividades de aventura terrestres, aquáticas e aéreas. “O projeto tinha o objetivo de analisar e identificar as possibilidades e os desafios das práticas corporais de aventura no ensino da Educação Física, mas acabou envolvendo a escola inteira, e isto é muito gratificante”, explicou a professora. “O reconhecimento veio primeiro dos colegas, que insistiam que o projeto deveria ser inscrito em prêmios. É emocionante estar nessa relação de Educador Nota 10”, declara a professora.

EMITec usa alta tecnologia para levar o Ensino Médio a localidades distantes

Estudar pertinho de casa com toda a estrutura tecnológica e professores qualificados. Esta é a realidade de milhares de estudantes, graças ao projeto Ensino Médio com Intermediação Tecnológica (EMITec), da Secretaria da Educação do Estado, que leva o conteúdo do Ensino Médio a salas de aula instaladas, principalmente, em áreas de difícil acesso. Na região de Itabuna, por exemplo, quase 900 alunos estão cursando o Ensino Médio por meio do projeto. A estudante Brice Helen de Oliveira Brito cursa o primeiro ano e já sonha com o futuro. “Temos a oportunidade de aprender um bom conteúdo, com a orientação em tempo real de nossos professores e mediadores, e estudar próximo de nossa casa sem precisar nos deslocar por horas para chegar à escola. É um projeto que nos permite sonhar. Estou me preparando para sair com base e cursar uma faculdade”, afirma a aluna.

Segundo a técnica do EMITec, Adriana Sousa Filgueira, o número de alunos nessa modalidade de ensino tem sido crescente. “Este ano, foram 21.120 matrículas. Desde a sua implantação, em 2011, foram atendidos 122.000 estudantes de localidades afastadas dos centros urbanos”, informa Adriana. São alunos como Edilene Macêdo, que já está cursando o 2º ano. “Para mim, o EMITec traz muitas vantagens, principalmente para as pessoas que moram na zona rural; elas já não precisam ir à cidade estudar, pois têm o ensino em sua localidade. Além do programa ter tecnologia avançada que auxilia o aprendizado dos alunos, tem também professores capacitados para conduzir os estudantes”, aprova.

As aulas do EMITec são transmitidas via satélite, em tempo real, diretamente do Instituto Anísio Teixeira (IAT), em Salvador, e ministradas por professores da rede estadual, que contam, no estúdio, com a presença de outro docente da rede para apoio e subsídios, já que as aulas são ao vivo. Nas telessalas, os alunos contam com a presença de professores mediadores, que fazem a interlocução de dúvidas para os professores em estúdio e aplicam as avaliações, que são por área e interdisciplinares. A comunicação também é realizada via chat.

Os conteúdos são veiculados por meio de uma moderna plataforma de telecomunicações, por meio de solução tecnológica desenvolvida especialmente para o programa, que inclui possibilidades de videoconferência e acesso simultâneo à comunicação interativa entre usuários, empregando IP (Internet Protocol), por satélite VSAT (Very Small Aperture Terminal). Após as aulas, os vídeos são editados e disponibilizados no endereço eletrônico http://emitec.educacao.ba.gov.br/, que também oferece material didático de apoio.

Arte e cultura promovem o protagonismo estudantil

Teatro, música, dança, artes visuais e outras expressões artísticas agitam as escolas durante as apresentações dos projetos estruturantes de arte e cultura, quando os alunos dão verdadeiros shows de criatividade e talento. A iniciativa é desenvolvida pela Secretaria da Educação do Estado com o objetivo de promover o protagonismo estudantil, diversificar e inovar os currículos escolares, além de valorizar as expressões culturais regionais e ampliar o acesso dos estudantes ao conhecimento científico, às artes e à cultura.

Um dos projetos finalistas no Festival Estudantil de Teatro (FESTE) foi a peça “A Mulher das Trouxas”, produzida pelos alunos do CETEP da Bacia do Paramirim. A comédia baseada em uma lenda local, além de mostrar o talento dos alunos trouxe ainda a valorização da cultura da região e do imaginário popular. Aluno do aluno do 3º ano do curso técnico em Administração, Bruno Gonçalves dos Santos, 16 anos, foi um dos protagonistas do espetáculo. “O FESTE fez com que outros alunos da minha escola, através de nossa professora de Artes, que inclusive tem formação teatral, se interessassem pelo projeto. Para todos do grupo foi uma experiência inédita, pois eles não tinham nenhum conhecimento de teatro e se revelaram verdadeiros talentos. Apresentar para grandes públicos foi um desafio, ainda mais com todas as escolas do território da Bacia do Paramirim reunidas. Um ótimo festival onde tivemos a convivência e o contato de pessoas de outras regiões e de suas culturas”, comemora Bruno.

Para a professora Erleide Morais, professora de Arte e orientadora dos Projetos FESTE e DANCE no CETEP da Bacia do Paramirim, os projetos artísticos que envolvem a linguagem cênica são o caminho para romper com o divórcio entre o trabalho corpo e mente na escola. “Eles possibilitam perceber e criar espaços diversificados que ampliem a possibilidade de expressão corporal do aluno. Além disso, mobilizam a instituição em torno da reflexão do tempo e estrutura de trabalho escolar, fomentando discussões acerca da urgente necessidade de adequação dos espaços, tempos e currículo. O FESTE e o DANCE nos instigam a rompimentos e à adequação aos novos tempos”, avalia.

Na categoria Artes Visuais Estudantis (AVE), O projeto “Maria Betânia: o Dia que a Bandoleira da Canção Visitou os Campos Macaubenses”, um teatro de bonecos feitos de papel machê homenageando a cantora, garantiu a final para os alunos do CETEP da Bacia do Paramirim, em Macaúbas. “O projeto do AVE foi muito importante para mim. Foi minha segunda participação e fui mais uma vez selecionado para a final em Salvador. Em 2015, meu outro trabalho ficou entre os cinco melhores na final. Foi muito emocionante receber o prêmio na Arena Fonte Nova, em Salvador”, diz o já quase veterano Alessandro Oliveira Guimarães, 22 anos, do 4° ano curso técnico em Agroecologia. “Esse projeto me levou a aprender muito sobre artes visuais: pintura, desenho e o uso do papel machê, que se tornou a ‘minha praia’”, afirma.

Orientador do projeto AVE e vice-diretor técnico-pedagógico do CETEP da Bacia do Paramirim, Theo Ferreira, avalia que o projeto AVE se configura como oportunidade singular para expandir a mente do estudante em relação às experiências artísticas. “O estudante traz consigo muito da sua cultura local, sobretudo em nosso caso, da cultura de povoados rurais. Então, pintar, desenhar, esculpir e criar torna-se mais do que uma simples manipulação de linguagens estabelecidas tradicionalmente. Possibilitam que o aluno crie dentro de si uma ideia de pertencimento, de resgate e valorização de tradições populares que contam muito da história de nossa região”.

Já na categoria Educação Patrimonial e Artísticas (EPA), o projeto “Casarões”, um álbum com fotos dos casarões antigos que conta a história de Paparamirim, garantiu um lugar de destaque para os estudantes do Colégio Estadual de Paramirim. “Participar dos projetos estruturantes foi muito gratificante! Foi algo mágico, pois, juntamente com o meu grupo, descobrimos belíssimas histórias dos nossos patrimônios antigos e de nossos antepassados”, conta a estudante Irla Paula, aluna do 3º ano do Ensino Médio. “Nossa história é cultura, é preciso preservar. Relembrar a história desta terra tão amada, cada pedacinho e cada lugar traz consigo muitas recordações, por isso quis falar sobre os casarões. Preservar o nosso patrimônio cultural é preservar a nossa vida e as nossas histórias”, completa.

Ainda na categoria Educação Patrimonial e Artístico, o “Caminhos de Ir e Vir: Ruas, Estradas, Becos e Ladeiras de São João do Panelinha” foi o projeto do Colégio Estadual Anísio Loureiro, de São João do Panelinha, em Camacan, executado pelas alunas Naomi, Marina, Emanuelle e Ana Carolina, do terceiro ano de formação geral, sob a orientação do professor David Rodrigues. “O projeto visa lançar um olhar sobre as estradas, becos e ladeiras da comunidade, reconhecendo-os como lugares de memória e de vida. Caminhos por onde passaram os antigos tropeiros e trabalhadores do tempo do cacau, onde viveram os antigos e vivem os atuais moradores de Panelinha, onde nossos jovens estudantes reconheceram suas raízes e sua história pelos relatos orais sobre o nome e as memórias de sua rua, de seu caminho de ir, vir e viver”.

Os estudantes Andrei Lima Silva Bonfim, 16 anos e Juliano Conceição Macedo Barbosa, 17 anos, do Centro Educacional São Sebastião, em Caturama, foram além, unindo as categorias EPA e Artes Visuais (AVE), criando o projeto EPAVE, um quadro mostrando o patrimônio local em pintura. “Eu e meu amigo nos interessamos em participar do AVE desde que chegamos ao Colégio São Sebastião, em 2014; participamos nesse primeiro ano, conseguimos o terceiro lugar no colégio, no segundo ano, ficamos em segundo lugar. Sem desistir, participamos novamente, em 2016, e, finalmente, conseguimos o primeiro lugar e nos classificamos para as regionais”, conta Andrei, ex-aluno do Centro Educacional São Sebastião. “Os projetos estruturantes são maravilhosos para a comunidade escolar, dão outro clima à escola, ganhar e representar o meu colégio nas regionais sempre foi a minha vontade, o clima de competição era muito bom e, finalmente, representei a minha cidade com esse projeto”, lembra o estudante.


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