As ações e os projetos desenvolvidos pela Secretaria da Educação do Estado nas 1.282 escolas espalhadas pelos 27 Núcleos Territoriais de Educação (NTE) são o foco dos especiais Raio-X da Educação. Aqui, você conhecerá alguns dos projetos desenvolvidos nos NTEs Sertão do São Francisco e Costa do Descobrimento.

CIÊNCIA NA ESCOLA


Alunos e professores levam a ciência além dos muros das escolas

O fortalecimento da educação científica nas escolas da Rede Estadual da Educação Profissional da Bahia, a segunda maior do país, com mais de 75 mil alunos, tem revelado talentos para as ciências e, principalmente, demonstrado a preocupação em desenvolver projetos científicos que contribuam para melhorar a vida das comunidades. Dessa forma, professores e estudantes fazem com que a ciência ultrapasse os muros da escola para levar conhecimentos e conscientizar a população para o uso de métodos inovadores que possibilitem o convívio mais harmonioso entre o homem e a natureza.

Projetos desenvolvidos nas escolas pelos alunos têm modernizado antigos métodos agrícolas, disseminado novas práticas de produção que reduzem o consumo de água e a utilização de agrotóxicos e incentivado cada vez mais iniciativas para recuperar e proteger a natureza.

Proteção dos recursos hídricos inspira projetos científicos nas escolas estaduais

O uso racional dos recursos hídricos, a proteção e a recuperação de áreas degradadas, a recomposição de matas e a proteção do leito dos rios são preocupações cotidianas para a população do Sertão. E essas preocupações têm sido uma fonte de inspiração para alunos e professores das escolas estaduais, que estão produzindo conhecimento e desenvolvendo dezenas de projetos que buscam desde a conscientização ambiental até a construção de equipamentos alternativos, sempre de forma multidisciplinar. São iniciativas que contribuem para a redução do uso de água, a proteção dos leitos de rios, a redução da utilização de agrotóxicos, o reaproveitamento de água, a recuperação de matas ciliares, entre outras. Além de conscientizar os estudantes, os projetos têm despertado na comunidade estudantil o gosto pela ciência e pela pesquisa científica.

Os estudantes da Escola Estadual Maria José de Lima Silveira, localizada no município de Sobradinho, estão contribuindo para a recuperação de áreas degradas por meio de um equipamento inovador: o veículo lançador de sementes, que realiza o mapeamento, o acompanhamento e a recuperação de áreas degradadas. “O projeto começou em 2013 e estamos dando continuidade e inovando-o ainda mais. Nosso próximo objetivo é conseguir fazer o mapeamento dos resultados por meio de GPS”, afirma o estudante Victor Emanuel, 15 anos. “Depois dessa experiência, pretendo seguir uma carreira na área de Ciências”, adianta.

Orientadora do projeto, a professora Cida Nunes comemora os seus resultados. “Já fizemos o lançamento de sementes de 12 variedades de plantas, como Juazeiro, Mandacaru, Jatobá, Aroeira, dentre outras, e constatamos a eficiência do processo na recomposição da mata ciliar, com a melhor resposta na germinação em comparação com outros métodos”, diz a professora. “Outro ponto importante é que o equipamento utiliza materiais reciclados, como garrafas PET, canos de PVC e cartolinas usadas em outras atividades na escola”, explica.

Do Centro Educacional Antonio Honorato, em Casa Nova, vem outro exemplo da preocupação com os recursos hídricos na região. Os alunos se engajaram no projeto “Plantio Inadequado às Margens do Rio São Francisco na Comunidade de Pau a Pique”, uma iniciativa que tem como objetivo conscientizar as comunidades para os riscos da produção de cebola nas margens e até mesmo no leito do Rio São Francisco, em períodos de vazão. “Foram realizados debates e uma audiência pública para sensibilizar os agricultores para os prejuízos à qualidade das águas do rio com esse método de plantio, que além de invadir a área do rio ainda tem o uso intensivo de agrotóxicos”, explica a professora Ana Cláudia dos Passos Fernandes.

Modificar os métodos de produção agrícola também foi uma preocupação dos alunos do Colégio Estadual Sete de Setembro, em Sento Sé, que se engajaram no projeto “Agricultura Moderna – O Uso Racional dos Recursos Hídricos”, uma experiência que demonstrou a redução no uso de água para a irrigação por meio do método de gotejamento. “A economia de água chega a 75% em relação a outros métodos, como concluímos após a implantação de uma área-piloto, onde produzimos cebola e melão”, revela o professor de Agronegócios, Sandro Almeida Alves. Já um ex-aluno da escola, Ítalo Cássio Nascimento Reis, hoje trabalha em uma empresa agrícola. “O projeto e o curso em si foram muito importantes para que eu me desenvolvesse. A empresa em que eu trabalho mudou recentemente o método para o gotejamento e estou unindo a teoria à prática”, conta Ítalo.

Os estudantes do Centro Territorial de Educação Profissional do Sertão São Francisco, em Juazeiro, se lançaram ao desafio de estudar e disseminar meios de reduzir o consumo de água em casa, por meio do projeto “Métodos de Reaproveitamento da Água Doméstica”. Foi o professor Reginaldo José de Souza Prado que desenvolveu o projeto para o uso pessoal, mas decidiu que a experiência precisaria ser compartilhada. “Consegui reduzir em 50% o custo com o consumo de água, e o bom foi que isto inspirou alunos a implantarem o projeto em suas casas”, conta. Um conjunto composto com bomba e filtros torna possível o uso da água utilizada na lavanderia para outras atividades, como limpeza e descarga.

E o projeto já rende frutos. As alunas Ana Clara Xavier e Iana Gabriela, que participaram do projeto, já disseminam a iniciativa. Ana estuda uma forma de implantação do projeto na própria escola e o grupo está levantando recursos. Já Iana está replicando a ideia, em menor escala, em sua casa. “Não fizemos tubulações nem temos a bomba, mas boa parte da água usada na lavanderia já está sendo reutilizada”, afirma.


Alunos desenvolvem repelente natural contra o Aedes aegypti

Alunos desenvolvem repelente natural contra o Aedes aegyptiProduzir um repelente natural, eficiente e de baixo custo, utilizando um mix de ervas encontradas com facilidade na região, foi o desafio de um grupo de alunos do Colégio Estadual Senhor do Bonfim, em Uauá, norte da Bahia, que participaram do projeto Ensino Médio Inovador. Assim, nasceu o Natural Repellent, que se demostrou muito eficaz contra o mosquito Aedes aegypti. “Nossa preocupação surgiu justamente com o grande número de casos de dengue e outras doenças transmitidas pelo Aedes. Então, fomos atrás dos conhecimentos da comunidade sobre as ervas locais e fizemos as experiências”, explica a aluna Ingredy Gabrielly Gonçalves dos Santos.

A aluna conta, ainda, que após chegarem à fórmula, que leva ervas como capim-santo, manjericão, erva-cidreira, além de cravo da Índia e glicerina, entre outros produtos, foram realizados testes. “Usamos o repelente com nossas famílias e amigos e fizemos um questionário sobre reações alérgicas e a sua eficiência. Obtivemos bons resultados de sua eficiência e nenhum caso de alergia”, comemora Ingredy.

A pesquisa foi desenvolvida em sala de aula, no âmbito do Projeto Ciência na Escola, da Secretaria da Educação do Estado, e orientada pela professora de Biologia, Jesarela Almeida de Moura. “No total, foram desenvolvidos 12 projetos, dentre eles o repelente e um aromatizador, que também tem como objetivo proteger a população contra insetos”, explica a professora.

Estudantes buscam soluções para aumentar produtividade de hortas orgânicas

Buscar soluções para aumentar a produtividade e reduzir o uso de água no cultivo de hortas orgânicas. Foi com essas preocupações que um grupo de alunos do curso de Agroecologia do Centro Educacional Antonio Honorato, em Casa Nova, no norte da Bahia, desenvolveu o projeto “Eficiência da Cobertura Morta do Solo em Canteiros de Coentro no Sistema Orgânico de Produção”. A pesquisa foi aplicada na horta da própria escola e os resultados foram tão promissores que a prática está sendo disseminada pela própria comunidade. “O processo já está sendo usado por uma comunidade, com bons resultados”, conta Cristiana Santos Rocha, uma das alunas que participa da pesquisa.

A estudante explica que o projeto foi desenvolvido em três canteiros, um com a cobertura artesanal feita de tábua, outro com lona e um sem cobertura. “Diariamente, foi avaliada a umidade do solo, o desenvolvimento das hortaliças e a infestação de plantas espontâneas. Ao fim, pôde-se constatar que o canteiro com cobertura de tábua foi mais eficiente na contenção da evaporação, bem como no controle de plantas daninhas”, conta Cristiana.

Para a Coordenado pela professora de Biologia, Ana Cláudia Passos, o projeto também revelou como a pesquisa científica pode melhorar a interação dos alunos com a ciência. “Além de resultados práticos excelentes, o projeto ajudou a motivar os alunos a desenvolverem o gosto pela ciência e a criar um maior envolvimento dos estudantes com as questões sociais”, afirma a professora. “Os alunos levaram a experiência para as comunidades, dando palestras no interior”, completa. A técnica foi apresentada e implantada na comunidade de Lagoinha, onde os moradores aceitaram e aprovaram os resultados.

“Vitrine do Cajueiro” divulga serviços de autônomos

Vitrine do CajueiroDivulgar a oferta de serviços prestados por autônomos localizados no entorno da escola e contribuir para um maior dinamismo na procura por esses serviços. Este foi o principal objetivo do projeto “Vitrine do Cajueiro”, desenvolvido pelos alunos do curso técnico em Recursos Humanos, do Centro Estadual de Educação Profissional em Gestão e Negócios do Norte Baiano, em Juazeiro.

Diana Cristina participou do projeto “Vitrine do Cajueiro” “O projeto foi um momento importante do curso, pois pudemos colocar em prática vários conhecimentos adquiridos em sala de aula”, conta a estudante Diana Cristina da Silva, 21. “Também foi muito bom o trabalho de divulgação que fizemos na Praça da Catedral, com panfletos e cartazes”, conta. “A experiência até hoje me ajuda aqui no trabalho”, diz Diana, que hoje está trabalhando através do programa Primeiro Emprego.

Segundo a professora Maria Verônica Melo, que orientou o projeto, os alunos identificaram mais de 50 atividades autônomas, como de eletricistas, pedreiros e serviços ligados à alimentação, por exemplo. “Após a coleta de dados, o material foi organizado e fizemos essa primeira divulgação na região, mas a ideia é criar um aplicativo de serviços com os dados já disponíveis”, afirma a professora.

Produção científica no Ensino Médio revela talento para a área de Agronomia

A estudante Bárbara Maria Menezes, de 17 anos, se prepara para mais um desafio na vida estudantil: a faculdade de Agronomia. O talento para a área escolhida foi revelado ainda no Ensino Médio, concluído em 2016. A estudante participou de uma pesquisa desenvolvida pela turma de investigação científica no Colégio Estadual Senhor do Bonfim, em Uauá, dentro do projeto “Ciência na Escola”, da Secretaria da Educação do Estado, que resultou na criação do biofertilizante orgânico doméstico. “O projeto começou com a construção de uma composteira que utiliza os restos de resíduos orgânicos, que, após algum tempo, produz um líquido chamado chorume. Analisamos o chorume e percebemos que ele poderia ser utilizado se fosse diluído na água de irrigação e usado por um determinado período”, explica Bárbara.

Coordenado pela professora de Biologia, Jesarela Almeida de Moura, o projeto foi uma das 12 iniciativas desenvolvidas no projeto Ensino Médio Inovador. “O objetivo é justamente despertar os alunos para a importância das pesquisas científicas e desenvolver neles o gosto pelas ciências”, explica a professora.

Foto de Elmo JoséPara Bárbara, além de despertar um talento a ser desenvolvido, ficou ainda o orgulho de criar um produto que já atraiu a atenção da comunidade. “Esse fertilizante tem muitas funções, como a de gerar economia, reutilizar os restos orgânicos e, principalmente, evitar o uso de agrotóxicos. Já tem até uma sitiante que fez uma composteira igual”, orgulha-se a estudante.


EDUCAÇÃO PROFISSIONAL


Projetos de Educação Profissional unem teoria e prática

As escolas da rede de Educação Profissional do Estado apostam, cada vez mais, em projetos que valorizam a união entre teoria e prática. As iniciativas, além de colocar os estudantes em contato direto com a realidade do mundo do trabalho no qual se preparam para atuar, buscam desenvolver valores como ética e profissionalismo e mostrar novos caminhos de desenvolvimento econômico, como o empreendedorismo e a economia solidária.

Os projetos têm como foco, ainda, despertar nos alunos a consciência social e ambiental por meio de atividades que os colocam em contato direto com a realidade local e os instigam a buscar soluções inovadoras que contribuam para a melhoria da qualidade de vida de suas comunidades.

Estudantes desenvolvem projeto que incentiva a criatividade na área de Design

Estudantes desenvolvem projeto que incentiva a criatividade na área de DesignO projeto “A Arte de Fazer Arte para um Design Inovador”, desenvolvido no curso técnico em Design de Móveis, do Centro Territorial de Educação Profissional da Costa do Descobrimento, em Eunápolis, foi uma das primeiras experiências práticas da estudante Larissa Pereira, 22 anos. Criado para desenvolver a criatividade, a iniciativa instigou a aluna a buscar uma forma de unir os estilos moderno e clássico e fazer algo novo com materiais comuns. “Projetamos uma cozinha bem moderna, toda em MDF e vidro. Ficou tão interessante que ninguém dizia que era MDF”, conta Larissa. O trabalho inclui o desenho e uma maquete e foi apresentado em feiras escolares. “Agora, estou pronta para o mercado de trabalho”, diz Larissa, que já concluiu o curso.

Alunos pesquisam e divulgam informações sobre microcrédito

Alunos pesquisam e divulgam informações sobre microcréditoA preocupação com o aumento de empresas que ofertam microcrédito para a população da região sem, no entanto, conscientizar para as consequências futuras desta modalidade de empréstimo levou os alunos do curso técnico em Recursos Humanos, do Centro Estadual de Educação Profissional em Gestão e Negócios do Norte Baiano, em Juazeiro, a criar o projeto “Microcrédito: Benefícios e Riscos”. Para o estudante Pedro Henrique da Silva Santos, 17 anos, ainda existe muita desinformação. “Muitas pessoas acham que essa pode ser a saída mais fácil, mas acabam endividadas. Minha tia queria fazer um desses empréstimos, mas depois que expliquei a ela todos os riscos, ela decidiu buscar outra alternativa”, conta Pedro.

O professor Francisco de Assis Filho diz que este era justamente um dos objetivos do projeto. “A ideia é que os nossos alunos sejam multiplicadores desse conhecimento em suas casas, em sua comunidade”, explica. O projeto foi desenvolvido pela turma do 3º ano, que pesquisou as condições de crédito em várias empresas e bancos oficiais e também entrevistou pessoas das comunidades, nas feiras e no comércio local, para mapear o nível de informação sobre o tema. “Com esse conhecimento, os alunos podem auxiliar outras pessoas repassando informações corretas”. Segundo o professor, a experiência já despertou nos alunos o desejo de mais conhecimento e o próximo projeto será sobre economia solidária.

Alunos pesquisam o perfil ideal do vendedor na visão do cliente

Para conhecer melhor o mundo do trabalho e principalmente qual o perfil ideal de um vendedor na visão do cliente, os alunos do curso de Técnicas em Vendas, do Centro Estadual de Educação Profissional em Gestão e Negócios do Norte Baiano, em Juazeiro, foram às ruas e a estabelecimentos comerciais entrevistar empresários, gerentes e consumidores. A atividade foi parte do projeto “Ética, Amizade e Profissionalismo: Atributos do Vendedor do Século XXI”. “Uma surpresa da pesquisa foi o grande número de pessoas que participaram; 78% dos entrevistados afirmaram que valorizam, sobretudo, a relação de amizade entre vendedores e clientes”, conta a professora Verônica Maria Neto Lopes.

Segundo a professora, a experiência foi importante para discutir o perfil ideal do profissional de vendas na visão do cliente. “Uma das lições mais importantes para os alunos foi descobrir como a ética e a disponibilidade são características valorizadas pelos clientes”. O projeto foi apresentado na Feira de Gestão de Negócios, em 2016, onde os alunos vivenciaram a experiência profissional de “vender” a ideia do projeto.

Conhecimentos sobre a Caatinga ajudam na conservação do bioma

Um dos maiores biomas brasileiros, a Caatinga é também um dos mais complexos. Para conhecer melhor essa realidade, os alunos do curso técnico em Meio Ambiente, do Centro Territorial de Educação Profissional do Sertão do São Francisco, em Juazeiro, estão desenvolvendo o projeto “Conhecendo a Caatinga”, iniciativa que inclui pesquisa, visitas técnicas e a produção de materiais. “Quanto mais a gente estuda a Caatinga, mais a gente percebe que conhece pouco sobre o bioma onde vivemos.

Esse conhecimento nos traz, principalmente, um sentido de pertencimento ao nosso lugar”, avalia a estudante Letícia Vitoria Matias, 16 anos, que já até decidiu o seu futuro profissional e vai estudar Engenharia Ambiental.

A estudante conta que a sua participação foi através uma pesquisa sobre as tecnologias disponíveis e adequadas para a captação e o armazenamento de água da chuva. “Estudamos e fizemos uma exposição com maquetes de sistemas como barragem subterrânea, cisterna para o consumo humano, entre outros”, conta a estudante.

Segundo o professor José Valdo Santana Bezerra, o projeto envolveu 25 alunos e surgiu da percepção da falta de conhecimento do bioma. “Sabendo da importância da preservação desse ecossistema, desenvolveremos um trabalho voltado para a reflexão e a crítica”, afirma o professor.

Além da divulgação do projeto em exposições escolares, foi criado um blog (http:// caatingarica.blogspot.com.br) onde são publicadas informações sobre o projeto.

“Quanto mais a gente estuda a Caatinga, mais a gente percebe que conhece pouco sobre o bioma onde vivemos. Esse conhecimento nos traz, principalmente, um sentido de pertencimento ao nosso lugar” Letícia Vitoria Matias, aluna do CETEP Sertão do São Francisco, em Juazeiro

Aplicativo criado por estudantes auxilia na busca por estágio

Conectar os estudantes que buscam estágios às empresas por meio de um aplicativo. Essa foi a solução dos alunos do curso técnico em Recursos Humanos, do Centro Estadual de Educação Profissional em Gestão e Negócios do Norte Baiano, em Juazeiro, para um problema vivido por muitos alunos da instituição: a dificuldade em conseguir estágios. Mas os alunos têm uma pretensão ainda maior para a ferramenta, batizada de Aplicativo Promove, com a sua primeira versão em fase de aperfeiçoamento. “Queremos transformá-lo em um aplicativo-padrão para todas as escolas técnicas do Estado”, afirma o estudante Daniel de Souza Mota, 18 anos.

O estudante explica que na primeira versão, apenas para Android, era disponibilizado um link para os alunos baixarem o aplicativo no celular. Já as vagas de estágio eram repassadas pela escola e o grupo de desenvolvedores alimentava o sistema. “Agora, estamos melhorando, e a própria empresa terá uma área para disponibilizar as vagas e os alunos receberão uma notificação sobre essas vagas”, conta.

Segundo a orientadora de estágios da instituição, Mara Beatriz Macedo, o projeto foi apresentado ao Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE), que aprovou a iniciativa e indicou a necessidade de aperfeiçoamento. “Agora, o projeto tem parceria com a Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF) e os nossos estudantes estão tendo o acompanhamento de alunos da universidade para aperfeiçoar o protótipo”. Mesmo ainda em fase de desenvolvimento, o aplicativo já demostrou que veio para ficar. “Ainda na primeira fase, um aluno já conseguiu um estágio por meio do nosso aplicativo”, comemora Daniel.

Projeto busca a valorização da arte de rua

Os estudantes do curso técnico em Recursos Humanos, do Centro Estadual de Educação Profissional em Gestão e Negócios do Norte Baiano, em Juazeiro, hoje têm uma nova percepção sobre os artistas de rua, uma visão em que não cabe o preconceito e sobra a valorização sobre manifestações artísticas como o grafite, hip-hop, produção artesanal de bijuterias e acessórios, dentre outras. Essa mudança ocorreu a partir do projeto “Arte de Rua com um Novo Olhar - Transformadores do Espaço, do Tempo e da Realidade”, que teve início em 2015. “Hoje, eu percebo que esses artistas são também pais de família, têm preocupações e sonhos como todo mundo. Eles apenas têm um estilo de vida próprio”, analisa o estudante Danton Delano Borges Souza.

Danton participou ativamente da pesquisa que teve como objetivo conhecer melhor essa realidade. “A partir desse conhecimento, buscamos contribuir para a valorização profissional desses artistas e conscientizar a sociedade da importância de tal atividade, visto que representa de maneira criativa a identidade de nosso povo, enriquecendo a sua cultura e o seu modo de viver, além de gerar o sustento para a própria vida”, explica a professora Telma Maria dos Santos Nascimento.

O estudante Danton, por exemplo, se surpreendeu com a descoberta de que os artistas não querem uma intervenção do Poder Público, criando, por exemplo, um espaço fixo para a sua arte. “Esse é o padrão de trabalho deles e é assim que querem ser valorizados”, afirma. Como mais um resultado da iniciativa, um grupo de grafiteiros foi convidado para realizar intervenções na escola, dentro do #Grafitaê, outro projeto da Secretaria de Educação do Estado.

Jardins de flores e alimentos são plantados em espaços públicos

Aproveitar melhor os espaços públicos, como as escolas e outras instituições, para a produção de flores, hortaliças e frutas, além de cultivar plantas nativas, é o principal objetivo do projeto “Jardim Produtivo – Uma Alternativa de Melhoria na Alimentação e Qualidade de Vida”. A ação está sendo desenvolvida pelos alunos do curso de Agricultura do Centro Territorial de Educação Profissional do Sertão do São Francisco, em Juazeiro. “Com o projeto, queremos levar aos alunos conhecimentos técnicos da agropecuária, com uma abordagem agroecológica. A ideia é que eles se tornem multiplicadores desse conhecimento, aplicando a técnica em suas casas, por exemplo”, explica o professor José Valdo Santana Bezerra, que orienta o projeto.

A iniciativa prevê a instalação em cada unidade escolar, de acordo com o espaço disponível, de um Jardim Produtivo com pomar, árvores para estacionamento, plantas nativas da Caatinga, flores, hortaliças e uma composteira para a produção de adubo orgânico. “Também poderá ser explorada a criação de ovinos e será instalado um minhocário para a produção de húmus”, afirma o professor.

O projeto já foi implantado em duas escolas de Ensino Fundamental da região. “O Jardim Produtivo também serve de ferramenta para estudos interdisciplinares e de cooperação em projetos coletivos e permite que os estudantes tenham a compreensão da importância de uma alimentação equilibrada para a saúde”, conclui o professor José Valdo.

Sistema eficiente de irrigação é desenvolvido a partir de lixo eletrônico

Um sistema capaz de controlar remotamente a irrigação agrícola usando aparelhos celulares antigos, que seriam descartados, foi a solução encontrada por dois estudantes de Informática do Centro Territorial de Educação Profissional do Sertão do São Francisco II Antônio Conselheiro, em Uauá, para promover o reaproveitamento de eletrônicos e a redução do uso de água na agricultura. Eles desenvolveram o projeto batizado de Sistema de Irrigação Eficiente - Solução Inteligente para o Reaproveitamento do e-Lixo. “Foram três anos desenvolvendo esse projeto que tem extrema relevância, pois limita o uso de água”, explica o estudante Ruan Neves, que participou no desenvolvimento o projeto.

O estudante, hoje, cursa a faculdade de Publicidade e Propaganda, mas ainda está ligado ao projeto. “Sempre conversamos sobre aperfeiçoar e patentear esse sistema, pois ele se mostrou muito eficiente”, conta. “Nosso projeto ficou dois anos seguidos em primeiro lugar em Inovação e Engenharia na feira regional do CETEP II”, orgulha-se.

O projeto, sempre um destaque nas feiras regionais, foi orientado pelo professor de Matemática, Eduardo Silva Cardoso. “Os principais objetivos eram aprimorar meios na reutilização do e-lixo como fonte de renovação e dar mais importância ao uso correto das fontes hídricas”, diz o professor. Ele explica que o sistema funciona com a função de despertador dos telefones celulares, que inclusive podem ser recarregados com energia solar. “O alarme será responsável pelo processo remoto de controle, acionando a irrigação em horários distintos e controlando o tempo possível de determinada irrigação” explica.

Arraial D’Ajuda ganha guia gastronômico alternativo

Famoso pelas praias paradisíacas, Arraial D’Ajuda, em Porto Seguro, também é um local reconhecido pela sua gastronomia variada e sofisticada. Mas os alunos do curso de Técnicas de Serviços de Restaurante e Bar, do Colégio Estadual Antônio Carlos Magalhães, em Porto Seguro, detectaram que os roteiros gastronômicos estavam restritos às áreas mais nobres, divulgadas pelos guias tradicionais. Para incluir nesse roteiro outros estabelecimentos, eles criaram o projeto “Guia Gastronômico Alternativo do Arraial D’Ajuda”. Para isso, 18 alunos percorreram vários bairros para mapear novos estabelecimentos que, mesmo sendo mais simples, tinham cardápios interessantes e produtos de qualidade. “Já fizemos um modelo de guia, mais rústico, e esperamos poder imprimir e distribuir esse material”, explica a professora Michele Luz, que orientou o projeto.

Cooperativa estudantil dissemina conhecimentos sobre economia solidária

Os estudantes do Centro Territorial de Educação Profissional do Sertão do São Francisco, em Juazeiro, estão aprendendo na prática o que é o cooperativismo. Para isso, eles criaram uma cooperativa informal na própria escola, a Coopeagro, uma das ações do projeto “Divulgando o Cooperativismo”, desenvolvido pela turma do 3º ano do curso de Agropecuária. “Aqui, os estudantes terão a oportunidade de desenvolver habilidades empreendedoras e o convívio em grupo”, avalia o professor José Valdo Santana Bezerra. “Trabalhar o cooperativismo é um desafio e uma oportunidade; os nossos estudantes são desafiados a vivenciar o cooperativismo na prática”, completa.

Além dessa atividade, o projeto inclui, ainda, pesquisas sobre o tema, a elaboração de um questionário que será aplicado nas cooperativas de Juazeiro, por telefone e e-mail, a produção de material informativo sobre o cooperativismo, como telejornal, teatro, banner e folder, a produção de jogos educativos e a organização de um seminário com a presença de cooperativas de Juazeiro. “Os alunos também vão produzir uma página na internet e o projeto será apresentado na Feira de Oportunidades Tecnológicas do CETEP”, explica José Valdo.

“Esperamos que ao final desse projeto os alunos compreendam a importância das cooperativas para o desenvolvimento econômico da cidade, do país e do mundo, desenvolvendo posturas mais solidárias e colaborativas, tornando-se cidadãos menos individualistas, motivados para a participação e a ação coletiva”, analisa o professor.

INTEGRAÇÃO FAMÍLIA ESCOLA


Projeto pedagógico valoriza a cultura Pataxó

O estudante Kefas Matos, 18, 3º ano do Ensino Médio, do Colégio Estadual Indígena Coroa Vermelha, no município de Santa Cruz Cabrália, na região sul da Bahia, alimenta um forte sentimento de pertencimento à cultura indígena. Não por acaso, ele se encantou pelo projeto Korihé, desenvolvido desde 2015 e protagonizado pela turma do curso técnico de Administração, com o objetivo de mobilizar a comunidade escolar para participar de um trabalho de pesquisa e investigação da cultura Pataxó, dentro dos princípios da Educação Ambiental e da sustentabilidade, a partir de uma abordagem pedagógica que enaltece os valores de cooperação, autonomia e participação.


Protagonizado pelos estudantes, o projeto Korihé consiste na criação de estratégias socioambientais visando à transformação do ambiente escolar em um espaço para a troca interdisciplinar, com o envolvimento não somente da comunidade escolar, mas também dos pais de alunos e das lideranças locais. O estudante Kefas explica que a atividade pedagógica é um importante instrumento para a valorização da cultura dos povos indígenas e a afirmação da sua diversidade étnica, bem como para o fortalecimento das práticas socioculturais e da língua materna, através da Educação Indígena.

“Acho muito bacana a iniciativa, porque nós, estudantes, protagonizamos o projeto que consiste em colocar a mão na massa, arborizando, cultivando e preservando o meio ambiente, além de dialogarmos sobre temáticas ligadas à nossa cultura Pataxós. O interessante é que, hoje, percebo um novo olhar para a escola, que passou a ser um ambiente mais prazeroso. Ou seja, melhoraram o nosso comportamento, o nosso diálogo com a direção da escola e o contato da escola com a comunidade local”, analisa Kefas.

A aluna Singrid Palubi, 19, 3º ano, também fala sobre a importância do projeto e do envolvimento coletivo na ação. “O Korihé está sendo uma atividade muito gratificante e criativa, carregada de personalidade, a exemplo das pedras que pintamos para cercar as árvores plantadas, sendo uma forma de inserirmos a arte no projeto. O trabalho, portanto, nasceu com o objetivo de nos ensinar sobre como cuidar melhor do meio ambiente e da nossa escola, que é comunitária, e tem cumprido bem esse papel. Hoje, sentimo-nos mais conscientes”, revela.

A professora de Língua Portuguesa e Geografia, Adil Moreira, ressalta que, sendo a escola um espaço onde os educandos dão sequência ao seu processo de socialização, é fundamental o papel da Educação Ambiental, principalmente na questão de sustentabilidade na formação de jovens responsáveis. “Este tema é tratado aqui de forma sistemática e transversal em todas as séries do Ensino Médio, fazendo com que os conteúdos ambientais envolvam todas as disciplinas do currículo e se interliguem com a realidade da comunidade Pataxó, para que os alunos percebam a correlação dos fatos e tenham uma visão integral do mundo em que vivem”.

INTEGRAÇÃO FAMÍLIA-ESCOLA – O projeto Korihé foi dividido em três etapas: Por uma Escola Sustentável: Floresça Onde Está Plantado (2015); Bálsamo: no Cheiro, nas Dores e nos Sabores (2016); e Cidadania Planetária (2017). A culminância dessa última fase ocorrerá hoje, quando serão organizadas salas-ambientes para as apresentações de atividades pedagógicas de expressão artística e cultural Pataxó, bem como atividades que promoverão reflexões sobre a necessidade de preservação do meio ambiente e da sustentabilidade e, principalmente, o aproveitamento das áreas para cantos educativos.

O diretor da unidade, Railson Sena Conceição, lembra que o pontapé inicial da atividade foi a convocação dos pais de alunos para abrir o diálogo sobre temas diversos, voltados para a realidade local, como sustentabilidade, cidadania, processos históricos e identidade. “Eles se envolveram nos debates e nas reuniões e, além disso, ajudaram na construção da horta da escola, e, como pessoas mais velhas, ensinaram aos seus filhos indígenas os costumes do seu povo, a exemplo do poder da cura das ervas medicinais”.

A participação do tripé escola-família-comunidade, completa o gestor, consolidou a proposta de transformar o Colégio Estadual Indígena Coroa Vermelha em uma escola indígena cultural sustentável. “A qualidade do relacionamento escola-família determina muito o que os estudantes serão quando adultos, do ponto de vista da aquisição de valores, visão de mundo, práticas sociais, significativas e transformadoras. Acreditamos em uma escola inclusiva, que respeita os direitos humanos e a qualidade de vida e que valoriza a diversidade dentro de uma unidade diferenciada”, afirma o gestor.

Alfabetização na Idade Certa garante o direito de aprender das crianças

Um olhar pedagógico diferenciado dos professores para o processo de alfabetização vem rendendo resultados positivos nas escolas das redes municipais. Os educadores acreditam que esta nova realidade se deve à parceria do Governo do Estado com os municípios, através do Educar para Transformar – um Pacto pela Educação. O direito de aprender, dentro de uma política de alfabetização com o letramento das crianças até oito anos de idade, como reza o programa estadual, tem nas escolas municipais Renascer, em Guaratinga, e José Victor Figueiredo, em Eunápolis, ambas localizadas no Extremo Sul da Bahia, exemplos positivos de que o regime de colaboração está dando certo.

É dentro dessa perspectiva que a professora Adrielle Carvalho, da Escola Municipal Renascer, em Guaratinga, fala sobre o “novo jeito” de alfabetizar os seus alunos. “Já faz seis anos que estou inserida no Pacto pela Educação e, desde então, mudei completamente a minha prática em sala de aula. O programa me trouxe a reflexão da construção do saber, na qual os alunos são atendidos de acordo com as suas necessidades e a sua realidade, a partir de um diagnóstico dos níveis da escrita. É um trabalho lúdico, encantador, que envolve leitura e oralidade, através de contação de histórias e jogos, entre outras ferramentas”. Além disso, completa a educadora, o suporte do material didático está inspirando práticas pedagógicas e de leitura nas salas de aula, como o cantinho de leitura, que estimula a contação de histórias dessas obras. As formações para os professores alfabetizadores, segundo Adrielle, contribuem igualmente para o sucesso do programa.

A professora Inaiara Soares, da Escola Municipal José Victor Figueiredo, em Eunápolis, também conta a sua experiência com o Pacto pela Educação. “Estou no programa desde o início, em 2011, e, a cada dia, gosto mais da proposta de alfabetizar as crianças através de um método mais amplo e interdisciplinar, com o suporte de um rico material didático que aborda os conteúdos a partir de sua realidade, o que traz mais motivação para eles. A capacitação que os técnicos da Secretaria da Educação do Estado nos oferecem é outro momento enriquecedor de aprendizagem e de troca de experiências, por meio do qual podemos nos preparar para contribuir com o trabalho pedagógico de aperfeiçoamento da Educação nos municípios, além de fortalecer a rede de assistência técnica no que se refere à gestão, ao currículo e às diretrizes”, relata. O resultado do trabalho, afirma a alfabetizadora, “é um processo de alfabetização mais consolidado e gratificante para todos”.

PACTO PELA EDUCAÇÃO - Iniciado em 2011, o Programa Estadual de Alfabetização na Idade Certa é uma parceria do Governo do Estado com os municípios baianos para garantir a alfabetização, com letramento, de todas as crianças até oito anos de idade, elevando a qualidade da Educação Básica nas escolas públicas da Bahia. Mais de 880 mil crianças até oito anos estão sendo beneficiadas pelas ações desenvolvidas pela Secretaria da Educação do Estado em regime de colaboração com os 413 municípios baianos que aderiram ao Programa Educar para Transformar – um Pacto pela Educação, do Governo do Estado, visando garantir a alfabetização, com letramento, das crianças na idade certa.

No âmbito do Programa Educar para Transformar, a Secretaria da Educação do Estado ampliou o programa em 2015, garantindo a formação continuada e o acompanhamento dos orientadores de estudo, coordenadores pedagógicos e professores. Ainda como parte das ações de apoio aos municípios, a Secretaria da Educação promove o acompanhamento e o monitoramento sistemático aos municípios e às salas de aula para a identificação das demandas de aprendizagem. A produção e a distribuição de materiais didáticos e livros didáticos de autores baianos, referenciados na realidade da Bahia e ligados aos componentes curriculares Língua Portuguesa e Matemática para estudantes e professores do ciclo inicial, também têm sido ações colaborativas do Estado com os municípios, bem como a ampliação do programa com a formação dos professores que atuam nas turmas de 4º e 5º anos, ciclo complementar à alfabetização.

Mais de 1,5 milhão de pessoas já foram alfabetizadas pelo TOPA

Foto de Evana e Lorrane KarineCom o caderno e o lápis nas mãos, a dona de casa Aliete Fernandes, 54 anos, tem motivos de sobra para orgulhar-se de si. Depois de quase quatro décadas sem frequentar uma sala de aula, ela se encorajou e voltou a estudar na Escola da Comunidade da Bica, na zona rural do município baiano de Eunápolis. Agora, ela é aluna do Todos pela Alfabetização (TOPA), programa do Governo do Estado que já beneficiou 1,5 milhão de jovens acima de 15 anos, adultos e idosos desde que foi implantado, em 2007. O antigo sonho de ler e escrever se concretiza através de uma nova oportunidade de aprendizado, que promove entre os beneficiados do TOPA o resgate da cidadania e o aumento da autoestima, bem como a reinserção social e o ingresso no mundo do trabalho.

Resiliente, certa de que “tudo tem o seu tempo”, dona Aliete fala de sua determinação de retomar os estudos e da importância do TOPA na sua vida. “Conheci o TOPA por intermédio da professora Aurenice, que veio aqui para nos instruir, e eu lhe agradeço muito. Esse é um projeto de Deus e espero que ele prossiga. A importância desse programa, em minha vida, é muito grande, porque eu sempre escutei no programa da Escolinha do Professor Raimundo que é na escola que a gente nasce e aprende a viver, e é isso que eu quero para mim. Depois que tomei a atitude de vir estudar, de querer abraçar a causa, mudou tudo na minha vida e, hoje, me sinto outra pessoa. Há mais de 35 anos que eu não frequentava uma sala de aula. Eu estudei só a alfabetização e não deu para concluir, na época. Agora estou começando tudo de novo para me valorizar”, depõe, emocionada.

Dona Seilza Barbora Souza, 49 anos, também é uma entusiasta do TOPA. Ela conta que conheceu o programa através de uma propaganda na rádio de sua cidade. “Ouvi falar muito desse programa que o governo lançou e fui influenciada a participar por uma colega. Poder saber escrever meu nome e conhecer o alfabeto é bom demais e muito importante para a minha vida. Cheguei a frequentar salas de aula, mas só agora pude conhecer de verdade as letras do ABC”, revela, igualmente comovida. Mais jovem, Maria Nunes dos Santos, 28 anos, conta que, como dona Aliete, o TOPA chegou até ela através da professora Aurenice. “Ela e o meu esposo me incentivaram a frequentar as aulas do programa, que acabou tendo uma grande importância nas nossas vidas, pois, mesmo já tendo frequentado uma sala de aula, é aqui que estamos aprendendo a ler, de fato. Hoje, nos sentimos mais gente”, diz, orgulhosa.

Testemunhando os depoimentos de suas alunas, a alfabetizadora Aurenice Sampaio não contém a emoção e declara o seu amor ao ofício e ao TOPA. “Faço parte do Programa Todos pela Educação, há cinco anos, com muita satisfação. Faço o que gosto e sou orgulhosa da minha atividade. Para mim, educar é muito importante, mas alfabetizar as pessoas que não tiveram a oportunidade de estudar na idade certa é tudo, e é o que mais gosto de fazer, porque sinto uma gratificação pessoal”, assegura a educadora e estudante do curso superior de Pedagogia.

TOPA – Com dez anos de existência, completados em agosto deste ano, o Todos pela Alfabetização funciona por meio de uma parceria do Estado com as prefeituras municipais, entidades dos movimentos sociais e sindicais e universidades públicas e institutos de Educação sem fins lucrativos. Cada etapa do programa TOPA tem a duração de oito meses, o que equivale a 360 horas/aula. A décima etapa do TOPA, iniciada no último dia 7 de agosto, com o término previsto para abril de 2018, beneficiará cerca de 15 mil baianos. As aulas acontecem de segunda a quinta-feira, com 2,5 horas-aula ou de segunda a sexta, com 2 horas/aula. Os municípios que ainda apresentam alto índice de analfabetismo são os principais beneficiados.

Com significativo alcance social, o TOPA já conquistou o Prêmio Darcy Ribeiro, concedido, anualmente, pela Comissão de Educação e Cultura e pela Mesa Diretora da Câmara dos Deputados. O programa na Bahia também já conquistou a Medalha Paulo Freire, concedida pelo Ministério da Educação (MEC), em reconhecimento a experiências exitosas na Educação de Jovens e Adultos no Brasil. A eficácia e o alcance social do programa também foram atestados pelo Instituto Paulo Freire.

PROJETOS PEDAGÓGICOS


Estação dos Saberes dinamiza o processo de ensino e aprendizagem

Nos Complexos Integrados de Educação (CIE), os estudantes têm a oportunidade de vivenciar práticas pedagógicas mais inovadoras por meio de oficinas e projetos, envolvendo arte, esporte e cultura. Uma dessas ações é a Estação dos Saberes, uma atividade pedagógica dinâmica, na qual todas as áreas do conhecimento são trabalhadas ao longo do ano letivo, de forma interdisciplinar, a partir de conteúdos variados. Com isso, os alunos absorvem os conteúdos das disciplinas regulares do currículo, de forma mais fácil e lúdica, como ocorre no CIE de Porto Seguro (CIEPS), localizado no Extremo Sul da Bahia.

Através das oficinas da Estação dos Saberes, os estudantes dos complexos são envolvidos em ações pedagógicas que englobam a iniciação científica e a intervenção de práticas sociais, a partir de uma parceria entre a Educação Básica e as instituições de Ensino Superior. Além disso, os alunos se envolvem com arte, esporte e cultura e, de maneira prática e lúdica, absorvem os conteúdos das disciplinas regulares do currículo. É o que atesta a estudante do CIEPS, Letícia Abarca, 18, do 3º ano. “Sinto-me muito motivada, pois encontrei aqui uma maneira dinâmica e prática de aprender os conteúdos das disciplinas regulares, como Química Sustentável e Artes Visuais, que são as duas oficinas que estou cursando atualmente. Estou aprendendo, na prática, a produzir desde iogurte e queijo até sabão e amaciante”, revela a aluna, que pretende ser professora de Química.

O colega Anthony Caetano, 17, do 3º ano, também envolvido com a Estação dos Saberes, optou pelas oficinas de Imagens, Espanhol, Xadrez e Paisagismo. “Este projeto tem contribuído muito para o meu desenvolvimento acadêmico porque, em vez de aulas monótonas, aprendemos os conteúdos de uma forma lúdica e criativa. Isto nos dá um senso de integração e coletivização de informações, já que convivemos com colegas de diversas séries, pois o trabalho é multisseriado”.

INICIAÇÃO CIENTÍFICA E INTERVENÇÃO SOCIAL - As oficinas da Estação dos Saberes consistem em uma ação pedagógica que engloba atividades de iniciação científica e intervenção de práticas sociais, organizadas dentro da carga horária escolar e têm os seus temas definidos através de sugestões de alunos, professores e parceiros pedagógicos. Realizadas trimestralmente de forma multissérie e interdisciplinar, as oficinas dinamizam o ambiente escolar e promovem o protagonismo estudantil a partir de temas como teatro; planejamento estratégico de carreira; jogos esportivos e recreativos; Química sustentável no cotidiano; espaço de convivência, artes visuais; jogos pedagógicos; horta e paisagismo; grafitismo; fotografia; turismo e globalização.

FORTALECIMENTO PEDAGÓGICO - Implementados no final de 2015, a partir de uma parceria da Secretaria de Educação do Estado da Bahia (SEC) com a Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) e a Universidade Estadual da Bahia (UNEB), os Complexos Integrados de Educação (CIE) são unidades que ofertam Educação Básica e Ensino Superior no mesmo espaço, com o objetivo de desenvolver novas metodologias de aprendizado, integrando estudantes e professores da Educação Básica e Superior.

Atualmente, a Secretaria da Educação do Estado mantém os Complexos Integrados de Educação de Porto Seguro, Itamaraju e Itabuna (em parceria com a UFSB) e de Ipiaú (em parceria com a UNEB). “Esse trabalho é fundamental, pois apresenta para o estudante assuntos de forma lúdica, o que torna o aprendizado mais dinâmico e prazeroso. Essa atividade tem atraído ainda mais o aluno para a escola e mostra a importância dos Complexos Integrados na busca do fortalecimento das novas metodologias pedagógicas”, destaca o diretor do CIEPS, Caetano Sacramento.

Estudantes produzem protetor solar caseiro a partir de projeto de intervenção social

No município baiano de Casa Nova, no Semiárido nordestino, o sol bate “sem dó nem piedade”, como diz a população local. Por conta da forte incidência solar, é constatado um alto índice de câncer de pele na região. Os estudantes George dos Santos, Anna Cruz e Quesia Santana, integrantes do Programa do Ensino Médio Inovador (PROEMI), do Centro Educacional Antônio Honorato, após darem conta do fato, partiram para o desenvolvimento de um projeto de intervenção social com o objetivo de informar as comunidades escolar e local sobre os efeitos dos raios solares, bem como estimulá-los à mudança de comportamento, a começar pelo uso do protetor solar, feito por eles à base de óxido de zinco, que se mostrou eficaz devido ao seu baixo custo, sendo mais acessível para as pessoas de baixa renda.

A estudante Quesia Santana Souza, 17, conta que a experiência foi gratificante porque ajudou a despertar, entre os colegas, a necessidade de cuidados com a saúde, a começar pela pele. “No início da nossa pesquisa, constatamos que 85% dos alunos não usavam protetor solar e nenhuma outra forma de proteção e apenas 5% usavam o produto diariamente. Observamos, também, que as pessoas com mais de 40 anos se protegem mais do sol que os jovens. Após a palestra de conscientização que promovemos, fizemos uma nova pesquisa entre os alunos e podemos observar que 20% começaram a se proteger após conhecer os perigos da exposição ao sol e que 40% não usavam o protetor solar por custar caro”, revela a aluna.

Diante da constatação, os estudantes buscaram estimular a adoção de medidas preventivas eficazes contra o câncer de pele, que costuma aparecer depois dos 35 anos e após uma vida inteira de exposição ao sol. Foi assim que eles decidiram se aprofundar nas pesquisas e desenvolveram um protetor solar caseiro, à base de óxido de zinco. Ao descobrirem que essa substância química é eficaz contra os raios UV, os estudantes partiram para a confecção do protetor solar. A receita leva ½ xícara de óleo de coco, ½ xícara de azeite e ½ xícara de cera de abelha. Os alunos explicam que o fator de proteção vai depender da quantidade de óxido de zinco utilizada. Ou seja, cada colher da substância equivale ao fator 10. Os ingredientes são levados ao fogo, em temperatura branda, até a mistura ganhar consistência cremosa.

“Testamos o produto, que se mostrou eficaz por ser de baixo custo, sendo, assim, mais acessível para as pessoas de baixa renda. Precisamos aprimorar, ainda, a mistura, para atingirmos uma cremosidade menos oleosa”, conta Quesia, afirmando que o experimento já foi difundido na Feira de Ciências da escola e, agora, eles estão tentando levá-lo para a Feira de Ciências, Empreendedorismo e Inovação da Bahia (FECIBA), que acontecerá, provavelmente, em outubro, em Salvador.

A professora orientadora dos alunos, Andrea Passos Castro, que leciona as disciplinas Química e Inovação Científica, explica que o projeto foi iniciado em 2015, com a realização de uma pesquisa bibliográfica em livros e sites sobre o tema abordado. “O trabalho envolveu, também, as famílias e a população em geral, através de ações de conscientização, como palestras e visitas a campo, em relação aos cuidados essenciais com a proteção da pele”.

Inclusão social motivou a criação de projeto escolar

A arte é trabalhada pelos estudantes do Colégio Democrático Estadual Professora Florentina Alves dos Santos, no município de Juazeiro, como um instrumento de inclusão social. O projeto “Visão Além do Alcance” é um exemplo da concepção de que é possível promover uma melhoria na qualidade de vida das pessoas com deficiência visual através de uma ação pedagógica que as insira no universo das artes. O trabalho, protagonizado pelos estudantes Iariel Gomes e Queliane Silva, ambos do 3º ano, e aberto à comunidade do entorno, teve como proposta a construção de quadros táteis associados ao cheiro e ao som, além de cores e formas, propiciando uma condição para que os deficientes possam utilizar outros sentidos humanos, no caso, o olfato e a audição.

Vencedor da Primeira Mostra Científica do Vale do São Francisco e selecionado para a próxima edição da Feira de Ciências, Empreendedorismo e Inovação da Bahia (FECIBA), o projeto “Visão Além do Alcance” teve como principal objetivo criar um ambiente artístico e cultural voltado para a inclusão de deficientes visuais no mundo das artes, possibilitando a eles o acesso a exposições de quadros “multissentidos” em alto relevo, com som narrativo do desenho e com um cheiro característico. As flores foram o tema escolhido, pois, segundo os estudantes, “as suas essências vibracionais inspiram a mente e despertam emoções”. O trabalho foi apresentado na feira de ciências da escola, no ano passado, que foi aberta aos deficientes visuais da comunidade local.

O estudante Iariel lembra que tudo começou como um mero projeto escolar, que ficaria restrito à avaliação interna do professor orientador e ao usufruto da comunidade escolar. “Mas assim que entregamos o trabalho para o nosso professor, Marcos Oliveira, ele ficou surpreso e quis discutir sobre uma forma de aprimorá-lo. Foi a partir daí que eu e Queliane buscamos incrementá-lo com uma essência e um aparelho eletrônico narrando o que tinha acontecido na tela para que viesse a contribuir na inclusão dos deficientes físicos visuais através da arte”, conta Iariel.

O projeto consiste em um quadro “multissentidos”. Os estudantes explicam que nele há uma flor com pétalas feitas com tecido e espuma e seu caule é feito com massa corrida. “Nós colocamos essência de flores e um fone de ouvido conectado a um aparelho reprodutor de áudio que narra o que há na tela para que haja uma experiência ainda mais completa”, relata Iariel. Queliane completa: “Esse projeto é muito especial, pois visa expandir a arte de modo que todos tenham contato com a mesma”.

O professor Marcos Oliveira fala sobre a importância de projetos como o de Iariel e Queliane para a inclusão social. “Buscamos construir quadros que reunissem formas possíveis de ser tateadas, que possuíssem um determinado odor e que tivessem uma narrativa da forma exposta, propiciando, assim, a independência do deficiente visual na hora da exposição”.

Para a realização do projeto foram utilizados tela de pintura, retalhos de tecido, pincel, tinta e massa corrida de construção civil para dar contornos às folhas e ao caule da flor, além de equipamento eletrônico de gravação de voz e essência de rosa. Os estudantes foram estimulados a pintar quadros em alto relevo para ampliar a exposição”, detalha Marcos Oliveira.

Fanfarras estimulam o protagonismo juvenil e contribuem para a melhoria do rendimento escolar

Ambiente de aprendizagem, solidariedade e incentivo ao protagonismo juvenil. Assim são as fanfarras escolares da rede estadual, que a partir de um trabalho de disciplina e educação artística promovem uma estreita relação entre as comunidades escolar e do entorno. No município baiano de Juazeiro, por exemplo, a Banda Marcial (BAMAFC), do Colégio Estadual Antonilio da França Cardoso, e a Fanfarra Águia de Haia (FANAH), do Colégio Estadual Rui Barbosa, são referências culturais para a comunidade local. Esses grupos escolares musicais estão à frente dos desfiles em datas especiais na cidade, como em 7 de setembro, e se apresentam, ainda, em campeonatos intercolegiais.

Os estudantes que participam dos grupos musicais escolares testemunham que atuar neles vai além dos desfiles cívicos e campeonatos. Eles são responsáveis, sobretudo, por transformações positivas em sua vida escolar e no cotidiano. Elias Vlantan, 15, 7ª série, do Colégio Estadual Antonilio da França Cardoso, conta que vir a ser um dos 51 músicos da fanfarra Banda Marcial foi um dos melhores acontecimentos de sua vida. Participando desde 2011 e, atualmente, como trompetista, ele revela que hoje tem outro comportamento na escola e em casa.

A colega Laysla Oliveira, 13, 7ª série, também fala com entusiasmo da oportunidade de participar da fanfarra da escola, embora só tenha entrado nela há três meses. “O poder transformador da música e da educação é incrível. Hoje, já me sinto uma pessoa mais tranquila, menos irritada e mais comprometida com os estudos. Confesso que não gostava muito de ler e minhas notas não eram muito boas. Hoje, todos se mostram surpresos com as minhas mudanças de atitude e de comportamento”, revela a aluna, que, na banda, cumpre o papel de mor, cuja função é orientar os músicos durante o trajeto percorrido.

O professor de Música e regente da Banda Marcial, Rogério de Souza, ressalta que a fanfarra da escola foi formada a partir de um trabalho realizado com as famílias para que seus filhos despertassem para a música. “O projeto com a fanfarra é inclusivo e trabalhamos com a autoestima dos participantes. Isto trouxe muita motivação para esses estudantes, que ganharam mais responsabilidade e passaram a se comportar como embaixadores da escola, em apresentações no próprio colégio e em outros onde somos convidados a tocar, em desfiles cívicos e em eventos comemorativos, como o São João e o Dia das Mães”, relata.

SOCIOEDUCATIVO - No Colégio Estadual Rui Barbosa, em Juazeiro, a Fanfarra Águia de Haia (FANAH) se destaca, também, pelo papel socioeducativo que exerce na comunidade escolar e no seu entorno. O estudante Vinícius Paixão, 19, 3º ano, trompetista do grupo desde 2015, fala de seu orgulho de ser integrante da banda. “Sou muito feliz de atuar na fanfarra porque tocar junto aos meus colegas transformou a minha vida. Antes, eu ficava de bobeira, sem ter o que fazer e me sentia irresponsável por isso. Participar da banda me fez uma pessoa mais comprometida com os estudos, tanto que melhorou bastante o meu rendimento escolar. Aliás, ser um bom aluno é pré-requisito básico para continuar no grupo”.

O diretor do Colégio Estadual Rui Barbosa, Rogério Rodrigues, ressalta que no próximo dia 7 de setembro, a Fanfarra Águia de Haia completará 50 anos de fundada, com 70 integrantes. O gestor conta que a banda começou, em 1967, com apenas nove alunos para o hasteamento da bandeira do Brasil nas dependências do colégio, em homenagem à Independência do Brasil, no 7 de setembro. “Com o passar dos anos, devido à dedicação e ao entusiasmo dos integrantes e do maestro, a fanfarra foi se desenvolvendo e passou a abrilhantar os desfiles cívicos e as competições da nossa cidade, da região e também a ganhar títulos e premiações em competições regionais e estaduais”, destaca.

Ainda segundo o gestor, o grupo também exerce um importante trabalho social, contribuindo não apenas com a formação musical, mas também com a formação de caráter, formando cidadãos para a vida e oportunizando uma profissão de músico, bailarino e coreógrafo. “Como ex-aluno do Rui Barbosa e ex-componente da FANAH, sinto-me honrado em ter feito parte dessa história e, hoje, como diretor da escola, fico feliz, pois tenho a real compreensão do quanto a fanfarra contribuiu e contribui para a formação dos nossos alunos”.

Protagonismo estudantil é a marca dos projetos de arte e cultura da rede estadual

Mariano da Silva, aluno do EJA, também

Os estudantes da rede estadual dinamizam o ambiente escolar com os preparativos para mais uma etapa dos projetos de arte e cultura, desenvolvidos pela Secretaria da Educação do Estado, desde 2007. No Colégio Estadual Luís Cabral, no município de Canudos, Mariano da Silva, 48, estudante da Educação de Jovens e Adultos (EJA), não esconde o orgulho de ter sido classificado, no ano passado, para a fase regional do Festival da Canção estudantil (FACE). “Este ano, já participei da etapa escolar e espero, novamente, passar para a regional, que acontecerá em Juazeiro, e, quem sabe, alcançar a estadual, em Salvador. É um sonho!”, revela o aluno, que concorre com a canção de sua autoria intitulada “O Recado da Natureza”.

É com esse espírito de competição saudável entre os colegas que os estudantes participam dos projetos culturais estruturantes, realizados há dez anos na rede estadual. Além do FACE, são eles: Tempos de Arte Literária (TAL); Artes Visuais Estudantis (AVE); Educação Patrimonial e Artística (EPA); Mostra de Dança Estudantil (DANCE); Produção de Vídeos Estudantis (PROVE); Encontro de Canto Coral Estudantil (ENCANTE); Festival Estudantil de Teatro (FESTE); e Fanfarras Escolares. Com o objetivo de incentivar o protagonismo estudantil e a diversificação dos saberes nos currículos escolares, as experiências estudantis mobilizam a comunidade escolar de diversas unidades do interior do Estado. Depois de passarem pelas seletivas escolares, os projetos passam para as fases regional e estadual.

A diretora do Colégio Luís Cabral, Josileide Varjão, fala da importância dos projetos de arte e cultura. “Participamos deles desde o começo e vencemos na etapa estadual do FACE, em 2010. Esses projetos mobilizam a escola, revelam talentos e aumentam a autoestima dos nossos estudantes, sem falar que fortalecem o processo de ensino e aprendizagem, porque os estudantes mergulham em pesquisas que lhes trazem uma gama nova de conhecimentos”, avalia..

Josias França, aluno do 2º ano,
e sua banda participam do FACE Um desses alunos é Josias França, 18, 2º ano do Ensino Médio. Ele diz: “Participar de projetos como o FACE faz com que a gente ocupe o tempo de forma produtiva e saudável, incluindo pesquisas culturais e ensaios. Além disso, diante do compromisso que firmamos, adquirimos mais responsabilidade, o que reflete em um melhor desempenho escolar”.

No Colégio Estadual Antonio Carlos Magalhães (ACM), no município de Itabela, conta o diretor Mauro de Souza, os estudantes realizaram, em meados deste mês, a etapa escolar do FACE, DANCE e AVE. “Desde que assumi a gestão da unidade, em 2006, já realizávamos atividades semelhantes nas áreas de Arte e Cultura, como festivais de música, concursos de crônica e poesias e ações de preservação do patrimônio escolar. A Secretaria da Educação, ao implantar os projetos estruturantes, veio para motivar ainda mais a comunidade escolar, envolvendo atividades pedagógicas interdisciplinares”.

A estudante da unidade, Aline Santos, 16 anos, 2º ano do Ensino Médio, que já participou do FACE e do TAL, no ano passado, conta a sua experiência. “É incrível participar desses projetos porque, além de ganharmos conhecimento em diversas áreas do conhecimento, ainda representamos o nome da nossa escola e melhoramos a nossa autoestima. Passamos a acreditar em nós mesmos”, diz a aluna que, este ano, já foi selecionada para a etapa regional em Eunápolis.

Estudantes reutilizam solados de chinelo em ação sustentável

Os estudantes do curso técnico de Agroecologia, Vinícius Mariano, 17, Nilva Souza, 18, e Gabriela Rodrigues, 17, do Centro Educacional Antonio Honorato, no município de Casa Nova, pensaram em uma atividade que, a partir de uma simples ação, pudesse contribuir para preservar o meio ambiente. Foi assim que surgiu o projeto “Reutilização dos Solados de Chinelos”, que busca evitar a produção de resíduos com a reutilização de solas emborrachadas que iriam para o lixo, através da criativa customização da peça. O trabalho foi apresentado no ano passado na Feira de Ciências, Empreendedorismo e Inovação da Bahia (FECIBA).

Reutilizar um produto que seria descartado significa economizar energia, poupar recursos naturais e trazer de volta o ciclo produtivo do que é jogado fora. Com este pensamento, Gabriela, Nilva e Vinícius partiram para recolher os solados de borracha jogados no meio ambiente. Quando quebradas, as sandálias vão diretamente para o lixo, sendo que a forma correta, consideram, seria reciclar os solados, contribuindo para a sustentabilidade do planeta.

A aluna Gabriela conta que o principal objetivo do projeto é conscientizar a população sobre o reaproveitamento da matéria-prima advinda da borracha, de forma sustentável para o meio ambiente. “Nosso interesse, com o projeto, é incentivar a reciclagem para evitar desperdícios e preservar o meio ambiente, bem como incentivar a criatividade na população como forma de gerar renda”, ressalta.

A professora orientadora Juçana Braga dos Santos conta que foram realizadas oficinas de confecção das “novas sandálias” para conscientizar e ensinar a comunidade do entorno a reciclar ecologicamente. “A partir da coleta de chinelos usados, os alunos confeccionaram novos modelos com tecidos e fitas, conseguidos junto às costureiras do bairro, mostrando que o que poderia ser lixo deixa de ser se utilizado de forma inteligente”, relata. A educadora conta, ainda, que a maioria dos chinelos reciclados foi doada para as pessoas carentes da comunidade.

Simulador de tremor é criado por estudantes para medir a intensidade de terremotos

Jailson Vieira Jr. e o colega Breno Maia, ambos de 18 anos, construíram um equipamento de inovação tecnológica sustentável para identificar os movimentos sísmicos e seus efeitos geográficos e tecnológicos, causados pelo movimento das placas tectônicas (blocos que integram a camada sólida externa da Terra, ou seja, a Litosfera). A atividade é parte do projeto pedagógico “Logaritmos em Escala Richter”, que os estudantes desenvolveram no Colégio Modelo Luís Eduardo Magalhães, em Juazeiro. O objetivo do trabalho é demonstrar a importância desse estudo e apresentar um método eficiente e de menor custo para medir a intensidade de um terremoto nas comunidades de baixa renda afetadas por essas catástrofes.

O grande diferencial do projeto é a ressignificação da unidade escolar de Ensino Médio, para abrigar um modelo de Ensino Integral e em tempo integral, articulado entre a Educação Superior e a Educação Básica. “Os complexos contam com a redefinição dos tempos e espaços pedagógicos aliados à proposição de um ensino sociointeracionista, com a construção do conhecimento baseado em metodologias ativas”, ressalta o reitor da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), José Bites de Carvalho.

Os estudantes utilizaram, na realização do projeto, gráficos, tabelas e simulações sísmicas, a partir de cálculos matemáticos, a fim de mostrar com qual frequência acontecem os abalos sísmicos, provocados pelo choque das placas tectônicas. Para isto, usaram a fórmula de logaritmo, utilizada pela liberação de energia do terremoto (log a c = b sempre que a = c). “Usamos a fórmula para comparar a magnitude de dois terremotos, um de seis e outro de oito graus, todos na escala Richter, que foi criada em 1935, por Charles Richter e Beno Gutenberg, com o objetivo de medir a magnitude de um terremoto”, explica Jailson.

A escala logarítmica (denominada Richter), completa o aluno, possui pontuação de zero a nove graus. A magnitude (graus), no caso, é o logaritmo da medida das amplitudes das ondas produzidas pela liberação de energia do terremoto, que são medidas por aparelhos denominados sismógrafos. Para demonstrar esse processo, a dupla criou três maquetes.

A professora orientadora Davina Neta explica que o projeto visou ampliar o conhecimento da Matemática. “Esse trabalho trouxe um ganho muito significativo no processo de ensino e aprendizagem dos nossos alunos-pesquisadores. Eles foram induzidos a buscar respostas para as hipóteses que levantam em relação aos problemas para os quais buscam soluções. Dessa forma, desenvolvem o raciocínio lógico através da investigação, fazendo um link entre o conhecimento formal e os fenômenos naturais ou do cotidiano”.

Protótipo de gerador LED é fonte alternativa de energia

Com a proposta de mostrar formas de transformar, de maneira simples, o que se considera descartável em inventos de utilidade, visando à redução de lixo, os estudantes Carlos Almeida, 15, e Wilian Leal, 17, do 1º ano do Colégio Estadual Nossa Senhora Auxiliadora, em Uauá, idealizaram o projeto “Eco Gerador LED”. Para a sua construção, os alunos utilizaram materiais de baixo custo, constituintes de lixo eletrônico, como LED de lanternas não mais utilizadas; palitos de picolés e fios; pedaços de fios de cobre, reaproveitando os restos das instalações elétricas; e duas baterias recarregáveis de 2100 e 1800 volts.

Sob a orientação da professora Maria do Carmo da Silva, os estudantes confeccionaram o protótipo de gerador a partir do embasamento teórico em sites de divulgação e artigos científicos. “A metodologia é simples. Usamos a criatividade e a imaginação e, tomando os devidos cuidados para evitar algum tipo de acidente, como cortes, arranhões ou até mesmo choque elétrico, levamos adiante a ideia de criar, com poucos recursos, um aparelho econômico e sustentável para gerar energia para carregar, por exemplo, uma bateria de celular”, relata o aluno Carlos Almeida.

Ainda segundo o estudante, o protótipo oferece uma fonte de energia luminosa potente, com duração satisfatória, cujos resultados foram testados, atendendo às expectativas dos alunos pesquisadores. “Esperamos que a iniciativa sirva de motivação para o desenvolvimento de alternativas favoráveis à geração de energia, utilizando material reciclável, a partir da investigação científica, e para o despertar para o senso ecológico. O nosso objetivo é contribuir para a sustentabilidade do planeta, através da reutilização de elementos considerados lixo”.

Violência contra a mulher é denunciada através de pulseira de Arduino

Durante a pesquisa para a realização do projeto Help the Woman, os estudantes Yanna Marny, Nara Menezes e Edvalson Jr., todos de 18 anos, se debruçaram com episódios chocantes relacionados à violência física e psicológica contra a mulher. Diante dos fatos, os três alunos do Centro Territorial de Educação Profissional do Sertão do São Francisco II Antônio Conselheiro, no município de Uauá, idealizaram um aplicativo que assegurasse às vítimas uma denúncia com total sigilo e instruções para saber agir da maneira correta.

A estudante Yanna explica como foi construído o projeto, que teve a orientação do professor Talysson Cardoso. “Criamos um acessório simples e de fácil uso, a partir da linguagem de programação (C++) que leva a denúncia às autoridades, através de uma pulseira composta por um Arduino (placa de programação); um reconhecedor de voz; luz LED e um módulo GPS. Nossa pulseira tem como público-alvo as mulheres que já foram vítimas de algum tipo de agressão e ainda se sentem inseguras”, relata a aluna. Yanna conta, ainda, que, de acordo com dados da delegacia local, de 300 ocorrências mensais recebidas pela delegacia da cidade, 150 são relativas à violência contra a mulher, enquadradas na Lei nº 11.340/ 2006, conhecida como Lei Maria da Penha, mas a maioria das denúncias é retirada, por pressão dos acusados. “Soubemos de um caso em que o vizinho denunciou o homem por maus tratos contra a sua esposa, mas ela acusou de ser falsa a queixa para que o marido fosse libertado da prisão. É uma realidade surreal”, lamenta.

O vice-diretor pedagógico Saulo Andrade fala sobre o projeto de intervenção social. “A identificação de mulheres em situação de violência é muito importante, porque atos violentos contra o gênero feminino estão crescendo de maneira gritante e a maioria dos casos passa despercebida”. Segundo uma pesquisa divulgada pela Fundação Perseu Abramo em parceria com o SESC (2011), registra o gestor, a cada dois minutos, cinco mulheres são agredidas violentamente no Brasil. Yanna ressalta, ainda, que existe a agressão psicológica, que faz com que a vítima acabe não denunciando o seu agressor por medo das suas ameaças.

Lixo é utilizado na produção de energia

Depois de muitas pesquisas biográficas e observações de campo da situação ambiental por conta do descarte inadequado do lixo, estudantes do Colégio Estadual Monte Pascoal, no município de Eunápolis, perceberam que o problema poderia ser resolvido de forma sustentável e eficiente, através da produção de energia em termoelétricas, utilizando biomassa resultante do lixo urbano. Assim, nasceu o projeto “Energia do Lixo”, com a proposta de utilizar os resíduos sólidos a partir da sua decomposição, transformando-os em gás, por meio de um biodigestor ou através da queima, para produzir energia elétrica.

O estudante Wesley Oliveira de Jesus, 18, fala da experiência com o projeto “Energia do Lixo”: “Fizemos muitas visitas e observamos que o lixo, na nossa cidade, não é descartado de forma correta, o que causa uma série de problemas, como a poluição do ar, do solo, do lençol freático e das nascentes”. Ele e mais sete colegas envolvidos com o experimento montaram a maquete de uma termoelétrica utilizando um bujão de extintor, que funcionou como uma caldeira. Também foram usados fornalha (onde ocorre a queima do gás); motor de computador (turbo gerador), válvula de retenção e placa Peltier para o condensador, entre outros materiais reciclados para a construção da caldeira com capacidade de produzir energia e acender lâmpadas LED.

Além de transformar o vapor em energia elétrica e ascender lâmpadas LED, ocorreu o processo de reciclagem e o reaproveitamento da água que é utilizada em seu funcionamento. “Para reciclar a água, utilizamos um condensador, que permite que o vapor condensado retorne para a caldeira e seja reaproveitado”, atesta Wesley. A professora orientadora Leide Bortolini explica que o projeto - selecionado para ser apresentado na Feira de Ciências, Empreendedorismo e Inovação da Bahia (FECIBA), em outubro - ajudou a esclarecer conceitos de sustentabilidade e preservação ambiental através do conhecimento da realidade local. “Mostramos que, com mudanças de hábitos da sociedade, é possível melhorar o ambiente que nos cerca, ajudando não somente a natureza, mas a comunidade como um todo. Este trabalho possibilitou aos estudantes, também, o acesso a conhecimentos que estão dentro do contexto da sua localidade, como a identificação das principais fontes de energia e a valorização da biomassa do lixo para produzir energia elétrica”.

Energia renovável e geração de renda são focos do projeto de estudantes em Sobradinho

Com foco nas energias limpas e renováveis, geradas pelo vento, água e sol, estudantes da Escola Estadual Maria José de Lima Silveira, em Sobradinho, elaboraram o projeto “Vida Sustentável: Energias Limpas e Geração de Renda”, desenvolvido por estudantes do 1º ano do Ensino Médio. O trabalho de iniciação científica apresenta o potencial da fonte de energia renovável solar como diferencial para a população, visando gerar renda através da geração de energia na própria residência, como forma de redução do consumo. O excedente da transformação da energia seria vendido à concessionária, no caso à COELBA.

A iniciativa teve como objetivo entender, por meio da Matemática, as diversas fontes renováveis de energia, apresentando, de forma interativa, o funcionamento de usinas hidrelétrica e eólica. Maurício Clementino, Patrícia dos Santos e Paulo Henrique Rocha, alunos responsáveis pelo projeto, levaram em consideração que a região tem a maior incidência de raios solares do Brasil durante todo o ano. Isto, ressaltam, faz com que o potencial de energia solar seja um fator diferencial. “A instalação dos painéis de energia fotovoltaica nos telhados das residências contribui, também, para o meio ambiente, pois para a sua instalação, não seria necessário desmatar áreas de Caatinga”, explica Maurício, 17 anos, afirmando que testou a experiência na calculadora e funcionou.

A construção do projeto - que será mostrado na Feira de Ciências, Empreendedorismo e Inovação da Bahia (FECIBA), em outubro - partiu dos estudos nas aulas de Ciências, englobando os conteúdos iniciais da Física, inter-relacionando-os com os de Matemática (sistema de medidas, regra de três, porcentagem). No decorrer, foram realizadas visita à Usina Hidrelétrica de Sobradinho (CHESF) e oficinas pedagógicas para a construção de projetos para a feira de ciências da escola, resultando na construção da maquete e dos equipamentos elétricos com materiais reaproveitados.

O curioso, ressalta a professora orientadora Maria Aparecida Nunes, é que o projeto foi todo construído a partir da realidade do lugar onde moram, que é considerado um município sustentável no campo da energia, por conta da Usina Eólica Pedra do Reino e a Usina Hidrelétrica do São Francisco. “Saímos dos muros da escola para fazer visitas técnicas à Barragem de Sobradinho e à Universidade Federal do São Francisco, o que nos deu um aparato para a fundamentação dos conteúdos. A partir dessas vivências, que provocaram nos alunos a inquietação e um olhar mais apurado, mais questionador, mais científico, partimos para a prática, através de oficinas temáticas”.

Pequenos resíduos sólidos são transformados em objetos de arte e brinquedos

Para onde estão indo as garrafas PET, as embalagens de leite, as garrafas de vidro, as sacolas plásticas, as tampas de garrafas, os palitos plásticos de pirulito, os bocais de caneta e tantos outros pequenos e grandes objetos que poluem e causam danos ao meio ambiente? Sensibilizados com a problemática, os estudantes Luiz Felipe de Jesus, 16, e João Vitor Kruschewsky, 15, do Colégio Estadual Cristina Batista, em Porto Seguro, idealizaram o projeto “Do Lixo à Mais Pura Arte”. Através de oficinas de reciclagem com os resíduos sólidos, eles envolveram as comunidades escolar e local, despertando nas pessoas o interesse pela transformação do lixo em arte, a exemplo de esculturas e brinquedos.

O aluno Luiz Felipe conta que já fazia pequenas esculturas utilizando resíduos sólidos e tinha o desejo de transmitir a sua ideia para os colegas e a comunidade do entorno, visando alertar sobre os prejuízos que o lixo causa à natureza e o potencial do lixo ser transformado artisticamente. “O nosso objetivo foi sensibilizar as pessoas sobre a questão da sustentabilidade e mostrar para elas que com pequenos resíduos, como tampas de garrafa e bocais de caneta, podemos fazer lindos trabalhos como esculturas, além de carrinhos e helicópteros de brinquedo, entre outros”, conta Luiz Felipe.

O colega João Vitor também defende a consciência ecológica como uma forma de cuidar do meio ambiente. “É preciso que as pessoas se conscientizem que um lixo não é apenas um lixo. O resíduo pode trazer sérios problemas para todos, poluindo rios, entupindo bueiros ou sujando as praças. E por que jogá-lo fora de forma inconsequente se ele pode ser transformado em um carrinho que deixaria uma criança feliz? Então, é importante que, desde cedo, as pessoas entendam que o lixo traz problemas para o meio ambiente, mas que, além de reciclado, ele pode oferecer muito mais do que se imagina”.

A professora orientadora Rosicleia Novais enaltece a dedicação dos dois alunos na proposta de sensibilizar as pessoas quanto ao lixo produzido e o seu reaproveitamento. “Com esse trabalho, Luiz Felipe e João Victor conscientizaram a comunidade escolar sobre os danos causados pelo lixo; a importância de reciclar e que, uma vez produzido, o destino dado a esse lixo está em nossas mãos. Portanto o legado deixado é que, hoje, os nossos alunos sabem dos perigos que os pequenos resíduos deixam na natureza e que preservar e conservar ainda é a melhor solução”, pontua a educadora.


CRÉDITOS

Copyright © A TARDE