O especial Raio-X da Educação traz as ações e os projetos desenvolvidos pela Secretaria da Educação do Estado nas 1.282 escolas espalhadas pelos 27 Núcleos Territoriais de Educação (NTE). Aqui, você conhecerá alguns dos projetos desenvolvidos nos NTEs Médio Rio de Contas e Itaparica.

CIÊNCIA NA ESCOLA


Programa Ciência na Escola desperta nos estudantes o interesse pelo conhecimento científico

O programa Ciência na Escola desperta nos estudantes da rede pública estadual o interesse por conhecimentos científicos. Desenvolvido pela Secretaria da Educação do Estado, o projeto tem o objetivo de fazer os estudantes do Ensino Fundamental II e do Ensino Médio colocarem em prática os conhecimentos adquiridos em sala de aula – e expostos durante as feiras de ciências das escolas, assim como na Feira de Ciências, Empreendedorismo e Inovação da Bahia (FECIBA), que é um espaço de exposição científica, de troca e intercâmbio cultural entre as escolas.

Na formação dos professores, o programa Ciência na Escola os capacita para o desenvolvimento de trabalhos transdisciplinares, já que eles passam a lidar com os diversos saberes abordados em sala de aula. Há, ainda, a edição dos livros “Bahia, Brasil: espaço, ambientes e cultura” e “Bahia, Brasil: vida, natureza e sociedade”, que têm o conteúdo organizado de forma integrada, georreferenciado na realidade baiana e com ensinamentos das diversas áreas do conhecimento. Entre os projetos elaborados pelos estudantes dos NTEs do Extremo Sul e da Bacia do Rio Grande estão o de reaproveitamento do óleo de cozinha, reciclagem, agricultura familiar, entre outros.

Placa Arduíno é usada no letramento digital de estudantes

Hoje, o mundo está conectado por diversas tecnologias. Elas fazem parte indissociável da realidade do homem moderno e, por isso, se faz necessário o letramento digital. Trata-se do domínio e da busca de soluções digitais exigidas no uso de novas tecnologias, automação e inteligência artificial. Não à toa, o orientador do Complexo Integrado de Educação de Itamaraju, a 740 km de Salvador, Gustavo Souza de Melo, que leciona Ciências da Natureza, escolheu o tema para trabalhar com seus alunos no Ciência na Escola.

Segundo ele, o projeto os ajuda a entender sobre a programação em placas de software de automação, o que é um resistor, LED, sensor de distância, velocidades, entre outros conceitos. “Trazer a programação para ser estudada e elaborada por alunos do Ensino Médio é um desafio para que a abstração dos conceitos trabalhados pelas disciplinas ligadas às Ciências da Natureza e Matemática seja absorvida na prática, quando aplicados a simuladores e protótipos de automação”, conta Melo.

Para isso, ele e seus alunos escolheram a placa Arduíno, que é de uso livre, com licença “creative commons”. Como os gastos com as placas são altos, a equipe pediu uma placa emprestada aos amigos da escola, para que o trabalho pudesse ser desenvolvido e testado. “A partir daí, usamos a porta USB do computador para passar as informações da elaboração dos programas desenvolvidos. Os estudantes puderam avaliar as estratégias por eles desenvolvidas, corrigir erros na programação e analisar a linguagem empregada, tudo de forma dinâmica”, disse o orientador.

Influenciado pelo projeto, o estudante Guilherme de Almeida Melo, 15 anos, diz que escolheu a carreira que quer seguir: programador de computadores. “Fiquei muito interessado em fazer parte do projeto. Durante o aprendizado, descobri que quero trabalhar com automação e programação, e isso é de grande importância para mim”, conta.

Projeto busca solução para a poluição luminosa

Em busca de soluções que reduzam a poluição luminosa no município de Teixeira de Freitas, a 809 km de Salvador, estudantes do Centro Educacional Machado de Assis desenvolvem soluções para acabar com o problema. Uma delas é a substituição de lâmpadas tradicionais pelas de LED, que são mais duráveis e consomem menos energia.

foto da Professora Fernanda SoaresO projeto auxilia no processo de aprendizado dos alunos desde o momento em que eles identificam o problema, investigam as causas e buscam as possíveis soluções. A interação e a contextualização do tema escolhido com os conteúdos propostos pelo currículo se estreitam, proporcionando aos alunos um olhar crítico e social, trazendo-lhes o sentimento de responsabilidade.“Os resultados são positivos. A pesquisa leva os alunos a participarem de eventos sobre iluminação e a conhecer novas pesquisas, o que contribui para a troca de conhecimento com outras pessoas”, avalia a orientadora do projeto, Fernanda Soares.

foto de Izabele GomesPara a estudante Izabele Gomes de Jesus, 18 anos, o projeto ampliou seus saberes, inclusive sobre a Feira de Ciências da Bahia (FECIBA). “O Ciência na Escola me deu várias oportunidades de conhecimento, como as informações que adquiri através das pesquisas feitas para realizar o projeto. Foi através do projeto que participamos de alguns eventos escolares, como a VI FECIBA, que ainda será realizada”.


Estudantes produzem gêneros alimentícios a partir da amêndoa do caroço da manga

foto de Tailan Silva de Melo e Douglas RibeiroRico em nutrientes essenciais para a saúde geral do corpo, o caroço da manga é normalmente jogado fora após o consumo da polpa. Mas o que muitos não sabem é que essa amêndoa pode ser transformada em óleo, manteiga e em farinha. Pensando nisso, os estudantes do Centro Territorial de Educação Profissional da Bacia do Rio Grande, em Barreiras, a 863 km de Salvador, produziram a farinha do caroço de manga como parte do projeto Ciência na Escola.

O experimento de Tailan Silva de Melo e Douglas Ribeiro, que tem o intuito de substituir a farinha de trigo convencional, foi dividido em quatro etapas: estudo de caso, produção da farinha, teste de aceitabilidade e análise dos dados. Para isso, os alunos sondaram a comunidade em busca da aceitação dos moradores em participar da pesquisa e lhes apresentaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, como designa o Comitê de Ética em pesquisas envolvendo seres humanos. De acordo com a orientadora do projeto, Fernanda Suely, a iniciativa desperta o interesse dos estudantes pela pesquisa e metodologia científica. “As atividades ampliam os conhecimentos entre aluno e professor e são de alta relevância social, já que valorizam as matérias-primas disponíveis na nossa região”, avalia.

A elaboração da farinha foi feita a partir da desidratação da amêndoa do caroço da manga, do seu refinamento e armazenamento. Posteriormente, a farinha foi utilizada para a elaboração de bolos. Para Tailan, que é estudante do 4º ano do curso de Agropecuária, o projeto proporcionou momentos inesquecíveis em sua vida de estudante. “Participar dessa experiência foi de fundamental importância para mim, pois os caminhos tomados até os dias de hoje fizeram com que eu mudasse toda a minha postura, tanto pessoal quanto estudantil”, conta.

Minitrator criado por estudante beneficia pequenos agricultores

Em pleno funcionamento, o Minitrator Agrofamília é um veículo destinado ao pequeno produtor para estimular o fortalecimento da agricultura familiar. O equipamento foi criado pelo estudante Foto de João MateusJoão Mateus Barbosa dos Santos, do curso técnico em Administração, do Centro Territorial de Educação Profissional de Teixeira de Freitas (CETEP), para o projeto Ciência na Escola. Segundo ele, a ideia é contribuir para o fortalecimento da agricultura familiar na região, por meio de um equipamento de baixo custo e boa funcionalidade, que colabora para a otimização dos esforços do pequeno produtor que, muitas vezes, por falta de recursos financeiros, desenvolve as suas atividades manualmente.

“O projeto me permitiu desenvolver o empreendedorismo e contribuiu para o mapeamento e a otimização das atividades a ser realizadas na construção do minitrator, que hoje está em funcionamento na propriedade rural da minha família”, conta o estudante. Para analisar a viabilidade do projeto ele conta que mensurou os aspectos essenciais no processo de planejamento, tais como: pontos positivos, avaliação do processo de desenvolvimento, avaliação dos custos, análise do custo/benefício e tempo para a construção.

Foto de VivianePara a elaboração do equipamento, o aluno fez um desenho sob a orientação da professora Viviane Matos. Depois, João descreveu as etapas para a montagem do veículo com o propósito de otimizar o tempo. Os materiais utilizados foram reaproveitados, sendo que alguns foram adquiridos em ferro velho. “A proposta é muito boa por sua importância, já que se apresenta como uma perspectiva de valorização da agricultura familiar, como fator motivador para a adoção de práticas que favoreçam o desenvolvimento das atividades do pequeno agricultor, e também um exercício reflexivo na formação e particularidades do processo de construção das atividades agrícolas de forma sustentável”, observa a orientadora.

Alunos do Colégio Estadual Henrique Brito elaboram proposta de reciclagem

Foto de Viviane“Fiquei impressionado com a quantidade de doenças que são espalhadas pelo descarte inadequado do lixo e também pela quantidade de pessoas que não dão importância para isso. Se todos se conscientizassem da necessidade de reciclar, viveríamos em um mundo muito melhor”, constata o estudante Deywes Rios, do Colégio Estadual Henrique Brito. Ele e sua equipe desenvolveram o projeto “Reciclagem” para o Ciência na Escola e, com isso, elaboraram uma proposta para apresentar à Prefeitura Municipal de Teixeira de Freitas, com o objetivo de motivar a população a colaborar para que as embalagens plásticas e demais produtos recicláveis possam ter outro destino, a fim de diminuir a produção de lixo no município.

Segundo a orientadora, Rosana Pedroso de Carvalho, o projeto tem o objetivo de diminuir o descarte indevido de produtos recicláveis e também de conscientizar os cidadãos sobre a importância de atitudes sustentáveis com relação ao lixo que é produzido diariamente. Assim, a maior motivação para essa atitude seria conceder descontos em impostos da prefeitura, como o Imposto Predial Territorial Urbano (IPTU). “A pessoa que contribuir com o projeto ganha desconto em seus impostos, colabora com a geração de empregos, com a preservação e o embelezamento do meio ambiente e a prefeitura economiza um grande dinheiro em sua ornamentação natalina, que pode ser feita com esse material reciclável”, conta.

Para elaborar o estudo, alunos e professora fizeram entrevistas com pessoas de idade e sexo variados para definir a estratégia do projeto e estimular a população teixeirense no descarte adequado do lixo e nos cuidados com o meio ambiente.

Projeto visa um novo destino para o óleo de cozinha

Sabe aquele óleo de cozinha que, depois de utilizado, é despejado em pias e lixo? Ele vai parar em rios e lagos, polui as águas e causa desequilíbrio na fauna e flora. Mas o produto pode ser reutilizado e, além de preservar o meio ambiente, transformado em sabão caseiro, sabonete, pesticida e, ainda, biodiesel, que substitui os combustíveis tradicionais nos maquinários de pequenos agricultores, por exemplo. A transformação do óleo nesses produtos tem sido feita há um ano através do projeto Reútil-óleo pelos alunos do Centro Territorial de Educação Profissional da Bacia do Rio Grande, em Barreiras, a 863 km de Salvador.

A cidade de Barreiras é cortada por dois rios afluentes do Rio São Francisco, entre eles o Rio Grande, que já foi um rio bastante navegável, mas devido à poluição decorrente do despejo de lixo doméstico e até mesmo do esgoto residencial, suas margens e o decorrer do rio estão cada vez mais comprometidos. Por conta disso, de acordo com a orientadora do projeto, Foto de Paula Brito Paula Brito, os próprios estudantes escolheram o assunto, pois questionavam o descarte irregular do produto pelas residências. “A criação de soluções para problemas como esse é a própria aplicação do aprendizado, que além de despertar os estudantes para os problemas ambientais, contribui para a melhoria de vida da população local”, afirmou a professora, destacando que, associado ao conhecimento, a produção dos produtos provenientes do óleo já utilizado pode contribuir para a geração de renda para as famílias.

Foto de Elmo JoséPara o aluno do 4º ano do curso técnico em Agropecuária, Elmo José dos Santos, 18 anos, o projeto foi de grande valia para o seu aprendizado, além de ter contribuído para despertar na população uma consciência sobre a questão ambiental. “Através desse projeto, pudemos dialogar sobre como podemos minimizar os problemas relacionados com o descarte indevido do óleo de cozinha e alertar a população sobre o impacto que a não destinação correta desse produto pode ter no meio ambiente”.


Projeto é selecionado para a FECIBA

A partir da curiosidade e observação das estudantes Laila da Silva, Pâmela Oliveira e Rafaela de Jesus Melo, do 3º ano do Colégio Polivalente de Caravelas, surgiu o projeto de “Conscientização da População em Relação aos Problemas dos Animais”. Além de fazer parte da Feira de Ciências da escola, o levantamento foi selecionado para participar da Feira de Ciência, Empreendedorismo e Inovação da Bahia (FECIBA), que será realizada em Salvador.

De acordo com a orientadora acadêmica, Aniela Moretti, o município de Caravelas, que fica no Extremo Sul baiano, a 837 km da capital, é desprovido de um Centro de Zoonoses, o que acarreta em muitos animais abandonados, doentes e que podem também transmitir doenças para a população. A partir dessa observação, segundo a orientadora, a equipe passou a avaliar a relação dos donos com seus animais de estimação nos quesitos vacinação, castração, cuidados e abandono. “Quarenta e cinco pessoas foram entrevistadas no Bairro Novo, sendo que 60% delas possuem cães ou gatos. Os resultados apontam que a maioria se preocupa com a vacinação (viral e rábica), porém um número significativo não se importa de seu animal ficar na rua ou se pode ser também transmissor de doenças”, revela.

Moretti ainda conta que o estudo revelou o baixo uso de anticoncepcional injetável e o baixo número de animais castrados. “Com os resultados em mãos, espalhamos cartazes pelo bairro divulgando informações para que as pessoas possam se conscientizar sobre a importância dos cuidados animais e as devidas atenções que eles merecem. Ao final do estudo, enviamos o resultado para a Associação de Cães e Gatos de Caravelas-BA, que atua há quatro anos no município”, completa.

Projeto de HQ alerta sobre a incidência da dengue

Foto de Elmo José“Fazer parte do ‘Desafio Conheça a Bahia, visite os livros Bahia, Brasil’ é muito gratificante porque, além de oportunizar aos alunos a vivência da cidadania, permite que eles expressem seus potenciais e ampliem ainda mais as competências cognitivas e comportamentais”, disse a professora Maria Lucia Simões, da Centro Educacional Machado de Assis, de Teixeira de Freitas, que orienta o projeto de grafite Xô, Dengue!

Conforme a professora, a ideia da História em Quadrinhos sobre o tema partiu da aplicação da prancha “O Corpo Agradece”, do livro “Brasil: vida, natureza e sociedade”. E também pelo fato de a dengue estar assolada no país, em especial nas regiões Norte e Nordeste. “Participar do Desafio e criar a HQ Xô, Dengue! foi interessante e divertido, pois estava fazendo algo que eu gosto. Motivou-me a querer aprimorar meus desenhos e meus textos, já que pretendo ser escritora de livros e criadora de mangás. Além disso, é preciso alertar as pessoas para a importância de dar um ‘Xô, Dengue!’, isso faz com que eu me sinta cidadã!”, conta a estudante Thalita Rocha Costa, 15, da 1ª série.

A escolha do gênero História em Quadrinhos, segundo a orientadora do projeto, se deu pelo fato de os alunos (1ª série do Ensino Médio) estarem estudando linguagem verbal e não verbal, bem como a importância de textos e imagens relacionadas.

O desafio é uma premiação lançada pela Secretaria da Educação do Estado da Bahia que tem o intuito de premiar trabalhos de iniciação científica de estudantes da rede estadual de ensino. A iniciativa, promovida pelo Programa Ciência na Escola, tem o objetivo de fomentar a produção científica nas diversas linguagens, a partir dos livros “Bahia, Brasil: Espaço, Ambiente e Cultura” e “Bahia, Brasil: Vida, Natureza e Sociedade”.

Material didático especial para deficientes visuais

“Por causa do Ciência na Escola passei a olhar o próximo de maneira diferente, com vontade de ajudar mais, de ser solidária. Também desenvolvi melhor meus conhecimentos didáticos. Foi tudo muito bom e proveitoso”, disse a estudante Laiane Vieira da Silva, do Colégio Estadual Mimoso do Oeste, em Barreiras. Ela e mais duas colegas realizaram, como parte do projeto, um estudo sobre a inclusão escolar de alunos deficientes visuais através da confecção e utilização de materiais didáticos adaptados.

A ideia da elaboração de material se deu, segundo a orientadora Ana Carla Vieira, pela carência de instrumentos de aprendizado. “A falta de material didático para alunos com necessidade faz com que o projeto tenha grande relevância, tanto na vida escolar, social e psicológica do deficiente físico quanto na do aluno e do professor que convivem com o mesmo”, observa a professora.

Os materiais foram produzidos com material de fácil acesso, como bolinhas de isopor e massa de biscuit. Na disciplina de Química (Química Orgânica), por exemplo, os diferentes tamanhos de bola significavam os elementos, os palitos de dentes que ligavam os mesmos indicavam o tipo de ligação entre os elementos. Assim, o aluno pode sentir pelo tato a cadeia que estaria se formando e as funções que ela representaria. Após a confecção dos materiais, para todas as disciplinas, os mesmos foram testados e, de acordo com a orientadora, houve uma melhoria na capacidade do estudante de realizar as atividades propostas pelo professor, com pensamento crítico, reflexivo e, consequentemente, um melhor desempenho escolar. “O material está disponível na escola, para quando sejam recebidos alunos com deficiência visual”, completa Vieira.

EDUCAÇÃO PROFISSIONAL


Educação profissional foca no empreendedorismo e proporciona oportunidades de trabalho a jovens baianos

A articulação entre a formação técnica e a formação geral do estudante, focada no mundo do trabalho, tendo como objetivo contribuir para a construção de um cidadão ativo, crítico, participativo e reflexivo, é a base do projeto pedagógico do Centro Territorial de Educação Profissional (CETEP) da Bacia do Rio Grande, localizado em Barreiras (a 710 km de Salvador), no Oeste baiano. A instituição de ensino estadual, que oferece Educação Profissional integrada ao Ensino Médio, é parte da política de ampliação e interiorização da Educação Profissional na Bahia, por meio do programa Educar para Transformar, do Governo do Estado.

A vice-diretora Fernanda da Paz afirma que, ao estimular nos estudantes a reflexão e o pensamento crítico sobre o mundo do trabalho, o CETEP da Bacia do Rio Grande tem como base do seu trabalho pedagógico a elaboração de atividades que oriente os estudantes a vivenciarem a prática através de ações e eventos, como as feiras de ciências, que ocorrem nas próprias instituições de ensino. “Quando estão realizando os estágios ou elaborando, pesquisando e apresentando os projetos nas mostras de cursos e feiras científicas, eles estão sendo direcionados para o mercado de trabalho local e, também, para o mundo do trabalho que lhes interesse”, considera a gestora.

O CETEP Bacia do Rio Grande é um dos 38 centros de Educação Profissional do Estado, além das escolas compartilhadas que, também, oferecem os cursos de formação técnica e de qualificação profissional. A instituição está inserida no contexto da rede estadual de Educação Profissional da Bahia – a segunda maior do país na oferta de cursos técnicos de nível médio –, que beneficia mais de 85 mil jovens e trabalhadores, nos 27 Territórios de Identidade, atendendo a 121 municípios.

No total, o CETEP de Barreiras oferece três cursos técnicos na modalidade Educação Profissional Integrada (EPI) e três pós-médio (PROSUB), entre os quais Agropecuária, Comércio, Informática e Logística e Enfermagem. Atualmente, a instituição possui cerca de 1.300 alunos e, conforme Fernanda, existe um projeto para ampliar o número de vagas nos próximos anos.

Projeto de estudante da rede estadual ganha visibilidade nacional

Foto de TailanO projeto de iniciação científica “Biomassa de banana-verde como fonte alternativa de alimentação”, desenvolvido pelo estudante da rede estadual Tailan de Melo, 20 anos, ganhou visibilidade nacional. O autor do trabalho, aluno do curso técnico de Agropecuária do Centro Territorial de Educação Profissional (CETEP) da Bacia do Rio Grande, em Barreiras, no Oeste baiano, o apresentou em vários eventos, entre as quais a Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (FEBRACE), que aconteceu no final de março deste ano, em São Paulo.

Tailan mostra, nesse projeto, as propriedades da banana como fonte energética e nutricional valiosa, responsável por gerar emprego e renda para pequenos produtores da região. A biomassa de banana-verde consiste em uma preparação feita com a polpa de bananas-verdes cozidas. O estudante conta que foi motivado a realizar o projeto de pesquisa quando constatou que parte da banana em estado verde é inutilizada e desprezada durante a colheita e a maturação do fruto, bem como na sua seleção para a comercialização e no transporte entre lavouras.

“Ao prepararmos a biomassa verde, estamos evitando o desperdício e, ao mesmo tempo, dando ao projeto um importante alcance social. Acredito que o trabalho tenha uma relevância social, tanto pelo seu valor nutricional quanto pelo seu baixo custo, podendo ser útil para a população mais carente”, explica o aluno, detalhando que para produzir um quilo de biomassa de banana-verde é utilizada uma dúzia do fruto, que custa R$ 2,50, em Barreiras.

Alternativa nutricional - O professor e coorientador do projeto, Rodrigo Moreno, fala sobre a sua relevante intervenção social. “Desde que levantamos o tema, o uso da biomassa de banana-verde está sendo estimulado junto à comunidade local como alternativa nutricional e barata”, afirma. A banana - um dos frutos mais consumidos do mundo, sendo o Brasil o segundo maior consumidor e o terceiro maior produtor – é bem aceita socialmente por conta do seu sabor agradável e do seu valor nutricional (carboidratos, potássio, manganês, iodo, zinco, vitaminas B e C e ácido fólico).

O estudante completa: “Os especialistas afirmam que os minerais estão em maior quantidade no fruto verde, que também apresenta grande concentração de fibras, carboidratos e amido, além de baixa concentração de sacarose, lipídeos e cinzas. Além do mais, a biomassa de banana-verde contribui para o emagrecimento, porque as fibras promovem saciedade por mais tempo; melhora a imunidade; contribui para o desenvolvimento da microbiota intestinal; previne o diabetes; reduz o risco de câncer de intestino; controla os níveis de colesterol e evita o acúmulo de gordura no abdômen”.

Biomassa na culinária - O estudante explica que a biomassa de banana-verde pode ser utilizada na culinária como um espessante para dar mais consistência às receitas culinárias, substituindo a farinha de trigo, o óleo, a maionese e o creme de leite, sem alterar o sabor do prato. “O preparo da biomassa de banana-verde é simples e ela pode ser guardada na geladeira por sete dias ou congelada por até dois meses. Para descongelar, basta deixá-la em temperatura ambiente ou aquecê-la em banho-maria”.

Além da FEBRACE, o projeto já foi apresentado em outras feiras, como na Feira Nordestina de Ciências e Tecnologia (FENECIT), em Recife-PE; na Mostra Internacional de Ciência e Tecnologia (MOSTRATEC), em Novo Hamburgo-RS; e no 13º Concurso de Proyectos Empresariales, Ciencia, Tecnologia e Innovación 2017, realizado em abril, na cidade de Ambato, no Equador. Este é o principal evento internacional na América do Sul para empreendedores pré-universitários. O projeto de iniciação científica também foi destaque no programa Bahia Rural, da TV Bahia.

Modo de preparo da biomassa de banana-verde:

  • Retire dez bananas do cacho com cuidado, preservando os talos.
  • Higienize as bananas com água e sabão.
  • Coloque no fogo uma panela de pressão com água até a metade e deixe ferver.
  • Assim que a água ferver, coloque as bananas higienizadas na água quente da panela de pressão para que levem um choque térmico.
  • Tampe a panela e deixe em fogo alto até começar a chiar. Quando começar a apitar, baixe o fogo e deixe na pressão por 10 minutos.
  • Desligue e espere a pressão sair normalmente.
  • Abra a panela com a ajuda de um pegador, retire as bananas e deixe-as esfriar por 15 minutos.
  • Retire as cascas e coloque as polpas no liquidificador ou processador e bata com um pouco de água.
  • Não deixe esfriar, bata a polpa quente até formar uma pasta bem homogênea, que é a biomassa.
  • Guarde em porções pequenas: cubos para sucos e 1/2 xícara ou 1 xícara para pratos culinários.

Estudantes produzem farinha de jatobá como alternativa alimentar

A partir do estudo dos frutos do bioma da região, estudantes do curso técnico de Comércio, do Centro Territorial de Educação Profissional (CETEP) da Bacia do Rio Grande, localizado em Barreiras, no Oeste baiano, decidiram criar o projeto Pérolas do Cerrado. Trata-se de uma “empresa”, por meio da qual eles passaram a fabricar e comercializar alimentos à base da farinha de jatobá, da casca da melancia e do maracujá. Além de aplicarem na prática o que aprenderam em sala de aula sobre a área de Gestão e Negócios, os alunos passaram a produzir alimentos saudáveis e naturais, indicados, inclusive, para pessoas com intolerância ao glúten e à glicose.

A “empresa” Pérolas do Cerrado foi criada a partir da ideia do então aluno do curso técnico de Comércio, Misael Marçal, hoje estudante de Ciências Contábeis, na Universidade Estadual do Estado (UNEB). Para abrir a “empresa”, ele e os colegas de sala contaram com os alunos do curso técnico de Agropecuária, que ficaram responsáveis pela seleção e colheita do jatobá para a extração da farinha e do plantio do maracujá. O aluno Matheus Santos, 17, 4º ano do curso técnico de Agropecuária, fala da sua experiência com o projeto de produção de novos alimentos, a partir do fruto de uma árvore nativa. “Foi muito gratificante participar desse projeto, que tem uma importância social incrível, porque produz uma alternativa de alimentos de boa qualidade nutricional e baratos para atender os consumidores, em especial os intolerantes ao glúten e à glicose”.

Cláudio Martins, 18 anos, 4º ano do curso de Agropecuária, explica que o processo para a extração da farinha começa com a escolha dos frutos maduros, seguido da quebra da casca e a retirada manual da polpa, com o auxílio de uma colher. “Depois, passa-se essa polpa em uma peneira e vai obtendo a farinha, que deve ser seca e embalada para manter a sua conservação. O resultado é muito gratificante porque é a criação de um alimento não industrializado, feito a partir do fruto, que é eficaz na redução do açúcar no sangue e rico em cálcio, fósforo, ferro, potássio, magnésio e vitamina C”.

Da farinha de jatobá, completam os estudantes, são produzidos doces e salgados, como bolos, brigadeiros e empadas para comercialização, como aconteceu na Mostra de Cursos do CETEP da Bacia do Rio Grande. Já o maracujá e a casca da melancia são aproveitados para a produção de geleia, sem qualquer conservante químico, que também pode ser comercializada como produto natural.

A professora Sidna Ferreira, das disciplinas Intervenção Social e Pesquisas Científicas e coordenadora do projeto, comenta sobre a experiência dos seus estudantes do curso de Comércio. “Eles cumpriram o objetivo do trabalho, que foi criar uma empresa para comercializar produtos criados em parceria com os colegas de Agropecuária, despertando neles a importância do alcance social da iniciativa, iniciada em 2015, ano em que eles levaram o projeto para a 5ª Feira de Ciências da Bahia, na Arena Fonte Nova, em Salvador”.

Brinquedos didáticos são construídos por estudantes para crianças com deficiências visuais e motoras com deficiências visuais e motoras

A partir da ideia de fabricar brinquedos didáticos para melhorar a aprendizagem de crianças com deficiências visuais e motoras nasceu o projeto Brinquedos Didáticos pelas mãos de estudantes do Centro Territorial de Educação da Bacia do Rio Grande, em Barreiras. Utilizando a reciclagem na confecção dos brinquedos, os alunos atestaram, através de pesquisas, que o lúdico é uma das maneiras de tornar a vida dessas crianças melhor, porque contribui para o desenvolvimento de sua estrutura física e mental, bem como a sua afetividade e criatividade, identificando as suas habilidades e dificuldades.

Os estudantes construíram dois brinquedos, através dos quais a criança é estimulada a trabalhar textura, cores e formas geométricas. A estudante Crislaine Chaves, 16 anos, do 2º ano do curso técnico de Comércio, conta que um dos brinquedos foi batizado de “Jogo da Memória” e para a sua confecção foram utilizadas tampinhas de amaciante e papelão, para fazer o tabuleiro, que foi forrado com papel E.V.A. O outro brinquedo foi criado a partir de CDs sem uso, que foram forrados e preenchidos de letras e números em alto relevo.

“Está sendo uma experiência incrível e tão gratificante que resolvemos dar continuidade ao projeto, iniciado no ano passado, com a criação de novos brinquedos. Esse trabalho trouxe muito conhecimento e consciência para nós e para as pessoas nele envolvidas”, relata Crislaine, contando, ainda, que alguns brinquedos serão fabricados para o Centro de Prevenção e Reabilitação de Deficiências do Oeste da Bahia (CEPROESTE), com o intuito de contribuir com o desenvolvimento das crianças com necessidades especiais que são atendidas na instituição.

Uma das coordenadoras do projeto Brinquedos Didáticos, Sidna Ferreira, explica o objetivo do trabalho, realizado também sob a coordenação da professora Daiana Rocha, e o papel inclusivo a que ele se propõe. “O nosso propósito é proporcionar às crianças com deficiências a oportunidade de ampliar os seus conhecimentos por meio dos brinquedos didáticos recicláveis, estimulando a sua formação educacional e ajudando o meio ambiente”. A educadora chama a atenção para o fato de que, na atualidade, cerca de 15% da sociedade têm alguma necessidade especial. “Diante disso, este projeto visa, sobretudo, possibilitar a essas crianças um meio de contribuir para a sua inclusão social, além da construção de brinquedos didáticos com material reciclável incentivar um pensamento consciente, também, em relação ao meio ambiente”, completa.

Metodologia - O primeiro momento do projeto, explica a professora Sidna Ferreira, foi o trabalho de pesquisa bibliográfica para a coleta de dados que fundamentam os objetivos propostos, como forma de incentivar a educação e a inclusão das crianças no âmbito social. “A pesquisa prática também fez parte, pois esse projeto está voltado para a intervenção na realidade social, caracterizando-se por uma interação efetiva e ampla entre os estudantes e a comunidade do entorno e tendo como objeto de estudo a situação social e os problemas de natureza diversos encontrados”.

O projeto Brinquedos Didáticos foi selecionado, em 2016, para a 6ª Feira de Ciências da Bahia (FECIBA), um espaço de mostra de experiências e de estímulo ao protagonismo dos estudantes que, orientados por docentes, fortalecem o domínio de habilidades próprias ao campo das Ciências da Natureza e Humanas e da Matemática. “Esse trabalho tem contribuído para que o CETEP da Bacia do Rio Grande se torne uma escola de referência em Educação Profissional, no Oeste da Bahia, primando, fortemente, pela formação humana em conjunto com a Educação Profissional técnica e acreditando que é através da educação ética, com compromisso e de qualidade, que construiremos um mundo melhor”.

Projeto trabalha a inclusão musical de pessoas com deficiências visual e auditiva

Nada melhor para trabalhar a inclusão de pessoas com necessidades especiais do que a música. Pensando nisso, o estudante do Centro Territorial de Educação Profissional (CETEP) da Bacia do Rio Grande, em Barreiras, Mateus Cruz, que trabalha em uma loja de instrumentos musicais, resolveu adaptar, com mais três colegas, um braço para violão e bandolim com o qual as pessoas que não podem ver possam tocar os instrumentos de forma mais segura e confortável.

Foto de Iago Sampaio

O projeto se chama “Sonoribraille” e tem a orientação do professor Rogério de Oliveira Santos, que acompanha o seu desenvolvimento há quase três anos. “É gratificante fazer parte de tudo isso com os alunos. A ideia da inclusão por meio dos instrumentos musicais é muito boa. Envolvemo-nos muito para chegarmos aonde chegamos. Os estudantes ampliaram muito os seus conhecimentos, assim como eu”, comemora o orientador.

Foto de Iago Sampaio

O resultado de tanto empenho foi a seleção do projeto para participar da 6ª edição da Feira de Ciências da Bahia (FECIBA), em Salvador, e da Feira Nordestina de Ciências e Tecnologia (FENECIT), em Recife, no ano passado. “É um trabalho muito bonito. Primeiro, pesquisamos muito sobre LIBRAS, depois adaptamos o braço do violão para encaixar as notas. Poder ajudar pessoas com deficiências é muito recompensador”, conta Santos.

O “Sonoribraille” foi desenvolvido para ajudar pessoas com deficiência visual e que ainda não possuem uma boa noção auditiva. É a inclusão pela música, que é um direito de todos. “Observei, na loja em que trabalho, que os instrumentos não são adaptados para as pessoas que não enxergam, foi daí que tive a ideia junto com meus colegas e o professor de adaptar o braço para que todos possam tocar. É muito bom poder ajudar quem quer tocar um instrumento”, disse Mateus Cruz.

Alunos desenvolvem aplicativo que ensina LIBRAS

Em um mundo totalmente conectado, quando a febre dos aplicativos faz o maior sucesso, da criançada até o pessoal mais vivido, nada mais criativo e funcional do que o desenvolvimento de um aplicativo voltado para que todas as pessoas que não possuem algum tipo de deficiência possam se comunicar de forma eficiente com os que não podem ver. Esse projeto, que ainda é um protótipo, se chama “Educalibras” e é desenvolvido pelos estudantes Carla Anjos e David Wili do Centro Territorial de Educação Profissional (CETEP) da Bacia do Rio Grande, em Barreiras, sob a orientação do professor Rogério de Oliveira Santos.

“A proposta do aplicativo é aprender brincando. Pensamos em desenvolvê-lo para ajudar as pessoas, tanto para quem pode ver quanto para quem não pode, até porque somos nós que temos que aprender a interagir com as pessoas que têm alguma deficiência. Foi pensando em facilitar a comunicação e as relações interpessoais que elaboramos esse projeto”, conta a estudante Carla Anjos.

Segundo ela, o aplicativo, que já foi apresentado na FECIBA, em Salvador, fica definitivamente pronto este ano, mas o estudo começou em 2015 como parte do projeto de Educação Profissional do CETEP. O aplicativo funciona em fases, da mais fácil até a mais complexa, ensina LIBRAS para pessoas de todas as idades por meio de um teclado especial. De acordo com o professor Rogério de Oliveira Santos, o projeto é de grande relevância social, pois trabalha a inclusão das pessoas com necessidades especiais em escolas públicas. “O aplicativo é funcional e ensina LIBRAS de forma lúdica. Sinto-me satisfeito em participar e poder orientar os alunos nesse importante e inclusivo projeto”, comemora o professor.

ESCOLA-COMUNIDADE


Integração família-escola é estimulada na rede estadual

Dona Maria de Souza tem cinco filhos de idades distantes. Desde o tempo de colégio de suas duas filhas mais velhas, ela já fazia questão de acompanhar de perto a trajetória escolar delas. Atualmente, o seu compromisso é com os dois filhos do meio, 16 e 21 anos, e com o caçula, 12 anos. Seja na Escola Municipal Padre José de Anchieta, onde estuda o garoto Davidson, ou no Colégio Estadual Luís Viana, situados no município de Santa Rita de Cássia (na região oeste da Bahia), onde estudam Vanderson e Adaelson, a presença da mãe do quinteto é constante.


Dona Maria de Souza tem cinco filhos de idades distantes. Desde o tempo de colégio de suas duas filhas mais velhas, ela já fazia questão de acompanhar de perto a trajetória escolar delas. Atualmente, o seu compromisso é com os dois filhos do meio, 16 e 21 anos, e com o caçula, 12 anos. Seja na Escola Municipal Padre José de Anchieta, onde estuda o garoto Davidson, ou no Colégio Estadual Luís Viana, situados no município de Santa Rita de Cássia (na região oeste da Bahia), onde estudam Vanderson e Adaelson, a presença da mãe do quinteto é constante.

“Vou ao colégio deles, pelo menos, duas vezes na semana e, além disso, participo dos eventos que a escola promove e convidam os pais. Quando a gente está presente no dia a dia deles, eles ficam mais disciplinados e confiantes. Com isso, as notas melhoram muito e todos ficam satisfeitos. Digo sempre a eles que não tem coisa melhor nesta vida do que os estudos e, se depender de mim, todos os meus filhos serão alguém na vida”, relata a dona de casa Maria de Souza.

A integração família-escola é uma das ações do programa do Governo Estadual Educar para Transformar – Um Pacto pela Educação. Promover a aproximação do pai, da mãe ou outro responsável do aluno com a escola, de acordo com o programa, visa à melhoria da qualidade da Educação pública na Bahia a partir da formação de uma rede de parceria com municípios, educadores, estudantes, gestores, instituições públicas e privadas, universidades, empresas e, principalmente, a família.

É com a compreensão de que a aproximação da família contribui para a melhoria do processo de ensino e aprendizagem que Wilian Cordeiro, irmão dos estudantes Edmilson, 23, e Cirlene, 17, se sente motivado a participar da vida escolar dos “manos”. Como os seus pais moram na zona rural e são idosos, é ele quem os acompanha ao Colégio Estadual Luiz Viana, onde fazem o curso técnico de Agropecuária. “Acho muito importante a presença da família na escola porque o aluno se sente mais motivado a aprender e a mostrar as suas competências. Edmilson e Cirlene me respeitam como irmão mais velho e, com isso, eles se sentem mais compromissados com os estudos diante da minha demonstração de interesse no sucesso deles na escola”, afirma Wilian, que é estudante do Ensino Superior, cursando Pedagogia.

Nessa unidade escolar, diversas ações para integrar a família são realizadas ao longo do ano. Uma das mais representativas, destaca a diretora Laurena Ângelo, é o Sarau Nordestino, do qual participam ativamente pais, mães, avós e responsáveis pelos estudantes. “Podemos dizer que é um dos eventos mais expressivos que promovemos, e os estudantes gostam de ver os seus pais presentes, valorizando a sua escola, fazendo parte da sua história escolar. Os pais, por sua vez, fazem questão de colaborar e essa parceria traz um resultado muito positivo para o rendimento escolar dos alunos, porque eles ficam mais comprometidos com o processo de ensino e aprendizagem”, conta a gestora.

No Centro Educacional Professor Rômulo Galvão, em Teixeira de Freitas (Extremo Sul da Bahia), uma das ações implantadas é o “Plantão Pedagógico”, por meio do qual os pais ou responsáveis têm uma oportunidade especial para conversar com os professores sobre questões ligadas à vida escolar de seus filhos. A vice-diretora Joelma Guimarães explica como funciona a ação. “Após a realização do nosso Conselho de Classe, que tem como diferencial a participação de representantes dos estudantes, os casos que demandam a necessidade de ser compartilhados com os pais dos alunos levamos para o “Plantão Pedagógico”. Compreendemos que, ao estreitarmos os laços entre a escola e a família, estamos buscando vencer o desafio de contribuir para um cotidiano escolar mais responsável, comprometido e amoroso”, considera a gestora.

O Centro Territorial de Educação Profissional (CETEP) do Extremo Sul, em Teixeira de Freitas, também promove uma série de ações visando à integração da família na escola. Uma das atividades é o ciclo de debates “A Família na Escola”, que aborda temas diversos, como Educação, Ciência da Computação e bullying e redes sociais. Outro projeto é o “Meus Pais São um Talento”, no qual pais, mães e responsáveis mostram as suas habilidades na cozinha, na arte, na música, no teatro, na contação de histórias, entre outras. “É muito importante que os pais participem da vida escolar dos seus filhos, que se integrem ao ambiente escolar, através das ações que promovemos, para que eles possam, junto com a escola, contribuir na formação dos nossos alunos. O resultado tem sido positivo porque, com a aproximação da família, os estudantes ganham mais disciplina, organização, comprometimento e, consequentemente, têm um rendimento escolar mais satisfatório”, confere o diretor Petrônio Bonfim.

Parceria com municípios para alfabetizar as crianças na idade certa

A pequena Débora Pereira, 8 anos, aluna da Escola Municipal Rui Barbosa, em Itamaraju, é uma das mais de 880 mil crianças com até oito anos que estão sendo beneficiadas pelo Pacto pela Educação na Idade Certa. O programa desenvolvido pela Secretaria da Educação do Estado, em parceria com 413 municípios baianos, tem como principais ações a formação de professores e a distribuição de material e livros didáticos, que contribuem para garantir que crianças, como Débora, sejam alfabetizadas e tenham sucesso no seu percurso escolar.

Mesmo com tão pouca idade e já revelando um gosto especial pela leitura, Débora demonstra comprometimento com a sua formação escolar e já vislumbra um futuro profissional brilhante. “Como pretendo ser médica, vou ter que estudar muito. Mas o bom é que eu já gosto bastante de ler, porque aprendo historinhas e tem, também, as partes para colorir. Por isso que o lugar que mais gosto da minha escola é o Cantinho da Leitura”, conta a garotinha.

Segundo dados institucionais, somente em 2016, foram distribuídos mais de 1 milhão e 700 mil livros didáticos às prefeituras. Esse regime de colaboração, conforme os técnicos da Secretaria da Educação do Estado da Bahia, visa garantir a alfabetização, com letramento, das crianças na idade certa, entendendo que só haverá mudanças nos indicadores educacionais com o apoio às redes municipais. Desse montante, 798 mil livros são de literatura infantil, de 19 autores baianos, referenciados na realidade da Bahia, com linguagem e ilustrações que criam nas crianças uma identificação e contribuem para o processo de ensino e de aprendizagem. Os outros são o de Língua Portuguesa, elaborado em parceria com o Estado do Ceará, e o de Matemática, construído por uma equipe de pesquisadores, sob a coordenação da secretaria.

Foto de JaneteA diretora da escola onde a pequena Débora estuda, Janete Santos, relata que esse material está inspirando práticas pedagógicas e de leitura nas salas de aula. “Entre as atividades mais atraentes para as crianças está o nosso Cantinho da Leitura, que estimula a contação de histórias dessas obras com as quais as nossas crianças se identificam, porque são contextualizadas, ou seja, retratam a realidade dos estudantes”.

Também fazem parte do Pacto pela Educação na Idade Certa o acompanhamento e o monitoramento sistemático aos municípios e às salas de aula para a identificação das demandas de aprendizagem; a promoção da instituição e do acompanhamento do Núcleo de Estudos em Alfabetização e Letramento, junto às redes municipais; e a ampliação do diálogo com dirigentes municipais para o monitoramento e a avaliação das ações formativas nos municípios.

Colegiado Escolar promove gestão participativa nas unidades da rede

Foto de Evana e Lorrane KarineA bioquímica Evana Ferreira, mãe da estudante Lorrane Soares, 15 anos, se candidatou, este ano, à representação de pais no Colegiado Escolar e não deu outra: foi acolhida unanimemente pela comunidade escolar. Presença assídua e participativa no Colégio Estadual Professor Alexandre Leal Costa, no município de Barreiras, onde a filha cursa a 1ª série do Ensino Médio, Evana já é conhecida e querida por todos os alunos por conta do seu jeito carinhoso e pela sua facilidade de dialogar com eles. Ela conta que costuma levar o conteúdo dos “papos” que mantém com os estudantes para as reuniões do colegiado, para que a gestão conheça os interesses estudantis.

A estudante Mirttis Teixeira, do 2º ano do Ensino Médio, conta que o projeto contribuiu para a conscientização em relação ao cuidado com a escola. “Aprendi a valorizar mais o ambiente escolar, a cuidar para que ninguém jogue lixo na escola nem piche as paredes, pois a escola é o patrimônio de todos nós e vai servir para outras gerações”, disse Mirttis.

Instrumento mobilizador, avaliativo, consultivo e deliberativo, o Colegiado Escolar tem cumprido um importante papel de aproximação da família na escola, na opinião das comunidades escolar e do entorno. Através desse Conselho – formado por gestor, professor, estudante, funcionário; pai, mãe ou responsável do aluno, e representante da comunidade local –, os seus integrantes contribuem com a gestão escolar e com a melhoria do processo de ensino e aprendizagem. Os familiares, no caso, passam a participar mais diretamente do cotidiano dos filhos e a acompanhar mais de perto a sua vida escolar.

O colegiado cumpre o papel de discutir o processo e os resultados da aprendizagem obtida pelos estudantes; aconselhar ou apoiar a equipe gestora nas questões pedagógicas e administrativo-financeiras e acompanhar e avaliar as ações e projetos desenvolvidos pela escola, além de ser essencial na mobilização de toda a comunidade escolar para assumir a Educação como um bem familiar e social. “Participo de todas as ações promovidas pela escola e busco saber de tudo o que se passa no ambiente escolar: se a estrutura da unidade está funcionando direitinho, se os professores estão comparecendo, se os estudantes estão se comportando bem, a qualidade do espaço físico. Quando a gente participa da gestão escolar, impedimos práticas autoritárias e criam-se oportunidades para o fortalecimento do vínculo e da integração entre a escola e a sociedade”, relata a mãe da aluna Lorrane.

Yuri Lima, 17 anos, do 2º ano, um dos representantes dos estudantes no Colégio Estadual Alexandre Leal, também fala da importância de atuar no Colegiado em prol da comunidade escolar. “Assumi o compromisso de representar os meus colegas para contribuir com uma gestão escolar que veja a escola como um organismo coletivo regido, principalmente, pelos alunos. Entre outras metas, pretendo incentivar a realização de mais atividades extraclasse, como palestras sobre temas diversos e de interesse dos estudantes”, relata o líder estudantil.

O diretor da escola, Carlos Henrique Neiva, afirma que o grande desafio do Colegiado Escolar é, justamente, atrair os pais ou responsável dos alunos para mostrar que eles são peças fundamentais na tomada de decisões do colégio e da vida escolar dos seus filhos. “A presença do Colegiado é sinônimo de gestão democrática. Quando as decisões são tomadas coletivamente, todos se responsabilizam por ela e, com isso, todos ficam mais comprometidos com a escola. Na nossa unidade, percebemos que as famílias estão mais participativas no cotidiano escolar e essa participação contribui, inclusive, para melhorar a relação dos pais com os seus filhos”, afirma o gestor.

A vice-diretora do Colégio Estadual Prisco Viana, também em Barreiras, Vilce Oliveira, igualmente comenta sobre a importância do Colegiado. “Acho fundamental a presença desse Conselho na escola porque dá segurança aos gestores na hora de tomar decisões importantes, contribuindo com a gestão democrática e participativa”.

Formação de professores fortalece a Educação Básica

Foto de Iago Sampaio

A Escola Municipal Rui Barbosa, localizada no município de Itamaraju, no sul da Bahia, é um exemplo de que o fortalecimento da parceria em regime de colaboração entre o Estado e os 380 municípios vinculados ao programa Pacto pela Educação, do Governo do Estado, vem garantindo resultados exitosos no processo de ensino e aprendizagem. A proposta de integração do Governo Estadual se destaca nas ações de formação voltadas para a alfabetização nas áreas de Língua Portuguesa e Matemática do ciclo inicial (1º ao 3º ano) do Ensino Fundamental. A Rui Barbosa, no caso, recebeu o segundo melhor Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) da Bahia, em 2015, ficando com 5,9, cuja pontuação é calculada, justamente, com base no aprendizado dos alunos em Português e Matemática (Prova Brasil) e no fluxo escolar (taxa de aprovação).

Foto de Iago Sampaio

A professora da unidade escolar, Iracilda Ferreira da Silva, conta que a sua atuação ganhou uma nova motivação desde que ela começou a participar do Pacto pela Educação, no início de 2015, quando o programa foi inaugurado. “Com as formações proporcionadas pelo Pacto, o nosso trabalho nas turmas do Ensino Fundamental ganhou uma nova metodologia, fazendo com que as aulas se tornassem mais atraentes para os nossos alunos”, relata. Como suporte, completa a educadora, o material didático oferecido pelo Governo Estadual tem contribuído para melhorar o processo de ensino e aprendizagem. “São livros de excelente qualidade que despertam o interesse das crianças justamente por trazerem conteúdos com os quais elas se identificam, já que focam na realidade delas”.

Foto de Iago Sampaio

A coordenadora pedagógica da Escola Rui Barbosa, Virgínia Ramos, completa: “O Pacto não só investe na formação do professor, mas também do coordenador pedagógico. Um diferencial que possibilita a unidade entre esses dois atores imprescindíveis na Educação. Em minha escola, o resultado dessa parceria é uma aprendizagem significativa e prazerosa”.

Foto de Iago Sampaio

O formador regional Elias Fonseca, por sua vez, ressalta que as ações pedagógicas prestam uma assistência técnica de monitorização da execução das metas dos Planos Municipais de Educação (PME), levando em conta os aspectos regionais de cada localidade, sem perder de vista as diretrizes nacionais e estaduais da Educação Básica. “Essa parceria entre Estado e municípios tem contribuído para a melhoria da qualidade da Educação e para alavancar os índices de desenvolvimento educacional”.

Foto de Iago Sampaio

A importância de fortalecer, cada vez mais, a integração entre as ações do Estado e dos municípios de todos os Territórios de Identidade também é ressaltada por Elias Fonseca. “Cada localidade tem as suas especificidades, levando metodologias que possibilitem a eles uma melhor desenvoltura no fazer pedagógico. Sabemos que muitos professores municipais só contam com a formação oferecida pela Secretaria da Educação, daí a importância dessa integração entre Estado e municípios”, considera Elias Fonseca.

Coordenadora local do Pacto pela Educação, Leise Araújo acredita que a formação repercute positivamente, sobretudo, no trabalho em sala de aula dos professores, que recebem as orientações dentro da proposta metodológica de alfabetização. “O Governo Estadual vem firmando parceria com o município por meio de formações, com o objetivo de fortalecer ações efetivas para promover um ensino de qualidade. Sabe-se que o desafio é grande, entretanto, as formações vêm contribuindo de forma eficaz para a obtenção de resultados exitosos no município de Barreiras. Um exemplo disso é o aumento significativo do IDEB, que tem melhorado nesses últimos anos”.

Formações continuadas - A parceria entre as redes municipais e estadual se consolida através do Programa de Apoio à Educação Municipal (PROAM), que é operacionalizado pela Coordenação de Programas Especiais (COPE) da Secretaria da Educação do Estado da Bahia. Entre as principais ações estão justamente as formações – presenciais ou à distância –, que são realizadas pelos professores efetivos da rede estadual e se destinam aos coordenadores pedagógicos e coordenadores locais das redes municipais que, em seguida, são os responsáveis pela formação pedagógica dos professores e coordenadores pedagógicos que atuam no Ensino Fundamental.

PROJETOS PEDAGÓGICOS


Arte, esporte e cultura têm a marca do protagonismo estudantil

A arte de dançar sempre encantou Jadna Silva, 15, estudante do 2º ano do Ensino Médio do Colégio Polivalente de Itanhém, localizado no município de Itanhém, no Extremo Sul da Bahia. A aluna conta que costuma se envolver com essa linguagem artística como uma forma de se comunicar e diversificar conhecimentos. Quando surgiu a oportunidade de participar dos projetos artístico-culturais desenvolvidos pela Secretaria da Educação do Estado, ela conta que se sentiu ainda mais estimulada. Resultado: o grupo da sua escola, Berço Negro, da qual Jadna é integrante e incentivadora, é um dos finalistas da Mostra de Dança Estudantil (Dance), com a coreografia Mãe África, e irá se apresentar, este ano, no Encontro Estudantil da Rede Estadual, na Arena Fonte Nova.

Foto de album MansidãoA aluna Jadna fala sobre a sua emoção de participar de um projeto artístico que começa na escola, passa para a etapa regional e culmina em um encontro, na capital baiana. “Acho essa iniciativa muito interessante porque é um momento de muita integração e aprendizagem. Fico muito feliz com a oportunidade de me apresentar através do Dance, porque a dança já faz parte da minha vida”, relata.

Além da Mostra de Dança Estudantil, são projetos artístico-culturais da rede estadual: Festival Anual da Canção Estudantil (FACE), Tempos de Arte Literária (TAL), Artes Visuais Estudantis (AVE), Educação Patrimonial e Artística (EPA), Produção de Vídeos Estudantis (Prove), Encontro de Canto Coral Estudantil (Encante), Festival Estudantil de Teatro (Feste) e Fanfarras Escolares.

Também estudante do Colégio Polivalente de Itanhém, Janekely da Silva, 34, optou por participar do EPA. Ela fala da importância que o projeto teve na sua vida escolar e pessoal: “Como a proposta é a valorização do nosso patrimônio cultural, foi muito interessante buscar, na minha região, a riqueza cultural de Políbio, um artesão que traz na sua arte a memória viva da nossa cultura e da nossa história. Fiquei em segundo lugar na etapa regional do EPA e isso me deixou muito orgulhosa”.

A diretora da unidade escolar, Maria das Graças Porto, ressalta que a região tem uma riqueza cultural relevante e a escola acaba trazendo à tona esses talentos. “Temos muitos artistas em potencial e muitas manifestações culturais, o que nos dá um destaque. Através dos projetos de arte, esporte, cultura e ciências, diversificamos os saberes nos currículos escolares e garantimos aos nossos estudantes o direito ao conhecimento. Além dos projetos desenvolvidos pela Secretaria da Educação, temos os específicos da escola, a exemplo da Jornada Desportiva, Recreativa e Cultural, que é um momento de muita integração e participação da comunidade escolar”, conta.

Projetos artístico-culturais da rede - Promovidos pela Secretaria da Educação do Estado da Bahia desde 2007, com o objetivo de diversificar e inovar os currículos escolares e de valorizar as expressões culturais regionais, os projetos artístico-culturais da rede se consolidam como componentes educativos constituídos por distintas linguagens. Eles são protagonizados pelos estudantes do 6º ano do Ensino Fundamental ao 3º ano do Ensino Médio e equivalentes (Educação de Jovens e Adultos - EJA, Ensino Normal e Tecnológico), que promovem a exposição das suas criações artísticas nos contextos escolares. Os projetos envolvem, também, professores de Língua Portuguesa, Arte e disciplinas afins; coordenadores pedagógicos; diretores das escolas e dos Núcleos Territoriais de Educação (NTE) e técnicos da Secretaria da Educação.

De natureza educativa, artística e cultural, os projetos visam ao desenvolvimento das diversas expressões da arte (literária e musical) no currículo escolar, como orienta a Lei de Diretrizes e Bases (Lei nº 9.394/1996). O FACE, por exemplo, tem como proposta explorar o potencial educativo através da música, estimulando essa musicalidade no ambiente escolar. Concebido para ser realizado em todas as escolas, o festival é desenvolvido em três fases: escolar (criação musical e realização de minifestivais escolares); regional (realizada nos Núcleos Territoriais de Educação) e estadual (em Salvador).

Escola conscientiza alunos para o uso da água e o cuidado ambiental

O uso consciente da água e os cuidados com o meio ambiente são projetos pedagógicos realizados pela Escola Família Agrícola José Nunes da Mata – Angical Bahia, que são desenvolvidos pela Secretaria da Educação do Estado da Bahia, para estimular a inovação nos métodos educativos e reconstruir novas formas de aprendizagem. O projeto sobre o Dia do Meio Ambiente, por exemplo, tem o objetivo de conscientizar a população para os cuidados necessários com o ambiente, o espaço e os recursos naturais.

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A Escola Família Agrícola de Angical (EFAA), que realiza os diversos projetos na área do campo e ambiental, trabalha com a Educação Profissional Técnica de Nível Médio em Agropecuária Integrada ao Ensino Médio, que proporciona ao educando a formação necessária para o desenvolvimento de suas potencialidades como elemento de autorrealização, habilitação profissional e preparo para o exercício consciente da cidadania. De acordo com a diretora da instituição, Josete Diniz, os alunos desenvolvem atividades socioeducacionais, com plantações de hortaliças para o uso próprio, fazem trabalhos práticos nos laboratórios com hortaliças e viveiros de mudas de umbu e maracujá do mato, em que 100 alunos receberão, cada um, 36 mudas de umbu gigante e 330 mudas de maracujá do mato.

Foto de“Temos, também, na propriedade da escola, o pomar e plantação de mandioca e milho. Temos alguns suínos e aves e colhemos todos os dias hortaliças para a alimentação dos alunos. Tudo isso é desenvolvido com o uso consciente da água. Esse trabalho é orientado pelos professores e quem faz as atividades são os próprios alunos”, conta a diretora.

Na instituição, se desenvolve, ainda, o trabalho de compostagem, que utiliza resíduos orgânicos como adubo natural para o uso nas hortas como prática de aprendizagem para ser repassada às pequenas propriedades e comunidades rurais. Os alunos estudam em um regime de semi-internato e é desenvolvida a Pedagogia da Alternância (uma semana na escola e outra semana junto à família e comunidade).

Para João Lazaro Trindade de Jesus, 17, aluno da EFAA, a escola desperta nele a consciência como ser atuante no ambiente escolar e na comunidade. “É muito interessante participar do projeto, pois isso me trouxe novas informações e curiosidades sobre o tema exposto, sobre a importância da água e do meio ambiente. Instrui-me muito, o que ajuda na minha formação como pessoa e estudante”, reflete.

Projeto de revitalização de manancial é realizado por alunos do Colégio Estadual Henrique Brito

Com o objetivo de revitalizar a Biquinha, uma das principais fontes de água do município de Teixeira de Freitas (a 809 km de Salvador), os estudantes do Colégio Estadual Henrique Brito, desenvolvem um projeto de educação ambiental com o tema: “Revitalizando a Biquinha”. A ideia de trabalhar o assunto surgiu pela proximidade da escola com a nascente e também pelo processo de degradação do manancial, que no passado serviu para o fornecimento de água da própria cidade.

De acordo com a professora Neide Borel, o projeto teve início em abril deste ano, mas já evoluiu bastante nos últimos meses. “Os estudantes buscam parcerias, como a prefeitura e a Universidade do Estado da Bahia (UNEB), para realizar o trabalho no local. Inclusive, estamos conversando com a universidade para realizarmos a limpeza e preservação do manancial”, conta a professora. O projeto da revitalização começou com o estudo de caso, aula de campo e visita ao manancial.

Alunos criam projeto de sensibilização de cuidado com a cidade

Criar um movimento de cidadania e cuidado com o meio ambiente foi o que motivou os alunos do Colégio Estadual Deolisano Rodrigues de Souza, em Medeiros Neto, a 870 km de Salvador, a desenvolverem o projeto “Cidade limpa, povo educado”. A ideia do projeto, que conta com a parceria da prefeitura municipal, através da Secretaria de Agropecuária e Meio Ambiente e do Departamento de Educação Ambiental, é de sensibilizar a comunidade local para a mudança de atitude em relação ao hábito de jogar lixo nas ruas ou colocá-lo em suas portas depois da coleta municipal, lembrando que o espaço é o resultado de nossas ações.

Alunos produzem álbum sobre a história do município

O estudo da arte e da história da terra natal e seu povo é necessário para o desenvolvimento de um pensar crítico e para a potencialização de saberes culturais. Por isso, a Secretaria da Educação do Estado da Bahia desenvolve projetos pedagógicos que sedimentam as inovações nos métodos educativos e reconstroem novas formas de aprendizagens, a fim de promover a autonomia estudantil.

Foto de album MansidãoEntre as escolas sob a jurisprudência do Núcleo Territorial de Educação (NTE 11), que fazem parte do projeto, está o Colégio Estadual Maria Helena, em Mansidão, a 820 km de Salvador, que foi selecionado para apresentar, em Salvador, o trabalho desenvolvido por quatro estudantes. Os alunos produziram um álbum de 20 páginas com fotos e relatos dos moradores mais antigos e fizeram uma ampla pesquisa sobre o surgimento do município. “Mansidão era praticamente uma cidade povoada por escravos, poucos senhores viviam aqui. Esse estudo foi de suma importância para conhecermos a história da cidade. Pesquisamos muito e fizemos esse álbum que vamos apresentar em Salvador”, revela o estudante Ramsés Santos das Neves.

Foto de album Mansidão Já para a estudante do 3º ano, Isadora Alves, o projeto lhe despertou para a profissão na área de Recursos Humanos: “Abriu a minha cabeça para muita coisa que eu não pensava antes, é muito conhecimento. Eu nem sabia da história de Mansidão. Agora, estou mais consciente do que acontece aqui e os reflexos da escravidão. Quero prestar vestibular para Recursos Humanos, escolhi essa área por causa do EPA”, conta.

Além do EPA, outros projetos são desenvolvidos pela Secretaria da Educação, como FACE, AVE, PROVE, ENCANTE, DANCE, JERP e FESTE para a participação na fase estadual em Salvador, quando os estudantes socializam suas experiências e desenvolvem aprendizagens.

Ansioso pela participação na capital, o diretor do Colégio Estadual Maria Helena, Davi Frank, conta que desenvolver o projeto pedagógico com os alunos é uma forma de estimular neles uma participação efetiva na vida acadêmica. “Eles socializam mais, ampliam os horizontes, ficam mais estimulados para aprender e se dedicar aos estudos, ao conhecimento. Agora, esperamos pela etapa em Salvador”, disse Frank.

Estudantes fortalecem aprendizado em oficinas do Centro Juvenil

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Estudantes das escolas estaduais contam com um importante instrumento que fortalece o processo de ensino e aprendizagem. Trata-se dos Centros Juvenis de Ciência e Cultura, que são espaços dedicados à Educação Complementar, ao lazer criativo, à interação social, ao conhecimento tecnológico, à ciência e a outras formas de saber que perpassam o conhecimento convencional. Os centros estão distribuídos por todo o Estado, nas cidades de Vitória da Conquista, Itabuna, Barreiras, Senhor do Bonfim, além de Salvador. Os cursos e oficinas oferecidos acontecem no turno oposto aos quais os estudantes estão matriculados.

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“Aprendemos muitas coisas nas oficinas do Centro Juvenil. Estou muito satisfeito porque desenvolvi a habilidade para criar projetos e administrar uma empresa. Na oficina Fotogr@fe, estudei como tirar uma boa foto, como manusear uma máquina fotográfica e montar um estúdio com material reciclável, entre outras coisas”, conta o estudante Lucas Macêdo de Oliveira, que participa das oficinas do Centro Juvenil de Ciências e Cultura, em Barreiras.

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Entre as oficinas estão: Trilhas do Cerrado, Oficina da Palavra, Robótica, Play Again, Cultura.com, Slackline, Energia e Tecnologia, Empreenda!, Fotogr@fe; Fotogr@fe Studio, Sociência, Cosmos, Programaí. De acordo com a coordenadora do Centro Juvenil, Laísa Brandão, a liberdade de escolha das oficinas oferece maturidade e responsabilidade aos alunos, com o percurso educativo e o seu protagonismo. “Ter a possibilidade de escolher o que se quer estudar é importante para o fortalecimento do aprendizado e do compromisso com a formação individual e do papel desse estudante no mundo contemporâneo. Nossos estudantes, além de escolher quais as oficinas farão, optam por ampliar o tempo de estudo, pois não há obrigatoriedade de participação”, explica.

Segundo a coordenadora, os estudantes participam das oficinas por interesse próprio e, por isso, o aproveitamento é maior. Outro fator abordado por ela é de que os cursos favorecem o aprendizado e a interação entre os estudantes das diversas unidades de ensino da rede estadual e municipal e de diferentes séries. “Aqui, eles não são agrupados por séries, mas sim por oficinas. A utilização da tecnologia, com o uso e a criação de aplicativos, é importante para os alunos se apropriarem cada vez mais das novas tecnologias que são oferecidas na atualidade, facilitando o aprendizado”, ressalta.

Complexos Integrados de Educação beneficiam mais de três mil estudantes

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Há pouco mais de um ano, a Secretaria da Educação do Estado mantém quatro Complexos Integrados de Educação (CIE) que beneficiam cerca de três mil estudantes com a oferta de Ensino Básico e Superior no mesmo espaço. Um dos complexos fica em Porto Seguro, outro em Itamaraju (NTE 07 - Teixeira de Freitas); mais um no município de Itabuna, em parceria com a Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB); e o de Ipiaú, em parceria com a Universidade Estadual da Bahia (UNEB).

O grande diferencial do projeto é a ressignificação da unidade escolar de Ensino Médio, para abrigar um modelo de Ensino Integral e em tempo integral, articulado entre a Educação Superior e a Educação Básica. “Os complexos contam com a redefinição dos tempos e espaços pedagógicos aliados à proposição de um ensino sociointeracionista, com a construção do conhecimento baseado em metodologias ativas”, ressalta o reitor da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), José Bites de Carvalho.

Resultado do programa Educar para Transformar, em parceria com instituições de Ensino Superior, o projeto foi pensado em 2015, por meio da formação de um grupo de trabalho com professores da UFSB, que desenharam os CIEs através da criação do Colégio Universitário (CUNI).

Conforme o reitor da UFSB, Naomar de Almeida Filho, foram agregadas aos complexos, em um mesmo ambiente, atividades supervisionadas de ensino e aprendizagem, formação continuada de professores e práticas integradas destinadas aos alunos das licenciaturas interdisciplinares.

Segundo ele, o projeto foi pensado para superar problemas da exclusão territorial que afeta a maioria das universidades do interior. “Foram instalados kits de conexão digital e designadas equipes docentes para os CUNIs. Nesses espaços, os estudantes podem completar o primeiro ciclo. Agora, com a consolidação dos CIEs, os alunos podem continuar nos CUNI a maior parte do currículo das licenciaturas interdisciplinares, sem precisar se deslocar para os campi para se formar na docência. Abrimos a universidade com oito CUNIs, mas, infelizmente, devido à crise econômica, política e orçamentária, não pudemos ampliar esse número, conforme planejado”, lamenta o reitor.


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