O especial Raio-X da Educação traz as ações e os projetos desenvolvidos pela Secretaria da Educação do Estado nas 1.282 escolas espalhadas pelos 27 Núcleos Territoriais de Educação (NTE). Aqui, você conhecerá alguns dos projetos desenvolvidos nos NTEs Médio Rio de Contas e Itaparica.

CIÊNCIA NA ESCOLA


Estudantes despertam interesse pelas ciências a partir de projetos desenvolvidos nas escolas

Por meio do programa Ciência na Escola, desenvolvido pela Secretaria da Educação do Estado, os estudantes da rede pública estadual vêm despertando, cada vez mais, o interesse pelas ciências. A iniciativa busca inserir os alunos em seu próprio processo de ensino e aprendizagem, a partir da ampliação dos conhecimentos científicos. Muitas das experiências desenvolvidas por eles são selecionadas para a Feira de Ciências, Empreendedorismo e Inovação da Bahia (FECIBA), que é um espaço de exposição científica, de troca e intercâmbio cultural entre as escolas, realizada pela Secretaria da Educação, visando fomentar e estimular o estudo da Ciência em sala de aula. Na feira, os estudantes apresentam projetos de relevância social, desenvolvidos no contexto escolar, sob a orientação dos professores, com o intuito de estimular o ensino e a aprendizagem das Ciências e da Matemática, constituindo-se um espaço de exposição científica, de troca e intercâmbio cultural entre as escolas. O Ciência na Escola inclui, também, a formação de professores, bem como a edição dos livros “Bahia, Brasil: espaço, ambientes e cultura” e “Bahia, Brasil: vida, natureza e sociedade”. O conteúdo é organizado de forma integrada, georreferenciado na realidade baiana e apresenta ensinamentos das diversas áreas doconhecimento. Confira aqui alguns projetos ligados ao Ciência na Escola.

Revitalização e arte

O despertar da comunidade escolar do Colégio Estadual Gilda Ramos dos Santos, do município de Jitaúna (a 383 km de Salvador), na região sudoeste do Estado, para a questão da sustentabilidade do planeta resultou em um importante projeto: Revitalização da margem do Rio de Contas de Jitaúna: a partir de uma perspectiva sustentável e artística. Tudo começou com a coleta de centenas de garrafas PET das margens do Rio de Contas, cujo leito atravessa a área urbana da cidade. Esses objetos descartados no local foram ensacados e levados para a unidade escolar, passando por um processo de higienização até serem trabalhados artisticamente e servirem de ornamentação no ambiente escolar.

Nos locais onde foram retiradas as garrafas PET foram plantadas mudas de árvores nativas da região, com o propósito de chamar a atenção para os riscos e problemas causados pelo assoreamento dos rios, a partir de sua degradação. “O projeto, desde que foi criado, em 2015, tem motivado os estudantes do 2º e 3º anos em prol da preservação na natureza, além de servir de reflexão sobre a degradação dos recursos naturais, pela sociedade”, explica a diretora Josenilda Costa.

O orientador do projeto, o professor de Letramento Artístico Ademário Jesus de Carvalho, reforça que “a ação, além de conscientizar os alunos e a população sobre a degradação do rio a partir do acúmulo de sedimentos e pelo depósito de terra e outros detritos, despertou nos alunos o prazer pelas artes plásticas”.

Aprendizagem e diversão

Imagine um jogo educativo denominado Quadrado Mágico da Soma, através do qual o processo de aprendizagem de estudantes do Ensino Fundamental II é facilitado, em especial na disciplina de Matemática, considerada o “bicho-papão” entre as diversas áreas do conhecimento. Com o objetivo de estimular o desenvolvimento cognitivo dos alunos, de maneira divertida e criativa, a ferramenta foi criada por estudantes do Colégio Estadual Reis Magalhães, no município de Glória (a 514 km de Salvador), situado do Vale do São Francisco. Construindo o próprio jogo a partir de um material de fácil confecção, eles o descobriram como um interessante recurso didático que proporciona uma aula mais atrativa e participativa.

O Quadrado Mágico da Soma é dos inúmeros projetos protagonizados por estudantes da rede pública estadual de ensino que demonstram como eles estão, cada vez mais, engajados no Ciência na Escola. Desenvolvido pela Secretaria da Educação do Estado, o programa busca não somente despertá-los para esse universo, como também inseri-los em seu próprio processo de aprendizagem a partir da ampliação dos conhecimentos científicos. Assim, alunos e professores vêm se envolvendo em ambientes de experimentação, investigação e vivências.

A estudante Luciara Silva, 16 anos, 2º ano do Colégio Estadual Reis Magalhães, juntamente com as colegas Laura Sena e Olivia Sá, foi a mentora do projeto Quadrado Mágico da Soma, que foi selecionado para a edição deste ano da Feira Baiana de Matemática (FBM), promovida pela Secretaria da Educação do Estado, em parceria com a Universidade Estadual da Bahia (UNEB). Com orgulho e determinação, Luciara conta que a Matemática sempre foi a sua paixão e construir o cubo mágico foi uma consequência natural do seu interesse pela disciplina. “Sempre me identifiquei com a Matemática e buscamos construir um jogo por meio do qual o aprendizado se tornasse interessante, fácil, graças à sua metodologia, que ajuda na compreensão da disciplina, de maneira lúdica e didática”. A realização e resolução de problemas envolvendo a utilização de cubos, explica a estudante,funciona da seguinte forma: cada face do cubo terá um número diferente e um tabuleiro indicando o sinal da adição e os lugares em que cada cubo ficará. “Ou seja, serão necessários três cubos para cada operação matemática e ficarão disponíveis para o aluno 15 cubos com diferentes números nas faces. O jogador irá escolher aquele que resolve o quadrado da soma. O aluno terá o tempo de 15 minutos para a resolução do quadrado mágico”.

A professora de Matemática e orientadora do projeto, Dariane Souza, destaca que o Quadrado Mágico da Soma foi impulsionado pela curiosidade e necessidade de ampliar o conhecimento sobre o lúdico, no processo de ensino e aprendizagem, visando estimular o raciocínio lógico dosestudantes. “A Matemática é uma disciplina importante da base curricular porque aguça o raciocínio lógico, a concentração, a atenção e a autoconfiança. Por ser considerada uma disciplina de difícil entendimento e compreensão, é notório entre os alunos o receio de que não são capazes de aprendê-la”, avalia.

Sendo assim, completa, o trabalho buscou verificar a importância do lúdico e a sua aplicação no ensino da Matemática em sala de aula, especialmente nas séries iniciais do Ensino Fundamental, e analisar o interesse dos alunos pela utilização de brincadeiras, jogos e outras atividades lúdicas na escola. “Jogando, o aluno aprende, sobretudo, a conhecer e compreender o mundo social que o rodeia. Os jogos, se bem planejados, são um recurso didático válido, que pode ser utilizado pelo professor na construção do ensino da Matemática”, frisa a professora.

Jogos digitais na Matemática e na Física

As novas tecnologias sempre despertam um grande interesse nos jovens. Não por acaso, os estudantes do Colégio Estadual Professora Anita Rabello Barreto, em Jequié, no sudoeste baiano, se envolveram no projeto Scratch. Trata-se de um software de construção de jogos e animações. A ideia partiu do professor de Matemática e Física da unidade escolar, André Carlos da Silva, com o propósito de aguçar a criatividade através de conexões em lógica de programação para produzir jogos e, assim, motivar a criatividade e contribuir para o raciocínio lógico, melhorando o desempenho dos seus alunos.

O professor conta ter percebido que os estudantes utilizavam sempre o computador e o celular para acessar jogos on-line. Sendo assim, ele desafiou os alunos a criarem os seus próprios jogos, alinhando-os ao ensino de Física e Matemática, com a utilização dos conteúdos absorvidos em sala de aula. “Eles aceitaram prontamente o desafio e realizamos uma seleção com 54 estudantes, na qual foram selecionados 16 alunos que tiveram o maior interesse em participar das oficinas para a produção dos jogos. A partir do modelo criado, percebi que o interesse dos alunos pelas duas matérias passou a ser bem maior”, relata.

O estudante Emerson Miranda, 17 anos, um dos selecionados, revela que já tinha alguma noção em tecnologia, porque sempre teve interesse por jogos digitais. “Mas aprender a lógica de comandos para o aplicativo funcionar nos dá uma visão diferente sobre essas tecnologias”, diz. A colega Carolina Lima, 16, do 2º ano, comenta sobre a oportunidade. “Estou tendo a chance de aprender um assunto que parecia distante e, hoje, o aprendizado me faz até pensar em cursar o Ensino Superior na área. Acho muito bom poder encontrar isso na escola pública”. Scratch - O projeto Scratch nasceu em 2003, no grupo de pesquisa Lifelong Kindergarten, do laboratório de Mídia do Massachusetts Institute of Technology (MIT). O software de construção de jogos e animações é baseado na programação de blocos, que é uma das plataformas mais utilizadas devido à sua facilidade de uso e à sua interface convidativa. Para a criação dos jogos e animações, o aluno obrigatoriamente precisa externar o seu pensamento na forma de comandos que estão disponíveis no software.

Reaproveitar para economizar

Reduzir o consumo de água a partir do seu reaproveitamento. A partir deste princípio, a professora Cibele Costa idealizou um projeto de conscientização ambiental, com o envolvimento dos estudantes do Colégio Estadual Luiz Viana Filho, em Jequié. A ideia é conscientizar a comunidade escolar para a reutilização da água desperdiçada, por exemplo, de bebedouros, aparelhos de ar-condicionado e sanitários nas áreas verdes da escola e para a limpeza geral da unidade.Foto de Adriel Matos Oliveira “Além de reaproveitarmos a água que sobra nas instalações do colégio, trabalhamos a mudança de pequenos hábitos no dia a dia para a economia de água, e que esta consciência ultrapasse os muros da escola e chegue às casas dos estudantes e na comunidade em geral”, pontua a educadora. O estudante Adriel Matos Oliveira, 13 anos, aluno da 7ª série, conta que, a partir de sua participação no projeto, passou a corrigir em casa alguns maus hábitos que não contribuem para a sustentabilidade do planeta. “Passei a fechar a torneira quando escovo os dentes e a desligar o chuveiro enquanto passo o sabonete no corpo”. O projeto defende, também, o zelo com o espaço escolar para que ele se mantenha limpo e, assim, não haver a necessidade de gasto de água para lavá-lo. “Não sujar os espaços pode significar uma grande economia de água”, afirma a professora.

Pesquisa: a situação do lixo

Os chamados “lixões urbanos” motivaram a realização de um projeto pedagógico da comunidade escolar do Colégio Estadual Luiz Navarro de Brito, em Jequié. Protagonizado pelos estudantes, a partir do Programa Ciência na Escola, o projeto-pesquisa intitulado “Tratamento dado ao lixo: situação e funcionalidade do aterro sanitário em Jequié” serviu de base para a conscientização da população sobre a proliferação de vetores (moscas, mosquitos, baratas, ratos) de diversas doenças que causam riscos à saúde e ao meio ambiente.

Os estudantes analisaram o tratamento dado ao lixo recolhido no município, visando à redução dos danos econômicos, ambientais e à saúde. “Trata-se de um trabalho de natureza qualitativa socioambiental e exploratória, com o objetivo de conscientizar a sociedade sobre a importância de se respeitar as normas de elaboração e o risco que representa a não observância dos padrões exigidos na questão dos resíduos sólidos”, destaca o professor Douglas de Almeida, um dos orientadores do projeto. Os alunos constataram que o aterro não atende às normas técnicas e apresenta inúmeras irregularidades, tais como: arborização não adequada da redondeza, falta de poços de monitoramento para avaliar a contaminação do lençol freático, o descarte inadequado dos resíduos perigosos e o acúmulo de pneus a céu aberto, transformando-se em criadouros para o Aedes aegypti, além da presença de animais e de catadores em condição de extremo risco.

Modelo heliocêntrico do Sistema Solar

Despertar a curiosidade e o interesse nos estudantes do Colégio Estadual Maria José de Lima Silveira, em Jequié, para a Astronomia foi o ponto de partida para a idealização do projeto de pesquisa “Modelo Heliocêntrico do Sistema Solar”. Para a sua realização, os alunos pesquisaram sobre os planetas, os satélites, as estrelas e o Sol e se aprofundaram nas teorias do Geocentrismo e Heliocentrismo para que pudessem entender o contexto histórico da ciência e o funcionamento do Sistema Solar, como explica o professor-orientador Geovane Souza.

A estudante Jéssica Oliveira, 16, destaca a importância do projeto como uma experiência que lhe proporcionou vastos conhecimentos em diversas áreas. “O projeto nos trouxe curiosidade e ampliou os nossos conhecimentos sobre o Sistema Solar e outras áreas ligadas ao tema. Através desse trabalho, pudemos observar, por exemplo, a diferença na composição química de cada planeta”.

Depois da fundamentação teórica, os estudantes partiram para a parte prática, que foi a montagem de uma maquete do Sistema Solar. “Para isso, optamos pelo uso de materiais reciclados para a confecção dos planetas, da Lua, do Sol e dos demais materiais necessários para a estrutura da maquete, que serviu como fonte de conhecimento não somente para os estudantes da nossa escola, como também para a sociedade em geral”, destaca o professor.

Óleo no ponto certo

Sabe-se que os óleos e gorduras utilizados no processo de fritura em cozinhas domésticas ou industriais, depois de saturados, são impróprios para um novo uso. Mas o aproveitamento integrado desses resíduos pode evitar o seu encaminhamento inadequado para rios, pias, solo e aterros sanitários. Partindo deste princípio, os estudantes do Ensino Médio do Colégio Estadual Luiz Viana Filho, em Jequié, protagonizaram o projeto O óleo no ponto certo! Descarte e destinação do óleo residual para reciclagem – Ações sustentáveis.

O estudante Reynan Barbosa de Souza, 3ª série do Ensino Médio, falou do aprendizado que obteve a partir da experiência no projeto. “Tomei conhecimento da estimativa de que um litro de óleo jogado no ralo contamina cerca de um milhão de litros de água. Além disso, dentre os produtos que podem causar efeitos negativos ao meio ambiente estão os óleos comestíveis após o uso em frituras”, revela.

A professora Maize Esteves, orientadora do projeto, explica que, dentre os resíduos poluentes que contaminam a água e o solo, o óleo de cozinha não mais utilizável (óleo residual) tem sido um grande problema para o ambiente. “O nosso trabalho visou identificar o destino desse óleo nas residências de alguns alunos e de algumas pessoas que residem próximo ao colégio”, destaca a educadora, argumentando que, a partir dessa análise somada aos dados obtidos por meio de um questionário aplicado na comunidade do entorno, foi feito um trabalho de conscientização para motivar as pessoas a armazenarem o óleo utilizado e disponibilizá-lo para a coleta, a fim de que ele seja reutilizado adequadamente.

EDUCAÇÃO PROFISSIONAL


Educação profissional foca no empreendedorismo e proporciona oportunidades de trabalho a jovens baianos

A rede estadual de Educação Profissional – a segunda maior do país na oferta de cursos técnicos de nível médio – vem crescendo em número e na sua interiorização, graças ao Programa Educar para Transformar, do Governo do Estado. Foram criados 38 Centros Estaduais e 33 Territoriais de Educação Profissional, além das escolas compartilhadas que também oferecem os cursos de formação técnica e de qualificação profissional. Em 2016, mais de 85 mil jovens e trabalhadores foram beneficiados nos 27 Territórios de Identidade, atendendo a 121 municípios.Com foco na inovação e no empreendedorismo, a Educação Profissional no Estado conta, agora, com o projeto Educação Empreendedora, lançado no dia 16 de maio deste ano pelo governo baiano, em parceria com o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Estado da Bahia (SEBRAE-BA). A iniciativa visa fomentar a cultura empreendedora e dinamizar a economia nos Territórios de Identidade da Bahia, proporcionando diferentes oportunidades de inserção dos jovens no mundo do trabalho. A ideia é capacitar professores e estudantes para alcançar mais de 50 mil jovens baianos até 2018, sendo 40 mil alunos da Educação Básica e 10 mil da Educação Profissional. A seguir, algumas ações desenvolvidas por estudantes da Educação Profissional.

Ponto de ônibus sustentável

Ao observarem a decadente e superada infraestrutura da grande maioria dos pontos de embarque e desembarque de passageiros urbanos em grande parte dos municípios baianos, estudantes do curso técnico em Edificações do Centro Estadual de Educação Profissional (CEEP) Régis Pacheco, em Jequié, desenvolveram o projeto de um ponto de ônibus sustentável, climatizado por meio de energia solar.Em suas pesquisas, os estudantes obtiveram a informação de que a proposta do ponto de ônibus sustentável sugere em sua arquitetura o uso de aço galvanizado e chapas parafusadas, que seja iluminado através de um kit de placa solar, um controlador de energia, uma bateria estacionária e um inversor de carga alimentando a iluminação com lâmpadas de LED. A estudante Débora Souza Oliveira fala sobre a importância do projeto.“Partimos do pressuposto de que a preservação ambiental é questão necessária para garantir à sociedade uma melhor qualidade de vida”. O aluno Valdir Moraes Junior completa: “Observamos que a edificação desses pontos de ônibus é executada de forma tradicional, gerando uma grande quantidade de resíduos sólidos produzidos na construção civil”.

A professora-orientadora Luciana de Deus ressalta que a questão da facilitação de acessibilidade às pessoas com necessidade essenciais também representa um dos propósitos do projeto. “Além disso, nossos alunos buscaram conscientizar a comunidade do entorno sobre a redução do lixo inorgânico no meio ambiente a partir do desenvolvimento de ações sustentáveis, como a reutilização de materiais descartáveis e a sua recolocação na construção civil”, revela.

Promoção do turismo regional

O desenvolvimento de um aplicativo (APP) para promover e divulgar o ecoturismo no município de Jequié é parte do projeto denominado “Jequié Eco Tour”, criado por um grupo de 16 estudantes do curso técnico de nível médio em Informática, do Centro Estadual de Educação Profissional em Gestão e Tecnologia da Informação (CEEP) Régis Pacheco. A ferramenta apresentada, este ano, na Feira de Ciências da instituição escolar, é constituída de textos,imagens e vídeos, com o objetivo de apresentar as belezas naturais da região.

O desenvolvimento do aplicativo contribui, também, para a formação dos futuros técnicos, aliando teoria e prática diante de potenciais demandas do mundo do trabalho.

A estudante Jéssica Batista, 18 anos, que é oriunda da zona rural e participou da elaboração do projeto, conta que o aplicativo é um importante instrumento que alia o que os alunos aprenderam em sala de aula e colocaram em prática. “Na criação do aplicativo, foi utilizada a plataforma APP Inventor, sendo inseridas informações e imagens de áreas de visitação pelos turistas, a exemplo da Barragem da Pedra e da região da Fazenda Velha, com as áreas disponíveis de lazer, balneário, serviços, restaurantes e bares. A nossa expectativa é que os turistas sejam atraídos para visitar a região e encontrem facilidades seguindo a orientação sobre as trilhas virtuais disponíveis no APP, que disponibiliza as trilhas por meio do acesso ao Google Maps”.

O professor e orientador da iniciativa, Alisson Santos, destaca que o projeto tem uma função pedagógica importante. “A ideia é desenvolvermos uma pedagogia de protagonismo estudantil, em que o estudante imprima o seu olhar e o seu ponto de vista da região em que mora. É muito importante para os alunos apresentar um trabalho como este, que possa mostrar a realidade social e econômica da região”. O APP está disponível para download por meio do blog do projeto (www.jequieecotuor.blogspot.com.br).

Aproveitamento do cacau

Estudantes do curso de Qualificação em Alimentação e Nutrição e Dietética, do Centro Territorial de Educação Profissional (CETEP) Médio Rio das Contas, no município de Ipiaú (a 338 km de Salvador), desenvolvem projetos ligados ao aproveitamento do cacau em suas múltiplas utilidades, todos voltados para as tecnologias sociais, de baixo custo e com grande alcance e benefício para a sociedade. Um dos destaques é o projeto “Dos saberes da mistura ao sabor da cocada de cacau”, utilizando a amêndoa natural para o desenvolvimento de um doce saboroso e nutritivo, desenvolvido por alunos do curso técnico em Agronegócio.

A iniciativa, de acordo com os professores, proporciona, sobretudo, uma alternativa de geração de renda para os estudantes e a comunidade do entorno, através da revitalização de cooperativas e, também, do resgate cultural da produção e comercialização da cocada. Mas até chegar a esse estágio, o primeiro passo para a realização do projeto foi conhecer asorigens da cocada. “Para isso, os estudantes retomaram as memórias gustativas e familiares relacionadas à cultura da cocada e para a execução do projeto eles partiram para os relatos orais de donas de casa sobre como a cocada, especialmente a de cacau, é preparada.

Descobriu-se que o preparo é demorado, desde descascar e moer a amêndoa seca do cacauaté o tempo de cozimento, mas que é possível obter uma mistura saborosa e prática, sem aromatizantes ou conservantes, à base de cacau”, relata a professora Radimara Bonfim.

Também tendo como base o fruto do cacau, foi criado por estudantes do curso técnico em Farmácia o projeto ChocoNature, que resultou na elaboração de um shampoo anticaspa feito com o fruto do cacaueiro. Ainda com o foco no empreendedorismo na área do Agronegócio, outro projeto de destaque no CETEP de Ipiaú é o AboShake Rejuvenescer, um suplemento natural que previne o envelhecimento da pele, desenvolvido pelos alunos do curso técnico de Nutrição.

Estudantes atendem crianças carentes por meio de intervenções sociais

Por meio de atividades lúdicas e ilustrativas, os estudantes do curso técnico em Nutrição e Dietética do Centro Territorial de Educação Profissional (CETEP) de Itaparica Wilson Pereira, no município de Paulo Afonso, demonstram à comunidade do entorno a importância de se alimentar de maneira saudável. Para isto, eles criaram o projeto “Alimentação saudável para crianças”, que se trata de uma intervenção social nas escolas de Educação Infantil, nos Programa Saúde da Família (PSF) e nos Centro de Referência da Assistência Social (CRAS) do bairro BTN.

As nutricionistas e professoras do CETEP, Gabriela Valério e Amanda Sá, coordenadoras do projeto, explicam que a proposta é levar os estudantes a prestarem serviços gratuitos para idosos, alunos das escolas de Educação Infantil e de creches, e pacientes dos PSF e CRAS, localizados em bairros carentes do município. “A educação alimentar e nutricional é bem mais absorvida na mente das crianças através de brincadeiras, e quando elas aprendem a se alimentar de forma saudável, ensinam para os pais. Com isso, também tiramos os nossos alunos da sala de aula e os colocamos na prática da profissão”, destaca Gabriela.

A estudante Alicia Bruna, 4o ano do curso técnico em Nutrição e Dietética, destaca a importância de estar envolvida no projeto. “É uma ação muito importante, pois a gente passa para as crianças, através de palestras, peças teatrais e dinâmicas a importância de se alimentar bem. Ao mesmo tempo, passamos a enxergar de forma diferente a nossa comunidade, vendo-a com outros olhos e, assim, podendo ajudar as pessoas à nossa volta”.

A professora Gabriela Valério destaca que, devido ao sucesso da intervenção, os alunos de todos os cursos do CETEP também passarão a atender os indígenas da tribo Truká Tupã, localizada no povoado Caiçara, em Paulo Afonso, com exames laboratoriais dos diversos tipos, orientações nutricionais e o desenvolvimento de projetos sobre a construção civil de baixo custo.

Projeto Educação Empreendedora irá capacitar 50 mil estudantes da rede estadual

Até 2018, 50 mil jovens da Educação Básica e da Educação Profissional da rede pública estadual serão capacitados por meio do projeto Educação Empreendedora. A iniciativa – lançada no último dia 16 de maio pelo Governo do Estado, em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas da Bahia (SEBRAE-BA) – levará cursos de qualificação para os 27 Territórios de Identidade da Bahia, com a possibilidade de alcançar 168 municípios baianos. Com isso, cria-se um novo ambiente nas escolas, relacionando o conhecimento formal com a economia local e a vida cotidiana. Ao promover a cultura empreendedora, a ação visa dinamizar ainda mais a economia da capital e do interior, capacitando esses estudantes para o mundo do trabalho.

O projeto Educação Empreendedora capacitará 40 mil estudantes da Educação Básica e dez mil da Educação Profissional. Para a sua efetivação, serão implantadas nos colégios da rede estadual unidades da Escola Empreendedora, por meio das quais os alunos serão estimulados em diferentes habilidades e conhecimentos sobre empreendedorismo e inovação. Ou seja, a ideia não é somente capacitar o jovem para montar um negócio, mas para que ele crie algo novo dentro de um negócio que já existe, dentro das exigências do atual mercado de trabalho.

Dentro dessa perspectiva, o Educação Empreendedora busca transformar a Educação na Bahia em uma força que irá gerar oportunidades e formar profissionais a partir da escola. Para isto, o projeto promoverá a formação de professores com a oferta de três cursos específicos da área, que acontecem de 7 de junho a 4 de agosto. O SEBRAE ficará responsável pelas aulas e pelos materiais. O curso para Licenciamento de Metodologias de Educação Empreendedora, por exemplo, é voltado para educadores de 15 Centros Territoriais de Educação Profissional, alcançando a qualificação de 50 mil estudantes, nesta primeira etapa, até o próximo ano.

A capacitação de professores, explica o superintendente do SEBRAE-BA, Adhvan Furtado, possibilitará que o empreendedorismo chegue aos estudantes juntamente com conteúdos programáticos, como Matemática e outras disciplinas. “O empreendedorismo vai contribuir para desenvolver, de forma muito democrática, as regiões da Bahia, principalmente no interior do Estado, onde a informalidade é muito grande. A partir do momento em que essas pessoas adquiram conhecimento, que estejam preparadas para empreender com qualidade, elas perceberão que a formalização é importante e que elas podem usar as vocações locais para ter sucesso”, afirma.

Primeiro emprego

Uma fantástica experiência tem sido vivida por estudantes que concluíram os seus cursos técnicos de nível médio. Qualificados na rede estadual, esses recém-formados da Educação Profissional têm, graças ao Programa Primeiro Emprego, a oportunidade de ingressar no mundo do trabalho. Trata-se de uma ação social de combate ao desemprego dos jovens, promovida pelo Governo do Estado. Até 2018, nove mil deles – da capital e do interior – terão sido contratados pelo Estado, conquistando, assim, uma colocação no mercado, com carteira assinada. Muitos deles, inclusive, têm a chance de exercer as suas profissões nas próprias escolas onde finalizaram o curso, dentro das suas áreas. Além da oportunidade de trabalho, o programa contribui para a melhoria do aprendizado do aluno, já que o preenchimento das vagas do programa depende do seu desempenho escolar. No setor público, as vagas estão sendo destinadas às áreas da Saúde, Educação e Segurança Pública.

Foto de Isabelle Alves Feitosa
“Fiquei surpresa e muito alegre com a notícia. Agarrei a oportunidade com toda a força e cá estou trabalhando na minha área, na Escola Estadual Ministro Oliveira Brito”, diz.

Isabelle Alves Feitosa, técnica em alimentos

O ingresso ao mundo do trabalho através do Programa Primeiro Emprego deu uma reviravolta na vida de Isabelle Alves Feitosa, 26, técnica em Alimentos, formada pelo Centro Territorial de Educação Profissional (CETEP) Wilson Pereira, em Paulo Afonso (a 471 km de Salvador). Ela conta, com orgulho, a vitória de ter sido contemplada. Com o salário, conta, ela paga o curso de Pedagogia na Faculdade Uniasselvi, no próprio município, onde mora com a mãe e o filho de um ano e oito meses. Os sonhos de Isabelle não param por aí. “Sinto-me muito realizada, mas ainda desejo me tornar professora”, revela. “Fiquei muito alegre com a notícia. Agarrei a oportunidade com toda a força. Sinto-me muito realizada, mas ainda desejo me tornar professora”. Isabelle Alves Feitosa, técnica emAlimentos Contratada do Centro Territorial de Educação Profissional (CETEP) II Wilson Pereira, em Paulo Afonso (471 km de Salvador), a técnica em Informática Mayara Santos, 20, conta que parece ter acordado “de um sonho” quando foi comunicada que havia sido contemplada no Programa Primeiro Emprego. No início deste ano, ela também foi aprovada na Universidade Estadual da Bahia (UNEB) para Engenharia de Pesca.

Foto de Mayara Santos
“Eu nem acreditei, fiquei feliz demais. Acredito que foi a recompensa pelos quatro anos de muita dedicação aos estudos”, comemora.

Mayara Santos, técnica em informática

O emprego no CETEP, para o qual havia sido chamada, ocuparia todo o dia. Para conciliar o trabalho com os estudos vespertinos, ela negociou um horário diferenciado no Centro. “Assim, faço a faculdade pela tarde e trabalho pela manhã e à noite”, conta a ex-aluna da rede estadual, que já vislumbra um novo sonho: cursar uma pós-graduação no exterior. Mayara Feitoza Santos, técnica em Informática A então estudante do curso técnico de Informática do Centro Territorial de Educação Profissional (CETEP) Wilson Pereira, em Paulo Afonso (a 471 km de Salvador), morava em Povoado, zona rural do município. Dois meses depois de ter concluído a formação técnica, ela foi contemplada pelo Programa Primeiro Emprego, tendo sido chamada para atuar no Colégio Estadual Democrático Quitéria Maria de Jesus. A mudança imediata foi deixar a casa dos pais,onde morava, e dividir uma casa com amigas na cidade.

Foto de Isabelle Alves Feitosa
“Estava difícil arranjar emprego na minha área. Fazer um curso que te exige tanto estudo e depois ficar parada é muito frustrante.Mas, graças a Deus, fui uma boa aluna e como reconhecimento do meu esforço veio a chance do primeiro emprego, através desse programa. Estou me estruturando financeiramente, aproveitando as oportunidades e me preparando para os desafios futuros”, revela.

Eliane de Aquino, técnica em informática

“Fui uma boa aluna e como reconhecimento do meu esforço veio a chance do primeiroemprego, através desse programa”. Elaine de Aquino, técnica em InformáticaNo final de 2015,

Foto de Mércia Teixeira dos Santos
“Para mim, tem sido uma experiência incrível, tenho contribuído e, ao mesmo tempo, aprendido muito”.Mércia Teixeira dos Santos, técnica em Informática.

Mércia Teixeira dos Santos, técnica em informática

Mércia Teixeira dos Santos, 20 anos, concluiu o curso técnico em Informática no Centro Territorial de Educação Profissional (CETEP) Wilson Pereira, em Paulo Afonso (a 471 km de Salvador).Ela diz que a instabilidade do mercado lhe deixava apreensiva com relação ao seu futuro profissional. “Não tinha certeza se conseguiria um emprego na minha área quando fui chamada pelo Programa Primeiro Emprego para atuar no Colégio Estadual Polivalente de Paulo Afonso.

ESCOLA-COMUNIDADE


Programa que integra família e escola colabora no desempenho escolar e na relação de pais e filhos

O responsável pela estudante Camila Nascimento, 15, é um pai orgulhoso e determinado, que faz questão de acompanhar de perto a vida escolar da filha, durante todo o ano letivo. Paulo Agenor Nascimento conta que não perde uma única atividade dirigida aos pais, promovida pelo Colégio Estadual Maria de Lourdes Lima Pereira, no distrito de Barra do Tarrechil, em Chorrochó (a 530 km de Salvador), no norte do Estado, onde a aluna cursa o 1º ano do Ensino Médio. Para ele, essa integração família-escola é fundamental para melhorar o desempenho escolar e a relação entre pais e filhos. Dentro desse princípio, o programa Educar para Transformar – Pacto pela Educação, do Governo do Estado, destaca em um de seus eixos a integração família-escola.

A iniciativa tem estimulado pais, mães, avós e outros familiares de alunos da rede estadual a se aproximarem, cada vez mais, da vida escolar de seus filhos e netos. Essa participação direta dos familiares tem contribuído para a qualidade do relacionamento em casa e para a melhoria do rendimento escolar, alterando positivamente os indicadores de desempenho das unidades. Paulo Agenor fala sobre a sua responsabilidade como pai e a importância de vivenciar o dia a dia escolarda filha Camila. “Não é só a escola que tem a obrigação de promover a educação. A família também tem que estar perto para que os filhos sejam bem-sucedidos no colégio e na vida”, considera o pai de Camila, que, no ano passado, foi eleito pela comunidade escolar como representante dos pais no Colegiado Escolar da unidade. “Quando a gente se torna ativo na vida escolar dos filhos, eles se tornam mais responsáveis, melhoram as notas, o comportamento em sala de aula e a disciplina”, garante.

Em contrapartida, com o objetivo de estreitar cada vez mais a relação entre escola e família, a equipe gestora do colégio realiza reuniões frequentes com a presença dos pais e responsáveis para discutir questões voltadas para a vida escolar. “Os encontros periódicos que fazemos são destinados para ouvirmos as famílias e convidá-las para participar do processo educativo de seus filhos, mostrando-lhes que quando o pai e a mãe vivenciam a escola, o rendimento escolar melhora e, consequentemente, a qualidade da Educação, criando na comunidade o sentimento de pertencimento em relação à escola”, relata o diretor Emanoel Jackson Pereira, destacando a participação das famílias, por exemplo, nas passeatas ecológicas para chamar a atenção de questões como a crise hídrica e o combate ao mosquito Aedes aegypti. Sandra Santos, mãe das estudantes Bianca, 1º ano, e Bruna, 7ª série, comenta sobre a sua participação na vida escolar das filhas. “Gosto de participar porque percebo que a presença dos pais na escola contribui para a melhoria do rendimento escolar dos alunos, bem como das relações domésticas”.

Colégio cria projeto pela cultura de paz

Disseminar a cultura de paz no ambiente escolar. Com este lema, os estudantes do Colégio Polivalente de Paulo Afonso, em Paulo Afonso, criaram o projeto Cultura de Paz: #Vou compartilhar amor. Com esta ação pedagógica, os alunos se atentam para sentimentos de cordialidade, solidariedade e generosidade. A proposta é que as atividades proporcionem o desenvolvimento e as habilidades, bem como promova a formação humana, propiciando o respeito às identidades e às diferenças, valorizando a convivência e resgatando valores como ajuda mútua, esforço próprio, responsabilidade, democracia, entidade, igualdade e solidariedade.

Foto de Mércia Teixeira dos Santos

Todas as palestras e oficinas são organizadas e ministradas pelos próprios estudantes. A aluna Franciele Adriana destaca a importância das atividades. “Estão sendo fundamentais porque, através delas, aprendemos tanto a ter responsabilidade com o patrimônio da escola quanto a valorizar o trabalho em equipe. Eu, por exemplo, descobri que precisava dos outros para realizar as minhas atividades e aprendi a ser menos egoísta, além de entender que tenho que cuidar do patrimônio da escola, pois ele é um bem de todos”, relata Franciele.

Foto do cartaz #vou compartilhar o amor

O aluno Danilo Henrique, do 2º ano, conta que o projeto o ajudou a se tornar uma pessoa melhor e a mudar a sua forma de se relacionar com as pessoas. “A mudança começa na gente. Então, assim como a violência é contagiante, o amor e a gentileza também o são. A prova disso é a diminuição da violência na nossa escola”, considera. O estudante, juntamente com a sua turma,visita os estudantes nas escolas municipais e técnicas, em creches e nos abrigos para menores,onde fazem palestras e oficinas sobre esses temas.

Projeto foca na valorização do espaço público escolar

Inspirados na peça “Cuida bem de mim”, do diretor Luiz Marfuz, representada pelo grupo de teatro do Liceu de Artes e Ofícios da Bahia, professores do Colégio Modelo Luís Eduardo Magalhães, em Paulo Afonso, criaram o projeto Cuidar da escola: um ato de cidadania. A iniciativa, pensada como modelo de intervenção, visa à melhoria da estrutura física na preservação e conservação da escola. O projeto é desenvolvido ao longo do ano letivo e tem como foco a valorização e a preservação do espaço público escolar.

A estudante Mirttis Teixeira, do 2º ano do Ensino Médio, conta que o projeto contribuiu para a conscientização em relação ao cuidado com a escola. “Aprendi a valorizar mais o ambiente escolar, a cuidar para que ninguém jogue lixo na escola nem piche as paredes, pois a escola é o patrimônio de todos nós e vai servir para outras gerações”, disse Mirttis.

De acordo com a professora Maria Selma Alves, o Colégio Modelo Luís Eduardo Magalhães abraçou a causa em conjunto com os alunos, os professores, a direção, a coordenação e o colegiado, além da comunidade do entorno, criando uma relação de pertencimento do ambiente escolar. “Trata-se de uma ação cidadã, através da qual diagnosticamos a necessidade de valorizar e cuidar do patrimônio público e cultural”. A professora Rosa Costa, por sua vez, recorda que uma das primeiras ações do projeto foi a limpeza das paredes do prédio do colégio, em que pais, alunos, funcionários e professores fizeram um mutirão para pintar todo o prédio. “Nessa ação, também foi trabalhado o cuidado com o patrimônio humano, buscando melhorar a relação entre todos”.

Programa Alfabetização na Idade Certa beneficia quase 900 mil crianças em todo o Estado

Quando foi estudar na Escola Municipal Padre Exupério Souza Gomes, no município de Boa Nova(a 240 km de Salvador), na região centro-sul da Bahia, no ano passado, o garoto Iago Sampaio,com então seis anos de idade, não via a hora de aprender a ler e a escrever. Ele logo se encantou com a ludicidade das aulas do 1º ano do Ensino Fundamental e não demorou muito para ser alfabetizado. A sua mãe, Marinélia Sampaio, conta que o filho se desenvolveu rapidamente, graças à metodologia dinâmica e lúdica do programa Alfabetização na Idade Certa, desenvolvido pela Secretaria da Educação do Estado da Bahia.

Foto de Iago Sampaio

O programa, realizado em regime de colaboração com os municípios baianos, visa à alfabetização com o letramento de todas as crianças até os oito anos, garantindo que elas continuem o seu percurso escolar com sucesso. A ação, que integra as redes e sistemas públicos de ensino em torno da melhoria da qualidade da Educação Básica nas escolas públicas do Estado, está beneficiando quase 900 mil crianças até oito anos de idade dos 413 municípios baianos que aderiram ao programa.

A mãe de Iago testemunha o sucesso do programa. “Uma das coisas que mais encantaram o meu filho, que sempre gostou de ler, foi o estímulo à leitura através da maleta dos livros, que é sorteada entre os alunos e o felizardo tem o direito de levá-la para casa por dois dias. Quando chegou a sua vez, Iago ficou eufórico. Ele também gostou muito da gincana literária e das demais atividades que fazem do processo da alfabetização um momento dinâmico, colorido e divertido”, relata Marinélia, que, além da sua sensibilidade materna, tem a visão como professora e coordenadora local do Pacto com Municípios pela Alfabetização, em Boa Nova.

Alfabetização e letramento - Por meio da parceria com os municípios, a Secretaria da Educação fornece material didático, assessoramento técnico e formação de professores alfabetizadores, que são estimulados a utilizar jogos cognitivos, brincadeiras interativas, desenhos e ilustrações que fazem da sala de aula um espaço lúdico e de maior aprendizagem. É dentro desse universo que Iago Sampaio, hoje aluno do 2º ano do Ensino Fundamental, está inserido.

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A coordenadora pedagógica do Pacto com Municípios pela Alfabetização em Boa Nova, Ivina Bitencourt, destaca os benefícios do programa. “O pacto trouxe um novo olhar para a condução do trabalho em sala e, principalmente, contribuiu para o aperfeiçoamento da prática de alfabetizadores, mostrando que é possível alfabetizar e letrar dentro de um universo permeado de ludicidade, no qual as crianças possam aprender de forma contextualizada e significativa. Dentro desse contexto, entendemos a necessidade de fortalecer cada vez mais as ações do programa dentro do município”, pontua.

Formação e livros didáticos - O programa Alfabetização na Idade Certa oferece, também, a formação dos professores municipais e a distribuição de material e livros didáticos. Até o final deste ano, a Secretaria da Educação terá realizado cinco círculos formativos, com um total de 902 cursistas que irão formar os professores alfabetizadores do 1º ao 3º ano nas escolas municipais. As formações são presenciais e à distância e são complementadas pelo acompanhamento pedagógico em sala de aula. Além da formação continuada e do acompanhamento em sala de aula, toda a proposta de trabalho é sistematizada em caráter de sequências didáticas, a partir de gêneros textuais, envolvendo roda de leitura e oralidade, práticas de análises linguísticas e atividades que valorizam a cultura da leitura e da escrita.

PROJETOS PEDAGOGICOS


Iniciativas estimulam e fortalecem a Educação Básica na Bahia

Várias ações estratégicas vêm sendo desenvolvidas pela Secretaria da Educação do Estado da Bahia buscando o fortalecimento da Educação Básica – um dos eixos do programa Educar para Transformar. As iniciativas passam pelo estímulo à leitura, pelo incentivo ao estudo da Língua Portuguesa e da Matemática e pelo fomento das artes, da ciência, do esporte e da cultura, com o objetivo de diversificar os currículos escolares, promover o protagonismo juvenil e tornar as escolas mais dinâmicas. Os projetos, que alcançam todos os estudantes matriculados nas 1.320 unidades escolares da rede pública estadual, estão voltados, ainda, para a formação e valorização dos profissionais de Educação. Foto de

Protagonismo juvenil

O protagonismo juvenil na rede estadual é representado por experiências estudantis criativas,através de projetos de arte, ciências, cultura e esporte, que são desenvolvidos durante todo o ano letivo, diversificando os saberes nos currículos escolares e garantindo o direito ao conhecimento e à cultura. As experiências são apresentadas nas escolas e em âmbito estadual e regional, por meio do Encontro Estudantil Todos pela Escola, que acontece, anualmente, em Salvador. O Colégio Estadual Luiz Navarro de Brito, em Jequié, no sudoeste baiano, por exemplo, é a prova de que o incentivo às artes, em suas distintas linguagens, dinamiza o ambiente escolar.

Na unidade escolar, os estudantes atuam como protagonistas em diversos projetos culturais, principalmente os estruturantes da Secretaria da Educação do Estado, tais como o Festival Anual da Canção (FACE), Tempos de Arte Literária (TAL), Artes Visuais Estudantis (AVE) e Educação Patrimonial e Artística (EPA). Na área de Literatura, um projeto que se destaca é o multidisciplinar “Ler pra ver: uma proposta multidisciplinar de letramentos”, através do qual os alunos são levados a redirecionar e ampliar os conceitos de lectoescrita, com a formação de leitores críticos e conscientes do seu papel na sociedade. Foto de

As estudantes Milena Souza e Júlia Fernandes, do 2º ano do Ensino Médio, formaram um dueto poético para a elaboração de um poema histórico sobre Anésia Adelaide Cauaçu, a primeira mulher que participou do cangaço no Sertão de Jequié. O poema incluído na coletânea “Palavra é arte – poesias”, de autoria da ex-aluna Raine Pereira Gomes, retrata, em forma de poema, a trajetória emblemática de Anésia Cauaçu. “Através de projetos como esses, a gente consegue romper barreiras, como a timidez, permitindo o autoconhecimento das nossas potencialidades”, observa Milena.

A professora Elza Pereira, que junto às colegas Bárbara Alves e Patrícia de Carvalho orientou o projeto, destaca que o trabalho “engloba as demais áreas do conhecimento, empregando habilidades e competências leitoras desenvolvidas e adquiridas na produção de textos para as ações dos projetos estruturantes”. A diretora Fabrine Novaes comenta, com orgulho, o resultado alcançado no envolvimento de alunos das diversas séries dos Ensinos Fundamental II e Médio.“Vem sendo colocado em prática, a cada ano, o aprimoramento desses projetos que visam elevar o nível crítico dos nossos alunos, provocando reflexões sobre a sua participação social”.

Educação em Tempo Integral

Alunos do colégio Estadual Democrático Quitéria Maria de Jesus

Uma das estratégias voltadas para o fortalecimento da Educação Básica é o projeto da Educaçãoem Tempo Integral (ProEI), que visa oportunizar tempo e espaço para estudar, aprender e desenvolver atividades pedagógicas em contextos diversos como arte, esporte, ciência e cultura.Um exemplo bem-sucedido de Educação Integral é o Complexo Integrado de Educação (CIE) na Bahia, em Ipiaú, implantado em 2015. A exemplo dos outros três CIE – Itabuna, Porto Seguro e Itamaraju –, o CIE de Ipiaú permite a oferta da Educação em Tempo Integral para o Ensino Médio.

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Com 344 alunos matriculados, o CIE de Ipiaú mantém parceria com a Universidade Estadual da Bahia (UNEB), que atua nas ações pedagógicas de capacitação dos professores da unidade.

O estudante Alexandre de Souza, 16, da 2ª série do Ensino Médio, membro do Colegiado Escolar, fala do modelo de ensino. “Os estudantes têm um melhor envolvimento com o ambiente escolar e, assim, podem compartilhar mais conhecimentos”. O aluno Felipe Lima, 15, da 1ª série do Ensino Médio, também do Colegiado Escolar, reforça: “A gente se envolve mais com o processo de aprendizagem e, com isso, o rendimento escolar aumenta”.

A oferta de Educação Integral no Colégio Estadual Democrático Quitéria Maria de Jesus, em Paulo Afonso, também tem encantado a comunidade escolar. Cícera Eduarda Lino, 15, 1ª série do Ensino Médio, está empolgada. “No Ensino Integral, temos mais acesso ao conhecimento, e isso nos auxilia na construção do nosso futuro”, considera. O aluno Matheus Lima, 16, 1ª série, complementa: “É um projeto muito bom porque foca nos estudos e daqui a alguns anos vamos ter orgulho de termos nos tornado grandes profissionais”. A articuladora do projeto na unidade escolar, Adriana Cabral, destaca que “quando os jovens passam mais tempo na escola, eles se distanciam de problemas da realidade social, otimizando o seu aprendizado”.

A Educação Integral na Bahia chega a 67 escolas estaduais e 25 Centros de Educação Profissional e, por meio do projeto Mais Educação (Governo Federal), é levada para mais 622 escolas e beneficia cerca de 265 mil estudantes em todo o Estado.

Educação quilombola

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No Colégio Estadual Doutor Milton Santos, localizado na comunidade quilombola do Barro Preto, em Jequié, a arte associada à educação é uma fórmula eficaz de proporcionar transformações significativas na vida dos estudantes. Fundada em 1964, a unidade escolar só foi reconhecida como instituição de educação quilombola 52 anos depois, em 2007, época em que recebeu do Ministério da Educação (MEC) o Selo Nacional pela Igualdade Racial. O colégio é destaque por obter um ótimo Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB), um dos melhores da rede estadual, desde 2011, sendo que, em 2015, obteve 4,0 pontos no IDEB, atingindo a meta projetada para 2017.

Proporcionar aos alunos uma condição melhor de trabalhar com eficiência os conceitos propostos, estimulando-os a adquirir novos conhecimentos em relação ao processo de ensino e aprendizagem da Língua Inglesa, fundamentou o projeto Soletrando. A inciativa, como explicam as coordenadoras Airam Carla Pereira e Manuela Santos, foca no alfabeto, “praticando a pronúncia das vogais e consoantes, organizando-as pelo som para a memorização de forma mais rápida e segura”. A professora Luciana de Deus fala sobre a execução do projeto, que tem à frente estudantes do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental II. “Orientamos os educandos a praticarem o alfabeto soletrando nomes de colegas, professores e funcionários da escola, nomes de familiares e amigos, nomes de objetos, comércios ou lugares conhecidos no bairro, nomes de diferentes cidades e países ao redor do mundo”.

Nesse processo de interação aluno-escola, a partir do aperfeiçoamento da educação, destaca-se ainda o projeto Rádio Zumbi, que envolve alunos da 5ª a 8ª séries. O aluno Ruan Santos comemora a existência do projeto. Com um conteúdo semelhante ao das emissoras convencionais, a rádio proporciona aos educandos um programa semanal intitulado “Soltando a Língua”, com apresentações sobre os mais variados conteúdos e também atividades recreativas, como o noticiário engraçado, gincanas, textos de novela de rádio, esporte e agenda cultural. “Desde o lançamento da Rádio Zumbi, foi observada a redução do barulho entre os estudantes que se reúnem em grupos no horário do intervalo para ouvir e pedir música via aplicativos”. A professora e coordenadora do projeto, Jaqueline Almeida, reforça que o trabalho “transforma a escola em um ambiente atraente e divertido”.

Educação e Saúde

A comunidade escolar do Colégio Estadual Valmir Oliveira Gomes, da cidade de Jitaúna (a 398 km de Salvador), no sudoeste baiano, está envolvida no projeto Saúde na Escola, dentro do programa Ciência na Escola, desenvolvido pela Secretaria da Educação do Estado. Por meio dessa iniciativa, os alunos protagonizam ações interdisciplinares relacionadas à alimentação saudável e dicas de nutrição, que são assimiladas no cotidiano escolar e são repercutidas no ambiente familiar. O empenho da comunidade escolar em melhorar cada vez mais a qualidade da educação resultou na avaliação positiva no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB), destacando-se pela nota 4,0, em 2015, atingindo a meta estipulada para 2017.

O diretor Claudion Silva tem uma explicação para o destaque do colégio no IDEB. “A interação aluno-escola pode ser apontada como o diferencial positivo da escola. Estamos sempre elaborando novos projetos, junto aos estudantes, que exercitam essa interatividade, como é o caso do “Conservar o Verde”, “Você Tem Fome de Quê?” e “O Que o Corpo Agradece”, em fase de planejamento”.

O professor Eduardo Lourenço, que atua como orientador desses projetos, complementa:“Através do programa Ciência na Escola, vamos em busca de um maior envolvimento do alunado não apenas com as disciplinas do currículo básico, como também com projetos voltados para o despertar da cidadania”. É o caso do vídeo educativo sobre a prevenção do mosquito Aedes aegypti, um trabalho criado e produzido pelos estudantes Jennife Santana e Kellen Barbosa, com o objetivo de difundir ações preventivas para coibir a proliferação do mosquito no ambiente escolar e na comunidade do entorno.

Projeto de ações socioambientais é destaque no Colégio Estadual Carlina Barbosa de Deus

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Os estudantes do Colégio Estadual Carlina Barbosa de Deus, em Paulo Afonso, estão envolvidos em diferentes ações que trazem para eles uma maior conscientização ambiental e a adoção de atitudes sustentáveis no seu dia a dia. Através do projeto interdisciplinar Gogren (Tudo Verde), os alunos adquirem a cultura da preservação do meio ambiente, englobando a melhoria do paisagismo, a economia de água e energia e a conservação da limpeza da unidade escolar.

Paloma Larissa, estudante do 3º ano do Ensino Fundamental, relata a mudança de sua relação com a natureza a partir do projeto. “Eu tinha outra visão sobre o meio ambiente antes do Gogren, que nos ensinou que é preciso cuidar da natureza, que é uma dádiva que Deus nos deu e que só com conscientização vamos preservar os recursos naturais do nosso planeta”.Foto de

A professora e uma das coordenadoras do projeto, Daniela Sonaira, ressalta que todas as etapas da horta escolar foram desenvolvidas pelos alunos, a exemplo do plantio, da limpeza e da manutenção da área verde da escola. “O trabalho despertou neles uma cultura de preservação do meio ambiente e de ações sustentáveis. Agora, já estamos realizando oficinas de sabão e ações de conscientização sobre a separação do lixo”.

Referência em Educação Indígena

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Os jovens Awaré Ca Arfer Jurum Tuxá, 16 anos, e Luís Gustavo Ca Afer Jurum Cuncariba Tuxá, 15 anos, são primos, vivem na mesma comunidade e estudam no Colégio Estadual Indígena Capitão Francisco Rodelas, situado na Aldeia Tuxá, em Rodelas (a 459 km de Salvador), no norte da Bahia, às margens do Rio São Francisco. Eles integram o quadro discente da unidade, composto por 250 estudantes, todos indígenas. Eles são protagonistas da Educação Escolar Indígena, caracterizada por ser específica, intercultural e diferenciada, visando à afirmação das identidades étnicas e a garantia de que a cultura e os conhecimentos ancestrais sejam respeitados e valorizados.

O estudante Luís Gustavo, aluno do 2º ano do Ensino Médio, fala, orgulhoso, do incentivo que recebe na escola e em casa para garantir o seu espaço no mundo do trabalho e ser respeitado na vida social. “Meu pai, que é biólogo e professor, é meu grande exemplo de que podemos, através da educação formal, alcançar os nossos sonhos profissionais e preservar a nossa identidade. Por isso, é muito importante estudarmos os conteúdos gerais, mas sem perder de vista a nossa cultura. E o nosso colégio tem cumprido um papel essencial no resgate cultural, para buscarmos a nossa verdadeira identidade”, relata o aluno, que pretende cursar uma faculdade de Medicina ou Direito.

Da mesma forma, Awaré, que cursa o 3º ano do Ensino Médio, segue firme nas suas convicções de que o índio é tão capaz quanto o branco ou o negro de, por exemplo, ingressar no Ensino Superior.“O nosso colégio, que é também a nossa casa pela importância que tem para as nossas vidas e para toda a comunidade, nos ensina a provar para a sociedade que somos capazes de crescer profissionalmente, sem deixarmos de ser índios. Por isso, é fundamental o trabalho de resgatar a preservação da nossa cultura, dos nossos costumes, das nossas crenças”.

Maior IDEB - Entre o povo indígena da Aldeia Tuxá, o Colégio Estadual Indígena Capitão Francisco Rodelas é a instituição mais respeitada e reverenciada. “As disciplinas específicas que fazem parte do currículo escolar, voltadas para a religiosidade, os movimentos indígenas, a valorização da cultura e o pertencimento, nos proporcionam trazer a comunidade para dentro da escola e, assim, o povo Tuxá compreende que a escola é a própria comunidade”, ressalta a diretora Mayra Apako, afirmando que a unidade é um dos destaques de Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) no território e é que mais tem alunos aprovados nas universidades estaduais e federais do Núcleo Territorial de Educação (NTE 24), do qual pertence.

Educação do campo

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Referência em Educação no Campo, a Escola Estadual Rural Taylor Egídio, no município de Jaguaquara (a 251 km de Salvador), no sudoeste baiano, é um exemplo de unidade escolar que inclui o homem do campo no processo educacional, possibilitando que ele prossiga os seus estudos conciliando com o trabalho, criando novas perspectivas de vida e de empreendedorismo rural. Isto é possível graças à oferta de educação em regime de alternância, que é uma proposta de organização de tempos e espaços que respeita as peculiaridades regionais, o modo de vida do homem do campo, seus costumes e valores, frente à complexidade existente na Agricultura Familiar.

“A nossa escola estimula os alunos a aprenderem as técnicas de plantio de hortaliças, da agricultura orgânica e o controle de pragas e espera que eles levem para o seu habitat esses conhecimentos, dentro do propósito de fixá-los no campo, evitando a sua migração para as cidades, que muitas vezes não é a opção mais acertada”, destaca o diretor Lourival Bomfim. O gestor completa que a maior parte das hortaliças produzidas na escola é consumida pela própria comunidade escolar e uma menor parte é adquirida pela população do entorno.

Educação especial

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A instalação do Atendimento Educacional Especializado (AEE) no Centro Estadual de Educação Profissional em Gestão e Tecnologia da Informação (CEEP) Régis Pacheco, em Jequié, representa uma conquista importante para as pessoas com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação. Os alunos que estudam nas escolas comuns e no contraturno são atendidos em uma sala de recursos multifuncionais, criada pela Secretaria da Educação do Estado, dentro de um atendimento especializado que tem como enfoque o respeito à diversidade.

Foto de A sala de recursos multifuncionais do AEE atende, em média, 25 alunos em faixa etária diversa, duas vezes por semana, nos três turnos. Considerando a necessidade específica de cada estudante, o AEE se fundamenta na promoção do acesso, participação e interação dessas pessoas nas atividades escolares, com o acompanhamento em todos os níveis, etapas e modalidades de ensino, dando-lhes a garantia de todos os direitos, de acordo o estabelecido na proposta nacional de Política de Educação Inclusiva.

“Atuamos em uma espécie de suporte pedagógico, esclarecendo, subsidiando e acompanhando os alunos com deficiência, de acordo com as suas peculiaridades, tendo como princípio básico o respeito à diversidade”, diz a professora Márcia Oliveira. Um dos resultados mais expressivos obtidos pelo AEE foi com o aluno Aaron Soares, que possui deficiência intelectual e foi premiado na V Feira Nacional de Matemática, promovida no ano passado, em Salvador, pela Secretaria da Educação do Estado, em parceria com a Universidade Estadual da Bahia (UNEB).

Estudantes produzem horta de alimentos orgânicos

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A lida com a terra, a plantação, a colheita, a valorização dos recursos naturais e a importância de comer produtos livres de agrotóxicos. A temática está inserida no cotidiano dos estudantes da Escola Estadual Ministro Oliveira Brito, em Paulo Afonso-BA, desde que eles se envolveram com o projeto Horta Escolar. Através da iniciativa, os alunos estão contribuindo para complementar a merenda escolar com alimentos mais saudáveis e nutritivos. Ao cuidar da terra, eles também estão obtendo conhecimentos teóricos e práticos sobre educação sustentável.

As hortaliças, frutas e verduras produzidas na horta estão isentas de qualquer produto químico nocivo para a saúde humana ou para a sustentabilidade do solo.Empolgados, os estudantes contam que o projeto modificou os seus comportamentos no dia a dia. “Eu não entendia nada de plantas e, atualmente, já sei usar ervas para fazer chás, que são bebidas importantes para a nossa saúde”, revela o aluno Kauan Pires. Já a estudante Jennifer Ludmila passou a acompanhar a mãe à feira para ajudá-la a identificar os produtos que contêm uma maior ou menor quantidade de agrotóxicos. “Hoje, tenho mais conhecimento sobre os recursos naturais e os alimentos que vêm da terra, graças às aulas teóricas e práticas que tive na minha escola, em especial no projeto Horta Escolar”.

A diretora do colégio, Adeita Pires, conta que a “horta orgânica da escola tornou-se um laboratório na comprovação de ideias populares e inovações ambientais acessíveis à comunidade, a exemplo da erva Citronela, que é transformada em repelente natural, além da produção de alimentos orgânicos, como mamão, acerola, macaxeira, feijão, maxixe, quiabo, batata-doce, banana, melancia e milho, usados no complemento da merenda escolar”. A professora Terezinha Lima, idealizadora da horta, fala sobre o objetivo do projeto. “Este trabalho tem a intenção de formalizar o conhecimento científico, a partir das ervas naturais, e pensar as relações e os papéis entre os saberes populares e os saberes científicos, considerando que são diferentes, mas são indissociáveis”.

Projeto idealizado por estudante proporciona economia mensal de mil litros de água na escola

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Em tempos de crise hídrica, estudantes da rede estadual têm protagonizado uma série de experiências nas escolas, visando ao uso sustentável da água. Um exemplo de atitude consciente é a que o estudante Iuri Sobral, 20 anos, desenvolve no Colégio Estadual Santo Antônio de Abaré, em Abaré (a 434 km de Salvador), situado no Vale do São Francisco. Ele criou um protótipo para captar a água que sai dos aparelhos de ar-condicionado e bebedouros da unidade e reutilizá-la na horta da escola, que foi criada pelos próprios alunos para produzir hortaliças, frutas e ervas.

Foto deIuri conta que a ideia surgiu da consciência de que, sendo um recurso finito e levando-se em conta a atual crise hídrica do planeta, a água não deve ser desperdiçada. Assim, observando os aparelhos de ar-condicionado em funcionamento, ele percebeu que uma boa quantidade de água é jogada fora. “Resolvi, então, colocar um balde debaixo de um aparelho e captei, somente em um, mais de cinco litros. O mesmo acontecia com os bebedouros e, em um único dia, eu e alguns colegas captamos 80 litros de água. Pegamos essa água e, através de uma encanação improvisada, a transferimos para um reservatório, com a finalidade de irrigar a nossa horta. Para se ter uma ideia, em um mês, economizamos mil litros de água”, vibra.

O projeto, batizado de “A água produzida na escola: uma oportunidade de Educação Socioambiental”, está inserido no programa Ciência na Escola, da Secretaria da Educação do Estado. A diretora da unidade escolar, Leidaiane Ribeiro, comenta sobre o feito. “Além de incentivar o protagonismo juvenil, essas ações contribuem para a conscientização da comunidade escolar e do entorno sobre a sustentabilidade para a sobrevivência do planeta”. A gestora destacaque o colégio participa também de outros programas propostos pela Secretaria da Educação,como o Juventude em Ação – Agenda 21 e o Saúde na Escola.

O Juventude em Ação visa promover a formação de Comissões de Meio Ambiente e Qualidade de Vida (COM-VIDA) e a elaboração da Agenda 21 escolar. A estratégia metodológica do projeto incentiva o protagonismo juvenil estabelecendo ações e metas a ser realizadas através de um diagnóstico participativo da realidade socioambiental da escola, promovendo a inclusão da Educação Ambiental de forma transversal e interdisciplinar. Já o Programa Saúde na Escola (PSE) envolve a articulação dos setores da Educação e da Saúde para a efetividade das ações, com o objetivo de promover a atenção integral à saúde dos educandos da rede pública, através de ações de promoção, prevenção e atenção à saúde, de forma a empoderá-los para o reconhecimento e o enfrentamento das situações que os tornam vulneráveis e que possam vir a comprometer o seu pleno desenvolvimento. “Realizamos palestras e vídeos sobre temas ligados à promoção da saúde e prevenção de doenças, como a zika, dengue e chikungunya e o resultado tem sido muito positivo porque eles adquirem consciência sobre os cuidados que devem ter com a sua saúde global”, pontua Leidaiane Ribeiro.


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